A Guardiã dos Sonhos

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sex 23 Jan 2009, 14:20

sailor dream! yeih!

lool

muito giro o capitulo! espero pela continuaçao! bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 23 Jan 2009, 14:33

obrigada =)... vou tentar postar um novo no inicio no més.. se não só para quando os testes acabarem :/

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Dom 25 Jan 2009, 13:07

que cabeça a minha ainda não tinha dado conta que tinhas postado outro capitulo. :g9:
mas esta muito giro continua mana :g1: :g1: :g1: :g1:

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por fanfic_lover em Seg 26 Jan 2009, 11:12

Gostei bastante. continua assim.
Smile Smile Smile
bjs

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Convidad em Qua 18 Mar 2009, 09:30

Quero mais!! tens muito geito para escrever, acho maravilhosa a tua escrita!!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 28 Mar 2009, 17:21

Agradeço a todos os comentários.. Aqui está um novo capitulo Wink


reescrito a 26/12/2011
Capítulo 12. Família

O paramédico colocou-lhe uma manta nas costas, enquanto examinava os cortes na sua perna. Linda nem notara que tinha cortes, mas estes lá estavam, marcando a perna com feias cicatrizes sangrentas facilmente visíveis por entre o tecido de ganga rasgado. Setsu estava ao lado dela também a ser examinado mas Linda não podia deixar de olhar em volta.
O segurança havia chamado a polícia e estes haviam chegado ao local cerca de dez minutos depois. Esse fora o tempo total da luta entre Linda e o monstro. Parecera uma eternidade para Linda, mas foram apenas dez minutos. O homem explicara o que vira e os polícias vieram perguntá-la acerca dos detalhes. Por precaução, Linda escondeu o rosto o máximo possível tanto dos polícias como dos repórteres que passavam a zona. Jamais quereria que o seu disfarce caísse depois um encontro como aqueles.
-Já chamei os rapazes. – Sussurrou Setsu ao seu lado. Aparentava sinais de grande cansaço, mas não deixava de olhar para Linda.
-Ok. – Respondeu a rapariga em igual tom. Ao ver que Setsu não parava de olhar para ela, não conseguiu deixar de perguntar – O que foi?
Ele mordeu o lábio o mais discretamente possível.
-Isto não era suposto acontecer. Desculpa.
Linda não respondeu, espantada sequer que Setsu pediria desculpas.
-A culpa não é tua. – Respondeu Linda, tentando consolá-lo. Setsu lançou um sorriso leve.
-Eu sei, mas queria despedir-me antes que a minha hora chegasse. – Ao ver o ar confuso de Linda, Setsu suspirou pesadamente, o canto dos seus lábios escondendo o menor dos sorrisos. – Sabes que o teu irmão vai-me matar, certo?
A isso, Linda revirou os olhos, também ela traindo um sorriso.
-Ele que se atreva.
À sua volta, era um pandemónio total, com os bombeiros a tentarem apagar os fogos, médicos a assistir os vários feridos que apanharam com os destroços da explosão, polícias e alguns espectadores que observavam o desastre. Sabe-se lá porquê, a mente humana sempre teve interesse no desastre alheio.
Linda sentia a cabeça a girar de tantas perguntas. Quem era aquele homem? Porque é que a tratara daquela maneira, como se a conhecesse de algum lado? O que fazia ali? O que procurava? Sabia a sua avó disto?
Saberia a sua mãe?
Suspirou, sentindo a sua mente a entrar num transe automático. Era de esperar que, após todo o choque e a adrenalina terem desaparecido, ela ficasse mole, incapaz de fazer algum registo de movimento físico ou psicológico. Mas Linda não era comum. Nas situações mais inesperadas, quando a sua mente deveria desligar-se da realidade, ela era transportada para um lado surreal, que todos apenas conheciam apenas em sonhos. Infelizmente, só assim Linda conseguia sonhar. Só assim ela tinha uma réstia daquilo que era tão vulgar para os outros e tão maravilhoso para ela.

Ela estava no jardim a ler. Não se lembrava do título do livro. Peter Pan, talvez. Estava de pernas cruzadas, com o livro no seu colo e sujando o vestido amarelo com rendas contra a relva verde e o tronco da árvore. Normalmente não usaria aquele tipo de vestido mas aquele era um dia especial. Era o seu oitavo aniversário. Porém, ela não estava contente. O seu cabelo estava preso numa fita simples e amarela e elevava-se um pouco ao nível do vento e os ramos do limoeiro onde estava sentada baloiçavam, orquestrando uma bela melodia da natureza que, juntamente com o canto dos pássaros pousados no alto da árvore, fizeram-na sorrir ao de leve. Não durou muito. Nem o livro a conseguia distrair. Afinal, ela estava ali para fugir. Fugir da horrível festa que os pais prepararam, dos convidados falsos que só estavam ali porque foram convidados pelo Rei e pela Rainha. Da ausência dos avós, que estavam em viagem e da ignorância do irmão, que fingia que não estar ali.

De repente ouviu passos. Entrou em pânico ao ver que alguém descobrira o seu esconderijo. Aquele lugar não era conhecido por mais ninguém, ela certificara-se disso. Após alguns segundos de espera, uma bela mulher surgiu á sua frente.

Era talvez a mais bela visão da mãe que ela alguma vez vira. O cabelo rosa estava preso num carrapito que deixava algumas madeixas rebeldes soltas. Vestia um vestido violeta, comprido até aos pés e de corte simples. Os grandes olhos vermelhos brilhavam. Não parecia espantada por vê-la mas o que espantou mais a Linda for ver um leve sorriso formar-se nos lábios rosados da mãe. Um pequeno sorriso leve, simples e genuíno.
Por momentos, nenhuma das duas falou, até que Linda arranjou alguma coragem e perguntou:
-Como descobriu que eu estava aqui? – A sua voz era muito fina do que agora e ainda soava a menina inocente. Todavia, uma certa firmeza escondia por entre aquelas camadas de doçura.
A sua mãe quebrou contacto visual, fitando as lindas flores brancas junto do limoeiro.
-Eu sei tudo sobre ti. Afinal és minha filha.
Linda não soube o que responder. Era estranho ouvir a mãe falar para ela assim.
-É melhor voltares para a festa. – Sussurrou a mãe calmamente, olhando para ela. Linda fez beicinho.
-Não quero ir. – Sussurrou em retorno, como qualquer criança da sua idade. Viu o sorriso da mãe aumentar e Linda teve a certeza de que a mãe nunca fora tão bonita como naquele momento.
-Eu entendo. – Pelo seu tom nostálgico, parecia que entendia mesmo. – Já houve uma altura em que festas eram a pior coisa que os meus pais me podiam fazer, mesmo que fosse o meu aniversário.
-E o da avó. – Completou Linda, sem conseguir evitar. Os olhos vermelhos da mãe brilharam intensamente ao ouvi-la.
-Sim. E o da minha mãe.
-Usagi? – Ouviu uma voz chamar a mãe ao longe. Só podia ser ela. A avó não estava ali. A voz aproximou-se e Linda pôde então reconhecê-la. Era o seu pai.
A mãe mordera o lábio, o sorriso evaporando-se e os olhos perdendo parte do seu brilho. Parecia reflectir alguma coisa. Finalmente, fitou os olhos da filha e esta pôde jurar que havia alguma coisa que ela queria dizer. Algum significado escondido por entre as suas palavras:
-Oxalá não sejas tão fraca quanto eu, Linda. Mas ficas a saber que, apesar de tudo, eu e o teu pai sabemos sempre o que tu fazes.
E depois, deu meia volta, para junto do marido cujos apelos cessaram. E Linda colocou o livro ao lado, completamente desinteressada.
Dizer que aquele momento fora confuso era pouco. Quando voltara para festa, fora como se a sua mãe nunca a tivesse encontrado no seu esconderijo. Na altura, Linda perguntou-se se ela contara a alguém. Mas Linda nunca mais viu ninguém no seu esconderijo. Tudo voltou ao que era.

Linda suspirou. Tantos anos de indiferença indiscreta. Tantos anos de frieza notória e Linda olhava todos os dias para o seu reflexo perguntando-se porquê. Olhava para si a importar-se com a opinião deles. A importar-se com os seus segredos.
O que até era ridículo, principalmente naquele situação. Linda considerava-se sortuda por os pais ainda não a terem procurado ou exigido saber do seu paradeiro pela avó. A segunda opção parecia impossível, pois a avó conseguia ser uma autêntica cabeça de serradura para estas coisas, nas palavras do seu querido e sábio avô.
Mas ela sabia que este sol era de pouca dura. A mãe tinha amigas de língua comprida e a sua vida era constantemente molestada por repórteres e paparazzi incomodativos. Em breve, todos saberiam da fuga dos príncipes. Ironicamente, Linda não se importava nem um pouco com isso. Estranho…
Mais estranho ainda eram as palavras do homem, que não lhe saiam da cabeça. Meretriz, destruidora, cujo ventre concebe raios destruidores e imundices. O que significaria aquilo? E para piorar, ela não fazia a mínima ideia do que fazer. Sim, era uma navegante. Mas o que faria a seguir? Precisava de ajuda. Agora onde procurá-la…
-Hei! – Ouviu gritos masculinos ao longe. Linda ergueu a cabeça e viu Eiji a correr para junto do irmão e de Linda, com Kenji atrás. Este estava muito pálido e os cabelos loiros estavam completamente despenteados, como os de Eiji. Mal este viu-se perto dos dois, abraçou o irmão largando-o por um segundo para abraçar Linda. Não satisfeito, colocou as mãos num ombro de cada, sentindo o calor irradiando pelas suas peles. Ofegava pesadamente e suor escorria-lhe pela testa.
-O que aconteceu? Como foi isto? Vocês estão bem? Eu nem acredito! – Gaguejou o rapaz, não conseguindo articular algo com jeito. Setsu travou o irmão, aproveitando para o abraçar.
-Está tudo bem. Pelo menos acho. Houve um maluco e o resto é tudo muito confuso. – Eiji pareceu mais calmo ao ouvir as palavras do irmão, mas acabou por fitar Linda à espera de uma resposta consoladora. Esta sorriu e repetiu quase as mesmas palavras que Setsu, agarrando a mão livre de Eiji. Este apertou-a com tanta força que Linda sentiu as suas falanges a estalar. E depois, sem ela estar à espera, Eiji beijou-lhe a testa suavemente.
-Nem sabem como ficamos quando nos ligaram. Entramos em pânico, pensamos logo no pior…
Os restos das palavras de Eiji perderam-se quando Linda fitou o irmão, até a altura calado. Setsu também se apercebeu da sua presença e fitou o amigo um pouco receoso. Eiji pareceu indeciso entre ficar entre o irmão e Setsu ou continuar a falar, ainda que ninguém o ouvisse. Já Kenji tinha o rosto moldado num semblante preocupado e também um pouco rígido. Linda podia jurar que podia ouvir o coração dele a bater dali.
Deu um passo em frente calmamente, reflectindo o que estava a fazer. Linda observou-o como um animal no zoo, esperando que ele perdesse a timidez e quebrasse a distância entre os dois.
Finalmente, Kenji envolveu a irmã nos seus braços, puxando-a contra si com toda a força que podia. Esta correspondeu ao braço vagamente, como se abraçasse um peso morto. Não era costume Kenji abraçá-la e aquele sentimento era novo. Irmãos mais velhos não abraçam irmãs mais novas, pois não?
-Fiquei com tanto medo. – Sussurrou ao seu ouvido, traindo medo e alguma aflição. – Não te podia perder…
-Porque é que não pensaste nisso quando saíste do palácio? – Linda não conseguiu deixar de perguntar. Saíra da sua boca antes que pudesse evitar e arrependera-se no segundo. Mas precisava de saber. Tinha que saber.
Kenji fez um som estranho, semelhante a uma gargalhada abafada.
-Ao menos estavas segura. Como podia eu adivinhar que… - fazendo uma pausa, olhou para Setsu de relance. Este, ao ver a fúria nos olhos do amigo, encolheu-se antecipadamente, sabendo que o melhor era receber aquilo que supostamente merecia. De repente, sentiu uma forte dor na bochecha, como se esta estivesse a arder e a pontada do soco fê-lo tombar para trás. Eiji impediu-o de cair, ao mesmo tempo que protestava a acção de Kenji.
-O que raio estás a fazer? – Gritou Linda, ultrapassando Eiji por largos decibéis. Kenji ignorou a irmã e aproximou-se do moreno.
-Só não levas mais porque ela não está muito magoada. – Disse Kenji entre dentes, erguendo o punho a Setsu. Este assentiu lentamente, sabendo que enfurecer o amigo só iria piorar as coisas.
-Entendo. – Disse, calmamente. Linda perdeu a cabeça.
-Mas o que estás a dizer, Setsu? Ele é louco, não te devia ter batido. – Levantou-se e foi ter com ele, passando a mão pela bochecha dela. Sentiu Eiji fazer um som estranho atrás dela, mas não o conseguiu interpretar. – A culpa não foi tua que um maluco tivesse aparecido e te posto inconsciente. Além disso… - Linda atirou um olhar furibundo ao irmão. – Eu sei tomar conta de mim. Certas pessoas deviam saber disso, não?

Kenji empalideceu e afastou-se um pouco dos outros. Linda controlou a vontade de revirar os olhos. Kenji tinha mais mudanças de humor que uma mulher menstruada.
-Linda? – Ouviu uma voz chamá-la. Linda virou-se, ainda zangada. Eiji engoliu em seco, escolhendo as palavras que iria dizer.
-Olha, o Setsu sabia que o Kenji ia fazer isto. Aliás, eu também sabia e entendo. Nós temos uma irmã e também daríamos um soco ao idiota que a levasse a um encontro em que ela acabava magoada. Mesmo que ele nada tivesse a ver com o assunto. E acredita que o Kenji é mais racional que eu e o Setsu. O meu irmão ainda está aliviado que Kenji só lhe tenha dado um soco. Nós achávamos que Kenji ia matá-lo.
-Ele não tem o direito de fazer isso! – Protestou Linda. – Não tem o direito de armar-se em irmão protector quando ele até chega a ignorar a minha existência. Não posso ser a irmã dele quando lhe convêm.
-Tu não és irmã dele quando lhe convém. – Intercedeu Setsu, a sua mão massajando o lado do rosto onde o punho de Kenji o encontrara. – Andamos na mesma faculdade, estamos quase sempre juntos e ele já me falou de ti várias vezes. Porque achas que eu te convidei para um encontro quando mal te conheço? Garanto-te que não foi por seres só uma cara bonita. O Kenji falou-me muito bem de ti. – Linda corou um pouco e Setsu aproveitou para se aproximar da orelha dela e sussurrar-lhe algo. – Dá para ver que és mais do que essa rapariga calma que aparentas ser.
-Tenho cara de quem é calma? – Murmurou Linda em retorno. Setsu riu-se em resposta.
-Podes enganar muita gente.
Eiji tossiu, chamando atenção à sua presença. Abanou a cabeça em direcção a Kenji, quase como dando uma ordem a Linda. Esta suspirou e dirigiu-se para o irmão.


