A Guardiã dos Sonhos

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 03 Ago 2009, 06:37

Sim.. Já tenho grande parte postada mas quero avançar mais, se não terei que postar uma 3ª parte =)

E já agora.. tbm quero cap. Novo da tua fanfic ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Seg 03 Ago 2009, 07:07

O meu novo capitulo vais ser em breve, eu é que tenho estado a ver actores e assim pa fazer fixas pas personagens e distraí-me! Matreiro
para melhorar a situaçao agora estou num dilema de ideias, que provavelmente me vai fazer apagar o cpitulo que estava a escrever! --´
Enfim, logo se ve!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 03 Ago 2009, 17:44

Não demores, ok? Tou mesmo a gostar da tua fanfic.

É o seguinte. Se calhar posto amanhã, porque já acabei a 2ª parte. Mas não tenho a certeza porque, como já disse no post anterior, gostaria de evitar ter que dividir o capitulo em três.

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Ter 04 Ago 2009, 04:56

hum, ai por mim podias postar amanha! Matreiro mas se vires que nao te dá jeito, nao me importo de esperar! ^^
O que eu quero é ler! Very Happy

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 04 Ago 2009, 06:17

Ups.. quando eu quis dizer amanha, queria dizer hoje (esqueci-me que já era outro dia --´)
Mas vou rever aquilo que escrevi e talvez acrescentar alguns paragrafos.

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 04 Ago 2009, 17:16

Ora bem, aqui está novo capítulo. O terceiro está a ser feito =)
Espero que gostem ^^
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reescrito a 25/03/2012
Capítulo 15. Visita Inesperada

-Tens mesmo que vir comigo? – perguntou Linda, enquanto faziam a caminhada para o apartamento das Nakamura.
-Qual é o problema? – Kenji respondeu normalmente, mas Linda podia jurar que o irmão ficara incomodado com a pergunta.
-Bem… nenhum. – Respondeu embaraçada. Ainda não entendia por que razão Kenji quereria ir com ela até a casa de Aiko. Que tipo de ajuda ele daria? Além disso, temia que Mari conhecesse o seu irmão.
-Eu disse que te ajudava, ou não?
Linda virou à esquerda, sendo seguida pelo irmão.
-Não estou a ver como o vais fazer. – Disse, não parecendo nem um pouco convencida na eficiência de Kenji. Este fez uma careta.
-Ah, claro. Sendo eu homem, a única coisa que posso fazer para te ajudar é fazer pesquisa. Ou então… - Kenji olhou em volta, os seus olhos focando-se numa florista ali perto. Sorrindo, afastou-se da irmã e entrou no estabelecimento.
-Ou então o quê? Kenji, onde vais? - Linda entendia o que Setsu queria dizer quando dissera que, às vezes, falar com Kenji era como falar para paredes. Esperou pacientemente que o irmão fizesse o que tivesse a fazer na florista. Todavia, não conseguiu controlar o riso quando Kenji saiu da loja e aproximou-se dela com duas rosas na mão direita. Uma vermelha e outra branca.
-E pronto. Aqui está. A única forma de eu ajudar-te a derrotar demónios, é atirar rosas para eles.
-Deves estar a brincar! - Por muito que tentasse, Linda não conseguir parar de rir. No fundo, tinha que dar graças por ter um irmão com sentido de humor.
-Por acaso, não estou. Toma. - disse, estendendo a rosa branca - Uma bela rosa branca, símbolo da pureza e inocência. É a tua cara.
Linda pegou na rosa com cuidado, pois esta ainda tinha pequenos espinhos.
-Não sou assim tão inocente. – Murmurou suavemente, aproximando a rosa do nariz.
-Comparada com a avó, tu és o demónio. Mas tu és inocente. Eu sei que, no fundo, tentas arranjar uma explicação para o mal das pessoas.
Linda sentiu-se congelar e fitou o irmão. O seu olhar azul metálico refletia nos seus olhos, dando-lhe uma sensação de desconforto no estomago. Sabia que Kenji falava dos pais.
A avó sempre fizera questão de lhes contar uma história todas as noites. Umas eram histórias de encantar, mas depressa as duas crianças fartaram-se dos contos e então Usagi contou a história de Sailor Moon e das navegantes do Sistema Solar. Uma história que demorou anos a ser finalmente terminada, pois não só a avó deles não podia contar-lhes historias todos os dias, como também ela fazia questão de contar tudo ao pormenor.
Linda sabia que a avó falava todos os dias com as navegantes, de modo a que, à noite, tivesse uma história detalhada para os netos.
Mas havia um fator preocupante nas histórias de encantar e nas da avó; Havia sempre um pai ou uma mãe dedicado à filha, um progenitor determinado a defender o seu revendo com todas as suas forças, ainda que morresse pelo caminho e, acima de tudo, um pai ou uma mãe que apoiava o seu filho nos momentos difíceis.
O facto de as historias revelarem que nem sempre as pessoas agem como querem, fez Linda pensar por alguns anos que os pais eram severos para o bem dela de modo que, quando ela se tornasse numa senhora, respeitá-la-iam e agiriam como verdadeiros pais.
Mas esse dia nunca chegou, nem tão cedo iria chegar. As atitudes bipolares, a frieza, a indiferença. Com o tempo, Linda cansou-se de esperar.
Perdera a fé nos seus próprios pais.
Não, eles não me amam, nem nunca me amarão. Não sou mais do que um peso morto para eles, pensou sombriamente.
-Nem por isso. – Disse calmamente. Kenji ergueu o sobrolho. - Há muito que aprendi a distinguir as pessoas que merecem uma segunda oportunidade daquelas que só fariam perder o meu tempo.
Kenji olhou para o chão, o seu humor de repente na base da escala.
Nunca falara com Linda sobre o que é que ele sentira quando o pai o renegara para sempre. Na verdade sentira-se partido, dividido a meio. Ele acreditara que a mãe gostasse dele, assim como o pai. Lembrava-se das vezes em que o pai chegava de viagem e trazia um brinquedo para ele. Kenji, com três anos, corria o máximo que as suas pequenas pernas aguentavam para os braços do pai e abraçava-o, sendo o gesto retribuído com um radiante sorriso. E lembrava-se do perfume das flores de jasmim que a mãe punha no seu quarto todas as manhãs. E de como ela aproximava-se dele, devagarinho para não o acordar (sem saber que ele estava bem desperto) e o beijava carinhosamente na face.
Porque é que aquela vida mudara? Sabia que os pais mudaram de atitude assim que Linda nascera, mas fora tão repentino. De repente, deixara de ver os seus pais a passear pelo jardim de mão dada, de ver o seu pai com um brinquedo novo na mão, destinado ao filho caso ele interrompesse o seu momento romântico com a esposa, e de sentir o perfume da mãe e das flores de jasmim pela manhã. Teria Linda culpa do que passara? Kenji sabia que se contasse a sua relação com os pais antes do seu nascimento, Linda arcaria com as culpas sem hesitar, o que era algo que Kenji não poderia aceitar. A culpa não era da sua irmã.
Se os seus pais não a desejavam, poderiam ter feito um aborto. Mas decerto que, mesmo sem a desejar, aprenderiam a amá-la rapidamente. A culpa era só deles e de mais ninguém. Tomara a atitude errada e no final, tanto ele como Linda acabaram por sofrer as consequências. Tudo porque eles tomaram a decisão errada.
Pelo menos, era o que Kenji achava.




Última edição por AnA_Sant0s em Dom 25 Mar 2012, 14:10, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 04 Ago 2009, 17:17

**

No apartamento das Nakamura, soou a campainha da entrada. Aiko saiu de rompante da cozinha e pegou no auscultador, um pouco apressada por causa do jantar que ardia no forno.
-Quem é? - Perguntou, curiosa. Não esperava visitas a aquela hora.
-Senhora Nakamura está aqui uma pessoa que diz conhecê-la. - Ouviu a voz do porteiro, sempre sério.
-Oh pode-me deixar falar com essa pessoa. Conhecê-la-ei pela voz.
Ouviu o porteiro pedir à pessoa para se aproximar do auscultador.
-Sou eu - soou uma voz familiar a Aiko. Esta abriu a boca de espanto. -Vais-me deixar entrar ou não?
-Ah, claro… - Aiko esperou para que o porteiro lhe perguntasse se a deixava entrar. Respondeu afirmativamente e esperou pela sua visita inesperada à porta.

