A adopção

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A adopção

Mensagem por Starlight em Ter 27 Mar 2012, 06:16

Não sei como é que ainda não tinha ocorrido a ninguém abrir um tópico com este tema.

Anyway, o que pensam vocês sobre a adopção em Portugal e no mundo?

Os casais devem poder escolher o sexo da criança? E a idade?
Têm o direito de escolher o estado de saúde da criança?
No caso de um casal ter adoptado uma criança e passados uns meses ou uns anos, não a quiser mais ou achar que não pode continuar a cuidar dela, pode ou deve entregá-la ao Estado?
Após ter adoptado e devolvido uma criança ao Estado, o casal deve poder voltar a adoptar outra criança?
Os homossexuais também devem poder adoptar? Se sim, sempre ou em apenas algumas circunstâncias?
E barrigas de aluguer? O que pensam sobre isso?
E famílias de acolhimento? Isto é, um casal ou família não adopta mesmo uma criança, mas em vez de esta crescer num orfanato, crescer no seio de uma família, ainda que a custódia não pertença à família.
E adopção por famílias nas quais já existam filhos biológicos?


Última edição por Starlight em Ter 27 Mar 2012, 08:26, editado 1 vez(es)

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Re: A adopção

Mensagem por Mindlessjoy em Ter 27 Mar 2012, 06:40

Adopção: Acho bem, se as pessoas tiverem a intenção de tratar bem a criança e dar-lhe uma boa educação e afecto, acho muito bem. Acho mal o facto de poderem devolver, uma crianca nao é um carro, ou um computador, com garantia, se a escolhem responsabilizem-se por ela, lutem... porque numa familia nao se desiste a primeira dificuldade, nunca se desiste, luta-se sempre ate ao fim. E se escolhem uma crianca para sua familia e a crianca esta doente ou afins, lutem por ela.

Homosexuais: Acho que, seria estranho para a crianca, dizer que "O meu pai é o joao, e a minha mae é o tiago"... Acho que o gozo na escola etc... ia ser descomunal lol
Mas eu acho que deviam poder adoptar, eles nao teem a culpa da sociedade que temos.

Barriga de aluguer é um conceito interesante, nada contra, ate acho bem.

Familias de acolhimento... Numa altura da minha vida, eu vivia num T1 sosinho, tinha trabalho e etc. Devido a alguns motivos alheios a mim, fui despedido, então pedi a ajuda a minha mãe, ela aceitou, e veio da russia para cá com o namorado e ficaram na minha casa, e comecamos a orientar as nossas vidas. Cortei os contratos todos inclusive o de arrendamento. 1 dia antes de eu entregar a minha casa, ela foi embora e disse que ja nao queria que eu fosse tambem, ou seja fiquei na rua, sem dinheiro e sem trabalho.
Peguei num cigarro e fui ao cafe, sentei-me e suspirei a olhar pro ceu, ate que uma senhora pergunta se estava tudo bem, eu disse que nao e contei a minha recente historia. Entao ela, desde esse dia que cuida de mim, ela e a familia dela, amigos e filhos e netos, todos gostam muito de mim e tratame muito bem e eu tambem gosto muito deles e trato eles como se fosse da minha familia Simpatico2

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Re: A adopção

Mensagem por SofiaFlower em Ter 27 Mar 2012, 07:32

Realmente, é estranho falar-se de tantos temas por aqui e nunca termos falado de Adopção.

Adopção: no geral eu concordo. Até já tenho pensado muito nisso. Se algum dia casar e tiver condições gostaria muito de adoptar uma ou duas crianças (se tivesse mesmo muitas condições até mais). Tive uma colega cujo os pais adoptivos adoptaram-na a ela, à irmã dela que tem autismo e ainda outro rapaz. É de louvar a meu ver. E os pais adoptivos delas são excepcionais, sempre atenciosos com todos.
Na minha opinião desde que haja condições (bom ambiente familiar, condições financeiras, condições para as crianças estarem bem) concordo a 100%.
Confesso que adoro crianças, mas não me vejo a mudar fraldas nem nada do género, os bebés geralmente simpatizam muito comigo, mas na hora dessas coisas os meus primos mais velhos pediam-me ajuda para mudar fraldas aos filhos (que bem, são meus primos também, mas já em segundo ou terceiro grau digamos) e isso e eu ficava atrapalhada, acho que não tenho mesmo jeito.
Nunca quis ter um irmão mais novo mesmo por causa disso, não me vejo a fazer nada dessas coisas. Preferia ter um irmão mais velho, mas como nem tenho irmãos, okay.
Se pudesse adoptava crianças a partir dos 4/5 anos. A saúde não importa, é óbvio que gostava que todas as crianças fossem saudáveis. Mas não são, infelizmente. Eu própria tenho alguns problemas de saúde, por isso acho que aceitava bem de qualquer forma.
Não concordo com esse sistema de mais tarde (caso não gostem ou algo assim) devolverem a criança. Quer dizer, por um lado se era para a tratarem mal ou fazê-la sofrer, mais vale estar aos olhos do Estado do que com um casal adoptivo que não a quer. Mas acho que deve causar grandes traumas à criança, para além do trauma de já ter sido entregue numa instituição.
Um casal que faça isso, a meu ver, não deveria poder adoptar outra criança. Tanto pode correr tudo bem, como a situação voltar a repetir-se, é uma incógnita mas acho que devia haver leis que tivessem isso em conta.