Última edição por AnA_Sant0s em Qua 28 Dez 2011, 13:44, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 28 Mar 2009, 17:21

-Devias estar sentada. – Disse ele, sem se virar.
-Não me dói nada. – Disse Linda, secamente. Kenji assentiu e nada mais disse.
Gerou-se um pesado silêncio de cortar à faca, que não perdia intensidade com os sons das ambulâncias, carros, pessoas e buzinas espalhados pela baía. O céu era um quadro maravilhoso de negro e fumo laranja, as luzes nocturnas contrastando com o fogo, fazendo parecer que toda a cidade estava a arder.
-Não devias ficar assim por aquilo que eu disse. – Disse Linda, com os braços cruzados.
Ele virou-se lentamente para ela.
-Porquê? É tudo verdade!
-Pareces uma criança amuada. – Sussurrou Linda. Infelizmente, Kenji ouviu-a.
-Deixa-me ser. – Respondeu calmamente. – Nada como um acidente perigoso que quase tira a vida da minha irmã mais nova para eu perceber o quão idiota eu sou.
-Kenji…
-Estiveste sempre protegida e, logo na primeira vez que estás fora de casa, isto acontece-te! Se eu estivesse ao teu lado, isto não aconteceria.
-Tu nem sabes porque é que isto aconteceu! – Interrompeu Linda, cansada de ouvir Kenji a martirizar-se.
-Não disseste que foi um maluco?
-Não exactamente. – Respondeu Linda, mordendo o lábio.
Kenji semicerrou os olhos. Infelizmente, ele conhecia aquele tique.
-O que se passa?
Tentando melhorar o ambiente, Linda sentou-se no passeio. Kenji juntou-se a ela, esperando que esta abrisse a boca. Ela acomodou a manta nas suas costas e suspirou de novo, o cheio forte a cinzas quase sufocando-a.
-Lembras-te da historia que a avó nos contou… sobre a Sailor Moon? – Perguntou, hesitante. Kenji ergueu o sobrolho.
-Claro que me lembro. Ainda espero ser o novo Tsukedo Mask para salvar uma pita-chorona em apuros. – Tentou rir da sua tentativa de piada e teve algum sucesso. Linda apenas sorriu.
-Já alguma pensaste se eu seria uma também?
-Uma quê? – Kenji demorou um pouco a entender, mas compreensão chegou-lhe à cabeça. – É claro, está-te no sangue.
-Nunca me disseram… - murmurou Linda, olhando o chão pavimentado a alcatrão.
-Linda? O que se passa? O que aconteceu?
Ela pôde ouvir a urgência na voz dele.
-Sou uma navegante.
Ela tinha a ligeira sensação de que falar disto com o irmão era o mesmo que falar com ele, à idade de dez, o motivo pelo qual ela estava a sangrar num determinado sítio. Kenji não sabia bem o que dizer.
-Foi por isso que houve esta explosão? – Perguntou ele, um pouco hesitante.
-Mais ou menos. Um homem com poderes sobrenaturais apareceu e… ele não esperava que eu me transformasse. Lançou um monstro a mim e eu lutei-o. Consegui tirar o Setsu de lá antes que aquilo tudo explodisse em cima de nós.
-Mas que tipo? Reconheceste-o?
Linda abanou a cabeça.
-Não. Mas ele reconheceu-me. Não como princesa ou algo do género. Chamou-me meretriz.
-Meretriz? – Repetiu Kenji, não convencido. - Linda, tu sabes o que…?
claro que sei o que meretriz significa, Kenji! Não entendo é como eu possa ser uma.
-Talvez confundiu-te com outra pessoa. – Sugeriu Kenji.
-Não me parece. A opinião dele só solidificou quando eu me transformei. Parecia que ganhara certezas de quem eu era.
-Conseguiste derrotá-lo?
Linda respondeu com um encolher de ombros.
-Sim, mas nunca me senti tão perdida. O que faço agora?
Kenji agarrou a mão dela, aquecendo-a com o calor da sua.
-Fala com a avó. Não só ela quererá ter a certeza de que estás bem, como também te poderá ajudar.
Linda olhou para o irmão e sorriu. Kenji aproximou-se e deu-lhe um beijo na testa, aproximando a cabeça da irmã contra o seu peito.
-Queres que eu vá buscar alguma coisa? – Perguntou ao fim de alguns momentos. Linda não queria sair daquela posição, mas o seu estômago começava a roncar daí que assentira em resposta. Kenji voltou minutos depois com dois sumos e duas sandes, que Linda devorou com gosto.
-Sabes, ainda não entendi como saíste de casa. – Comentou Kenji, dando uma trinca na sua sandes de delícias do mar.
-Resumindo: Estava no estábulo, a avó aparece com uma mochila feita e diz para eu apanhar um táxi. Eu saio pelo portão da herdade, apanho o táxi e chego á casa das Nakamura, que é onde vivo.
-Nakamura? Não conheço. Mas ainda assim…
-O que foi? – Perguntou Linda, pousando a sandes meio comida.
-Isto cheira mal. – Disse Kenji.
-Cheira mal como? As cinzas do incêndio ou o facto da minha própria avó me ter ajudado a fugir dos meus pais?
-Ambos, mas principalmente o sumo.
-O sumo?!
– Sim, penso que passou do prazo de validade. Cheira a fruta podre. – Kenji colocou o seu sumo de lado e Linda deu por si a rir-se às gargalhadas, contagiando o irmão.
Passado um bocado, os dois pararam.
-No fundo, nunca mudaste. Aliás. – Acrescentou Linda, de repente bastante sorridente. – Ouvi dizer que andas a assumir uma vida de monge e ainda por cima nem fazes as tuas tarefas em casa.
Kenji semicerrou os olhos, os lábios rasgando um pequeno sorriso divertido.
-O Setsu é um traidor. Anda a contar-te coisas que não devia.
-Ele tem razão, sabes? Não devias ficar trancado em casa. E moras lá, tens que colaborar.
-Hábitos velhos não se perdem. Além disso, ele não te contou que ele e o Eiji também não são muito exemplares?
-Sim, contou. – Linda bebeu um pouco do seu sumo (que estava dentro do prazo) e pousou o frasco no chão. – Temo algum dia ir á vossa casa.
-E agora que me lembro. Como correu o encontro? – Perguntou Kenji, tentando parecer relaxado, mas Linda sabia que ele estava a tentar controlar o seu bichinho de mano coruja.
Linda sorriu e contou-lhe tudo, desde o inicio no restaurante até á batalha. Omitiu o quase-beijo, não querendo sentir-se mais embaraçada do que já estava. No fim, virou-se para o irmão:
-O que achas que este inimigo procura?
Kenji colocou os dedos no queixo, suportando-o.
-Não sei, mas o quer que seja é poderoso. E agora fiquei com curiosidade em saber quem é aquele, de onde vem e como te conhece.
-Eu preferia que essa parte não se soubesse. – Disse Linda, calmamente.
-Como assim?
-A parte em que o inimigo me conhece. Não te vou dizer porquê, apenas que tenho a sensação que deveria investigar isso antes de confiar á minha avó. Sabes o quanto ela me esconde. – Kenji pegou no resto da bebida dela e engoliu tudo, o seu rosto escondido pela escuridão da noite.
-Como preferires. – Respondeu ele, com um sorriso que não se estendia até aos olhos.

Uma voz ao longe sobressaltou Linda. Parecia a de Aiko. Pensando estar a imaginar coisas, abanou a cabeça para se ver abraçada por um forte par de braços, que a ergueram do chão.
-Oh Linda, tu estás bem? – Perguntou Aiko, examinando-a de alto a baixo. – O que aconteceu? A polícia ligou-me e eu entrei em pânico…
-Está tudo bem Aiko. Um maluco perdeu a cabeça e incendiou o parque de estacionamento, é só. Eu estava a jantar ali perto.
Aiko não pareceu satisfeita com a sua resposta mas provavelmente ela ainda iria falar com a polícia, por isso não a pressionou. Linda viu Mari a olhar para ela, o rosto revelando alguma preocupação.
-Oh meu rapaz. Foste tu que saíste com ela? – Perguntou Aiko a Kenji, que ainda estava sentado. Linda controlou a gargalhada escondida na garganta ao ver a careta de Kenji.
Este ergueu-se, um pouco embaraçado.
-Não, não fui eu que saí com ela.
Aiko olhou para Kenji de alto a baixo, sorrindo amistosamente. Linda teve a sensação de que Aiko sabia quem Kenji era.
-Obrigado por teres tomado conta dela, querido. Se algum dia quiseres passar lá por casa para almoçar, é só disseres. – As sobrancelhas de Linda atingiram a testa ao ouvir Aiko convidar um suposto estranho para comer em casa. Ela sabia que, atrás de si, Mari olhava para a avó como quem via um monstro de sete cabeças.
Kenji agradeceu e afastou-se das três mulheres, despedindo-se de Linda com um beijo na bochecha. Ao passar por Mari, parou por um bocado, como que a reconhecendo de algum lado. Abriu a boca para lhe perguntar qualquer coisa, quando alguém o chamou. Mari sentiu uma estranha sensação no estômago ao vê-lo afastar-se. Ele reconhecera-a, certo? Porque outro motivo ele iria falar para ela até que alguém o chamara?
Kenji. Então era esse o nome dele.
Ironicamente, descobrira o nome ao mesmo tempo que muitas peças do puzzle se encaixavam. Porque mal ela chegara, vira Eiji à procura de Linda muito preocupado, sem no entanto a encontrar. Sentia nojo por aquilo que a sua hóspede estava a fazer. Alguém tinha que falar com ela acerca disso. Porque, por muitos segredos que uma pessoa possa ter, pessoas cínicas não iriam morar comodamente na sua casa.

A viagem para casa foi desconfortável. Linda e Aiko sentiam uma tensão no ar pelo modo como Mari olhava para a primeira. Linda sabia que Aiko ficara aliviada quando a porta de casa fora aberta.
-Querida, tens a certeza que estás bem?
-Sim, foram só cortes. Já sarou tudo. Agora queria era tomar um banho, mudar os curativos e dormir. – Respondeu Linda, tentando parecer bem-humorada. Todavia, por dentro, estava nervosa. Mari não parava de olhar para ela.
Dirigiu-se para o seu quarto e, antes mesmo que pudesse rodar a maçaneta, uma mão a travou.
-Eu sei muito bem quem és! – Declarou Mari, fazendo Linda quase se engasgar com a própria saliva. O que queria ela dizer com aquilo?
-Sabes o quê? – perguntou, tentando parecer o mais calma possível.
-Sei que tu não és tão santinha com a minha avó pensa que és. E também sei que brincas com os sentimentos dos rapazes, atiras-te ao primeiro que vês e nem pensas em outros que, por azar do diabo, gostam de ti.
As palavras não entraram logo na consciência de Linda.
-Tu estás a chamar-me…?
-Estou a chamar-te aquilo que és. Acabou-se a menina simpática, Linda. Se há coisas que detesto são pessoas cínicas.
Linda soltou-se da mão de Mari, sentindo o seu temperamento a fervilhar.
-E se há coisas que eu detesto são pessoas que metem o seu nariz onde não são chamadas. Eu não ando a brincar com os sentimentos de ninguém, apercebe-te disso.
-Vê lá como me falas! – Ameaçou Mari, aproximando-se de Linda. Esta tentou não parecer intimidada, mas era difícil pois Mari era bem mais alta do que ela. Felizmente, herdara parte do carácter do rei. Fibra para responder não lhe faltava.
– Tu ouve-me bem, Mari. – Disse, apontando o dedo indicador ao peito da outra. - Meteste-te com a pessoa errada. Eu não admito que uma pessoa me insulte sem motivos concretos. Tu não sabes nada acerca de meu respeito, não tens nada de opinar acerca da minha pessoa.
-Meninas, o que se passa? – Interrompeu Aiko, olhando severamente para as duas. Estas fitavam-se intensamente, não descolando o olhar uma da outra. Mari, ignorando a avó, rasgou um sorriso malicioso.
-Que seja guerra então.
-Que o seja. – Retorquiu Linda, rudemente.
-Meninas! – Aiko tentou interceder na conversa mas era tarde de mais. Mari e Linda já tinham virado as costas uma á outra e entrado nos seus respectivos quartos.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 26 Dez 2011, 15:24, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Dom 29 Mar 2009, 06:46

Ainda espero ser o novo Mascarado para salvar uma pita-chorona em apuros. – Kenji riu-se da nostalgia.




ahah essa matou-me xDDD

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Convidad em Dom 29 Mar 2009, 11:51

tá muito emocionante estre capítulo!!!

adorei a forma como descreveste a raiva da Mari, um máximo.

fico à espera do proximo capitulo!!!!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Qui 09 Abr 2009, 12:02

-hum… – Kenji mostrou um ar pensativo.

-o que foi?

-isto cheira mal.

-cheira mal como? Os meus pais não me terem procurado ainda ou os nossos avós nos terem ajudado a fugir?

-não, o sumo daqui do lado cheira mal. Cheira a fruta podre.


OMG! Matreiro

que dois! ^^'

adorei o capitulo, alias, eu adoro esta historia!

quanto mais leio, mais quero ler!

estou ansiosa pelo proximo capitulo!

bjx

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 09 Abr 2009, 15:36

Muito obrigado pelos comentários...
Já estou a preparar o proximo capitulo Very Happy

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Sex 10 Abr 2009, 10:04

=DDDDDDDDD que boooom~!!! yeeeee!!! tou anciosa! tu a cada capitulo superaste!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 24 Abr 2009, 17:14

muito obrigada Lena. Tento ao máximo conseguir maior qualidade nas minhas fanfics a cada capitulo Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Sab 25 Abr 2009, 11:30

AnA_Sant0s escreveu:muito obrigada Lena. Tento ao máximo conseguir maior qualidade nas minhas fanfics a cada capitulo Smile



votei na tua fic para ir para as fics premium ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Dom 24 Maio 2009, 05:41

ana...quando postas o proximo cap.? estou anciosa para ler mais ^^

gosto da historia, gosto da personalidade dos personagens...gst de tudo msm ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 24 Maio 2009, 08:32

primeiro: obrigada pelo voto Lena Smile
segundo: já estou a preparar novo capitulo mas tá dificil pois estou em semana de testes.. só daqui a 2 semanas é k tou 100% livre para me dedicar às minhas fanfics.. Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Convidad em Dom 24 Maio 2009, 12:18

eu tambem estou ansiosa pelo proximo capitulo!!!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Seg 25 Maio 2009, 07:56

escreves msm mt bem ^^

e espero que tenhas bons resultados nos testes para depois nao ficares de castigo e por tares de castigo n puderes postar! : D

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 28 Maio 2009, 11:22

Olá..
Ora bem, esta semana tive testes todos os dias, no entanto eram bastante mais leves que os da semana passada. Mas pronto, a 3ª tive mais tempo para escrever visto o teste de 4ª ser "canja de galinha", e tive a metade da tarde de 4ª tbm livre.
Ou seja, tenho aqui um capitulo novo. ^^

Nota: Apesar de ter a fanfic toda pensada, vou alterar um ponto da historia. Ao longo dos proximos capitulos irão notar nisso...

reescrito a 16/02/2012
Capítulo 13 – Guerra aberta

Que o seja.