**

-Porque é que tens uma rosa vermelha? - Perguntou Linda, tentado quebrar o gelo que se estabelecera entre eles. Estavam quase a chegar a casa de Linda, e Kenji não dava sinais de querer falar.
-Porque é o símbolo da paixão. E eu estou cheio de paixão para dar. – Respondeu Kenji com um sorriso maroto. Mas Linda pôde ver uma sombra nos seus olhos.
-Esperemos que não seja para a Mari. – De repente, lembrando-se de algo importante a dizer tornou-se para o irmão, o rosto definido num semblante sério. Kenji ficou parado a olhar para ela.
-Linda o que se passa?
Esta ignorou-o, apontando o dedo indicador para o peito dele.
-Ficas já avisado que não podes dar confiança à Mari. És meu irmão mais velho, mas não me vais prejudicar frente a ela. A Mari é muito curiosa e há de te usar como meu ponto fraco. Entendido?
Kenji assentiu lentamente, mas não pôde deixar de fazer uma pergunta.
-Porquê?
Linda revirou os olhos.
-Já te disse porquê. Ela é demasiado curiosa e totó.
-Não disseste que ela era totó. – Apontou Kenji, com um sorriso divertido.
-Mas pensei.
-Também não me respondeste. Porque fazes questão em estar em guerra com uma rapariga que mal conheces?
Linda suspirou.
-Mal podes acreditar, mas é mesmo por isso que estamos em guerra. Não nos conhecemos uma à outra e somos as duas muito desconfiadas.
Kenji semicerrou os olhos, sinal que não acreditava interiramente no que Linda dizia. Procurou os lábios dela, vendo se ela os mordia. Mas Linda não o fez.
-Estou a ver que não me mentes.
Linda cruzou os braços.
-Porque te mentiria? É a verdade. Pelo menos é o motivo pelo qual eu brigo com a Mari. Já ela… digamos que eu não revelo todos os detalhes da minha vida pessoal.
Kenji assentiu em entendimento.
-Estou a ver, mas não percebo porque é que isso me impede de ser eu próprio ao lado dela. Ela não deve ser assim tão má.
Linda riu-se.
-Tu nem a conheces!
-Não preciso. Consigo conquistá-la sem problemas!
Os olhos de Linda aumentaram de tamanho.
-Aí não. É que nem penses!
-Relaxa, Linda. Cão que ladra não morde. Ela não deve ser tão irritante como tu a pintas. Será bem fácil conquistá-la à maneira do avô.
Linda não sabia se haveria de rir ou revirar os olhos.
-Ai é? E como?
-Ah, pois e tu achas que o avô lançava rosinhas aos monstrinhos por diversão? - Virou-se para Linda, com cara de detetive. -Não! Ele fazia-lo para ganhar a miúda com medo. Por isso é que as outras navegantes não tinham Tsukedo Mask. Eram corajosas e não precisavam de ser salvas, ao contrário da nossa avozinha. Claro que ela com o tempo foi-se demonstrando mais corajosa, mas nessa altura já estava garantida ao avô. E era também por isso que ele vestia sempre um fato. Não fazia sentido chegar à frente da moça todo mal vestido. E a rosa vermelha era a melhor flor para ser charmoso. Se atirasse uma erva daninha, talvez tivesse o dobro do efeito no monstro, mas se calhar não ganhava a miúda.
E é isso que vou fazer. O melhor truque para conquistar uma rapariga é…
-Salvá-la da morte? - Questionou Linda, retoricamente. Perguntava-se se Kenji prestara atenção às histórias da avó, que apagavam por completo a teoria do irmão.
De repente sentiu uma pequena dor.
Descuidada, não conseguiu impedir que o espinho da rosa branca se cravasse no seu dedo, deixando libertar-se uma gota de sangue.
-Estás bem? - Perguntou Kenji, vendo a irmã com cara surpresa.
-Deveria estar? - Linda olhou para o seu dedo. A gota brilhava um vermelho vivo, dando a Linda a sensação de um mau presságio.
-Faz o que quiseres, Kenji. Mas depois não digas que eu não te avisei. – Olhou para o céu, que adquirira um tom alaranjado. – Vamos, que já se faz tarde.

Linda parou em frente ao apartamento. Não fazia a mínima ideia se seria uma boa ideia subir com Kenji. Tentou despistá-lo, fazendo figas para que ele não se lembrasse.
-Bem vou subir. Adeus. - Aproximou os lábios do rosto de Kenji, a fim de se despedir mas ele afastou-a.
-E porque é que dizes ‘Adeus’? Eu vou contigo. – Retorquiu Kenji. Linda suspirou dramaticamente.
-Esperava conseguir despistar-te. – Confessou, um pouco aborrecida. Kenji semicerrou os olhos e tirou a pasta das costas de Linda.
-Tens muito trabalho pela frente antes que me consigas convencer a mudar de ideias. Hoje vou conhecer a tua amiguinha, quer queiras quer não.
-Com esse cérebro de Pepe le Pew[1] até temo o que irá acontecer. – Rei costumava dizer que a avó tinha uma ervilha no lugar do cérebro. Naquele momento, Linda só conseguir pensar em como os casos eram semelhantes, só que Kenji tinha uma ervilha no lugar do juízo em vez do cérebro.
-Sem aflições irmãzinha. - Kenji dirigiu-se para a entrada descontraidamente, rindo-se do olhar exasperado que a irmã lhe lançava. Após cumprimentar o porteiro, que o olhou da cabeça aos pés antes de abrir a porta a Linda, entrou.

-Quem sou eu? - Perguntou Kenji, quando os dois subiam de elevador. Linda encolheu os ombros.
-Não sei se haverá diferença. Mas considerando os nossos nomes, acho que devíamos ser apenas amigos. Ou então não dizer nada.
Kenji assentiu, mas Linda viu um brilho estranho nos olhos. Se não soubesse, diria que o irmão se sentia magoado por ela querer esconder a ligação sanguínea que os dois mantinham.
Saíram do elevador e percorreram parte do corredor, o seu percurso iluminado por pequenos candeeiros. Linda pegou na chave de casa e abriu a porta.
-Aiko cheguei! - Anunciou, descalçando-se e calçando as suas chinelas habituais. Entregou umas a Kenji e pendurou o casaco de ambos. Este pousou a mochila da irmã no chão e olhou em volta. Um cheiro a carne assada percorria o ar e parecia que se seguia uma conversa animada na cozinha. De repente, a porta abriu-se e Mari entrou na divisão.

Linda não adivinhava que, minutos antes, Mari recebera uma notícia fantástica. Uma visita inesperada que prometia as respostas às suas inúmeras perguntas. O tempo que passara na cozinha fora gasto com perguntas discretas acerca de Linda mas, por azar, não conseguira arrancar qualquer tipo de informação fora do comum da convidada especial.
Aborrecida, decidiu esperar que a hóspede surgisse. Não adivinhava que ela traria mais um para comer à mesa. Não adivinhava que ela traria o rapaz mistério.

Era estranho estar ali, frente a frente com ele após dois encontros breves em que nem sequer trocaram uma palavra. Sim, ele falara na primeira vez e, na segunda dera a impressão que lhe iria perguntar qualquer coisa. Mas nunca chegara a uma simples troca de palavras.
Tinha rosto maduro e cabelos da cor do trigo. Os olhos eram pintados de um azul-escuro muito familiar e as suas feições distinguiam-se das de Linda e dela própria. Era um pouco semelhante às dos ocidentais. Os olhos de Mari traíram-na quando examinaram o corpo dele em poucos segundos, realizando um minucioso relatório acerca deste desconhecido. Era bem mais alto que ela, o que era dizer muito pois Mari podia ser considerada uma rapariga alta para a idade. Os ombros eram largos e Mari sentiu-se tremer só de olhar para as mãos grandes e calosas dele. Não pôde deixar de se perguntar porque é que ele tinha mãos calosas quando estudava medicina. Trabalhava? Praticava algum desporto?
Essas perguntas ficaram perdidas na sua cabeça quando viu que Linda a olhava desconfiada. Teria sido muito óbvia?

Já Kenji não sabia o que achar. Sabia agora onde vira Mari antes. Naquele dia, no café. Estranho como ele se lembrava desse detalhe. Mari Nakamura estava longe de ser a única pessoa em quem ele entornara café em cima, mas era a única que ele se lembrava. Afastou essa ideia da cabeça com o pensamento de que fora algo recente. Deitando um olhar de relance à irmã, contemplou Mari, ignorando que esta fazia o mesmo a ele. Notara que ela era mais alta que Linda mas nada mais viu. Porque, como se tivesse sob uma força magnética, os seus olhos encontravam sempre os dela. Em vinte anos de vida, Kenji nunca vira olhos tão verdes como os de Mari, mais semelhantes a esmeraldas brilhantes do que a olivinas como era costume.