Homossexuais: é capaz de ser estranho, não digo que não, pelo mesmo motivo que o Mindlessjoy disse, ter dois pais ou duas mães. Além de que defendo a ideia de que uma criança deve ter sempre uma imagem feminina e outra masculina. Mas por outro lado, há tanto casal hetero que é negligente com crianças, que pronto é aquela coisa, por um lado parece-me errado, por outro acho que seria o menor dos problemas se a criança fosse realmente bem tratada, amada e respeitada.

Barrigas de aluguer: não tenho uma opinião fundamentada sobre o assunto. Logo não sou a favor nem contra.

Famílias de acolhimento:
a ideia em si, não me parece má. Desde que a criança tenha estabilidade, por mim tudo bem.

Adopção por famílias nas quais já existam filhos biológicos: o caso que conheço do casal que adoptou as duas irmãs tendo uma autismo, mais um rapaz, já tinha dois filhos biológicos. É uma grande família, mas eles têm poses e são sempre atenciosos com todos os filhos. Não vejo distinção, entre os adoptados e os biológicos.

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Re: A adopção

Mensagem por Sailor Sun em Ter 27 Mar 2012, 10:58

ora bem, concordo plenamente com o facto de ninguem ter aberto um tópico com este tema
eu sou a favor da adopção sim, e já vos digo porque.

Mindlessjoy escreveu:

Homosexuais: Acho que, seria estranho para a crianca, dizer que "O meu pai é o joao, e a minha mae é o tiago"... Acho que o gozo na escola etc... ia ser descomunal lol
Mas eu acho que deviam poder adoptar, eles nao teem a culpa da sociedade que temos.

achas estranho? então porque? se fosses criado pelo teu pai e o teu avô não seria a mesma coisa? só por dizer que eles dormem juntos? e então? na sua cama cada um faz o que quere

anyway, acho que a adopção é algo importante e que as pessoas deviam de poder adoptar e escolher o sexo e afins da criança, para começar era menos peso que o estado tinha a sustentar essas crianças, e elas poderia ter uma familia

homosexuais, wow, ainda acho melhor, porque há centenas de casais homosexuais, gays e lesbicas que querem muito ter filhos e constituir familia, porque não os deixar? se eles forem bons pais até que seria optimo não? as vezes é melhor ter como pais um casal homosexual que ama os filhos do que um casal hetrosexual que está-se completamente nas tintas para eles, os gays, e com gays refito-me tambem as lesbicas, são pessoas com sentimentos como todas as outras, e se calhar alguns dariam muito melhores pais até, e há muitas crianças com pais homosexuais, pois estes adoptaram como pais solteiros, ou são mães que deixaram os maridos e se descubriram, já conheci pessoas assim e as crianças eram SUPER felizes

agora vejamos, uma criança com duas mães, não tem figura paternal? nem quem lhe ensine a jogar à bola? mentira, na escola, na familia e até no proprio bairro tem homens certo? e a criança pode sempre aprender a jogar com um treinador

agora, uma criançinha linda com dois pais, o que? não sabe o que é ter figura meternal? é a mesma historia, até temos as avós que são piores mães galinhas que as mães, não tem quem ensine a cosinhar? olá avó, ola professora, olá curso de culinaria.

e assim, aqueles que não podem ter filhos ou não querem e preferem adoptar, acho que o deveriam fazer, claro, que há que ter olho nas pessoas que adoptam, ainda comem as crianças Matreiro

dou-vos como exemplo eu, eu não tenho intenssões de adoptar, pronto, acontece, mas quero ter os meus filhos, sempre tive na ideia de arranjar uma barriga de aluguer ou arranjar um casal de lesbicas amigas, o que é mais dificil porque não tenho, e eu e o meu parceiro, atraves de inseminação artificial engravidavamos as meninas, assim até seria melhor, porque ter apenas um de cada quando se pode ter duas mãe e dois pais?

mas pronto, acho que por agora é tudo, não percam o proximo testamento, porque nós tambem não Matreiro

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Re: A adopção

Mensagem por Mindlessjoy em Ter 27 Mar 2012, 11:41

Eu não disse que acho estranho. Le o que eu disse.

Acho que, seria estranho para a criança.

Mas já agora, eu pessoalmente não acho que seja estranho. Simplesmente, eu acho que é uma atitude extremamente egoísta da parte de dois adultos homossexuais e racionais, quererem adoptar uma criança, arrastando-a para um mundo que a sociedade do hoje reprime completamente.