Últimas palavras dirigidas a Mari e a guerra iniciara logo que as portas do quarto se fecharam. Se bem que a relação entre as duas já tinha os seus atritos. Agora não havia dúvidas. Aiko levou a palma da mão á cara, rogando pragas aos deuses pela pouca sorte que tinha.
Linda não tinha a certeza que tipo de guerra iniciara com Mari até chegar á escola. A influência da loira na turma dera os seus resultados e, por estranha coincidência, calhava a Linda limpar a sala todas as semanas, algumas até sozinha. Ninguém falava para ela, ignorando-a como se ela fosse uma simples pedra que se encontrava no passeio. Talvez para piorar as coisas, Linda apenas tinha Cecília como aliada. Revoltada com o comportamento infantil da amiga, Cecília fazia questão de estar com Linda todos os intervalos e até almoçar com ela. Vendo que Cecília também se afastava da turma e, não querendo que esta tivesse problemas com Mari, tentava livrar-se da morena o mais discretamente e educadamente possível. De certa forma, a atitude da turma não a surpreendia nem tampouco a incomodava. Desde pequena que estava habituada a sentir indiferença na pele.
Em casa, a guerra era fria como gelo. Apesar de tentar evitar a loira como a praga, não podia evitar jantar com ela e com Aiko todas as noites. Nessas ocasiões, as duas raparigas limitavam-se a ficar caladas a refeição toda, raramente abrindo a boca para falar com Aiko. Já esta passava as refeições tentando abrir conversa com as duas, mas estas nunca cediam. Até que um dia, decidiu mudar as coisas.
Três meses haviam-se passado desde a discussão e Aiko limpava o quarto da neta um pouco distraída, o aspirador abandonado no chão enquanto a dona limpava as estantes com o pano do pó. Aiko revirou os olhos ao ver as semelhanças entre Mari e Linda. As secretárias de ambas estavam cheias de livros e papeis, ainda que Aiko tivesse a certeza que a neta mal fazia ideia do que estava por ali metido. Os toucadores pareciam vazios, considerando a simplicidade das adolescentes em questão e os armários das duas estavam cheios do mesmo tipo de roupa simples, casual e desportivo que elas usavam no dia-a-dia. No caso de Linda, Aiko não culpava a rapariga visto ela ter aparecido á porta da sua casa com apenas uma mochila às costas. Já havia considerado levar a jovem às compras, mas esta desviava sempre o assunto, dizendo sempre que estava bem como estava.
Passou o pano pela última estante, cheia de diversos mangas e dois policiais, que Aiko tinha a certeza terem vindo da sua falecida filha. O leitor de música de Mari (cujo nome Aiko há muito deixara de tentar memorizar) estava em cima da secretaria, no topo de um monte de cadernos e livros escolares. Abanando a cabeça á desorganização da neta, passo para a cómoda, querendo despachar os móveis fáceis de limpar.
De repente ouviu um som de metal a cair no chão. Olhou para baixo e viu o que mais se assemelhava a um brinco de metal. Um simples brinco de cor negra e em forma de estrela. Aiko apanhou-o e colocou-o no toucador, onde certamente Mari o poria.
Nessa altura, o telefone tocou. Deslocando-se para a sala calmamente, não esperava ouvir uma funcionária da escola das meninas mandá-la dirigir-se para lá quando pudesse. O que, a julgar pelo tom de voz da mulher, queria dizer naquele preciso momento e faça favor de cancelar aquilo que tenha a fazer.
Aiko suspirou pesadamente. Rezou para que não fosse o pior e pegou no casaco e na mala, saindo de casa com uma pressa renovada.
Todavia, ao fechar a porta à chave, um estranho pensamento invadiu-lhe a mente.
Mari não tinha as orelhas furadas. De quem seria aquele brinco?


**

O som dos sapatos de salto alto ecoara no chão de mármore branco. Esboçando o seu tão belo sorriso falso, rodou a maçaneta de metal dourado e entrou numa sala muito bem decorada por mobílias luxuosas. A luz do dia, que rompia por entre as cortinas, iluminou-a, mostrando aos presentes na sala a sua elegância, os seus belos olhos negros e os seus cabelos azuis-escuros. O seu vestido era de um laranja berrante, o que não estranhava para as duas únicas pessoas naquela sala. Pessoas essas que sabiam que ela gostava de chamar as atenções.
Uma delas lançou-lhe um olhar de ódio bem discreto, enquanto a outra limitou-se a ficar calada. A mulher entendeu que havia interrompido a conversa entre as duas mulheres da sala. De um lado estava uma mulher madura, com os cabelos loiros tão compridos quanto a sua estatura. A Rainha Velha, nome não tão carinhoso que ela gostava de lhe chamar.
Ela não podia deixar de apreciar as maravilhas que o Cristal Prateado fazia naquela mulher. Não sabia a idade exacta da antiga governante de Crystal Tokyo mas sabia que era, no mínimo, o dobro da sua. E no entanto parecia muito mais jovem que muitas mulheres da idade da filha. Tornou-se para a outra mulher. Esta forçou um sorriso quando os seus olhos vermelhos se cruzaram com os negros dela. E com um pequeno gesto, Small Lady despachou a mãe. Esta saiu da sala lançando faíscas pelos olhos. Não antes de fechar a porta, ela soube que a Rainha Velha a observava. Sempre observaria…
As duas ficaram sozinhas e o silêncio reinou. Ela sabia muito bem que não devia ter a primeira palavra perto da realeza. Uma forma de cautela, por assim dizer. A actual Rainha parecia perdida em pensamentos e ela não era estúpida para ousar quebrá-los. Portanto, limitou-se a observar a Rainha, tentando antever o seu próximo passo, qual caçador perto da sua presa.
Small Lady parecia mais velha do que a própria mãe. Os olhos vermelhos mostravam olheiras, devido a um cansaço físico e emocional. A sua pele estava cada vez mais branca a cada dia que passava e os seus cabelos cor-de-rosa claro pareciam perder a sua cor viva. Mas, apesar de tudo, ainda conservava traços da sua beleza juvenil. Beleza, essa que a mulher nunca conseguira suportar. Small Lady nunca parecera mais do que uma rapariga inocente e demasiado sonhadora e, anos depois, esse ar ainda a enriquecia. Mas por pouca beleza madura que possuísse, fora ela a vencedora. Fora ela que ganhara aquilo que a mulher tanto queria. Desastres vieram pelo caminho. Os filhos desapareceram, o marido andava afastado e os problemas do reino só pareciam aumentar em situações destas. E ela dava por si a perguntar como é que uma mulher como Small Lady conseguia ser tão bela sem fazer qualquer esforço? Como é que, apesar de todos os seus problemas conseguir ainda sorrir, falar alegremente e mostrar um pequeno brilho nos olhos? Ela perguntara-lhe isso uma vez. A resposta fora curta e dita de um modo frio, mas ela notou também nalguma ansiedade.
Esperança, dissera ela.
Mas esperança de quê? Para quê, pensava a mulher, enquanto se aproximava da Rainha. Esta convidou-a para se sentar no sofá vermelho ao seu lado.
-Ainda bem que vieste. – Afirmou a Rainha, aparentando cansaço.
-Interrompi algo entre ti e a tua mãe? – Perguntou a mulher, fingindo preocupação. Todavia, preocupava-se mais em massajar os seus cabelos com os dedos, para desenrolar os pequenos nós que se formavam facilmente e também para sentir algum poder. O poder que tinha naquele momento naquele palácio, no seio daquela família. Oh, e o poder que ela iria ter no futuro.
-Não. Pelo menos nada de importante. – Respondeu a rainha, levemente incomodada com as acções da outra. Suspirando suavemente, ergueu-se e chegou perto de uma enorme estante de madeira. Pegou num livro ao acaso e começou a folheá-lo.
-Já encontraste os teus filhos ingratos? – Perguntou a companheira casualmente. Lançou um sorriso sombrio ao notar que a Rainha, ao ouvir a pergunta, fechara o livro bruscamente e colocara-o de novo na estante. Alimentou a sua curiosidade, ao imaginar a cara que a rainha escondia de si. Estaria ela a fitar o chão de olhos abertos e o rosto corado, tal é a vergonha que os filhos a fazem passar? Ou estaria a conter as lágrimas que ela tão inutilmente disfarçava ultimamente, tal vermelhas estavam as suas pupilas? Como é que a rainha de gelo lidava com o facto de os seus filhos serem uns egoístas que abandonam os pais em momentos difíceis? Eles, que receberam treinos rígidos por parte dos pais para serem alguém na vida.
Small Lady apenas divulgara a notícia pelos seus amigos próximos, num desabafo mal ouvido. Sendo Ela uma das melhores amigas da Rainha, tinha poderes e influências naquele palácio que poucos podiam imaginar. Sabia muito mais que todo o reino combinado.
A rainha tornou-se para ela, o rosto frio como gelo. A única prova de emoção era um vislumbre de brilho nos olhos vermelhos, que ela jamais conseguiria disfarçar.
-Não tens nada a ver com isso. - Retorquiu, friamente. Os olhos escuros da mulher traíram alguma surpresa pela atitude da rainha, mas logo se recompôs.
-Só estava a perguntar… - defendeu-se a mulher, não dando muita importância às suas palavras. Algo estava errado em sua majestade.
Porque as aparências enganavam, sem dúvida. Ela pensava que conhecia a Rainha. Uma mulher bela, feliz ao pé dos outros, extremamente educada para a alta sociedade. Uma perfeita senhora que educara os seus filhos com rigidez. O mais velho para que um dia fosse um perfeito rei. A mais nova para que fosse uma senhora tal como a mãe. Jovens que se mostraram ingratos pelo esforço da mãe em educá-los, quando Small Lady poderia nem tê-los, tal como fora um dia a sua vontade. Mas era necessário, pelo menos, uma menina para apoderar-se do Cristal Prateado, passado de geração em geração através das mulheres da família e do trono de Crystal Tokyo.
As aparências enganavam. Ela achava que conhecia Small Lady e todos julgavam que conheciam a Ela, amiga da Rainha. Mas poucos conheciam aquela frieza nos olhos da Rainha quando falava para Ela. Poucos sabiam que a Rainha aparentava detestar os filhos e apreciar a companhia Dela, quando o caso não podia ser mais invertido do que já era.


Última edição por AnA_Sant0s em Sab 24 Mar 2012, 06:58, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 28 Maio 2009, 11:22

**
-Como é que isso aconteceu? – Perguntou Kenji, um pouco atrapalhado. – Despacha-te que tenho aula em dois minutos. – Acrescentou, afastando-se das multidões que percorriam os corredores da faculdade, com a mala numa mão e o telemóvel na outra, encostado à orelha.
-Honestamente, nem eu sei. Eu não moro com elas. – Disse Eiji, do outro lado da linha. – Esta rivalidade já existia quando a Linda veio para a escola, mas agora piorou. Tudo o que tem acontecido nas últimas semanas assusta-me, Kenji. A Linda nem faz nada.
Kenji ergueu o sobrolho. Aquilo não parecia atitude de Linda.
-De certeza que, até o dia de hoje, nada de estranho aconteceu a essa rapariga que me falas, Mali…
-Mari. – Corrigiu Eiji, a voz traindo algum divertimento.
-Ok, Mari, de certeza que nada de estranho lhe aconteceu? Em casa, na escola…?
Do outro lado, foi a vez de Eiji em erguer o sobrolho, ao mesmo tempo que apoiava o telemóvel no ombro. Tentava realizar a proeza de se limpar com papel humedecido, enquanto falava ao telemóvel. À sua volta, muitos faziam o mesmo.
-Bem… só as coisas do costume. A Mari a falhar as suas experiências, a Mari a levar castigos por não fazer os trabalhos de casa, a Mari a chegar às aulas de inglês com os sapatos cheios de poeira quando a professora assim o detesta, a Mari a chegar atrasada às aulas nas segundas…
-Faz diferença? – Interrompeu Kenji.
-Sim. É nessa altura que a avó de Mari sai de casa cedo para ir ao bingo. Sai na mesma altura em que elas acordam e volta na hora do almoço.
Kenji sorriu. Tinha quase a certeza que Linda tinha qualquer coisa a ver com estes pequenos azares que Mari passava. A melhor parte era que ninguém poderia alguma vez desconfiar dela.
-Ela culpa a Linda. – Disse Eiji, quebrando os pensamentos de Kenji. Este abafou uma gargalhada.
-Foi assim que tudo começou?
-hum hum. – Foi a resposta do seu companheiro, ocupado a tirar pedaços de arroz do cabelo. – Ela virou-se para a Linda dizendo que ela era a culpada de tudo o que lhe estava a acontecer.
-Parece-me que essa Mari gosta de armar espectáculo. – Comentou Kenji, fazendo uma careta.
Eiji assentiu mas quando se lembrou que Kenji não o podia ver, disse:
-Sim. Principalmente para desacreditar a Linda. Acredita, todos viraram-se contra ela em menos de três segundos.
Kenji queria perguntar a Eiji se este ficara do lado de Linda, mas absteve-se ao ouvir o outro a praguejar.
-O que foi? – Perguntou, curioso.
-Isto é nojento! Tenho maionese a escorrer-me para os sovacos. O uniforme está todo sujo.
Kenji não pôde controlar-se mais. A sua gargalhada chamou a atenção de muitos outros que passavam, nomeadamente Setsu, que se aproximou do outro. Kenji fez-lhe um sinal de que explicaria tudo depois. Eiji insultou Kenji e este sentiu-se na obrigação em dizer algo. Infelizmente, não ajudou a apaziguar o humor de Eiji.
-É o que acontece quando alguém se mete com um membro da minha família. Leva com comida na cara!

**
-Uma luta de comida? – Perguntou Aiko, perplexa.
-Sim, e estas duas são as responsáveis. – Confirmou a directora, apontando para as suas raparigas sentadas frente a sua secretária. Ambas fitavam o chão como se fosse a coisa mais interessante à face da Terra, os rostos corados e cheios de comida. Pedaços de esparguete caíam pelos cabelos loiros de Mari, chegando até a serem confundidos. Pedaços de gelatina adornavam o cabelo de Linda, cujos óculos estavam encerrados no seu punho esquerdo, tendo que se controlar para não os partir.
-Não é a primeira vez que este tipo de comportamentos se sucede. E presumo que vocês tenham uma ideia do castigo que irão levar. Honestamente, esperava melhor de vocês as duas. – A directora dobrou olhar em Linda. – Porque é que a Menina Tsukino está metida nisto?
Foi ela que começou, pensou Linda teimosamente. Estava ela na sua vidinha, a almoçar na sala quando Mari aparece e reclama de ela estar ali. Seguiu-se uma discussão que começava já a ser rotina e depois… Linda não soube como de altos berros e insultos se passou para toda a turma atirar comida uns aos outros, mas presumiu que Mari tivesse sido a primeira. Porque ela não fora, de certeza.
Ironicamente, a outra pensava o mesmo. Ela sabia que Linda andava a adulterar o seu despertador. Como ela abria a porta do quarto dela – que Mari sempre trancava quando lá não estava – ela não sabia. Sabia que ela fazia de propósito quando Aiko perguntava se alguém a ajudava e ela erguia-se para o fazer. Sabia que fora ela que mexera na sua experiência de laboratório. Era suposto o sulfato de cobre penta-hidratado cristalizar, mas tudo o que ela vira fora mísero pó. Só podia ter sido ela! Afinal, não tinha Mari sugerido que as raparigas roubassem as roupas de Linda enquanto esta tomava banho depois da aula de Educação Física e deixá-las à solta pelo pavilhão? Linda chegara atrasada à aula de química, mas de cabeça erguida. No dia seguinte, a sua experiência estava completamente mal. Pouquíssimo rendimento, fraca cristalização, Mari ouviu um sermão do seu maluco professor durante uns bons dez minutos. Para não falar de ter tido uma fraca nota naquele trabalho.
Daí que se passara quando vira Linda sentada a comer na sala, ao invés de estar no seu cantinho lá fora, como era costume. Da discussão para a comida, ela não sabia como aquilo sucedera, mas Linda tinha que ser a primeira a começar. Porque ela não fora, de certeza.
-Eu ainda não acredito. – Disse Aiko, olhando para as duas severamente. Ambas se encolheram nos seus lugares. – Nunca julguei que fossem tão infantis! Lamento Linda, mas vou ter que avisar a tua avó!
Linda tentou fingir que a notícia não a incomodava, mas duas únicas micro-expressões foram visíveis para Aiko, que abanou a cabeça, exasperada.
-Esperava melhor comportamento vindo das duas. – Disse a Directora, o tom de voz muito sério. – Como castigo, terão que limpar os corredores até ao fim do mês, para não falar da sala que vocês sujaram.
A mulher fez uma pausa, olhando para Linda atentamente:
-Que isto não se repita. Já esperava isto da Menina Nakamura, mas a Menina Tsukino espantou-me. Julguei-a uma rapariga sossegada.
-E é. – Interrompeu Aiko, olhando as duas de cima. – E a minha neta consegue ser ajuizada. Mas parece que juntas, rompem relâmpagos.
A directora ergueu o sobrolho.
-Deveras? Então é esse o problema? Não gostam uma da outra?
Involuntariamente, as duas assentiram com as cabeças. Aiko fez um som um tanto dramático e a Directora abanou a cabeça.
-Vão ter que ultrapassar os vossos problemas. Não tolero maus comportamentos nesta escola e, se vocês têm desavenças, terão que as resolver de uma forma civilizada, entendido?
As duas adolescentes concordaram, nunca se sentindo tão pequenas na vida como na altura. Aiko suspirou pesadamente e só a Directora parecia satisfeita.
Infelizmente, nada mudara. E Aiko sabia que muita coisa iria ainda acontecer antes que as duas se entendessem.