Por momentos, Linda sentiu-se como um emplastro. Não era difícil de ver que Kenji se interessara por Mari e esta por ele. Ainda que soubesse que o seu irmão teria muito sucesso junto das mulheres se quisesse, achou estranha a forma como ele olhara para Mari. Como se estivesse sob um feitiço. O feitiço que ele próprio lançara, pois Mari pareceu um pouco perdida quando encontrou o olhar furioso de Linda.
-Tens aqui uma visita. – Disse a loira, tentando disfarçar o embaraço. Linda controlou a vontade de revirar os olhos.
Linda franziu a testa.
-Quem?
-Vai à cozinha ver. – Mari mordeu o lábio, como se arrependesse daquilo que dissera. Ou pelo menos do tom que falara. Viu pelo canto do olho que as expressões de Kenji não se alteram nem por um milímetro. E quem é o teu amigo? – Perguntou suavemente, numa tentativa de ser educada para Linda.
-Este é o Kenji. – Disse simplesmente, não querendo ceder muitos detalhes. Virou-se para o irmão, que desviou os olhos de Mari. – Fica à vontade, vou falar com a Aiko.
Kenji assentiu e Linda dirigiu-se para a cozinha, podendo ouvir Kenji apresentar-se a Mari usando o nome do avô.
-Aiko, quem é que… - a pergunta ficou estrangulada na garganta ao ver a visita.
-Olá Linda. - Cumprimentou Usagi Tsukino virando-se para a neta com um enorme sorriso na cara.


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[1]: Referência à famosa doninha da Warner Bros. Pertence ao grupo Looney Tunes. É conhecida por cheirar mal e andar sempre atrás de uma parceira.


Última edição por AnA_Sant0s em Dom 25 Mar 2012, 14:18, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 04 Ago 2009, 17:17

**

Bunko Saito era um rapaz gordinho com cabelos da cor de uma laranja e olhos da cor do sangue. Apesar do seu aspeto físico, era considerado um dos melhores alunos do ensino básico de Juuban. Ainda que andasse no nono ano, falava e raciocinava como um aluno do décimo primeiro e era muito simpático.
Todavia, era extremamente antissocial. Poucos podiam dizer que eram seus companheiros, quanto mais amigos. Nos intervalos ficava sentado num canto a observar os outros. E em casa, ou estudava ou ajudava a mãe nas limpezas da casa. O psicólogo da escola afirmara serem problemas em comunicação mas que, com o devido esforço que conseguiam ultrapassar essas barreiras. Infelizmente, Bunko não dava importância ao seu problema. Simplesmente porque não considerava um problema.
Apostava na sua inteligência porque, não só era o seu único trunfo no mundo real, como também era uma forma de tirar os pais das dificuldades que viviam. A mãe era uma empregada de balcão e o pai distribuía mercadorias em vários pontos da cidade.
Em certos dias, o pai chamava-o para o ajudar nas distribuições das mercadorias. Assim, não só o pai não se cansaria tanto, como também faria o trabalho mais rápido e talvez ganharia uns extras.
E, naquele dia, Bunko estava no camião do pai, pronto a ajudar no que fosse preciso. Sentado no banco, com o cinto posto, pensava no acidente que ocorrera no parque ainda horas antes. Na rapariga que ficara em coma. Ninguém sabia do que acontecera, exceto o namorado, que fugira assim que pudera. Um monstro. Bunko não acreditava nisso, mas parecia ser a única explicação para o facto de a rapariga estar viva, mas ao mesmo tempo não estar.
-Bunko, ajuda-me aqui com estes caixotes! - Chamou o seu pai, acordando o filho dos seus pensamentos. Este, de imediato, desapertou o cinto e saiu do camião, apressando-se a ajudar o pai a carregar os caixotes.
Ao pegar num grande e arrastá-lo dois metros, parou, boquiaberto. Era a primeira vez que vinha com o pai fazer entregas à casa de Lady Dawson. Esta era muito rígida em relação aos alimentos que comprava. Tinham que ter a máxima qualidade e o mínimo de calorias. No entanto, a sua conta era generosa, para não falar da mansão desta.
Dawson devia acreditar em contos de fadas, pois a sua casa assemelhava-se a um castelo, feito de pedra cinza e portas de madeira, ainda que de acordo com o estilo de arquitetura atual. Em cada canto da mansão, duas torres erguiam-se por quatro metros. Havia várias janelas, mas todas tinham cortinas púrpura que ocultavam o espaço interior. Apenas uma se mantinha aberta. Uma janela na ala Este estava aberta para fora, com as cortinas afastadas. E Bunko viu-a. Talvez a mulher mais bonita que alguma vez vira. Vestia um vestido cor de azeitona e agarrava os seus cabelos num laço da mesma cor. Com todo o visual, mantinha um ar jovial.
Sentiu-se misteriosamente atraído por ela. Os seus olhos negros fitavam o jovem rapaz com uma mistura de sensualidade e curiosidade. Ela pedia algo. Mas o quê?
-Bunko? Estás a dormir? Vêm lá ajudar. – Ouviu a voz cansada do pai a chamar por ele. Continuou a levar o caixote até à entrada atrás do pai, onde um homem acanhado e com cabelo cor de rato os esperavam:
-Aqui estão as mercadorias pedidas por Lady Dawson. - Afirmou o pai, com um sorriso educado.
O homem ergueu o sobrolho e pousou os seus olhos pequenos, do tamanho de moedas de um centavo, no jovem ruivo à sua frente. Sorriu, provocando um arrepio em Bunko:
-Muito bem - Pousou a mão no bolso, em busca de algo. Retirou um papel verde. - Aqui tem o cheque. E tome uma gorjeta. - Completou, entregando um pequeno maço de notas ao pai.
Como sempre, os olhos deste brilharam perante uma generosa gorjeta. Agradeceu e dirigiu-se para o camião. Bunko começou por segui-lo, mas foi impedido pelo empregado.
-Lady Dawson deseja vê-lo! – Não era um pedido. Bunko jamais se atreveria a desobedecer. Lançou um último olhar ao pai e seguiu o homem para uma sala muito escura, onde Bunko apenas pôde ver uma chama viva de uma tocha, segurada por uma figura baixa.


**

-Avó?
-Bem eu acho que és minha neta. Pelo menos tens os meus joanetes.
Aiko riu-se mas Linda ignorou a piada. Sentiu-se incomodada quando os grandes olhos penetrantes da avó a miravam, como que esmiuçando cada pensamento intimo da mais nova.
Virou-se para a dona da casa, que se encontrava em frente ao forno.
-Aiko, eu trouxe uma visita.
-Quem? – Perguntou a mulher, curiosa.
-Um amigo. – Linda dissera as duas palavras a olhar para a avó. Quando Usagi sorriu em entendimentos, Linda mordeu o lábio. Não por mentir, mas pela má sensação de ter sido enganada. O irmão afirmara que a iria ajudar, mas ao invés disso apenas faz aquilo que ela poderia fazer de bom grado. Convidar a avó para a sua casa.
Sabendo que a avó, apesar do bom coração, tinha língua comprida, Linda receou o jantar que se seguiria.


Última edição por AnA_Sant0s em Dom 25 Mar 2012, 14:18, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sex 07 Ago 2009, 10:44

Eu nem acredito que ainda ninguem veio comentar esta fic maravilhástica!!! Shocked

Ai Ana, tá mesmo lindo! Amei, amei, amei!
Bolas, escreves mesmo bem, que inveja! Nao dás praticamente erro nenhum e fazes descriçoes brutais, já para nao falar que a historia está cada vez melhor!

Ai o Kenji e a Mari! ;D ainda vai rular! hehehehe!!!
Já estou a imagina-lo a lançar rositas a torto e a direito! Havia de ser giro! Matreiro
Eu acho-o mesmo engraçadinho, ve-se mesmo que sai á avó! lol
E por falar em avó, ih a Usagi vou visitar a netinha, que bom!
Até estou para ver as conversas que vao sair dali!

E aquele Bunko, ou lá o que é? quem é o rapazito? E a Lady Dawnson?!
Serao os novos inimigos?... Hummm... Nao sei, nao sei mesmo!

Deixaste-me curiosa, Aninhas, mas vale sempre a pena esperar pelos teus capitulos, sao mesmo lindos e Grandes! ^^
Os meus parabens, fico á espera de mais!

Bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 07 Ago 2009, 12:21

Obrigada Lulu pelo teu comentário *-*
Faço sempre um esforço para que a minha fanfic se assemelhe às "TOP Star" daqui do forum. Este capitulo por acaso foi um bocadinho para o morto, mas prometo que o proximo será melhor Wink
Nem sabes as coisas que tenho planeadas para estes dois (Kenji e Mari)...
Ah, a senhora Usagi vai se portar bem neste encontro (acho xDD)

Em relação ao Bunko, ele só vai aparecer neste e no proximo capitulo. Verás porque.

Mais uma vez agradeço o teu comentário. É bom saber que há pessoas que gostam do que escrevo =)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Dom 09 Ago 2009, 12:19

Ai o Kenji e a Mari aida vai dar caso...
continua que a tua finc esta muito mas muito boa. Kiss Wink

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por zirateb em Dom 09 Ago 2009, 12:20

Mais um óptimo capítulo parabéns!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 09 Ago 2009, 14:40

Monica e Zirateb, agradeço imenso o vosso comentário Esperancoso

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 17 Ago 2009, 08:44

Capítulo 16. A Flor de Vénus e a Flor de Saturno - parte 3-> Dia 19 de Agosto

(dois dias antes dos meus anos :g1: )


Última edição por AnA_Sant0s em Sab 28 Jul 2012, 16:45, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Seg 17 Ago 2009, 16:55

weee!
Ai que bom! Capitulo! Wee wee! Matreiro
Ai que a Anokas ta de parabens! ^^ Vamos la ver se nao me esqueço! (da maneira que eu sou Mal disposto')
Bem, fico á espera!
bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 17 Ago 2009, 18:14

lulumoon escreveu:weee!
Ai que bom! Capitulo! Wee wee! Matreiro
Ai que a Anokas ta de parabens! ^^ Vamos la ver se nao me esqueço! (da maneira que eu sou Mal disposto')
Bem, fico á espera!
bjokas

Podes te esquecer à vontade (mas depois nao te queixes da demora dos capitulos xDD).

just kidding ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qua 19 Ago 2009, 13:16

Aii... que este capítulo até me deu dores de cabeça a escrever. Tou farta de teoria, mas que posso fazer. O people tem que entender o que se passa x)
Neste capitulo, tentei mostrar a minha veia romantica. Espero ter sido bem sucedida (se não, podem atirar-me tomates xDD)

Espero que gostem. Provavelmente é o ultimo capitulo do verão ^^

------------------------------------------------------------

reescrito a 28/07/2012
Capítulo 16. A Flor de Vénus e a Flor de Saturno


Bunko perdeu a fala. Os seus pequenos olhos investigavam a sala onde se encontrava. Mas era difícil. Não via nada, para além da tocha. Perguntou-se se aquele homem sabia o que era um candeeiro.
Não via Lady Dawson em lado nenhum. E quem seria aquele homem? Aquela figura baixa, careca e com um ar vigoroso?
O seu rosto deve ter revelado as suas dúvidas. Ou isso ou a figura baixa lera os seus pensamentos.
-Lady Dawson não está aqui e nem estará brevemente. Surgiu um compromisso urgente, daí que não poderá encontrar-se consigo. Mas eu encarrar-me-ei de si. – O homem deu um sorriso um tanto sinistro.
-Bem eu… - Bunko começou a assustar-se. Queria fugir. Queria ir ter com o seu pai e sair daquele lugar. - Eu tenho que ir ter com o meu pai e…
-O teu pai já se foi embora. - Afirmou o homem, com a sua voz rouca. Os olhos redondos de Bunko arregalaram-se.
-Não! Ele nunca se iria embora sem mim! Quem é você?
-Para que é que você quer saber? Não lhe vai dar muito uso saber o meu nome.
-O que quer de mim?
O Homem voltou a esboçar um sorriso sinistro.
-Eu não quero nada. Mas há uma pessoa que quer algo de si. - Moveu a tocha e iluminou uma porta aberta. Fez sinal para o rapaz seguir à frente. Bunko mexeu-se lentamente, como que se esperasse um ataque vindo do homem.
Quando entrou na sala, esta era tão escura quanto a outra. Mas havia algo mais.
Cinco maravilhosas luzes coloridas provinham do centro da sala, lançando pequenos espectros de luz na direção da rosa-dos-ventos, mas não iluminando a direção de todo. Maravilhado com o que via, Bunko aproximou-se, sem reparar que os olhos da figura baixa o seguiam.
Parou a cerca de meio metro das misteriosas luzes. E entendeu o que eram. Cinco belíssimas flores brilhavam naquela sala escura, protegidas por uma fina camada de vidro. Flores de grandes pétalas coloridas e um caule da mesma cor. Ao observar melhor, viu pequenos símbolos nas flores.
A primeira, de um amarelo-torrado, tinha as pétalas mais fechadas que as outras e, no centro, ostentava um símbolo que Bunko reconheceu ser o do Planeta Urano.
A segunda, de um vermelho escarlate, tinha as pétalas abertas de uma forma graciosa e o símbolo do Planeta Marte brilhava intensamente no coração da flor.
A terceira, de um azul virado para o verde, que praticamente não tinha pétalas de tão fechada que estava, tinha o símbolo do Planeta Neptuno cravado no caule.
A Quarta era muito bonita. Pintada de um místico de verde e roxo, respirava um pequeno conjunto de brilhos, que formavam o símbolo do Planeta Plutão.
Mas a Última era curiosa. Não porque fosse mais bonita do que as outras, mas era talvez a mais simples de todas. De um simples verde-garrafa, o pequeno símbolo de Júpiter mal se notava no meio de tanto brilho. Bunko teve a sensação de reconhecer aquela Flor.
As cinco transmitiam vibrações, o que assustava o rapazinho. Este quase que podia jurar que as Flores tinham vida. Quase que jurava que podia ouvir Urano resmungar sermões para uma dúzia de alunos da primária. Que podia ouvir Neptuno a inspirar e a expirar profundamente, enquanto praticava ioga num ginásio. E quase que podia jurar que ouvira Marte a rabujar ordens para soldados de um exercito.
Mas Júpiter tinha algo mais. Não parecia ser uma personalidade forte, como as outras. Mas podia se ouvir um pequeno canto de uma rapariga apaixonada.

No meio de tantos sons, Bunko não reparou que o Homem aproximara-se e que se colocara mesmo atrás dele.
A última coisa que Bunko ouviu foi um uivo, semelhante aos dos lobos. Mas a sua última visão foi talvez a mais fantástica de todas.
Vira as Flores a olharem para si. Antes de mergulhar na escuridão, Bunko podia jurar que elas estavam a chorar.