Se eles querem ser gays, sejam a vontade, e se quiserem adoptar uma criança, tenham cuidado, porque... não vão eles estragar a vida de um futuro adulto.


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Re: A adopção

Mensagem por rmmr111 em Ter 27 Mar 2012, 11:58

Ora bem, não estou aqui a ver nenhum admin nem nada do género, saxavor não se peguem.
Sun, acho que o que o mindlessjoy está a querer dizer, é que a sociedade actual pelo menos em Portugal ainda não está estruturada para que as crianças com dois pais ou duas mães não sejam discriminadas pela maioria, e infelizmente é verdade.
Pelo menos foi o que entendi do post dele.
Tens razão no que dizes, mas acho que foi uma falha de comunicação. calmez vous gentes.

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Re: A adopção

Mensagem por Starlight em Ter 27 Mar 2012, 13:00

Primeiro que tudo, obrigado Sun, pela tua tão vasta abordagem a todas as perguntas que coloquei no primeiro post, pois todas eram sobre adopção por homossexuais, claro.

Sailor Sun escreveu:dou-vos como exemplo eu, eu não tenho intenssões de adoptar, pronto, acontece, mas quero ter os meus filhos, sempre tive na ideia de arranjar uma barriga de aluguer ou arranjar um casal de lesbicas amigas, o que é mais dificil porque não tenho, e eu e o meu parceiro, atraves de inseminação artificial engravidavamos as meninas, assim até seria melhor, porque ter apenas um de cada quando se pode ter duas mãe e dois pais?

Bem, sobre isto, discordo completamente. Eram exactamente a este tipo de situações que eu me referia no primeiro post.

Mas para explicar o meu ponto de vista tenho que dizer primeiro algo sobre os homossexuais que eles não vão gostar de ouvir e provavelmente vou descer completamente na consideração de quem ler isto: para mim a homossexualidade é uma doença. Não é uma doença que coloque uma pessoa entre a vida e a morte, mas é uma doença genética. É uma anormalidade no ser humano. Desculpem a expressão, mas as pilinhas foram feitas para as passarinhas e as passarinhas para as pilinhas. É a lei da vida. Para existir procriação tem de haver uma pessoa do sexo masculino e outra do sexo feminino, senão não existe futuro, não existe nascimento de uma criança. Contudo, não sou contra os homossexuais. Como considero uma doença e não discrimino ninguém que tenha uma constipação, um cancro, uma gripe, uma perna partida (embora seja algo mais sensível porque geralmente estas pessoas devem ter alguns cuidados para não piorarem de saúde), também não vou discriminar um homossexual. Digo já que tenho uma grande amiga que é lésbica e de certeza absoluta que se lhe perguntassem ela responder-vos-ia que se calhar fui das únicas pessoas que não a olhou de lado quando ela se assumiu.

Agora onde quero chegar é: se acho que o homem foi feito para a mulher e a vice-versa, também acho que uma criança só deve nascer neste seio familiar. Eu sou a favor da adopção de crianças por parte dos homossexuais, mas apenas daqui a alguns anos. Isto porque acho que devemos dar passos pequenos na sociedade. Acho que o primeiro passo é dar uns anos de espaço para que toda a sociedade se habitue a aceitar e conviver com homossexuais, adultos e crianças, pois acho que ainda não é uma ideia aceite. Quando isto acontecer, isto é, só depois quando as próprias crianças chegarem a crescer já com o hábito de que a homossexualidade é algo comum e a deixarem sequer de pensar nisso ou "reparar nisso" como algo diferente do normal, então aí sim, sou completamente a favor da adopção por parte de homossexuais. Acho que acima de tudo, está a felicidade e a sanidade mental da criança, que se já nos dias que correm elas próprias são horríveis umas para as outras seja com o que for, com algo deste tipo em que até os pais se recusam a aceitar, acho que seria catastrófico para a criança adoptada.

Mas sou igualmente contra o uso de barrigas de aluguer, mas nisto eu sou contra para todos em geral, sejam por parte de homossexuais ou heterosexuais, pelos motivos que já referi. Os casais de homossexuais não conseguem ter filhos, um homem por mais que se esforce não consegue ter um filho com outro homem e uma mulher não consegue ter um filho com uma mulher, por isso também não acho certo que recorram a outra pessoa para tentar ter um filho biológico. E o mesmo se aplicam a heterossexuais que não conseguem ter filhos. Tenho pena, sim. Mas se têm esse problema a nível genético e já existem no mundo tantas crianças que nascem e são indesejadas ou que são retiradas aos pais por negligência ou por carência de recursos de sobrevivência, e que precisam de alguém que lhe dê uma família, acho que são este tipo de pessoas que dizem ter tanto amor para dar e não conseguem ter filhos, que estas crianças devem ser entregues.