**

Linda encostou-se à parede, observando a árvore onde ganhara o hábito de almoçar. Todos os dias encostava-se ao tronco, ouvindo música calmamente e comendo sem problemas. Mas, naquele dia, o céu estava muito cinzento, as nuvens tão cheias como uma bolsa de água prestes a estoira. E Linda achou prudente ficar na sala. E depois viera a discussão… e a luta…
-Hei! – Ouviu alguém chamá-la. Ao reconhecer a voz, avançou em direcção à árvore, ao mesmo tempo que salpicos de água caíam do céu.
-Linda, estás louca? Anda para aqui! – Chamou Eiji, preocupado. Linda controlou a vontade de revirar os olhos.
- Estou suja até à raiz dos cabelos. Literalmente. Deixa-me limpar-me.
-Ainda apanhas uma gripe.
-Como se isso me importasse…
Estava de costas para ele, de olhos fechados e sentindo a chuva. Infelizmente, não lhe sabia melhor. Um intenso sabor amargo ainda permanecia na sua boca. E não era devido ao seu almoço.
Ouviu passos e Eiji apareceu ao lado dela, segurando um guarda-chuva. Quis perguntar onde arranjara tal adereço, mas absteve-se. Acabou por se afastar dele.
-Não fujas de mim. Anda para aqui! – Disse ele, apontando para o guarda-chuva.
Levemente irritada, Linda virou-se para ele lentamente. Estava sem óculos e lentes, o que lhe garantia uma visão desfocada e levemente distorcida. Eiji calara-se e ela sentiu o olhar dele preso nela. Tal como no dia em que se conheceram.
Engolindo a própria saliva, Linda decidiu quebrar o silêncio:
-Poucas vezes vens aqui.
Ainda que não o pudesse ver, sabia que Eiji ficara surpreendido pela súbita quebra de ambiente.
-Ah?
-Paraste de vir aqui. Ficaste do lado deles, ao afastara-te de mim.
Ouviu a respiração dele, já estranhamente acelerada, ficar mais sonora.
-E...e?
-Ficaste do meu lado na luta.
Eiji não se mexia, mas Linda não quis parar.
-Começaste a luta antes mesmo que eu e a Mari pudéssemos levar as nossas discussões a um nível mais físico.
-O que te faz pensar que fui eu? – O tom defensivo na sua voz denunciava-o, o que fez Linda sorrir amigavelmente.
-Tu e a Cecília eram os únicos a tentarem separar-nos. A certa altura deixei de te ver e, no princípio, eras o único que se ria.
Eiji não respondeu, levando Linda a tomar o seu silêncio como uma confissão.
-Porquê? Porque te importas?
Eiji pareceu engasgar-se ao respondeu, avançando para ela muito devagar.
-Porque sou teu… amigo.
A última palavra soou muito estrangulada e Linda, que só se podia guiar pelos seus outros quatro sentidos, sentiu-se estranhamente pressionada. Ele estava muito perto e os olhos dele pareciam queimar a pele dela.
-Eiji? – Chamou-o lentamente, sentindo-se incomodada pelo silêncio dele. Lentamente, Linda deu um passo para trás. Ouviu a respiração dele mais acentuada e soube que ele estava embaraçado. Com o quê, ela não sabia.
-Sou teu amigo. – Disse, mais falando para si do que para ela. – E é isso que os amigos fazem uns aos outros.
A chuva abrandou um pouco e Linda pôde ver os contornos do rosto e dos ombros de Eiji a curvarem-se ligeiramente. O guarda-chuva baloiçava na mão esquerda dele, enquanto a direita desaparecia na cara dele. Linda ia perguntar-lhe o que se passava quando sentiu uma estranha comichão no nariz.
-Atchim! – Espirrou para o lado, o braço bloqueando a boca num gesto instintivo. Ouviu Eiji a aproximar-se dela e, de repente, a chuva parou de lhe cair na cabeça.
-Vais apanhar uma gripe. – Disse ele, num tom sério. – Põe os óculos, duvido que vejas o caminho de volta.
Linda bem que podia retorquir que conseguia ver perfeitamente por onde andava, visto estar num jardim com poucos obstáculos e com alguma luz diurna, mas decidiu não pressionar a preocupação do colega.
Já debaixo do parapeito da entrada das traseiras, Linda fitou Eiji, que fechava o guarda-chuva.
-Obrigada. – Disse ela, sinceramente. Eiji olhou para ela, confuso.
-Porquê?
-Primeiro, por me teres defendido na sala. Segundo… - ela respirou fundo antes de prosseguir. – Por seres meu amigo.
Eiji não respondeu, limitando-se a olhar para a jovem.
-De onde vim, fora o meu irmão, não tinha lá muita companhia. Nunca tive amigos. Verdadeiros amigos, quero eu dizer. Daí que tenha duvidado de ti e das tuas intenções desde o inicio.
O rapaz não soube o que responder. Parecia nunca ter-se dado com uma situação daquelas.
-Linda, eu…
Mas antes mesmo que ele pudesse formular alguma frase coerente, Linda abraçou-o, juntando o seu corpo frio e molhado pela chuva ao corpo sujo de comida e semi-seco de Eiji. Numa fracção de segundo, ele correspondeu o gesto, como se fosse algo automático. E aquela sensação nunca fora tão boa. Não que ela nunca tivesse sido abraçada. Longe disso. Apenas nunca tivera um abraço com aquele significado.
-Bem, é melhor irmos, não? – Disse Eiji, quebrando o momento um pouco a custo - Vai tocar e ainda levamos falta... outra vez. Falo por mim, mas a nossa professora de Inglês não gosta lá muito de mim e não quero mesmo voltar a pisar a linha.
-Sim. Tens razão. – Linda sorriu e afastou-se dele, pegando na sua mochila completamente cheia de comida no exterior e dirigiu-se para a sala. Eiji suspirou pesadamente, numa acção um tanto melancólica, antes de a seguir.


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 16 Fev 2012, 08:46, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 28 Maio 2009, 11:23

**

A professora lançou-lhes um olhar penetrante quando entraram na sala após todos os alunos já estarem sentados. Por todo o lado viam-se cabelos sujos e roupas badalhocas. Muitas pessoas olharam para Linda quando esta entrara, pouco escondendo a raiva. Linda, como qualquer princesa bem treinada, ignorou esses olhares e dirigiu-se para a sua secretária. Apesar de molhada, era a que estava mais limpa de toda a turma. Melhor que ela só a professora, que estava limpa, seca e raivosa. Linda já a analisara o suficiente para saber que a mulher devia estar num dos seus dias difíceis.
-Antes de começarmos a aula, devo dizer que, a mando da Directora a Menina Nakamura e a Menina Tsukino ficarão responsáveis pela limpeza da nossa sala de aula, como também desta pelo dia de hoje. E devo dizer que esperava melhor comportamento vindo de vocês todos!
O seu ar furioso normalmente assustava qualquer um mas, após uma longa luta de comida que testara os limites emocionais de qualquer um, todos os alunos sentiam-se rebeldes o suficiente para retribuir o olhar raivoso e não se encolherem nas suas cadeiras, como era o hábito. Linda engoliu em seco ao se aperceber que tudo aquilo acontecera por causa dela. E lá se ia a ideia de não dar nas vistas.

**

Linda fez uma lista mental de inimigos que juntara desde que chegara o mundo real. No topo da lista, figurava Mari, o seu nome escrito em maiúsculas e provavelmente com alguns desenhinhos de espíritos malignos a embelezar o nome. A seguir, vinha a professora de Inglês e essa tinha a cara do Deus Shinigami [1] junto ao nome. Em seguida, toda a turma, com excepção de Cecília e Eiji. E agora temia que a funcionária do turno da tarde também a detestasse. Tudo porque no final da aula ficara a fazer as limpezas com Mari. As duas haviam voltado a discutir e o resultado fora em baldes de aula despejados na cara uma da outra. Antes que Linda pudesse sorrir vitoriosa ao ver Mari gritar ao se ver toda molhada, a funcionária surgira. Linda apressou-se a dizer que limparia tudo e a severa mulher ficou o resto do tempo na sala a observar as duas a trabalharem silenciosamente, esporadicamente lançando olhares de ódio uma à outra.
-Raios… – Mari deixou escapar por detrás de Linda. Estavam as duas completamente encharcadas e as roupas em completo declínio, para não falar dos cabelos. – É tudo culpa tua!
Linda parou e virou-se para a loira.
-Minha? Tu é que começaste!
-A luta? As sabotagens? Isso foi tudo obra tua! – Acusou a outra, também ela parando. Estavam agora junto a um parque e, ao longe, podia-se ver o sol a desaparecer no horizonte, os seus raios solares incidindo nas paredes cristalinas do palácio de Crystal Tokyo, criando um lindíssimo espectáculo de luz invisível para as duas raparigas.
-E já paraste para pensar em como tudo isto começa? E que tal no dia em que nos conhecemos? Quando exigiste a verdade de uma estranha que tu nem conheces?
-Tens noção de que, quanto mais o tempo passa, mais me apercebo que não posso confiar em ti? – Disse Mari, a voz tão azeda como um limão. Linda não mexeu nem um músculo.
-Tenho. E digo-te já que também me dás a mesma ideia.
Mari cruzou os braços, em tom de desafio.
-Isto não vai funcionar connosco as duas a viver na mesma casa.
-Eu até saía, mas a tua avó e a minha me impediriam.
-E porque não voltas para a tua casa?
Mari ergueu o sobrolho ao ver que a pergunta (talvez a mais inocente delas todas) provocara finalmente efeito em Linda. Os dedos da mão dela tremeram ligeiramente e a rapariga fechara as pálpebras várias vezes, sinal de nervosismo.
Seguiu-se um pesado silêncio, quebrado pelo som cortante de um grito feminino.

Linda e Mari olharam na direcção do grito, para além do parque. Ao longe viram uma rapariga morena sendo agarrada por uma espécie de monstro verde e que possuía tentáculos, como os de um polvo, que, ao roçarem na cara da rapariga, largavam musgo verde na zona. Linda ficou pálida. Era um monstro semelhante a aquele que enfrentara semanas antes. Sem hesitar, correu para dentro do parque, vendo a criatura, através dos seus tentáculos, sugar a energia da rapariga desmaiada, vital para ele se fortalecer. Luzes fracas, mas também fortes, emitiam naqueles braços nojentos. Quando acabou, largou a rapariga, que caiu no chão como um peso morto. Atrás de uma árvore estava um rapaz apavorado, provavelmente seu namorado. Tremia como varas finas e fazia um ruidoso som rugir os dentes. Linda não sabia o que se passava com ela, impossibilitada de se mexer ou de tomar qualquer acção. O monstro não era o mesmo, mas era como se tivesse voltado semanas atrás a aquela batalha tão estranha em que a única coisa que a salvara fora uma injecção divina de adrenalina, que lhe permitira salvar a sua vida e a do seu companheiro. Agora ali, parecia tudo novo outra vez.
Rodando o pescoço uns centímetros para os lados, soube que só estava ela e o rapaz no parque. Mari tinha desaparecido. O monstro havia-se apercebido da presença de mais duas pessoas e, sem hesitar, virara-se para o rapaz, pondo-o inconsciente em poucos segundos. Todavia, Linda nada fez. Porque a sua atenção ficara no que sucedera mesmo à sua frente.
A figura baixa surgiu, o seu rosto sinistro exibindo um sorriso triunfante. Ignorando a presença de Linda, dirigiu-se para a rapariga e, tocando no peito dela, fez surgir fios verdes brilhantes como fibras ópticas. Assombrada, Linda viu os fios emitirem sons. Sons de criança a rir, a falar, a gritar, a correr, sons da natureza, da cidade, até mesmo os mais desagradáveis. Depois viu leves imagens de passeios na praia, no campo, na cidade, nos templos, com a família e os amigos, com o namorado.
A alma da rapariga estava a ser sugada sem dó nem piedade.
Sentindo-se inútil e forçando o seu cérebro a tomar uma acção, pegou no pingente e não perdeu tempo:
-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã dos Sonhos! – Gritou, enquanto estendia o pingente à sua frente. Luzes iluminaram-na e segundos mais tarde, ela era de novo Sailor Dream.
O homem fitou-a por uns segundos, mas a sua expressão de raiva não impediu Linda de atacar:
-Silver Star Dream – gritou, lançando estrelas prateadas saídas das suas próprias mãos enluvadas. Ainda que tivesse travado o ataque, algo dentro da navegante disse-lhe que já era tarde de mais. Talvez fosse devido ao facto de algo ter saído dentro da rapariga. Algo mais forte e luminoso que os fios. Uma luz verde iluminava uma pequena figura do tamanho de um livro e com uma forma semelhante a uma flor. Uma flor magnífica que irradiava extremo poder.
-É tarde demais, rapariga. E em breve, também sofrerás o mesmo.
-Quem és tu? O que queres com essa rapariga? – Perguntou Linda, a receio, os olhos não saindo de cima da flor.
A figura deu uma alta gargalhada.
-O que eu quero não está aqui. Já vi que tu não me darás a resposta, mas eu encontrá-lo-ei. Agora, isto. – Os seus olhos pequenos fitaram a lindíssima flor. – Não é para mim. É para alguém muito poderoso e um dia te curvarás aos seus pés.
Um rugido desviou a atenção de Linda da flor. O monstro estava ao lado do homem, olhando-a com aqueles olhos vermelho vivo. Lançou os seus tentáculos a ela, obrigando-a a desviar-se. E depois, o som de um raspão, como o encontro de um chicote com algo semi-duro.
Linda olhou para a criatura. Algo acontecera. Pequenas estrelas brancas e pretas cortaram os tentáculos do monstro, impedindo estes a atacarem. Ao ouvir um som vindo de cima, viu duas sombras surgirem vindas dos ramos superiores de uma árvore. Eram sem dúvida navegantes, mas não lhes conseguia ver a cara.
Estas não se mostraram muito preocupadas com esse facto:
-Faz alguma coisa, navegante. Isto é… se és uma navegante. – Exigiu uma delas, uma loira de rabo-de-cavalo comprido, com uma arrogância peculiar. De súbito as duas navegantes saltaram da árvore e surgiram mesmo em frente de Sailor Dream.