**

Mari não se conseguia decidir. Se o mistério da sua hospede era mais importante que aquele rapaz misterioso que ela não parava de encontrar em estranhas ocasiões, ou se era o contrário.
Ele falava, os olhos percorrendo a divisão. Ela reparou que a sua maçã-de-adão estava contraída. Soltou um pequeno sorriso de alívio. Pelo menos não era a única pessoa nervosa naquela divisão.
Kenji fitava o quadro da sua mãe. Ignorando o habitual mal-estar no estomago, seguiu o mesmo ponto onde os olhos de Kenji se fixaram.
E pensar que ela era filha de um homem. A julgar pelo quadro, ela bem que passava como gêmea da sua própria mãe. Infelizmente, a genética não lhe fora tão generosa como Mari queria. Pequenos traços duros a diferenciavam daquele ar angelical que apenas a mãe possuía. E esses pequenos traços eram a sua perdição. O motivo por que ela se odiava ver no espelho. Talvez no fundo ela temia ficar igual a ele. E os deuses sabiam a quão próxima desse destino estava.
Ouviu um leve suspiro. Mari quebrou os seus pensamentos, decidindo não se deprimir mais com eles e tornou-se lentamente para o jovem. Kenji não tirava os olhos do quadro, ainda que Mari tivesse umas suspeitas de que ele não admirava o quadro da mãe de todo. Mari semicerrou os olhos. Havia algo de estranho com este rapaz. Uma áurea misteriosa e quase mística parecia rodeá-lo e ela teve a leve sensação de que já o tinha visto em algum lado. E esse pensamento não a tranquilizava de todo. Porque ela pensara o mesmo quando vira Linda pela primeira vez. E depois a avó dela.
Assim que vira Usagi Tsukino pela primeira vez, não conseguira deixar de ficar espantada com a sua aparência jovem. Como se a idade fosse apenas um número que em nada pesava no seu aspeto. Até o seu sorriso lembrava a Mari o de uma rapariga de catorze anos. Mas os olhos, tão semelhantes aos de Linda, escondiam algo. Isso sabia. A questão era, o quê? Que tipo de segredo escondia Linda e a sua avó? Teria Kenji alguma coisa a esconder também? Talvez o mesmo segredo que Linda?
-Ela é parecida contigo. – Kenji falara de repente, sobressaltando Mari.
-É o que todos dizem. – Respondeu vagamente. Kenji abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Mari teve a sensação de que ele apenas tentava evitar o silêncio.
-Onde trabalha?
Mari engasgou-se na própria saliva. Só aí se apercebeu que em nenhuma altura desde que Kenji pusera os pés dentro da sua casa, ela dissera-lhe que era órfã de mãe. Aliás, Kenji bem que podia pensar que a mulher do quadro era sua irmã.
-Não trabalha. – Respondeu sombriamente. Kenji tornou-se para ela.
-Julguei que trabalhasse. Cuidar de uma filha sozinha não deve ser fácil.
Mari estava confusa. Kenji assumira (e corretamente) que a mulher do quadro era a sua mãe. E assumira que o pai de Mari não estava presente. Ainda que Linda pudesse ter revelado todos esses factos, o detalhe mais importante era desconhecido para Kenji.
-Ela morreu. – Murmurou suavemente, tentando não ouvir as suas próprias palavras.
Kenji suspirou pesadamente e pôs as mãos nos bolsos das calças, visivelmente atrapalhado.
-Lamento muito. Eu não sabia…
E o silêncio reinou. Mari não teve forças para perguntar a Kenji como ele soubera que a mulher do quadro era a sua mãe. Aliás, naquele momento ela não queria puxar os pensamentos para a hóspede nem para a mãe. O rapaz à sua frente parecia perdido em pensamentos infinitos e Mari podia julgar que ele se sentia cada vez mais desconfortável por estar aqui. Mas algo o trouxera. A Linda.
-Está tudo bem? – Perguntou, um pouco receosa. Kenji olhou-a nos olhos e ela teve então a certeza que o seu brilho azul-metálico escondia tantos segredos quanto os olhos de Linda.
-Temo que não.

**
-Avó, O que fazes aqui? - Perguntou Linda, sobressaltada. Deitou um olhar em Aiko, que parecia perfeitamente confortável com a situação, como se um membro da família real não estivesse sentado na mesa da sua cozinha. Linda tinha suspeitas de que Aiko sempre soube da sua verdadeira identidade, mas aquela confirmação não conseguiu deixar de chocá-la.
-Vim ver-te, como é óbvio. Por que outra razão o faria?
Não faço ideia. Talvez, sei lá, forçar-me a ir para casa voluntariamente, antes que os meus pais decidam usar os Serviços Secretos Japoneses para fazer o servicinho à sua maneira. Enfim, just a guess!
Linda cruzou os braços e soube que a avó entendera parte dos seus pensamentos. Todavia, não disse nada, preferindo deixar a monarca iniciar a conversa. Infelizmente, a avó parecia querer jogar o jogo do silêncio.
-Bem espero que gostes de assado, Usagi-chan. - Interrompeu Aiko, o seu grande sorriso um pouco tremido, talvez pelo desconforto causado por avó e neta. Limpou as mãos ao seu avental vermelho enxadrezado, evitando o olhar das outras duas.
-Claro que gosto. – Confirmou Usagi, mandando um sorriso amável para Aiko. - Contando que não tenha ervilhas.
Usagi ergueu-se da cadeira, a sua mão esquerda deslizando distraidamente pela carteira pousada na mesa. Linda mordeu o lábio, não sabendo como quebrar a tensão instalada. Aiko também não parecia ter mais ideias. Mas também era de espantar que a mulher ainda conseguisse falar.
Havia qualquer coisa de intimidante em Usagi Tsukino. Linda ouvira muitas histórias de como a avó era na infância e adolescência e jamais compararia essa rapariga com a mulher que se encontrava à sua frente. Era certo que o penteado era o mesmo e que pouco parecia ter mudado. Usagi permanecia magra, sem qualquer vestígio de cabelos brancos, rugas pouco salientes, traçando apenas um ar mais adulto, olhos azuis muito vivos e tão bem-parecida como no momento em que descobrira que era uma navegante. Parecia igual, apenas mais madura. E essa maturidade fora conquistada com o tempo. Certo que foram passos de bebé, mas Minako contara a Linda que tudo mudara quando a sua mãe nascera. E acrescentara que era normal. Mãe que é mãe deixa de ser criança quando dá à luz um novo ser. Usagi não fora exceção. E daí nascera aquele olhar destinado a intimidar a filha e futuros namorados que aparecessem à porta. Histórias da mãe à parte, aquele olhar parecia ter como objetivo naqueles dias reduzir Linda e Kenji a partículas insignificantes.
-Está alguém na sala? Estou a ouvir vozes. – Perguntou Usagi, aproximando-se da porta. Linda escutou e pôde sim ouvir algumas vozes do outro lado.
-A Mari deve estar a falar com o Kenji. – Murmurou Linda entre dentes. Não lhe agradava nada a ideia de o irmão falar com a loira, sozinho. Porque Mari podia ser muita coisa, mas estupida não era de certeza. Se ela era capaz de manipular uma turma para detestarem a nova aluna, também era capaz de fazer o irmão falar.
Aiko olhava distraidamente para a porta.
-Pergunta ao teu amigo se ele quer jantar. Há que chegue para todos. – Ofereceu calorosamente, mas um pouco insegura. Linda fitou-a curiosamente.
-A Aiko sempre soube, não? Da minha identidade?
Aiko engoliu em seco.
-Presumi que não te quisesses lembrar… mas sim, sempre soube. Afinal, já conheço a tua avó há muitos anos. – Disse, sorrindo para Usagi. Esta retribuiu o gesto.
-Foi uma grande ajuda que me deste Aiko-chan e estou-te eternamente agradecida.
-Oh, não tens de quê. Sei que farias o mesmo pela minha Mari.
E isso fez qualquer coisa despertar na cabeça de Linda. Mari ainda não parecia saber quem ela era. Mas como não reconhecera a sua avó?
Aiko murmurou umas desculpas e que tinha que cumprimentar os seus convidados e saiu da cozinha. Linda foi atrás e, assim que ouviu a porta fechar-se, soube que avó também viera.
-Konbanwa, meu rapaz. Deves ser o Kenji. – Disse Aiko, sorrindo para o rapaz, ainda que Linda notasse que o seu sorriso não se estendia até às orelhas e que os olhos dela examinavam Kenji atentamente como que procurando algo.
-Sim. Sou o Kenji. – Respondeu o irmão breve. O seu sorriso era cordial, mas Linda sabia que ele estava incomodado com a forma que Aiko lhe olhava. Esta deve ter-se apercebido do desconforto do rapaz, pois tornou o seu olhar para a neta.
- Mari que fazes aqui? Não te disse para pores a mesa? – Resmungou, pondo as mãos nas ancas. Mari suspirou.
-Sim avó, já vou. - Mari dirigiu-se até à cozinha, passando por Usagi e Linda. Esta sentiu o olhar da loira em si, sempre carregado da suspeita que Linda já há muito se habituara. Respirou fundo ao ouvir a porta da cozinha arrastar-se pelo chão de mármore.
-Avó! O assado está a queimar! – Gritou Mari. Aiko correu para a cozinha, mas já era tarde de mais. Os outros três entraram na cozinha com uma certa cautela, vendo Aiko abrir o forno libertando uma mistura de vapores escuros e abafados. Mari tossiu um pouco.