Mas a questão que acho mesmo triste, é que no geral contam-se pelos dedos aqueles que não são egoístas ao ponto de não só quererem escolher tudo sobre a criança, como também ainda exigir que se gere um novo nascimento por recorrência ao corpo de outra pessoa e ainda com requisitos sobre a criança. Se tivessem um filho biológico, não poderiam escolher o sexo da criança, por isso não acho que devessem ter a hipótese da escolha do sexo do bébé. Neste momento com os recursos médicos que existem hoje em dia já existem a hipótese de saber se a criança é deficiente a tempo de se evitar o nascimento, isto é de se levar a gravidez até ao fim e assim sendo, se isto é evitável, acho que aí os pais adoptivos já deveriam poder escolher a criança.

Outro ponto, concordo com vocês no que diz respeito à "devolução da criança" pelos mesmos motivos que enunciaram. Se um casal quer assim tanto adoptar uma criança e tem tanto amor, como diz ter, para dar, então esse amor deve ser incondicional, como seria com um casal normal que tivesse um filho biológico. Isto significa que terão de suportar tudo o que vier com a criança, o bom e o mau, aconteça o que acontecer. Se uma família acha que já não tem condições financeiras para cuidar da criança, temos pena, porque se fosse um casal normal com um filho biológico, eles dariam a volta ao mundo se fosse preciso para ultrapassar a crise e continuar a lutar pelo seu filho. Se um casal adoptou uma criança que veio a ganhar inúmeras doenças, temos pena, porque se fosse um casal normal com um filho biológico, o casal faria tudo o que estivesse ao seu alcance para ajudar o filho. Se o casal adoptou uma criança que se veio a mostrar muito rebelde e mal comportada, temos pena, pois um casal normal com um filho biológico contentar-se-ia e continuaria a tentar fazer tudo por tudo para ajudá-lo. Claro que podem sempre devolvê-lo, tal como existe a possibilidade da segurança social retirar a custódia de uma criança aos pais biológicos. Mas aí, acho que eles próprios deveriam ter a consciência super pesada e não deveriam ter qualquer hipótese de adoptar outra criança.

Sobre famílias de acolhimento: sou completamente a favor. Acho que se existir a hipótese, ainda que condicionada de uma criança crescer no seio de uma família em vez de num orfanato, deve ser sempre aproveitada. Neste contexto, Mindless, com que idade é que vieste para Portugal? E tens mantido contacto com a tua família biológica, sejam pais, irmãos, tios, primos ou avós? Desculpa, mas fez-me imensa impressão como é uma uma mãe deixa um filho sozinho a viver na rua. ^^' Espero que não leves este pensamento a mal, mas foi o que pensei quando disseste isso.

Por último, ainda não formei uma opinião sobre adopção de crianças por famílias que já tenham filhos biológicos. Algo que eu tenho ponderado muito é no futuro vir a adoptar uma ou mais crianças, mas também gostava de ter pelo menos um biológico, mas não sei até que ponto isto é bom. Isto porque tenho receio que não seja possível evitar conflitos desta origem. Não da parte dos pais, porque sendo os pais já adultos já terão ou deverão ter muito cuidado na forma como tratam uns filhos e outros, tentando sempre tratá-los todos da mesma forma. Mas entre irmãos, a possibilidade disto acontecer é bem maior. Todos os irmãos, sem excepção, têm as suas brigas, e aqui a minha questão prende-se que o facto de que quando estas surgem é bem provável que o irmão (filho biológico do casal) acabe eventualmente por mandar à cara do outro "mas tu não és filho deles, eu é que sou por isso eu é que tenho mais direito a isto". E isto se se tornar frequente, é muito provável que afecte psicologicamente a criança adoptada.
Assim, eu por um lado gostava de ter um filho biológico, poque gostava de saber qual seria a sensação de ter algo a crescer dentro de mim, uma vida que depende da minha vida e da minha saúde, sentir o que o bébé sente, etc. Mas não quero de forma alguma que esse sentimento interfira no sentimento de querer adoptar uma criança. Não sei se me faço entender. Daí a minha questão e ainda pouco formada opinião.

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Re: A adopção

Mensagem por SofiaFlower em Ter 27 Mar 2012, 13:15

Starlight escreveu:Neste contexto, Mindless, com que idade é que vieste para Portugal? E tens mantido contacto com a tua família biológica, sejam pais, irmãos, tios, primos ou avós? Desculpa, mas fez-me imensa impressão como é uma uma mãe deixa um filho sozinho a viver na rua. ^^' Espero que não leves este pensamento a mal, mas foi o que pensei quando disseste isso.
Quando li, também me fez impressão quando li. Não quero ofender Mindlessjoy, mas penso o mesmo que a Star.