O homem, ao ver as três navegantes frente a ele, não disfarçou a gargalhada maquiavélica.
-Se pensam que irão conseguir impedir os planos da minha Senhora, esqueçam. Vocês não têm poder.
-Aí é que te enganas – Disse uma navegante de rabo-de-cavalo, que correu para a figura baixa, disposta a combater. Este desapareceu tão rápido como a luz, aparecendo a uns metros de distância. Os seus olhos encontraram a Flor ao mesmo tempo que os de Linda. Esta, instintivamente, correu para junto da rapariga, mas o monstro, recuperado do ataque, veio contra ela, desviando-a do seu objectivo. A outra navegante, uma morena, atacou o monstro, dando hipótese a Linda de continuar a sua busca por aquela flor. Viu a navegante de rabo-de-cavalo a tentar impedir o homem de se aproximar da rapariga, mas este nem parecia considerar aquilo um desafio.
-Que tontas. – O homem sorria como se tirasse algum prazer naquela situação macabra. - Infelizmente não tenho tempo para brincadeiras. – A figura baixa virou-se para o monstro e disparou um raio rosa para a criatura. O monstro soltou um grito agonizante, que foi a distracção perfeita para a figura sugar a Flor vinda do corpo da rapariga. Virou-se para as navegantes, que se recuperaram do grito do monstro, que lhes provocara surdez temporária.
-Desistam. Jamais conseguirão me vencer. Até breve navegantes. – E, olhando uma ultima vez para a Guardiã dos Sonhos, concluiu – Que a próxima vez seja a última.
E desapareceu.

----------------

[1] Deus da Morte na Mitologia Japonesa. Já foi mencionado em vários manga e anime.


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 16 Fev 2012, 08:49, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Qui 28 Maio 2009, 12:20

algo me cheira que a mari e a cecilia é que sao a sailor faith e a sailor harmony.

e o rapaz do raio rosa...hum...Eiji...Matreiro

e se n for o Eiji é qm vai ficar com a sailor dream Matreiro

este cap. foi liiiindo e grande, tu melhorast mt e esta historia é linda msm ^^

continua com mt força qerida!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 28 Maio 2009, 13:16

Lena_Dias escreveu:algo me cheira que a mari e a cecilia é que sao a sailor faith e a sailor harmony.

e o rapaz do raio rosa...hum...Eiji...Matreiro

e se n for o Eiji é qm vai ficar com a sailor dream Matreiro

este cap. foi liiiindo e grande, tu melhorast mt e esta historia é linda msm ^^

continua com mt força qerida!

Obrigada Lena, mas como já se passou muito tempo, já te deves ter esquecido que a figura baixa é um homem gordinho... não sei se referi que o Eiji é alto (e gordo ele não é xDD) já pra nao falar k é um adolescente.
Mas realmente era uma boa ideia ele ser dos mauzinhos Toma toma

Este cap foi grandinho. Veio-me à cabeça e só parei quando acabei (e só perdi uma hora Razz). Mais uma vez obrigada pois tento sempre melhorar a minha escrita lendo outras fanfics e livros...

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Convidad em Sab 30 Maio 2009, 22:47

já tinha saudades desta fic. está muito gira. eu acho que a Sailor Faith é a Mairi e a Sailor Harmony é a Cecilia!!!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Dom 31 Maio 2009, 05:19

AnA_Sant0s escreveu:
Lena_Dias escreveu:algo me cheira que a mari e a cecilia é que sao a sailor faith e a sailor harmony.

e o rapaz do raio rosa...hum...Eiji...Matreiro

e se n for o Eiji é qm vai ficar com a sailor dream Matreiro

este cap. foi liiiindo e grande, tu melhorast mt e esta historia é linda msm ^^

continua com mt força qerida!

Obrigada Lena, mas como já se passou muito tempo, já te deves ter esquecido que a figura baixa é um homem gordinho... não sei se referi que o Eiji é alto (e gordo ele não é xDD) já pra nao falar k é um adolescente.
Mas realmente era uma boa ideia ele ser dos mauzinhos Toma toma

Este cap foi grandinho. Veio-me à cabeça e só parei quando acabei (e só perdi uma hora Razz). Mais uma vez obrigada pois tento sempre melhorar a minha escrita lendo outras fanfics e livros...


Incredulo esqueci mesmo Matreiro

eu adoro msm as tuas ideias xDD

tens futuro, vai sair daqui um livro ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 31 Maio 2009, 06:22

muito obrigada Sandra e Lena. Em relação às identidades das navegantes... hum não sei. Ainda não explorei muito estas navegantes. Só no proximo capitulo ^^

Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demais Esperancoso

Spoiler:

(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Dom 31 Maio 2009, 07:26

AnA_Sant0s escreveu:muito obrigada Sandra e Lena. Em relação às identidades das navegantes... hum não sei. Ainda não explorei muito estas navegantes. Só no proximo capitulo ^^

Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demais Esperancoso

Spoiler:

(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)



sabes, esse homem faz-me lembrar o avô da rita xDD

se calhar é ele o gordinho parvo do raio rosa Toma toma

yah o gordinho vai ser dos viloes Toma toma era xolas :afro: (xolas sopostamente qer dizer fixe)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Convidad em Ter 02 Jun 2009, 04:38

só tu para fazeres piadas sobre o homem lena!!!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Ter 02 Jun 2009, 07:28

Sandra Pereira escreveu:só tu para fazeres piadas sobre o homem lena!!!

ai fiz uma piada? :Incredulo:

estava a ser sincera :^^':

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qua 03 Jun 2009, 13:16

Lena_Dias escreveu:
AnA_Sant0s escreveu:muito obrigada Sandra e Lena. Em relação às identidades das navegantes... hum não sei. Ainda não explorei muito estas navegantes. Só no proximo capitulo ^^

Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demais Esperancoso

Spoiler:

(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)



sabes, esse homem faz-me lembrar o avô da rita xDD

se calhar é ele o gordinho parvo do raio rosa Toma toma

yah o gordinho vai ser dos viloes Toma toma era xolas :afro: (xolas sopostamente qer dizer fixe)


Não foi piada mas teve a sua graça. Não digas isso do Homenzinho que ele não é parvo, apenas um servo Razz
E acho que o avô da Rita não consegue viver até ao tempo em que a neta é avó!

xDD

Mas enfim, já tou a preparar novo capitulo ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 03 Jul 2009, 18:03

Olá =)
Aqui está novo capitulo.
Espero que gostem ^^

(P.S: novo capitulo na minha outra fanfic na 2ª feira Smile)


reescrito a 24/03/2012
Capítulo 14. Um encontro Interessante

Linda soltou um fôlego de impotência ao ver a rapariga no chão, pálida e sem mostrar sinais de vida. Deu um passo em frente, pronta a ver o estado da rapariga, mas foi interrompida por alguém.
A navegante de rabo-de-cavalo fulminava-a com o olhar, ao mesmo tempo que parecia fazer uma espécie de exame à navegante dos sonhos.
-Quem és tu? – Perguntou, a voz tão ácida como um limão.
-Sailor Dream. – Respondeu Linda, tentando parecer firma aos olhos da outra navegante. Agora que lhe deitava um segundo olhar, via que ela tinha cabelo loiro muito comprido e muito liso, em contraste com os caracóis de Linda e que o seu uniforme era em tudo semelhante ao de Linda, com a diferença das cores negras que enfeitavam as faixas, a saia e a bola em forma de estrela prateada.
A outra navegante não pareceu reconhecer o nome, o que Linda já esperava. Todavia, o olhar raivoso da outra navegante ainda a inquietava. Parecia que tentava dissecar Linda com os olhos, camada por camada.
-Sou Sailor Faith. – Disse a outra navegante finalmente. Enquanto Sailor Faith impedia Linda de socorrer a jovem, a outra navegante – uma morena – ajoelhou-se perto da rapariga e verificou-lhe a pulsação.
-Ela está bem? – Perguntou Sailor Dream, aproximando-se da outra navegante.
-Sim. Tem pulsação normal, mas é melhor levá-la para o hospital. Precisa de cuidados médicos.
-O que era aquilo que saiu de dentro dela? – Perguntou Linda, sem conseguir evitar.
A navegante não respondeu. Linda teve a sensação que nem ela sabia.
Atrás das duas, Sailor Faith fez um barulho frustrado com a sola das botas.
-Aquele idiota, quem será ele?
Infelizmente, nem Linda podia responder a essa questão. Antes mesmo que abrisse a boca, a navegante virou-se para ela.
-Ele parecia conhecer-te! – Disse a outra, num familiar tom desconfiado.
Linda ergueu uma sobrancelha.
-Que queres dizer com isso?
O rosto da outra navegante contraiu-se.
-Sabes muito bem o que eu quero dizer. Ele parecia estar familiarizado contigo, para além da conversa estranha de tu não lhe dares o que ele quer.
-Não é a primeira vez que o encontro. – Admitiu Linda. A navegante morena olhou para ela curiosamente.
-O que é que ele quer? – Perguntou. Linda abanou a cabeça.
-Não faço ideia. Não sei quem ele é. – Mas ele sabe quem eu sou, pensou a jovem para os seus botões.
Faith soltou uma risota trocista.
-Então não nos dás grande ajuda.
-É melhor irmos. - disse a morena para Sailor Faith, impedindo Linda de responder. Esta assentiu e, num salto, desapareceu por entre os ramos das árvores. A rapariga levantou-se e, antes de seguir o mesmo caminho que a sua companheira, fitou Linda:
-Sou Sailor Harmony. E penso que haveremos de nos voltar a encontrar. Até lá, sayounara Sailor Dream.
Sailor Dream ficou imobilizada, sem saber o que fazer. Depois, recuperando do choque, correu para detrás de uma árvore e voltou ao seu estado original. O caos provocado pelo ataque tinha cessado e pessoas voltavam a entrar no parque, verificando se era seguro. Pegou no telemóvel e ligou para as Urgências. Todavia, sabia que não adiantava de nada. O quer que a figura baixa tenha tirado da rapariga, fora algo tão importante que a moça bem que podia ser dada como morta.
De alguma maneira, aquela rapariga perdera a alma.

**

-Que raiva! A forma como ele falou connosco! Como se fossemos amadoras…
-De nada adianta estares irritada - Sailor Harmony tocou na bola no centro do seu fato de guerreira navegante, transformando-se numa adolescente comum.
Pegou no auscultador da cabine telefónica que estava ao seu lado. Marcou três números. - Além disso, nós somos amadoras. - Parou, quando ouviu uma voz do outro lado -Está lá? É para informar que uma rapariga sentiu-se terrivelmente mal no parque. Sim, no centro de Tokyo. Por favor venham depressa! - Desligou, colocando o auscultador no sítio.
Sailor Faith soltou uma lufada de ar, terrivelmente frustrada. Reconhecendo o olhar reprovador da companheira, tocou na estrela que lhe servia para amarrar o cabelo e, no meio de brilhos cósmicos, transformou-se numa rapariga praticamente comum.

**

A oeste da Universidade de Tokyo num condomínio fechado, soou uma campainha.
Dentro do apartamento 33, apenas uma pessoa ouvira o toque. Berrou para alguém abrir a porta. À falta de resposta, concluiu que estava sozinho em casa e, a rogar pragas a torto e direito, saiu do chuveiro e atravessou o corredor até chegar à porta. Ouviu-se um segundo toque.
-Já vai, já vai - gritava o jovem, irritado. Apenas tivera tempo para enrolar uma toalha à sua cintura. Enquanto se deslocava até à porta, amaldiçoava o irmão e o companheiro de faculdade, principalmente o último que tinha tendência a ficar encerrado em casa e, das poucas vezes que saía, esquecer-se sempre das chaves.
- Voltaste-te a esquecer das chaves Chi… - Setsu quebrou a sua própria frase ao ver que não estava frente a frente com o amigo de faculdade, mas com a irmã deste - … ba?
Já a visitante nada disse, estando muito ocupada a admirar o rapaz em tronco nu que lhe abrira a porta. Linda já tinha visto homens sem camisa. Mas uma coisa era ver o irmão a vestir-se, outra era ver Setsu acabadinho de sair do duche. Tentou a todo o custo não se rir da situação, mas não conseguiu evitar olhar para os músculos do rapaz. Fortes e firmes. Pareciam músculos de actores dos anúncios para emagrecer. Da parte do “Depois” é claro.
-Ah… queres entrar? - Setsu não conseguiu deixar de abanar a cabeça em exasperação. E de controlar a gargalhada irónica que se esganava na garganta. Normalmente era sempre ele que via partes do corpo das raparigas sem roupa e nunca o contrário. Linda quebrou essa regra. Já era a segunda, a contar com o encontro explosivo.
-Obrigada, o Kenji está? – Linda entrou e descalçou os sapatos, calçando umas chinelas. Após Setsu fechar a porta e se ver sem casaco, Linda inspeccionou a divisão onde se encontrava.
No seu lado direito encontrava-se a cozinha, ligada à sala através de uma kitchnet. As bancas eram de mármore preto e a madeira da kitchnet de pinho. À sua frente encontrava-se dois sofás azuis. Encostada à parede, exibia-se uma grande televisão plasma com duas grandes colunas em cada lado, bem como um sistema bem sofisticado de som, ideal para ver filmes ou jogar. À frente dos sofás, encontrava-se uma mesa de vidro. Por cima figuravam-se algumas revistas que Linda reconheceu como sendo de carros, motas e (para certo embaraço de Linda) de pornografia. Não havia quadros nem tapetes e os sofás estavam cheios de roupa suja ou desarrumada e livros. Em qualquer canto da sala, escondia-se uma garrafa de saqué, cascas de banana, papeis, CD’s e até carregadores de telemóveis. Linda olhou para Setsu, mordendo o lábio.
-Porque me abriste a porta nessa figura? – Perguntou, curiosamente. Setsu encolheu os ombros, nada embaraçado em relação ao seu estado. Apenas uma toalha o impedia de mostrar a Linda como viera ao mundo.
-Achei que fosse o Ken. Ele está sempre a esquecer-se das chaves das poucas vezes que sai. Queres alguma coisa? – Perguntou, tentando ser cortês. Linda abanou a cabeça.
-Não quero nada. Apenas falar com o Kenji. Sabes onde ele e o Eiji estão?
-Devem ter saído. Sabes, aqueles dois estão sempre juntos. Começo a achar que estamos a ser renegados do nosso papel de irmãos.
Linda suspirou pesadamente. Não tinha mesmo resposta para o comentário de Setsu. Não quando o irmão dela era uma pessoa com duas faces da mesma moeda, mas também distintas. Umas vezes seria o irmão interessado, outras iria renega-la como Setsu agora dizia.
Ao olhar para o jovem, viu que este parecia pensativo.
-Incomoda-te? – Perguntou, devagar. Setsu olhou para ela, confuso.
-Incomodar o quê?
-Esse afastamento que tu falas.
O rapaz não respondeu, mas o brilho nos seus olhos castanhos fez Linda matutar.