-Oh não. Eu sabia que deveria ter ficado atenta! – Resmungou Aiko, abanando a cabeça. Mari observou os botões que regulavam a potência.
-Avó, isto está na potência máxima, não precisavas de deixar a comida assim durante tanto tempo.
-O que é que queres. Este forno é novo e o meu antigo demorava muito tempo a assar as batatas, quanto mais a carne.
Mari revirou os olhos. Linda viu, de relance, que tanto Usagi como Kenji sorriam levemente à cena.
-Avó, o outro demorava porque estava estragado. Por isso compramos um novo. – Explicou a loira calmamente, como se falasse para um miúdo de nove anos.
Aiko não parecia querer rebaixar-se perante a neta, pois falou como se não tivesse ouvido nada do que Mari tivesse dito.
-E agora o que faço para jantar? Somos cinco e uma refeição destas…
-Peço desculpa Aiko-san, mas não é necessário… - começou Kenji. Linda revirou olhos à típica atitude formal de quem renega um jantar em casa de visitas.
-Disparates, rapaz. Podes muito bem comer por aqui. Temos é que descobrir o quê.
-De certo que deves ter algo por aqui, Aiko. – Assegurou Linda, começando a remexer nas gavetas e armários da cozinha. Mari fez o mesmo.
-Acho que podemos fazer qualquer coisinha com o que temos aqui. – Disse Mari, revendo a lista de ingrediente para fazer um simples Kare Rice. Batatas, cebola, arroz. Não havia cenouras e a carne seria um problema, mas a avó decerto que não gastara toda a carne que tinham naquele assado. Sorriu ao encontrar os cubos de tempero que ela tanto desejava. – Sim, já sei o que fazer.
-Tu cozinhas? – Perguntou Linda, curiosa. Mari nunca cozinhara desde que Linda passara a morar com as Nakamura.
-Que remédio o dela. Todas as raparigas de bons costumes aprendem a cozinhar. Eu é que a deixo aproveitar a vida. Mas quando ela se casar…
-Avó! – Reclamou a jovem, corando levemente.
-Se precisarem de ajuda, eu posso sempre cozinhar. - Ofereceu-se Kenji, exibindo um dos seus atraentes sorrisos.
Usagi e Linda ergueram o sobrolho ao mesmo tempo.
-Ah… Kenji? Tu não sabes cozinhar. – Disse Linda, duvidando da sanidade do irmão. Este pareceu um pouco embaraçado.
-Pois não estava apenas a tentar ser cordial. Contava que alguém me impedisse antes que queimasse a cozinha toda.
As três mulheres soltaram uma gargalhada, enquanto Linda limitou-se a sorrir ao talento do irmão em animar o espirito de cada pessoa por quem passava.
-Se quiseres, podes ajudar-me. – Sugeriu Mari. O sorriso de Kenji aumentou.
-Como poderia recusar? – Respondeu, num tom quase sedutor.
Linda semicerrou os olhos em completo aborrecimento. Usagi riu-se das atitudes dos netos e pegou no braço de Aiko e da neta.
-Acho que é melhor deixarmos estes dois a cozinharem o nosso jantar. E que tal irmos ver as noticias e pormos a conversa em dia?




Última edição por AnA_Sant0s em Sab 28 Jul 2012, 16:48, editado 5 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qua 19 Ago 2009, 13:16

**

Usagi apreciou uma boa meia hora com a amiga, enquanto Linda via as noticias. Estava a dar uma pequena reportagem sobre o acontecimento no parque. Sobre a rapariga em coma. O Pivô perguntava ao espectador retoricamente, onde é que estariam as navegantes.
Inconscientemente, Linda tornou-se para a avó, que continuava a sua animada conversa com Aiko, cujo tema resultava de umas descontraídas gargalhadas.
Good question!
Porque é que as navegantes que protegiam o Reino não estavam lá no parque? A pergunta alastrou-se durante o resto do tempo e depois durante o jantar. Submersa nos seus pensamentos, não reparou nas interações de Kenji e Mari.
Enquanto estavam na cozinha, preparando um excelente Kare Rice e uma salada leve, foram conversando sobre cada detalhe menos aterrador da sua vida.
Kenji ficou surpreendido ao saber que Mari praticava qualquer tipo de desportos desde pequena, sendo uma desportista nata e que até eram adeptos da mesma equipa de futebol. Já Mari ficou surpreendida quando Kenji, quando punham a mesa, pediu desculpas por ter derramado o café em cima dela naquele dia, no café. Mari sorriu, um pouco tocada que ele se lembrava e disse apenas para ele não se preocupar. Afinal, a culpa também era dela.

Com o jantar terminado, levantaram a mesa e Aiko pôs os pratos na máquina de lavar loiça e Usagi ficou junto dela, enquanto os três jovens sentaram-se no sofá, com Kenji no meio.
Como Linda gostava de ver um documentário e Mari um Reality Show, ambas concordaram em partilhar a televisão. Dia sim, dia não, era a vez de Mari e vice-versa. Naquele dia, era a vez de Linda, mas Mari pegou no comando primeiro, colocando no seu canal preferido.
Mesmo sabendo que podia muito bem ceder a televisão pelo menos naquele dia, Linda não tinha paciência nenhuma em aturar Mari. Não depois de tudo aquilo que passara durante o dia. As suas pernas estavam cansadas e a sua cabeça estava pesadíssima, como se um trator lhe tivesse atropelado a cabeça.
-Mari podes mudar de canal, se fazes favor? – Perguntou, aborrecida.
A outra nem se mexeu.
-Não, eu quero ver este Reality Show. É hoje que elas se põem à porrada! – Disse, sorrindo para o cenário espalhafatoso no ecrã, onde duas mulheres gritavam uma à outra.
Linda revirou os olhos.
-Como consideras isso entretenimento desconheço. É sempre a mesma coisa! Este documentário é único. Muda de canal! – Insistiu Linda, virando-se para Mari.
Esta virou-se para Linda, faíscas a brilharem nos olhos. Kenji engoliu em seco. As duas pareciam ter-se esquecido que ele se encontrava no meio delas, iniciando as suas tão habituais discussões:
-Estou na minha casa, posso ver o canal que quiser.
-Sim, mas hoje é a minha vez.
-E não podes esperar quarenta e cinco minutos para ver o teu estúpido documentário sobre os pandas?
-Não posso, o programa dá a esta hora. Mas tu podes ver no quarto da tua avó.
-Vai tu para lá. Eu prefiro ver aqui.
-Mari respeita as regras!
-Quais regras? - Mari pareceu atingir o limite. Levantou-se do sofá rapidamente. Linda fez o mesmo, iniciando uma batalha de olhares penetrantes.
Kenji ficou calado, sem saber o que fazer. Pela cara da irmã, temia pela vida de Mari, mas a própria não parecia ser cão de ladrar e não morder. ~
Mari ganhara um pequeno rubor na pele. Linda não sabia porque é que ela estava tão impaciente naquele dia.
- Desde que te mudaste para esta casa que existem regras. Nunca antes houve alguma. Mas claro que, para que vossa majestade se sinta confortável é necessário mudar tudo ao seu bel-prazer - silvou, não notando no pequeno sobressalto de Linda e Kenji ao ouvirem a palavra “Majestade”.
Linda sentiu-se incomodada com a discussão, mas já era tarde de mais para recuar. O seu orgulho estava em causa.
-Que eu saiba, em todas as casas existem regras.
-Só nas que tu vives!
A morena lançou-lhe um olhar penetrante. Kenji ergueu-se do sofá, colocando-se entre as duas. Já conhecia o temperamento da irmã e sabia que esta estava prestes a perder a cabeça.
-Que estás a insinuar? – Silvou Linda, dando um passo em frente.
-Oh vá lá, pára de te armar em Rainha do Sabá! – Disse Mari, elevando o tom de voz. - Tu estás nesta casa como hóspede, não temos que fazer as coisas do modo que tu queres.
-Tu não sabes partilhar as coisas, Mari. Nem sabes ser simpática.
-Eu sou simpática e sei partilhar as coisas. Mas só o faço com quem merece.
-E eu não mereço porquê?
-Já sabes qual é a minha opinião sobre ti.
Tal como Kenji previa, a mão de Linda cerrou-se num punho. Antecipando os movimentos da irmã, abriu os braços de modo a afastá-las.
-Parem com isso, vocês as duas. Parecem crianças.
-NÃO TE METAS! - Gritaram as duas ao mesmo tempo, ambas empurrando o jovem da frente. Este, com a força de duas adolescentes raivosas, deixou-se cair no sofá.
Felizmente, o berro fora suficientemente alto para atrair outras atenções. Usagi e Aiko saíram da cozinha, as duas com semblantes confusos.
-Meninas, o que se passa? - Perguntou Aiko, intercalando o olhar entre Linda e Mari.
Usagi chegou-se perto da neta, pousando a mão no seu ombro e lançando-lhe um olhar de desaprovação. Linda sentiu-o antes de o ver.
-Mari, que atitudes são estas? Podes acalmar-te? – Aiko estava visivelmente furiosa. Se era pela atitude de Mari no geral ou pelo facto de Mari ter agido de foram incorreta em presença de um, senão três, membros da família real.
-Eu acalmo-a. - Disse Kenji, agarrando no braço de Mari. A jovem mal teve tempo para protestar antes de Kenji quase a arrastar porta fora.
Aiko suspirou, abanando a cabeça em exasperação.
-Linda achei que fosses mais bem comportada. – Disse, tornando-se para a outra jovem. – Já sabes como é a Mari. Irrita-se facilmente. Herdou isso do pai.
- Gomen nasai, Aiko. Não volta a acontecer. – Disse Linda, baixando a cabeça. Agora sim, ela podia sentir a vergonha a invadir-lhe a consciência.
-Pois não, não voltará - assegurou Usagi, falando pela primeira vez. - Linda, uma palavra na cozinha.
A jovem não teve outra hipótese. Voltando a pedir desculpas silenciosas a Aiko, seguiu a avó para a cozinha, fechando a porta atrás de si.