Starlight escreveu:Por último, ainda não formei uma opinião sobre adopção de crianças por famílias que já tenham filhos biológicos. Algo que eu tenho ponderado muito é no futuro vir a adoptar uma ou mais crianças, mas também gostava de ter pelo menos um biológico, mas não sei até que ponto isto é bom. Isto porque tenho receio que não seja possível evitar conflitos desta origem. Não da parte dos pais, porque sendo os pais já adultos já terão ou deverão ter muito cuidado na forma como tratam uns filhos e outros, tentando sempre tratá-los todos da mesma forma. Mas entre irmãos, a possibilidade disto acontecer é bem maior. Todos os irmãos, sem excepção, têm as suas brigas, e aqui a minha questão prende-se que o facto de que quando estas surgem é bem provável que o irmão (filho biológico do casal) acabe eventualmente por mandar à cara do outro "mas tu não és filho deles, eu é que sou por isso eu é que tenho mais direito a isto". E isto se se tornar frequente, é muito provável que afecte psicologicamente a criança adoptada. Daí a minha questão e ainda pouco formada opinião.

Nem todos os casos são iguais. Mas digo-te Star, do caso que falei anteriormente aquela família é um exemplo. Até porque pronto, deve haver brigas entre eles, mesmo em famílias biológicas, qual é a família biológica que não as tem não é? Mas na escola e tudo, quando a rapariga que era da minha turma tinha algum problema a mãe adoptiva ia logo. E enquanto o irmão mais velho (que era filho biológico do casal) andou na mesma escola que a tal rapariga que foi da minha turma, ele ia sempre defendê-la. Quando tirou a carta levava-a aos sítios que ela queria, iam sair juntos - mesmo tendo amigos diferentes - posso já não me dar com a rapariga (ela apesar de ter todo o apoio sempre foi conflituosa e complicada, não me surpreende, ela passou um autêntico Inferno antes de ir parar a esta família que a adoptou) mas digo-vos que tenho uma grande admiração pelos pais adoptivos dela e pelo filho biológico deles que conheço, a outra filha biológica não conheço, conheço também a autista e conheço de vista o outro rapaz que adoptaram.

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Re: A adopção

Mensagem por Starlight em Ter 27 Mar 2012, 13:24

SofiaFlower escreveu:ela apesar de ter todo o apoio sempre foi conflituosa e complicada, não me surpreende, ela passou um autêntico Inferno antes de ir parar a esta família que a adoptou
Mas é a estas coisas que me refiro. Acaba por condenar a personalidade da criança adoptada.

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Re: A adopção

Mensagem por SofiaFlower em Ter 27 Mar 2012, 13:32

Percebi Star. Em termos de personalidade ela tornou-se uma pessoa... Não quero dizer horrível nem má, quem sou eu para julgar? Mas complicada, digamos assim.
Mas havia atitudes dela em que era preciso nós respirar-mos fundo e contar-mos até 100, sem exagero. Havia gente que no 10º ano não sabia que ela era adoptada, então não davam um certo "desconto". Eu sabia porque pessoas da minha família conhecem os pais adoptivos dela, então eu estava mais ou menos a par da história dela. Não contei a ninguém. Mas a parva (desculpem mas não encontro palavra melhor) da DT do 10º meteu-se a contar a história toda da rapariga numa aula em que a moça faltou ou saiu da sala porque se sentiu mal, a partir daí a atitude dos colegas mudaram em relação a ela, no sentido que se tornaram mais tolerantes e começaram a dar desconto.
Tudo isto para dizer que mesmo com um bom ambiente familiar, condições económicas, carinho, amor, há sempre marcas que ficam neles. No rapaz que adoptaram depois não noto assim nada de especial, ele é amigo de um primo meu, do que o meu primo fala não noto assim nervosismo nem mudanças de comportamento, mas também possivelmente não sofreu o que a da minha turma e a irmã que é autista sofreram. Contudo, penso que acabam sempre por ter alguma revolta, receios e afins. Ninguém gosta de ser abandonado, não é?

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Re: A adopção

Mensagem por Mindlessjoy em Ter 27 Mar 2012, 13:48

A minha família toda é um para cada canto.

Ninguem se fala quase. Eu vivi com a minha mãe, até me chatear. Eu trabalhava na informática, e na minha empresa havia muito trabalho então eu levava trabalho para casa.

Ela vinha gritar e dizia que eu só jogava e desligava-me a net. Fez isso mais de 5x.
Até que um dia, eu irritei-me, porque iria ser a 6x que eu ia para o trabalho sem nada adientado. E não era justo porque eu pagava a net e a renda da casa, eles pagavam o resto. Entao eu disse, "fazes isto mais uma vez e eu juro que saio de casa" ela riu-se a gozar, e passado 2 dias desligou , e eu passado 1 semana arranjei casa e fui morar sozinho. Depois decidi vir para portugal.

Arranjei trabalho cá, e arranjei uma casa também.

Só que a pior coisa que fiz foi pedir ajuda a ela de novo, ela prometeu que me levava com ela e fazer uma vida nova, e nov fim traiu-me. Agora nunca mais a quero ver a frente.