Última edição por AnA_Sant0s em Sab 24 Mar 2012, 06:58, editado 3 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 03 Jul 2009, 18:04

A porta abriu-se. Linda e Setsu viraram-se por instinto, vendo Kenji e Eiji a entrar dentro de casa, os dois com sacos nos braços e largos sorrisos, enquanto calçavam as suas chinelas e punham os sapatos a um canto. Eiji ergueu o sobrolho surpreso quando viu Linda. Kenji manteve o rosto impassível, como era seu costume.
-Ah, olá Linda. O que fazes aqui?
-Acabei a limpeza e decidi passar por cá. – Dizer que ela viera a correr para a casa do irmão depois do que acontecera era favor. Nunca se sentira tão apavorada depois de chegar a aquela tão crua explicação.
Mais por influência de Rei do que outra coisa, Linda era xintoísta. A crença do kami era bem mais simples que a do Deus Ortodoxo que o pai trouxera de Inglaterra. Linda passara parte da sua vida encarcerada, mas a palavra tinha apenas um sentido metafórico. Desde pequena que se dera a luxos de visitar muitos monumentos históricos e religiosos, tanto no seu país como na Europa.
Quando era nova, tanto ela como Kenji se questionaram das diferentes religiões que se espalhavam dentro da sua família. Os parentes ingleses do pai de ambos eram ortodoxos, ignorando a autoridade do Papa mas seguindo os mesmos ensinamentos da religião católica. O avô paterno era budista e os avós maternos eram xintoístas. Rei havia-lhe ensinado tudo acerca do xintoísmo quando ela era pequena e muito curiosa. Explicara-lhe que o kami podia ser qualquer espirito com uma força vital. Os rios, as montanhas, o fogo… A natureza era o paraíso terreno, onde estava encarcerada a alma terrena, o nosso lado consciente e material. Após a morte, essa alma ascendia aos céus, unindo-se com a sua alma celeste, o lado divino e brando do ser humano. Ao unirem-se, as almas habitam o céu, como Deuses.
Aquele furto da alma de uma pessoa, impossibilitando-a de ser divina após a morte, era um crime do pior patamar possível. Só de imaginar aquilo que vira ainda lhe provocava arrepios.
-Está tudo bem? – Ouviu o irmão perguntar. Linda abanou a cabeça, tentando se compor.
-Sim está tudo bem. Vim aqui falar contigo sobre uma coisa...
-Dá para ver. – Comentou Kenji, passando a mão pelos cabelos dourados. O seu rosto estava contorcido numa tentativa de parecer sério, mas também divertido. De certa forma, parecia ter adivinhado porque é que a irmã estava ali.
-Trabalho de irmão mais velho, Ken. Não te podes escapar. – Disse Setsu, pegando nos sacos e levando-os para a cozinha.
-Pois é a minha cruz. – Respondeu Kenji, rindo-se de Linda. Esta tentou parecer zangada, mas os lábios torcidos traíam-na.
-Que seja. Jesus Cristo quero falar Consigo.
Kenji semicerrou os olhos, como se tivesse a embirrar com a atitude da irmã. Desde pequenos que as várias religiões das suas famílias os confundiam. Ainda que Linda tivesse chegado a uma decisão, Kenji demorara mais tempo a escolher uma crença. Linda gozava com ele, dizendo que para ele ter demorado tanto tempo a escolher, era porque no fundo ele não sabia o que era religião. No final, Kenji era xintoísta como Linda e os seus avós maternos, mas falar das outras religiões da família como se fossem crentes era já um velho hábito. Até porque Linda só falava assim para relembrar ao irmão da sua “indecisão” do passado. Uma pequena atitude infantil que os dois não prometiam ultrapassar.
Eiji riu-se das atitudes dos dois irmãos, enquanto Setsu revirou os olhos.
-Estás-te a rir de quê, pimpolho? – Reclamou Setsu ao seu irmão mais novo.
-Esta situação é um pouco estranha. A Linda está aqui para falar com o irmão e tu estás de toalha.
Linda não podia perder aquela oportunidade.
-Ele não deve ter muito a esconder. – Murmurou neutralmente, provocando uma gargalhada no irmão e em Eiji. Ao ver a cara de indignado de Setsu, traiu o seu semblante sério e riu-se com os outros.
-Olha, Setsu. Porque não vais arrumar os quartos? - Sugeriu Kenji, com vista a despachar o amigo.
Setsu pareceu ter entendido a mensagem. Mas a cara que fez deu a entender a Linda que Kenji não teria a última palavra se dependesse dele.
-E eu por acaso tenho cara de empregada doméstica? Vai tu arrumar o teu quarto!
-Arranjasses uma.
-A culpa não é minha que qualquer empregada fuja deste apartamento mal pegue nas tuas meias malcheirosas. Eu cá vou-me vestir.
-Fazes bem. Pergunto-me porque é que a minha irmã ainda não reclamou das tuas “humildes” vestes. – Ao lembrar-se do comentário anterior de Linda, Kenji fingiu um ar de quem se lembrara de algo importante. – Ah…
Mas Setsu não o deixou terminar.
-Talvez porque sou um Deus. - Setsu percorreu metade do corredor, exibindo sempre um sorriso matreiro.
-Um Deus muito limitado. – Voltou a murmurar Linda. Kenji olhou para ela, perguntando-lhe silenciosamente se ela o queria matar de tanto riso.
-Porra, um é Jesus Cristo, outro é Deus. E o que raio é que eu sou? - Perguntou Eiji, também querendo ter uma palavra a dizer.
-És a Madre Teresa de Calcutá. Santinha que Deus tenha - Setsu benzeu-se de uma forma excêntrica e muito cómica, provocando gargalhada geral na divisão. Kenji teve que se apoiar na parede para não rebolar às gargalhadas no chão, literalmente.
Só quando ouviu a porta do quarto de Setsu fechar-se é que Kenji conseguiu acalmar-se um pouco. Ergueu-se e dirigiu-se para a cozinha, pegando num copo e enchendo-o de água da garrafa. Bebeu o líquido de um gole e fitou Linda:
-Ora bem. Diz lá maninha, o que é que queres falar comigo?
Linda olhou para Eiji. Este entendeu a mensagem.
-Muito bem. Eu vou fazer as camas. Sendo a Madre Teresa de Calcutá, terei que cumprir o meu dever de ajudar os desafortunados de inteligência. - Eiji saiu da sala, o seu rosto parecendo divertido mas também suspeitoso. Linda sabia como Eiji era muito desconfiado e já devia ter percebido que os dois irmãos escondiam muito mais do que realmente mostravam.
-Ele já saiu. Agora podes falar.
-É mais sobre pesquisa. – Disse Linda, tentando ir ao centro do assunto.
-Pesquisa? Não tens um computador em casa?
Linda revirou os olhos.
-Isto é um tipo de pesquisa que duvido que os motores de busca me arranjem. Além disso, não pude trazer o meu da herdade e está fora de questão pensar sequer em pedir à Mari.
Kenji ergueu uma sobrancelha ao ouvir o nome.
-Mari? A tua famosa hospedeira?
-Que queres dizer com isso? – Perguntou Linda, com suspeita.
-Quero dizer que já ouvi falar muito dela. Vocês são como cão e gato. Ela parece ser o tipo de pessoa que chama a tua parte mais assombrosa ao de cima.
-A minha parte mais assombrosa? – Linda abanou a cabeça às atitudes do seu irmão. Sentou-se no sofá, o irmão acomodando-se ao seu lado. – Não sabes o que dizes.
Kenji sorriu maliciosamente.
-Acredita, querida maninha. Sei muito bem o que estou a dizer. Mas conta lá o que me vieste perguntar. Que tipo de pesquisa é?
Linda respirou fundo, tentando organizar os seus pensamentos. Já passara um bom bocado desde que assistira a aquela situação de puro horror e já conseguia pensar mais racionalmente naquilo que acontecera. E no que era prioritariamente importante descobrir.
-O que é que tu sabes sobre as navegantes? – Perguntou, tentando soar firme. Kenji estranhou a pergunta.
-Ah… o mesmo que tu, presumo.
-Não! – Protestou Linda, não contente com a resposta. - Deves saber mais. Que eu saiba eras tu que esgueiravas-te para a biblioteca quando não conseguias dormir.
Kenji encolheu os ombros.
-Era a única divisão de casa que não estava trancada. Mas uma vez tive sorte. A Makoto deixou a porta da cozinha aberta.
-Isso não importa. O que eu quero saber é… - Fez uma breve pausa, lembrando-se das duas jovens que encontrara no parque -Conheces alguma Sailor Harmony e Sailor Faith?
Kenji não desconheceu os nomes, pelo que os seus lábios se contraíram numa expressão pensativa.
-Sei. – Confirmou, para alívio da irmã. - São as Guardiãs da Harmonia e da Fé, respetivamente. Elas guardam o místico Portal da Esperança, juntamente com Sailor Dream, a Guardiã dos Sonhos.
-As três juntas? - Linda franziu o sobrolho. Duvidava muito numa futura união entre ela e as outras duas navegantes, principalmente Sailor Faith.
Kenji voltou a confirmar, com um aceno de cabeça.
-Queres alguma coisa? – Perguntou a Linda, levantando-se do sofá. Não dando tempo à irmã de responder, pegou em dois copos e abriu a porta do frigorífico.
-Fazes alguma ideia que tipo de Flores existe que são semelhantes à nossa alma? – Perguntou Linda, enquanto Kenji enchia dois copos com sumo. – São flores brilhantes, com cor.
Kenji aproximou-se e entregou um copo a Linda. Sentou-se, olhando a irmã com suspeita.
-Porque me perguntas isso?
Linda remexeu o copo nas suas mãos, tentando formular frases para lhe responder.
-Há um hora atrás, uma rapariga foi atacada. – Linda viu Kenji pelo canto do olho a chegar o peito para a frente, em tom de alerta. – O mesmo homem atacou-a e retirou-lhe uma flor do peito. Era verde-esmeralda e parecia ter… vida. Não conseguia fazer nada, congelei ali no momento. Depois apareceram essas navegantes, mas não ajudaram em nada. O homem conseguiu fugir.
Sentiu a mão de Kenji no seu ombro e só ai Linda notou que estava a tremer, o sumo do seu copo quase a transbordar. Sussurrando um tremido obrigado, bebeu um pouco do líquido, que tinha sabor a maracujá.
-Essas flores que falas são chamadas Flores do Universo. – disse Kenji, calmamente. – Todavia, nem todas têm cor. Normalmente têm um tom perola comum. Mas nove são distintas das outras.
Kenji inspirou fundo, não tirando os olhos da irmã.
-Estás bem? – Perguntou. Linda assentiu.
-Na altura o choque e a ignorância ajudaram, mas quando entendi o que realmente tinha acontecido, entrei em pânico. Imaginar alguém a perder a sua alma terrena antes do tempo. – Tornou-se para o seu irmão, que apertara o seu ombro em sinal de consolação. – Porque é que alguém quereria essas Flores?
Kenji hesitou um pouco antes de responder.
-Porque são Flores extremamente poderosas. Ao lado delas, o Cristal Prateado não passa de uma pedra que se encontra facilmente na rua.
-Como é que isso é possível? – Perguntou Linda, espantada. Todavia, apercebeu-se do ridículo da sua questão logo no momento.
-Já respondeste há pouco. Mas vou esclarecer isso melhor. O Cristal Prateado é feito de forças de origem misteriosa. Muitos dizem que provêm do próprio Universo, se é que este tem alguma forma humana. As Flores do Universo são feitas desse poder, ainda que mais fraco, mas contém uma outra força ainda maior. A mais bela criação de um Ser Poderoso: Vida. Ao ser retirada a Flor do Universo é retirado a alma de uma pessoa, a sua vida. Aquilo que sentiste quando viste a Flor foi como dar uso à expressão ‘Na morte, vê-se a vida andar para trás’. As pessoas entram em transe e começam a ver imagens da sua existência, até que deixam de ver o que quer que seja.
Linda assentiu, entendendo. Todavia, uma certa pergunta vagueava perdida na sua cabeça, louca por ser respondida.
-Mas as sementes de estrela também não têm a alma das pessoas? Quando mais brilhante for, mais pura é a sua alma.
-Verdade. A Flor do Universo é uma junção disso. Seres poderosos com poderes e almas fortes. Um poder inigualável. – Kenji deu um gole no seu sumo. – Felizmente são muito difíceis de encontrar.
-Porquê?
Kenji fez um som com a garganta, não gostando ele próprio da explicação.
-Bem, para se ser dono de um poder forte, precisava-se de possuir uma alma forte e pura. Como tal, as Flores do Universo ganharam cor a apenas nove pessoas, consideradas as mais fortes em todos os aspectos. Isto aconteceu há muito tempo. Altura em que havia Reinos nos planetas do Sistema Solar.
-Ou seja… - Linda começava a entender. - Aos Reis e Rainhas?
-Sim. Eles possuíram as Flores do Universo. As Flores nunca estão intactas. São repartidas pela família até que apenas resta um único elemento. O elemento mais jovem será o possuidor da Flor do seu Planeta. Por isso é que é difícil de encontrar.
-Porque já não há reinos nos planetas do Sistema Solar. Excepto na Terra.
-Sim. Disseste que a Flor que viste era verde. Então o inimigo encontrou a Flor de Júpiter. – Disse Kenji, com ar pesado.
Linda engoliu em seco.
-Ela vai ficar bem? – Sabia que era uma pergunta idiota mas no fundo ela apenas esperava que Kenji a conseguisse consolar. O olhar de pena que ele lhe mandara era prova que as suas suspeitas eram verdade.
-Não. – Respondeu com ar grave. - Ela tem os dias contados. Se lhe tiraram a alma, ela deixou de ser humana, de certa forma. Não raciocina, não sente, não ama. É um autêntico vegetal que respira mas que ignora o que existe à sua volta. Para ser honesto, acho melhor ela nem acordar. Provocará o pânico nos hospitais e até na sua família.
Os olhos de Linda aumentaram de tamanho e a jovem teve que pousar o copo meio vazio em cima da mesa de vidro, pondo a mão livre na boca. Uma coisa era imaginar uma rapariga ligada às máquinas como se estivesse em coma. Outra era ela acordar e ser incapaz de formular palavras, de comer como uma pessoa normal ou até mesmo de abrir a boca sem se babar.
-O que fazemos? – Perguntou, a voz tremude.
-Temos que falar com a avó. Ela saberá o que fazer. Ou então poderá ajudar-te.
Linda anuiu, não tirando os olhos do chão.
-Farei isso. Arranjarei forma de falar com ela.
Suspirou e, sentindo um par de olhos incidido em si, ergueu o pescoço. Kenji parecia pensativo, mas já não parecia tão sombrio como há pouco. Ao ver a irmã mais nova a olhar para ele, sorriu levemente.
-Não te preocupe, eu vou ajudar-te. – Disse, simplesmente.
-Como? – Perguntou Linda não conseguindo evitar. De repente, sentiu uma sensação estranha, como se alguém estivesse atrás dela. O som leve de passadas confirmou as suas suspeitas.
-Vais ver. – Murmurou Kenji, os olhos fixados num ponto atrás do ombro de Linda. Esta tornou-se, vendo Setsu já vestido a fitar os dois.