**

-Vi do lado de fora que este prédio tem um terraço. Tem acesso? – Perguntou Kenji, fitando o corredor, mas sem lhe prestar grande atenção.
-Tem – Confirmou Mari, o seu olhar não descolando do chão. Sentia-se envergonhada por discutir com Linda com visitas por perto. Com Kenji por perto. - É por aqui. – Disse, indicando uma porta de metal no fundo do corredor.
Entraram e deram de caras com um rol de escadas. Mari vivia no 10º andar e havia mais cinco andares a subir para finalmente chegarem ao terraço. Sem sequer pensar irem de elevador, os dois jovens subiram as escadas silenciosamente.
Um passo, um degrau. Outro passo, outro degrau. Mari soltara a mão do corrimão e colocara-a no bolso tal como a outra. Suspirou ao de leve, um pouco aborrecida com o silêncio. Todavia, não se atreveu a quebrá-lo, guiando Kenji pelas escadas.
Kenji observava Mari, não emitindo um único som. Era uma situação caricata. Linda não costumava perder a compostura tão depressa. Era preciso muita má-fé ou um grande ódio à pessoa para o fazer. Fora com os pais, Kenji nunca vira tanto ódio exprimido nos olhos da irmã. Como é que isso era possível?
Distraída, Mari subiu um degrau da forma errada, tropeçando. Cairia de costas, não fosse Kenji a agarrá-la, colocando os seus braços em torno do tronco dela. Mari desceu dois degraus para se equilibrar.
Nenhum dos dois se mexeu por uns segundos, que mais pareceram largos minutos. Mari estava tão perto dele que até podia sentir o seu hálito a cebola, oriundo do jantar que cozinharam juntos.
Corando levemente, afastou-se de Kenji e continuou a subir. Este não aparentava qualquer mudança no rosto, fora um estranho brilho nos olhos, que nem ele entendia.
Mari abriu uma outra porta de metal que, em vez de escadas, revelou o céu noturno. Enormes pontos brilhavam no céu limpo, formando belíssimas constelações. No entanto, a única constelação que Kenji e Mari descobriram foi a Ursa Menor onde, na cauda, brilhando mais do que as outras, se encontrava a Polaris, mais conhecida por Estrela Polar. Uma estrela brilhante que só emitia a sua luz no Hemisfério Norte.
-É lindo, não é? - Perguntou Mari, quebrando o silêncio constrangedor entre eles. - A paisagem.
Kenji sorriu para as costas de Mari. Ao longe, via-se o fantástico palácio de Crystal Tokyo. Kenji sentiu o seu humor a desvanecer-se. Aproximou-se de Mari, querendo ficar a seu lado.
-Sim. É lindo. – Disse, ainda que a sua voz traísse um certo desconforto.
Ao fim de algum tempo de silêncio, já ambos tinham esquecido a discussão que se gerara antes entre as duas raparigas minutos antes. Estavam ambos calmos, e Mari perguntava-se agora porque é que ela se importava tanto com os mistérios de Linda Tsukino se o mais importante era falar com Kenji. Porque aquele silêncio começava-a a incomodá-la.
-Podias desamarrar o teu cabelo. – Ouviu Kenji dizer, apontando o dedo para o totó de Mari. - Assim já pareces a minha irmã.
-Tens uma irmã? - Perguntou Mari, curiosa. Notou que Kenji parecia desconfortável, como se tivesse dito algo que não devia.
-Tenho, ela costuma usar o cabelo amarrado, não importa o número de vezes que lhe diga que o contrário lhe fica melhor. – Disse Kenji, os seus lábios sorrindo levemente, provavelmente em memória dos tempos nostálgicos. -Acho que ficarias melhor com o cabelo solto.
Ela não teve tempo para responder. Kenji aproximou-se dela, soltando o seu totó rapidamente. Grandes madeixas de cabelo cor do trigo liso caíram abaixo dos ombros. Ele usou a mão para afastar o cabelo do rosto dela.
O rapaz ficou a olhar para ela, bebendo a sua beleza. Era sempre de admirar as raparigas que com um simples toque de feminilidade se tornavam em raparigas atraentes.
A sua mão direita tocou no rosto dela ao de leve, numa carícia que ele nem sabia que estava a realizar. Aproximou os seus lábios das bochechas, que ficaram um pouco rosadas, depositando um toque suave. A outra mão dele estava livre e aproveitou-se dessa situação para rodar o pescoço dela. Conseguia sentir a pulsação do coração dela.
A sensação de toque era tudo que os guiava. Com os olhos fechados, não conseguiam ver o que faziam, não conseguiam ouvir os barulhos da cidade à sua volta, não conseguiam sentir o cheiro a batatas fritas que provinha das chaminés e o paladar estava inativo. Apenas a sensação, não, o desejo de toque.
Mari deu um pequeno passo em frente. Estava agora a centímetros dele. E a sua boca estava tão próxima da dele.
Mas na altura em que os lábios de Kenji estavam prestes a tocar nos de Mari, ele afastou-se.
-Não posso. – Sussurrou, mais para si do que para a mola. Não negava que se sentia atraído por ela mas, ao mesmo tempo, não se sentiu capaz de a beijar como beijava as outras. Havia algo em Mari Nakamura que lhe dizia para ele nunca brincar com os sentimentos dela.
Não que ele tivesse intenções disso. Ganhara respeito por aquela rapariga do secundário.
Ele afastou-se e afastou-se em direção às escadas, andando a passo rápido. Não olhou para trás.



Última edição por AnA_Sant0s em Sab 28 Jul 2012, 16:49, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qua 19 Ago 2009, 13:16