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Re: A adopção

Mensagem por dizzy22 em Ter 27 Mar 2012, 14:17

Vou-me limitar a responder às perguntas, e tenham em conta que eu não estou bem dentro dos procedimentos de uma adopção :3

Os casais devem poder escolher o sexo da criança? E a idade?
Não no primeiro caso. Quando se engravida o óvulo não diz "olha, quero um X", daí que para quem adopta deveria de ser assim. Não se deveria deixar os pais escolher "oh, quero um de olhos azuis, 50cm, e a boca com um ângulo de 90º com o queixo". Não, deveria de ser aleatório. Se duas pessoas querem mesmo um filho, o sexo da criança é o que deveria ter menos importância. Quanto à idade, óbvio que a maioria quer bebés, e por um lado percebo que quem queira filhos por uma qualquer razão (impossibilidade ou preferência) queira um filho pequeno, para experimentar tudo, porque será mais fácil do ponto de vida psicológico para a criança, etc. Mas como já disse, isso não devia de ser impedimento para quem quer mesmo ser pai/mãe.

Têm o direito de escolher o estado de saúde da criança?
Obviamente que todos queremos filhos saudáveis, mas as crianças com deficiência ou doentes têm tanto direito como as ditas 'normais'. O pior é que nem toda a gente está preparada ou quer ter de tratar de alguém 'diferente' e isso poder-se-ia traduzir em maus tratos para a criança, no sentido em que provavelmente acabaria psicologicamente afectada se começassem a andar com ela de casa em casa porque simplesmente ninguém a queria. Nos casos em que não estão preparados para a receber, é melhor deixá-las mesmo escolher.

No caso de um casal ter adoptado uma criança e passados uns meses ou uns anos, não a quiser mais ou achar que não pode continuar a cuidar dela, pode ou deve entregá-la ao Estado?
Como já disse, isso é mau. Vivemos num sítio, dizem-nos que temos uma família e de repente "olha, afinal já não te querem!". Uma criança não é um boneco, e têm mesmo de ter a certeza do que querem. No caso de não poder tratar, as famílias são muito estudadas antes da adopção propriamente dita, leva anos (não é? corrijam-se se estiver errada),mas aí claro que será preferível voltarem aos cuidados de alguém que possa (neste caso, o Estado).

Após ter adoptado e devolvido uma criança ao Estado, o casal deve poder voltar a adoptar outra criança?
Não. Não. Lala, uma criança não é um boneco(2). E mesmo em caso de "devolver por não poder", até aí deve-se ter um certo cuidado. E se ficam em necessidade de novo e têm de entregar mais uma vez a criança?

Os homossexuais também devem poder adoptar? Se sim, sempre ou em apenas algumas circunstâncias?
Já chegava a altura de passar essas barreiras do "ah, tenho dois pais, sou diferente". Preconceito idiota. Sendo assim, filhos que só vivem com as mães/pais (as solteiros/as) também seriam um problema, e isso já foi mal visto há umas décadas (informações da minha avó ). Não vou falar da homossexualidade propriamente dita (já devem de ter lido a minha opinião algures no outro tópico) mas não é vergonha nenhuma. Pelo menos para mim.

E barrigas de aluguer? O que pensam sobre isso?
É estranho. Não iria recorrer a este método, mas pronto, o que interessa é a criança. Se esta for feliz, e houver entendimento entre todos para que a estabilidade psicológica da criança não seja afectada, não vejo problema. Óbvio que eu pessoalmente iria sempre recorrer primeiro à adopção, por serem crianças que já estão ali, já nasceram.

E famílias de acolhimento? Isto é, um casal ou família não adopta mesmo
uma criança, mas em vez de esta crescer num orfanato, crescer no seio de uma família, ainda que a custódia não pertença à família.

Desde que seja estável para a criança, não vejo problema.

E adopção por famílias nas quais já existam filhos biológicos?
O mesmo da resposta acima, e desde que haja estabilidade também para os filhos biológicos.


Quanto ao que já escreveram, quem é que determinou que uma pilinha é para uma passaroca? Identifico a minha opinião com o que a Manon disse aqui~,
Manon escreveu:Mas o que eu não aceitei na resposta, foi o: "o ser humano foi feito
para procriar e ter filhos..." Não creio que Deus ao criar o homem, seja
que Deus for, e de que sexo for... seja espiritual, a natureza, o que
for...não criou o homem para isso, se não, não eramos racionais...
, mas isso já vai para outro lado.

Sinceramente é um assunto que me interessa porque sempre pensei em adoptar.


Última edição por dizzy22 em Ter 27 Mar 2012, 18:26, editado 2 vez(es) (Razão : arranjar a formatação linda)

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Re: A adopção

Mensagem por SofiaFlower em Ter 27 Mar 2012, 14:41

Starlight escreveu:
SofiaFlower escreveu:ela apesar de ter todo o apoio sempre foi conflituosa e complicada, não me surpreende, ela passou um autêntico Inferno antes de ir parar a esta família que a adoptou
Mas é a estas coisas que me refiro. Acaba por condenar a personalidade da criança adoptada.
Comentei logo a seguir e depois esqueci-me de dizer outra coisa, que pronto mesmo estando consciente daquilo que disse (apesar de ter parecido um bocado cruel) não muda a minha opinião sobre o facto de querer adoptar. Se um dia puder, mesmo consciente das coisas que podem vir a acontecer, gostava muito de adoptar.
Há filhos biológicos com famílias até equilibradas que também têm personalidades "rebeldes" por assim dizer e tem traumas que mais tarde se vão reflectir. Por isso não era capaz de recusar uma criança por causa da "bagagem" que trás fosse lá o que fosse que tivesse acontecido no passado dela. Claro que gostava de saber o que aconteceu para estar a par, mas iria adoptar na mesma Smile
Mas é preciso ter em conta, os que as crianças passaram e que há coisas que causam traumas muito grandes.