Última edição por AnA_Sant0s em Sex 27 Jul 2012, 13:46, editado 4 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 03 Jul 2009, 18:05

-Oh, Setsu! Vieste aqui coscuvilhar?
Setsu suspirou dramaticamente, apoiando o corpo na soleira que ligava a sala ao corredor.
-Não. Vim-me esconder. Maldita vizinha do lado que comprou o maldito papagaio com penas púrpuras. Como agora está na moda ter um, tinha logo o raio da velha ir comprar um. Apenas eu o consigo ouvir. E tudo porque o meu quarto é o mais próximo da varanda da mulher.
-Oh… pobrezinho. – Comentou Kenji, nem tentando esconder o sarcasmo. Linda riu-se do ar frustrado do moreno.
-Verdade! – Ia protestar quando olhou para trás, ouvindo também um par de passadas. Eiji surgiu por detrás dele, olhando em volta. - Eu ainda mato a velha e o seu maldito papagaio das Canárias.
-Por acaso é da Tunísia - corrigiu Eiji. - Mas afinal o que é que se passa?
-O teu irmão quer matar a vizinha para ficar com o lugar de coscuvilheiro do prédio. - Respondeu Kenji casualmente.
-Eu não estava a coscuvilhar!
-Mentira. Eu sei como és. E também sei o que é que esperavas ouvir. Mas esquece! Não tens mais nenhuma hipótese com a minha irmã. - Kenji devia saber que as suas palavras teriam diferentes efeitos nos outros porque não se mostrou nem um pouco preocupado com o olhar fulminante que Linda lhe lançou, nem com o som estrangulado de garganta que Eiji emitiu. Só Setsu não parecia abalado.
-Não te metas na minha vida, Kenji. – Ameaçou Linda, erguendo-se do sofá. Kenji fez o mesmo.
-Calma Linda, estou só a brincar. O Setsu não é burro. Sabe no que se está a meter, caso te volte a pedir para sair.
-Sim. Terei que me contentar com um irmão coruja que a controla ao longe. Provavelmente irá vigiar-me, vasculhar as minhas gavetas em busca de preservativos… - Linda corou, lembrando-se do conselho de Aiko. – Enfim, não terei descanso. A melhor forma de te conquistar é conquistar o teu irmão, pelo que vejo.
A cara de Linda devia dizer o contrário, pois Eiji riu-se ao olhar para ela e Setsu mandou um sorriso cómico. Já Kenji parecia perdido em pensamentos.
-Eu volto já. – Disse de repente, saindo da sala sem esperar por resposta. Quando a sua figura deixou de ser vista, Eiji e Setsu entreolharam-se, suspirando ao mesmo tempo.
-É sempre a mesma coisa. Volta e meia, parece que falamos para uma parede. – Setsu fitou Linda. – Todavia, ele parece diferente. Talvez por estares com ele.
Linda sorriu, de certa forma tocada pelas palavras de Setsu. Decidiu ignorar a pontada dentro de si que a questionava acerca das atitudes de Kenji, por vezes tão semelhantes à da sua própria mãe.
Estava tão perdida nos seus pensamentos que mal notou nos olhares de Eiji para o irmão, apontando a cabeça para a porta. Entendendo a mensagem, Setsu saiu da sala resmungando qualquer coisa sobre o papagaio da Tunísia. Linda ergueu a cabeça ao ver que tanto ela como Eiji estavam sozinhos na sala. Este sorriu e ela sentiu um pequeno tremor no estomago.
-Linda? – Eiji sentou-se no sofá ao lado dela, as pernas abertas e os dedos entrelaçados. Linda espantou-se em como o corpo de Eiji obedecia a diversas antíteses. Os seus olhos cor de avelã brilhavam de determinação em contraste com as suas mãos, que tremiam de nervosismo.
Lentamente, assentiu a cabeça tentando encoraja-lo a falar. O rapaz suspirou.
-Eu sei que mal te conheço. E sei que só me vês como amigo. – Os olhos de Linda aumentaram de tamanho ao perceber aonde Eiji queria chegar. As palavras de Mari após a primeira batalha faziam agora sentido. – Apenas…
Eiji travou-se, praguejando suavemente. Não parecia satisfeito com o rumo do seu discurso.
-Dá-me uma oportunidade. – Disse finalmente, ao fim de uns minutos de silêncio. - Sê minha namorada.
Linda não sabia o que dizer. As palavras formavam-se na sua garganta, mas fundiam-se num som estrangulado antes mesmo que pudessem sair da sua boca. As palavras de Mari, as palavras de Eiji, as suas próprias palavras que pareciam vir dos confins da sua mente e que batalhavam contra a sua parte sentimental como se ela estivesse dividida em duas mentes e não apenas uma.
-Eu…
Eiji não se mexeu, esperando pela resposta dela. De certa, ele parecia já saber o que ela tinha para dizer pois os músculos do seu rosto ficaram mais rígidos.
-Não sei. – Respondeu Linda, honestamente. Ao ver o olhar magoado de Eiji, apressou-se a explicar. – Não é que eu não goste de ti. Mas tu és meu amigo e… - Mordeu o lábio, antecipando a sua mentira. – Digamos que eu tive uns problemas no passado e que não estou pronta para qualquer tipo de relação. Ainda estou um pouco verde na questão das amizades, quanto mais…
-Amor? – Completou Eiji, receoso. Os olhos de Linda aumentaram ainda mais ou ouvir a palavra.
-Não iria tão longe. – Murmurou em resposta, olhando para o rapaz de relance.
Sabia que Eiji não acreditara na sua mentira. Mas havia verdades enterradas ali no meio. Verdades que ela tinha vergonha em admitir. Eiji era o seu primeiro amigo fora do palácio, aquele com quem podia falar de muita coisa – traçando alguns limites, como é óbvio. – Mas também era o primeiro rapaz que Linda conhecia, não contando com Seiji. Era a primeira presença masculina sem qualquer traço de familiaridade que ela conhecia e de que gostava imenso. Não queria arruinar algo precioso que ela tinha com ele por causa de uma relação que podia bem não durar muito, visto eles serem tão jovens.
Expirando fundo, exprimiu os seus últimos sentimentos em voz alta, tentando chamar ao bom senso de Eiji. Tentando fazer com que ele entendesse a sua situação. Linda não soube o que achar quando os olhos de Eiji brilharam ao ouvir as suas palavras, sem dúvida conseguindo recolher alguma esperança naquelas palavras sinuosas.
-Entendo. – Disse ele, não tirando os olhos dos de Linda. Esta sentiu-se um pouco mal ao ver a determinação perdida naquele mar castanho claro com um toque de dourado e verde. – Tens medo. E irei respeitar a tua decisão. Mas quero que saibas Linda, que eu vou lutar por ti. Podes nem te aperceber, mas lutarei.
-Porque insistes tanto? – Insistiu Linda, não entendendo a teimosia de Eiji.
-Porque gosto de ti. – Respondeu Eiji, como se fosse a resposta mais simples do mundo.
Linda queria protestar, acrescentar várias ideias contrárias às intenções dele. Mas antes que pudesse falar, surgiu uma distração.
-Já está - Disse Kenji entrando na sala distraidamente, ignorando que havia interrompido uma conversa muito importante. Eiji sorriu presunçosamente, definitivamente grato pela interrupção. Sem dizer mais, sorriu para Linda e foi para o seu quarto. Linda semicerrou os olhos tanto para ele como para o irmão, que parecia perdido nos seus próprios pensamentos. Mais uma vez, foi interrompida antes que pudesse falar.
-Vamos embora, Linda.
Linda arqueou uma sobrancelha, levemente confusa.
-Embora? Embora para onde?
-Para tua casa. Acho que chegou a altura de conhecer a rapariga que te põe os cabelos em pé.
-Kenji, não eras capaz… - Linda já nem sabia se o avisava ou se o ameaçava. O seu tom de voz bem que dava para os dois. Mas como qualquer bom irmão mais velho faz, Kenji ignorou-a.
-Anda lá, não resmungues. Não temos tempo a perder.
Um pouco mais apressado do que Linda esperava, Kenji pegou no seu casaco, calçou os sapatos e saiu pela porta. Ao ver que irmã ainda estava lá dentro, tornou-se para ela.
-Anda. – Insistiu, impaciente. – Já avisei o Setsu para onde vamos. Se queres a minha ajuda, tens que vir.
-É mesmo por isso que temo em ir contigo. Que tipo de ajuda hás de me dar?
A resposta de Kenji já não era nova. Mas veio acompanhada com um sorrio matreiro, que fez com que Linda se esquecesse dos seus problemas de adolescente – como o seu azar com Eiji - e se focasse mais nos de navegante. Os deuses bem que sabiam como os últimos eram bem mais importantes.
-Vais ver.



Última edição por AnA_Sant0s em Sab 24 Mar 2012, 07:06, editado 3 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 03 Jul 2009, 18:05

**

Cecília Tamura gostava do sossego da sua casa. Sentia-se em casa de cada vez que entrava pela porta e ouvia o ar bater nas paredes e fazer eco do seu próprio som. O silêncio sempre reinou no seu lar. Pelo menos desde que Cecília se lembrava.
Desde a morte do seu pai que Cecília tornou-se numa jovem reservada, mas dócil. Não tinha medo de fazer amigos, no entanto escolhia-os bem. Também tinha estranho o dom de ver a alma das pessoas. Se estas eram puras ou malignas.
Esse dom e o facto de Cecília ser muito apegada ao pai, fez com que esta se afastasse mais da mãe. Misaki sofreu bastante com a morte do marido. Amava-o e era com ele que queria constituir família. Mas a morte repentina do esposo, quando Cecília tinha apenas quatro anos, fez com que o sonho se desmantelasse como um simples castelo de cartas. Retomou a sua vida, mas mais distante da sua única filha. Apaixonou-se por outro homem e casou-se. Cecília conheceu então o homem que substituiria o seu pai. Era um homem bom, que não podia ter filhos, daí que tratava Cecília como se fosse sua. E ela gostava dele.
Mas ainda assim a sua vida seguiu um rumo inesperado. A sua mãe sempre fora uma amiga próxima da Rainha, mas a morte do primeiro esposo fez com que a presença da sua antiga amiga de juventude fosse o seu porto de abrigo. Demorara muito tempo até Cecília descobrir como a mãe conhecera a Rainha. Andaram juntas na faculdade. Tiveram o mesmo professor e foi através da Rainha, na altura a princesa de Crystal Tokyo, que Misaki conheceu o seu futuro esposo. Talvez fosse como uma depressão, pois Misaki parecia perdida mesmo em solo nobre. Passava muito tempo fora de casa tal como o segundo marido, que fazia muitas viagens no estrangeiro. E por várias vezes olhava para Cecília como se ela fosse algo que ela tivesse perdido há muito tempo. E que considerava voltar a perder.
Estava na sua sala favorita. As paredes brancas estavam nuas, assim como a maior parte do quarto. Apenas uma janela com cortinas brancas, um piano e uma moldura, com a foto do seu pai por cima, enfeitava a divisão. Ali, Cecília conseguia ouvir o eco da sua própria voz só de sussurrar. Vinha para aquela sala desde que tinha memórias de si própria e nunca perdera esse hábito.
Sentou-se no banco em frente ao piano. Involuntariamente, os seus olhos encontraram a fotografia do pai. Observou os olhos cuja cor e forma herdara. De resto ela era completamente parecida com a sua mãe. Mas apenas os olhos eram o suficiente para a mãe se perder num mar nostálgico de cada vez que a via.
Ela gostava da sua vida. Apesar de estar a maior parte sozinha, ela até gostava. E todos os seus momentos com o padrasto eram excelentes. Mas a mãe era como a esfinge. Um autêntico enigma. Tentava convencer Cecília a frequentar a alta sociedade, inscreveu-a em vários colégios privados e comprava-lhe numerosos vestidos, de forma a torna-la numa senhora. Cecília conseguira, com a ajuda do padrasto, convencer a mãe a frequentar o ensino público e aceitara os vestidos. Porque não preciso ser um génio para entender que as atitudes excêntricas da mãe tinham um motivo para o serem. Era a forma mais simples de aproximar mãe e filha. Porque de resto, era como se uma parede as separasse. Uma parede que Cecília não tinha ideia de como esta havia sido erguida.
Ela sabia que a mãe e a Rainha eram excelentes amigas, fazendo o seu grupinho de cinco bastante animado quando elas queriam. Cecília conhecera todas as amigas, menos a própria monarca. Ainda assim, podia jurar que a Rainha a fazia lembrar alguém…
Afastou os seus pensamentos, retirando a proteção das teclas cor de marfim. Uma das outras amigas era uma conhecida, mas extremamente insuportável como as loiras populares dos filmes americanos. Outra, que conhecia a Rainha desde que esta era criança, era bem simpática e gostara de Cecília da primeira vez que a vira. Mas havia outra e essa era, na opinião de Cecília, a pior de todas as cobras venenosas do mundo. Para Cecília, dormir no lixo era mais agradável do que estar na presença daquela mulher sem escrúpulos.
Tocou nas teclas, tentando distrair-se. Um belo som saiu do piano, enquanto Cecília tocava uma melodia aleatória que aprendera em criança. A música do instrumento relaxava-a e fazia sentir-se nas nuvens, longe da sua posição social, dos problemas que uma adolescente de dezasseis anos poderia enfrentar e outros motivos. Fazia esquecer-se da mulher que parecia acrescentar tijolos à muralha que a separava da mãe e que, pelos rumores que ela ouvira, fizera o mesmo à Rainha e à sua própria filha.
Mal notou que alguém entrara na sala. A pessoa usava sapato de salto raso que, misturando-se com o som do piano, dava-lhe a possibilidade de andar sem ser ouvida tal como uma índia. Os seus dedos terminaram a melodia ao mesmo tempo que sentiu o sorriso ambicioso da mulher nas suas costas. E também a sua aura negra, que se alastrava pela sala como se esta lhe pertencesse, manchando aquele santuário para Cecília.
-A minha mãe não está aqui, Dawson. – Disse-lhe friamente, sem se tornar para ela.
-Não é assim que se fala para os adultos. - Comentou a mulher, a voz ácida mas extremamente calma, traindo um leve sotaque inglês.
-Adultos não entram na casa das pessoas sem bater. – Cecília focou os olhos no retrato do pai, como que procurando coragem para enfrentar aquela mulher. Sabia que Dawson conseguia sempre dar a volta por cima a uma conversa e já se sentia a perder.
-A tua mãe deixa-me entrar sempre que eu queria. – E ali estava. A voz presunçosa, possessiva, arrogante, vitoriosa. Se a conversa terminasse agora, ela ganharia. Como sempre fazia.
-Mas a casa não é apenas dela. – Cecília ergueu-se, os olhos brilhando em pura ira. Não admitiria que aquela mulher falasse como se ela fosse a sua criada. Só não a expulsava porque depois sofreria as consequências por parte da mãe.
Dawson olhou-a nos olhos, não escondendo um pequeno desagrado no rosto. Cecília sabia que Dawson detestava o vulgar e os seus olhos castanhos era sem dúvida a cor mais comum do mundo. E sabia também que Dawson dá-se por orgulhosa por ter olhos negros. Num enorme continente como a Ásia, era extremamente comum ter olhos negros. Mas não os de Dawson. O negro asiático era quase castanho, os dela era tão negros que até brilhavam como uma superfície negra bem polida. Uma cor fora do normal.
Para não falar que Dawson era inglesa, não japonesa.
-Peço-lhe que saia. - Disse, calmamente.
-E sairei… daqui a pouco. – Dawson respondeu vagamente. Chegou-se perto do piano, pegando na foto. Cecília sentiu o sangue a romper pelas veias ao vê-la examinar o rosto do seu falecido pai sem qualquer respeito, como se ele fosse um novo espécime.
Pousou a foto no sítio, tornando olhos para a jovem. Sabia que Dawson examinava a roupa dela, em busca de indícios para a criticar. Mas mal chegara a casa, Cecília mudara a roupa do uniforme para uma mais casual, de cor negra. E Dawson nunca se queixava do negro. Afinal, ela usava-o muitas vezes.
Os olhos de Dawson fitaram o pulso de Cecília, os olhos emitindo um estranho brilho vitorioso.
-Estás a usar a pulseira que te dei? – Perguntou, o rosto metaforizando-se para um de extremo agrado.
Cecília olhou para a sua pulseira. Uma tira negra com uma estrela branca. Simples e vulgar. Cortesia de Dawson quando esta viajara para Londres.
-Estou. – Respondeu, não tirando os olhos da visitante. Ambas pensavam exatamente no mesmo. Ambas sabiam que aquela pulseira não era comum.
-Onde comprou esta pulseira? – Perguntou Cecília, não conseguindo controlar a curiosidade. Sempre quisera saber de onde aquele objeto estranho viera. Principalmente se viera das mãos de Dawson.
-Oh… - Dawson tentou parecer pouco incomodada. Cecília sabia que, caso não fosse o seu dom, teria caído que nem um patinho de tão convincente que ela era. - Comprei-o num bazar. Estava lá a olhar para mim e pensei em como ficaria bem em ti. E parece que eu tive razão, como sempre.
Sorriu, provocando um arrepio em Cecília. E, sem esperar por mais, saiu da divisão nem se incomodando em despedir-se da jovem.
Cecília fitou a porta por onde Dawson havia saído. Porque e que ela viera ali? Por muito que a jovem pensasse, só lhe vinha uma resposta à cabeça. Ela queria saber se ela usava a pulseira.
Olhou para o objeto no seu pulso Não acreditara em nenhuma palavra que Dawson dissera. Ela nunca iria a um bazar. Fosse como fosse, teria que ter cuidado com ela. Cecília aprendera há muito tempo que Dawson tramava alguma coisa em grande. Algo em que ela estava envolvida.


Última edição por AnA_Sant0s em Sab 24 Mar 2012, 07:13, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 05 Jul 2009, 08:34

Bem, deliciei-me a ler!
A historia esta cada vez mais emocionante e envolvente, e as tuas descriçoes, como ja disse antes, sao optimas!

OMG, adorei aquela cena em que a Linda se depara com o Setsu só com a toalhinha! Ele é mesmo desinibido, nem sequer se importou! lol
O Eiji é fofo, mas irrita-me que ele insista tanto com a linda! --' Odeio rapazes persistentes, so espero que ela seja diferente de mim, pk senao o rapaz nunca na vida tinha hipoteses! Matreiro

Adorei aquela parte:
"Porra, um é Jesus Cristo, outro é Deus. E o que raio é que eu sou? - perguntou Eiji, na brincadeira.
-És a Madre Teresa de Calcutá. Santinha que Deus tenha - Setsu benzeu-se, provocando gargalhada geral na divisão"
lool
Bem, agora falando da conversa do kenji com a Linda... As sailors Dream, Harmony e Faith juntas se calhar vai dar estrondo, especialmente se as identidades delas forem as que eu penso que sao!
hum, ataum a rapariga da flor de jupiter morrreu?! fiquei chocada! lol
Oh e o Kenji ker conheçer a Mari! A rapariga ate vai cair pro lado! hehehe ^^
Quanto á cecilia! Coitada, ter de levar com uma mulher de que nao gosta a invandir-lhe a casa é mesmo chato! fogo, kem saia logo de casa era eu! --'

Well, Ana, adorei!
fico ã espera de mais!
Bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 05 Jul 2009, 16:41

Obrigada pelo teu comentário Lulumoon. Deu-me imenso prazer em lê-lo.
;_; e obrigada por ainda continuares a ler a minha fanfic.

Houve coisas que, de um dia pró outro, decidi mudar por meu belprazer. Uma dessas é o destino do Setsu. E eu que pensava em pô-lo apenas como "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do apaixonado desta", mas decidi dar-lhe outro papel ^^
No final até completou um pequeno puzzle que tinha criado.

Em relação ao casal de pombinhos... A Linda é teimosa e cria barreiras à sua volta. Acho natural que o Eiji queria quebrar essas barreiras. Mas isso será tratado mais para a frente Wink

Hum... em relação às três "amadoras", não sei bem. Matreiro

Ah, pois. Eu ansiava por esta parte do capitulo há muito. O Kenji a conhecer a Mari. Está a dar-me pica a escrever x)
O que é que será que o Kenji irá fazer com a "inimiga" da irmã?

A Cecilia... Eu tbm sairia de casa, visto ter um padrasto a trabalhar no estrangeiro. Mas a minha mãe é um pouco parecida com a Misaki, mãe da Cecilia (vão ver mais tarde porque dei-lhe um primeiro nome) e por isso, não deveria ter muita hipotese Desiludido

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Seg 06 Jul 2009, 04:16

hum, por acaso nunca pensei no setsu com outro papel para alem de "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do apaixonado desta"! lool Vamos la ver o que ~e que o rapaz vai fazer aí pro meio! Matreiro

No que diz respeito á Linda e ao Eiji... bem, acho que sou um pouco como a linda nesse aspecto! Eu tambem sou muito dificil e crio muitas barreiras á minha volta! Para eu acreditar num rapaz é preciso uma infinidade de provas sobre o seu bom caracter! lool
Vamos la ver se o Eiji vai conseguir levar a melhor! Toma toma

hihi, eu tou mesmo ansiosa por ver a reacçao da Mari ao deparar-se com o Kenji! hehe, vai ser mesmo demais! Será que ele tambem vai ficar apanhadinho por ela? Ou seá que vai ser como a irma? hum...
Entao, A mae da Cecilia é amiga da rainha, logo, ela e a Linda se calhar ainda vao ficar mais proximas com o tempo! ^^

Ai, tou mesmo ansiosa! tu nunca desistas desta historia, é mesmo muito linda! Parabens ^»^
bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Seg 06 Jul 2009, 08:34

qlqr dia eu e a lulumoon ainda te raptams ou começamst a sobornar Matreiro

vale smpr a pena esperar por ti nao é aninha? (espero q n t imports q t chame assim)

gostei imenso do capitulo, e podes ter a certeza que tens aqui uma leitora que vai leer sempre qualquer fic que escrevas até ao fim Wink

por acaso ao ler este cap. comecei a pensar no Setsu com outro papel
para alem de "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do
apaixonado desta"! Matreiro

uh uh aquelas as 3 juntas vai dar estrondo

elahh o Eiji finalmente põem-se no activo! ate agora so estava o Setsu agor com o Eiji...quero ver isso eheheh

uh uh será q os sentimentos da Mari serão correspondidos pelo Keiji? eu acho que sim...vamos lá ver

agoraaaa, depois no final metias o Setsu com a amiga da Mari, a Cecilia se não estou em erro...(qnd tu actualizas eu ja nao me lembro -- ' desligo-me...tnh de ver se arranjo uma tarde pa rever ela td)

eu fiqei com duvida numa cena...a 'raainha' a q te referist no final do cap. q a mae da Cecilia era amiga...Estavas a falar da Small Lady ou da Nova Serenidade?

Pq lemmbro-m de teres escrito q a neo rainha serenidade sabia esolher bem as suas amizades, ao contrario da filha.. e fiquei uma beca em duvida :/

bem...a Linda tbm deve conhecer a tal tipa neh?

tve a pensar...Fiquei com a certa ideiaa q a Linda ia falar com os pais...n sei pq...ach q ela é a q ta menos magoada com eles no meio dessa historia td..

E tve a pensar...da-me a sensaçao q a avó da Mari é a Minako Aino...E a mae a filha da minako...

e tv a pensar...a cecilia pd n podr ser a harmony pq n tem brasão...(ou seja n é descendent d nnhm sailor..apesar do brasao ser da familia real ms okay -- ')

enfim...vamos la ver neh? x)

tu tens é q arranjar uns guardioes tpo mascarado para as nossas guerreiras pah! tipo...Keiji, Setsu e Eiji Matreiro Kenji para a Mari, Setsu para a Cecilia e Eiji para a Linda xDD se é que a Mari e a Cecilia são a Faith e a Harmony...

vamos lá ver neh? =)

beijinho, fico a espera do cap. da outra fic ='D

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 06 Jul 2009, 13:20

Será que tenho que comprar uma fechadura extra? Desiludido


(É impressão minha ou tá tudo com ideia que a Mari e a Cecilia sejam as
Sailor Faith e Harmony? Onde é que vão buscar essas ideias? Matreiro)

Ups, esqueci-me de esclarecer uma coisa. A Rapariga está quase morta. É um vegetal. Tem pulso e coração a bater, mas o cerebro está desligado. É o que acontece quando se retira a alma a alguem (by: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban).

Xii, já tá tudo com ideia que a Lindinha acabará com o Eiji. Eu ainda posso enfiar um "noivo" pelo meio Matreiro

Ah e a Mari... Bem, têm que esperar pelo proximo capitulo para ver o que vai acontecer. Mas a Mari não vai cair pro lado (ai, que agora veio-me uma ideia Wink). Até porque o Kenji tem uma 2ª intenção ao acompanhar a Linda (Mari é apenas uma desculpa).

A Rainha que falava é a Small Lady. A Serenidade já não é rainha. Reformou-se, entregando o trono à filha. Apenas a "tipa" lhe chama "Rainha Velha".

Em relação à Linda e a Cecilia darem-se através das amizades das maes. Bem, a Linda está afastada dos pais e a Cecilia pouco se importa com as amizades da mãe, daí que é pouco provavel.

Ehehehe, a Minako já apareceu nesta fanfic (cap. 6). E a avó de Mari tem um nome: Aiko Nakamura.
Além disso, eu menciono que a Minako tem um neto (por sinal burro). E era chunga eu matar a filha da Minako (sim, porque Mari vive com a avó desde a morte da mae) xDD.

Ah... Desiludido A Moon, Mercury e etc não são filhas de navegantes e têm poderes. São reencarnações. (mais informações não posso dar --. )

Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta Toma toma). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).


Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado. ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Seg 06 Jul 2009, 13:33

AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta Toma toma). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).


Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado. ^^

realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst) Toma toma

ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)

tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm Matreiro

e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..

quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'

tu dás-nos esperanças Matreiro

mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 06 Jul 2009, 13:39

Lena_Dias escreveu:
AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta Toma toma). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).


Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado. ^^

realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst) Toma toma

ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)

tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm Matreiro

e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..

quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'

tu dás-nos esperanças Matreiro

mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)

Verdade. O Kenji adora a historia do avô. No proximo capitulo vou mostrar isso.

Posso meter um noivo sim. Até porque a Linda já odeia os pais e tudo. Mais odio nao lhe fará mal à saude. Quem sabe que ela até pode se apaixonar por ele.

Obrigada pela confiança =)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Seg 06 Jul 2009, 16:01

ja me vou intrometer na conversa!

AnA_Sant0s escreveu:
Lena_Dias escreveu:
AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta Toma toma). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).


Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado. ^^

realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst) Toma toma

ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)

tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm Matreiro

e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..

quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'

tu dás-nos esperanças Matreiro

mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)

Verdade. O Kenji adora a historia do avô. No proximo capitulo vou mostrar isso.

Posso meter um noivo sim. Até porque a Linda já odeia os pais e tudo. Mais odio nao lhe fará mal à saude. Quem sabe que ela até pode se apaixonar por ele.

Obrigada pela confiança =)

Eu sou afavor do noivo pk nao sei pk veio-me agora um flash back de uma coisa que li aqui na fic á ja algum tempo!

Se bem me lembro o Eiji tambem é de uma familia... digamos afortunada! logo a rainha podia lembrar-se de juntar a linda a ele ou ao Setsu! lool saio-me com cada uma!
mas ate que ficava original! a rainha lembra-se de juntar a Linda, nao ao Eiji, k gosta dela, mas sim ao Setsu! lool
ah, eu gosto de drama! quanto mais melhor!

lol, mal posso esperar para saber qual é o motivo do kenji para ir com a Linda! vai ser interessante! ^^

bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Seg 06 Jul 2009, 17:07

lulumoon escreveu:ja me vou intrometer na conversa!

AnA_Sant0s escreveu:
Lena_Dias escreveu:
AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta Toma toma). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).


Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado. ^^

realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst) Toma toma

ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)

tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm Matreiro

e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..

quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'

tu dás-nos esperanças Matreiro

mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)

Verdade. O Kenji adora a historia do avô. No proximo capitulo vou mostrar isso.

Posso meter um noivo sim. Até porque a Linda já odeia os pais e tudo. Mais odio nao lhe fará mal à saude. Quem sabe que ela até pode se apaixonar por ele.

Obrigada pela confiança =)

Eu sou afavor do noivo pk nao sei pk veio-me agora um flash back de uma coisa que li aqui na fic á ja algum tempo!

Se bem me lembro o Eiji tambem é de uma familia... digamos afortunada! logo a rainha podia lembrar-se de juntar a linda a ele ou ao Setsu! lool saio-me com cada uma!
mas ate que ficava original! a rainha lembra-se de juntar a Linda, nao ao Eiji, k gosta dela, mas sim ao Setsu! lool
ah, eu gosto de drama! quanto mais melhor!

lol, mal posso esperar para saber qual é o motivo do kenji para ir com a Linda! vai ser interessante! ^^

bjokas

acabei de pensar nisso!

ia ser do mellhor!

lulu (posso chamar-te assim?) tems de sobornar a ana com monchérri xDD

ana hj n postast nvo cap. da fic onde estás, endymion?

hum...espero actualizaçao das duas Wink beijinho

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Seg 06 Jul 2009, 17:33

Mon cherry?! Esperancoso
ai acho que nem dava para soburnar, eu pessoalmente comias os bonbons todos! Matreiro
Mas é verdade ana, tens de postar! ^^
bom, mas nao te julgo, coitada, manter 3 fics dá k falar! Matreiro
boa sorte para elas! ^^
eu e a leninha (agora eu é que pergunto se te posso tratar assim, lol) temos de nos aguentar!Toma toma
^^'

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 06 Jul 2009, 17:41

ahaha, eu detesto moncherri. Mas adoro ovos kinder Toma toma
(ah e podem tratar-me por Ana, aninha e semelhantes, claro ^^)

O mais dificil de manter as 3 fanfics é o tempo, mesmo. E a falta de inspiração. Num dia estou virada para a fanfic "the four elements", noutro para a "guardiã dos sonhos", mas é raro estar para a minha outra fanfic. Estou um pouco "tesa" de inspiração nessa parte.

(opah, não digam a ninguem que voz contei isto --.)
Essa ideia do "noivo" já a processei. Foi logo no inicio da fanfic (quando falo do suposto noivo da Linda, falo do Setsu). Mas desisti da ideia de o casamento ir pra frente.

EDIT: já postei o outro cap. na outra fanfic. Agora não reclamem xDD

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Sab 18 Jul 2009, 12:34

estes capitulos estam mt bons continua que eu estou a adorar



mim retira-se "desculpa nao ter comentado mais cedo é que eu leio as fincs e passo algum tempo é que me lembro de as comentar"

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 30 Jul 2009, 18:11

Próximo Capítulo: Visita Inesperada
Post: Na próxima quinta-feira.


Última edição por AnA_Sant0s em Dom 25 Mar 2012, 14:05, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Sex 31 Jul 2009, 11:48

boa , capitulo na quinta Very Happy eu tenho tado uma beca ausente, mas vou tentar vir na quinta ..

e ainda tnh de ler a tuqa fic, a four elements ms n tnh tado cm tempo nenhum...

beijinho

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 31 Jul 2009, 12:31

Lena_Dias escreveu:boa , capitulo na quinta Very Happy eu tenho tado uma beca ausente, mas vou tentar vir na quinta ..

e ainda tnh de ler a tuqa fic, a four elements ms n tnh tado cm tempo nenhum...

beijinho

Isso faz-me lembrar que tou muito atrasada em capitulos nessa fanfic --´
No outro forum, onde começei a escrever, tou dois capitulos à frente.

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Seg 03 Ago 2009, 06:32

Aninha! ai tou ansiosa pelo proximo capitulo!
Ainda bem que ja vem 5ªfeira!
Bom trabalho! ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

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