EDIT: Esqueci-me de mais uma coisa, acho que é preciso uma grande coragem e dedicação tanto da família que adopta como mais tarde - quando são crianças não têm tanta noção das coisas - dos que foram adoptados. Acho que é um género de desafio. Exige uma certa força e uma grande dedicação.

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Re: A adopção

Mensagem por Starlight em Ter 27 Mar 2012, 15:08

SofiaFlower escreveu:Mas é preciso ter em conta, os que as crianças passaram e que há coisas que causam traumas muito grandes.
Sim, mas o que eu me referia não era ao que elas passaram antes, mas sim devido ao facto de saberem que são adoptadas, até que ponto não se sentem injustiçadas por algumas atitudes dos pais do género "os meus pais deram-lhe mais comida a ele do que a mim porque eu tenho direito a menos, porque gostam menos de mim porque eu sou adoptado". É a estes pensamentos que me refiro em que não importa a idade que a criança tem, mas sim o facto de saber que é adoptada e como fica a relação dela com a família adoptiva nestes aspectos.
Claro que qualquer criança adoptada já com alguma idade vai ter sempre que lidar com esse tipo de bagagem a que te referes. Mas o que me referia não era a bagagem de outras famílias, mas sim a determinadas atitudes da família actual por saber que é adoptada. Outra questão que não coloquei lá em cima é: a criança deve saber que é adoptada ou se possível, deve-se tentar esconder isso da criança, fazendo-a pensar que é filha biológica do casal?
dizzy22 escreveu:Quanto ao que já escreveram, quem é que determinou que uma pilinha é para uma passaroca? Identifico a minha opinião com o que a Manon disse aqui,
Manon escreveu:Mas o que eu não aceitei na resposta, foi o: "o ser humano foi feito
para procriar e ter filhos..." Não creio que Deus ao criar o homem, seja
que Deus for, e de que sexo for... seja espiritual, a natureza, o que
for...não criou o homem para isso, se não, não eramos racionais...
, mas isso já vai para outro lado.
Isto já é meio-offtopic, por isso não me vou alongar muito porque isto será para o tópico da homossexualidade. Certo, eu também concordo que Deus ao criar o Homem, criou-nos para nos amarmos aos outros independentemente das circunstâncias, mas também nos limitou a procriação, ou não existiriam sexo feminino nem masculino. Desculpa, mas é através do pénis e da vagina que se geram os filhos naturalmente, não é com o pénis e o pénis (ou ânus) nem vagina com vagina. Sem o homem e a mulher não existem criancinhas.
E eu também não disse que Deus criou o Homem exclusivamente para procriar, mas condicionou-nos nesse aspecto e não deixou que gays e lésbicas pudessem fazer filhos naturalmente.

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Re: A adopção

Mensagem por SofiaFlower em Ter 27 Mar 2012, 15:21

Estou de acordo Star, se a criança começa a sentir distinção e a pensar esse tipo de coisas que referiste. Sendo assim não sei bem o que diga mas respondo na mesma à pergunta:

A criança deve saber que é adoptada ou se possível, nunca deve
descobrir isso, deve-se esconder isso o máximo possível da criança?

Bem, eu penso que a comunicação e a sinceridade são a base de grande maioria das relações. Acho que mesmo que a verdade doa, preferia saber a verdade.
Houve uns vizinhos dos meus avós em que o casal não conseguia ter filhos. Resolveu, assim, adoptar uma menina (por incrível que pareça, acho a criança extremamente parecida com a mãe adoptiva mas adiante) e é assim, isto é um meio pequeno. Acho que é preferível saberem pelos pais do que por outras pessoas, certo?
E a mãe da menina chegou a dizer que estava com medo de contar a verdade à menina. Acho que a menina acreditou até aos 10 anos que era filha biológica, quando soube que era adoptada não sei como reagiu, porque também não sei se já haveria rumores ou não. Todos sabemos como as crianças conseguem ser cruéis também não é? Em terras pequenas os pais falam dos filhos dos outros como se os deles fossem melhores, então se calhar a menina já tinha ouvido por parte de colegas que era adoptada.
Se algum dia tiver alguma criança adoptada, não vou esconder. É pior se descobrir por outras pessoas ou descobrir a própria criança, se calhar pensa "bem se esta escondeu-me isto, que mais me esconderá?" e pode começar desde cedo a haver "confusões" ou assim por falta de comunicação. Não sei bem isto, estou só a dar a minha opinião.

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Re: A adopção

Mensagem por Star Uranus em Ter 27 Mar 2012, 17:44

Antes de mais, excelente tópico. Vou fazer como a dizzy e responder a tudo de seguida mas, entretanto, logo cá volto para responder a algumas das mensagens que já cá deixaram.



Os casais devem poder escolher o sexo da criança? E a idade?
Têm o direito de escolher o estado de saúde da criança?
Claro que sim. Adoptar não é o mesmo que parir uma criança. Até porque o casal pode até ter preferência por ter a seu cargo uma criança doente/deficiente. Uma antiga professora minha tinha já dois filhos (biológicos) crescidos e adoptou uma menina, que é cega. E sempre correu tudo o que era sítio para tentar melhorar o estado de saúde da filha.

No caso de um casal ter adoptado uma criança e passados uns meses ou uns anos, não a quiser mais ou achar que não pode continuar a cuidar dela, pode ou deve entregá-la ao Estado?
Uns anos, não. Uns meses, sim. Se há pessoas que têm filhos biológicos e que os regeitam, porque é que tal não pode acontecer com quem adopta? Quando digo regeitar, não digo abandonar os filhos à sua sorte (ou falta dela), mas sim não sentir afinidade por eles. É mais comum do que se pensa e pode acontecer tanto com o pai como à mãe biológicos e pelas mais diversas razões. Antes do processo de adopção estar concluído, os concorrentes a pais adoptivos passam por várias etapas, nomeadamente o convívio com a criança/adolescente. Esse período, que dura uns bons meses, serve, precisamente, para tentar criar laços. Se tal não acontecer aqui a adopção não se realiza.

Após ter adoptado e devolvido uma criança ao Estado, o casal deve poder voltar a adoptar outra criança?
Acho que depende do caso em si, pelo que não tenho como justificar a minha opinião.

Os homossexuais também devem poder adoptar? Se sim, sempre ou em apenas algumas circunstâncias?
Não. Acho que não devem poder adoptar. Não me venham com a conversa das mães e pais solteiros e dos que são criados por duas mulheres tipo mãe e avó ou dois homens tipo pai e avô. Fica sempre a faltar qualquer coisa. E falo por mim, que fui criado por duas mulheres extraordinárias, que são a minha mãe e a minha avó. Deram o melhor delas e estou aqui, mas sempre senti falta de ter um pai comigo. A minha mãe casou novamente mas não é a mesma coisa. Se calhar, a minha falta de gosto pelo desporto vem daí. Aliás, era eu muito pequeno e o meu pai meteu-me na natação e é o único desporto que gosto, realmente de fazer. Sempre senti falta de ter um pai com que pudesse contar. E ainda hoje sinto isso.
Um casal que tenha adoptado uma criança também pode vir a separar-se mais tarde. Podem ter uma relação óptima e super estável na altura da adopção e, entretanto, a vida não lhes correr como pensavam. Mas, aí, seria estar a contar com o ovo que ainda nem sequer está no cú da galinha.
O facto de não ser a favor da adopção por parte de casais homossexuais não tem a ver com preconceito. No entanto, todos sabemos como a criança iria ser tratada na escola o que, já de si, configuraria um possível trauma para ela. Há que pensar, antes de tudo, no bem-estar da criança e não dos concorrentes a pais. Por outro lado, claro que penso que uma criança ficaria melhor entregue a um casal de dois homens ou duas mulheres do que ficar enfiada numa instituição até crescer mas, de qualquer forma, com tantos casais heterossexuais disponíveis para adoptar, têm as crianças que ser entregues a homossexuais?


E barrigas de aluguer? O que pensam sobre isso?
Eu sou a favor, apesar de em Portugal ainda ser um procedimento ilegal. Não vejo porque razão um casal onde a mulher não pode engravidar por algum motivo de saúde, não possa alugar uma barriga.

E famílias de acolhimento? Isto é, um casal ou família não adopta mesmo uma criança, mas em vez de esta crescer num orfanato, crescer no seio de uma família, ainda que a custódia não pertença à família.
Sim, acho preferível uma criança estar entregue a uma família de acolhimento que para isso se disponibilize do que estar numa instituição. Desde que o caso seja bem acompanhado, (o que, geralmente, não acontece em Portugal) sou a favor.

E adopção por famílias nas quais já existam filhos biológicos?
Neste caso penso que o casal só deve adoptar se os filhos biológicos forem muito pequenos ou já crescidos, de preferência adultos e com as suas vidas. Se forem pequenos, não se apercebem tanto que o novo irmão não o é de sangue e podem crescer num melhor ambiente. Há os casos dos irmãos de sangue que não se dão bem, mas penso que seria melhor tanto para os biológicos como para os adoptados, se o processo acontecesse quando ainda muito pequenos. Se, entretanto, forem já adultos, tanto melhor, porque, assim, e em principio, já não terão aquela rivalidade mais característica dos irmãos mais novos.

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Re: A adopção

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