**

-O que é que a avó veio aqui fazer? – Perguntou Linda, sabendo que mais valia ir direta ao assunto.
Usagi passeou pela cozinha, o rosto pensativo. Quando voltou a fitar a neta, as suas expressões traiam seriedade.
-Primeiro; Quero que te portes bem. Eu não te eduquei para agires como fizeste com a Mari…
Linda preparava-se para interromper, mas absteve-se. Já sabia que era uma batalha perdida em argumentar contra Usagi Tsukino.
Usagi fitou a neta, o olhar agora mais suave. Suspirou pesadamente.
- Parece que mudaste bastante nestes meses. – Comentou, com algum pesar.
Linda mirou a avó nos olhos, tentando passar-lhe a mensagem. De lhe dizer as coisas que ela vira hoje.
-A avó deve saber, para estar aqui. – Murmurou a jovem.
-Sim, sei. – Anuiu Usagi, abanando a cabeça. Sentou-se na cadeira junto à mesa da cozinha, indicando a Linda que se sentasse na outra.
-Sempre soube que eu era uma navegante? – Perguntou Linda, sentando-se da cadeira sem nunca deixar de observar as expressões do rosto da avó.
-Sim, sempre soube. Mas eras tão nova que não queria que te preocupasses. - Usagi agarrou as mãos de Linda, estendidas em cima da mesa. Linda não disse nada. Podia ver pela forma como a sobrancelha da avó estava ligeiramente arqueada, que ela estava a mentir. Havia mais qualquer coisa.
- Quem sou eu? – Perguntou fracamente, esperando uma resposta objetiva por parte da avó.
Sem sucesso.
- Tu és a Guardiã dos Sonhos.
-Como, se eu não tenho sonhos? – Linda sabia que a pergunta era parva, não só pela gargalhada que Usagi deu, mas também porque era ridículo a ideia de ninguém ter sonhos. Ela simplesmente nunca se lembrava deles.
-Com o tempo vais entender qual é o teu dever de Guardiã. Até lá, terás de aprender o teu dever de navegante.
-Mas como? O inimigo parece ser tão forte. – Disse Linda, franzindo a testa. Estava tão cansada, como podia pensar que mais estava para vir se até agora o pouco que tenha feito não detivera efeito nenhum?
-Isso é porque tu e as outras ainda são inexperientes. – Respondeu Usagi calmamente. Linda ergueu o sobrolho.
-Tu conheces as outras navegantes? – Perguntou lentamente.
-Tão bem quanto te conheço a ti. E não. - Acrescentou, vendo Linda prestes a fazer uma pergunta. - Não te vou dizer quem são.
-Mas avó…
-Já descobriste o que o inimigo procura? – Perguntou a mais velha, mudando de assunto. Linda suspirou.
-Sim – Linda brincou com as mãos, pensando naquilo que ia dizer. -Isso dá-me três perguntas. Não, quatro.
-Pronuncia. – Incentivou Usagi, fazendo um gesto com a mão.
-Porque é que as navegantes não foram para o parque ajudar a rapariga? – Perguntou Linda, um pouco mais severa do que esperava.
Usagi mordeu o lábio, desconfortável.
-Acredita Linda, esta decisão foi complicada e eu mostrei completo desagrado nela. Porque queríamos que vocês aprendessem. O inimigo está a ganhar mais poder e nós já não somos tão jovens. Só vocês, jovens navegantes, é que o poderão deter. Mas eu sei que…
-Que isso implicou o sacrifício de uma rapariga. – Completou Linda, que não escondeu o desagrado e choque de tal decisão
-Era a única opção. – Murmurou Usagi, mais para si do que para a neta. Esta sabia que a avó jamais deixaria de ajudar os outros a não ser que não tivesse outra hipótese. O que é que valeria o sacrifício da alma de uma rapariga.
Ficaram em silêncio durante minutos, até que Linda fez a sua próxima pergunta.
-Onde posso encontrar as Flores do Universo?
Usagi levantou a cabeça e pensou um pouco.
-Bem… Há milhares de anos atrás, com a destruição do Milénio Prateado, os planetas do Sistema Solar, com exceção da Terra, deixaram de ser reinos, passando a ser planetas solitários. No entanto, antes da Metallia e Beryl, destruírem o Reino da Lua, havia paz e confraternidade entre os nove planetas. As famílias reais tinham filhos, por vezes mais do que dois, que não tinham grandes cargos no seu planeta de origem. Na sua maioria, eram os responsáveis em entregar mensagens do seu planeta natal aos restantes. Mas havia algo que atraia esses seres. O Planeta Terra. Lá, o céu era azul, enfeitado por nuvens semelhantes a algodão, assim como a água fresca. Havia campos verdes e o sol iluminava aquele planeta com cores do arco-íris. Terra era sem dúvida o planeta mais belo de todo o sistema solar, a sua riqueza natural em nada comparada com a riqueza material do Milénio Prateado. Alguns membros da família real viajaram para Terra, a fim de estabelecer ligações de paz com o planeta, mas depois ficaram por lá. Construíram família e, com o tempo, esqueceram-se das suas origens. Segundo o que me disseram, isto tudo aconteceu antes do nascimento da Princesa Serenity.
Mais tarde, Beryl…
-Eu sei. Ela persuadiu o povo da Terra a destruir o Milénio prateado - Interrompeu Linda - Já me contaste esta história.
-Sim, então deves saber que, quando todos renasceram, devido ao poder no Cristal prateado, algo… digamos, falhou. Acredito que o poder que a minha mãe soltara era apenas destinado aos elementos do Milénio Prateado. Daí que, enquanto eu e as outras reencarnamos, os seres dos outros planetas que te falei continuaram a viver as suas vidas. E os seus descendentes continuam a pisar este chão.
-Não, não sabia. Então as navegantes não possuem as Flores do Universo? É que como elas, no passado, eram princesas, achei que…
-Somos reencarnações, não descendemos da família real. Mas essas pessoas sim. São elas que possuem as Flores. Daí que o inimigo tenha dificuldade em encontrá-las. – Usagi parou um pouco. O seu suspiro fora longo e desgostoso. Linda temeu o pior antes mesmo de a avó o pronunciar. - Mas já tem um certo avanço. Urano, Neptuno, Marte e Plutão foram apanhadas e receio por Mercúrio e Saturno.
Linda abriu a boca a pergunta acerca dos outros dois planetas em falta, mas a avó pareceu adivinhar os seus pensamentos.
-Se perguntas onde estão as Flores de Vénus e Terra, não te preocupes. Vénus está segura e Terra… bem... Eles nunca irão encontrá-la.
-Porquê? Que eu saiba ainda existem reinos na Terra. Basta um descendente real…
-Do Reino Primitivo? Eles vão demorar séculos a encontrá-lo. Há bastantes. Já para não falar que a Flor não estará numa pessoa fraca.
-Tens alguma ideia?
Usagi sorriu, ainda que não alcançasse as orelhas.
-Não te preocupes com essas duas Flores. Estão seguras.
Linda não estava satisfeita. Já iam os tempos em que os avós podiam protege-la dos males exteriores, mentindo-lhe na cara. Agora ela deparava-se com um assunto sério, do qual ela estava inteiramente envolvida.
Acabaram-se as proteções.
-Avó, quem possui as Flores? – Voltou a insistir, sabendo que se pressionasse a avó nos botões corretos conseguiria a resposta. – Trata-se de alguém importante… ou de alguém que nós conheçamos… - tentou adivinhar, tentando soar confusa o suficiente para a avó sentir pena dela.
Infelizmente, Usagi não tinha cara de quem iria entrar no jogo de Linda.
-Tu conheces essa pessoa. Digo, a da Flor de Vénus. Já a da Terra não te menti. Os do outro lado nunca a encontrarão porque nem nós sabemos onde ela se encontra.
Linda mordeu o lábio.
-Quem é?
Usagi hesitou um pouco antes de responder.
- É uma amiga da tua mãe. Não te preocupes que ela está segura. Já tomei precauções.
Isso fez lembrar a Linda de um detalhe. Ainda que soubesse que poderia não gostar da resposta, tinha que saber.
-Essa pessoa não é a Dawson, certo? – Perguntou um pouco receosa.
Fora já um hábito de miúda detestar Dawson. Como é que ela poderia esquecer a mulher que falara mal dela à sua mãe, fazendo com que esta batesse em Linda por comer chocolates antes do almoço? Fora a única vez que a sua mãe pusera um dedo em Linda, mas a menina de seis logo aprendeu que a mãe era bastante influenciável para certas coisas. E Dawson aproveitava-se disso. A constante presença dela durante o crescimento de Linda sempre fora uma sombra maligna para Linda e Kenji. Com ela por perto, a mãe nunca era vista com um sorriso. O pai ficava mais austero, quase que forçando os filhos a fazerem aquilo que ele queria à pancada, e os próprios meninos não se sentiam bem ao pé dela. Era uma presença estranha, que punha todos desconfortáveis e que parecia atrair o mal dos pais. Porque por mal que os pais possam ter, eles nunca tentaram magoar os filhos, nem fisicamente nem emocionalmente. Fora o episódio da mãe, esta fora sempre fria e indiferente perante os caprichos dos filhos, mas nunca dura e severa ao ponto de lhes negar divertimento. Já o pai nunca lhes tocara e Linda perguntava-se várias vezes se ele se continha para o fazer. Já várias vezes ele lhe dera a sensação de querer tocar-lhe no ombro para a consolar, para que ela não chorasse. Mas depois ele recuava e chamava alguém para cuidar dela.
Toda a frieza e indiferença eram preferíveis às personagens que os pais se tornavam quando Dawson aparecia. Era como se ambos tentassem mostrar-lhe algo, impor-lhe respeito como monarcas reais.
Usagi perdeu o sorriso e Linda soube que a própria avó detestaria a ideia de proteger Dawson, que ela considerava uma má influencia para a filha desde tenra idade.
-Não, não é. Tens mais alguma pergunta?
Linda respirou de alívio.
-Tenho. Para que é que eles querem as Flores?
Usagi levantou-se e aproximou-se da pequena janela da cozinha. Abriu-a para deixar entrar o ar e lá ficou a admirar a pouca réstia de céu noturno que podia ver dali.
-Para alguém querer tanto poder, só há duas opções; Ou quer mais, ou não tem. Acredito mais na segunda hipótese.
-Não tem? – Linda estava confusa. Como podia um inimigo como aquele homem baixo não ter poder nenhum? - O que queres dizer com isso?
-Digo que nem Rei nem a Ami detetaram as energias deste inimigo. Supomos que ele não as tenha. De algum modo arranjou lacaios para conseguir o poder que tanto anseia.
Linda semicerrou os olhos. Então o homem era apenas um lacaio. Isso tornava-o completamente diferente do inimigo que tinha em mente. O monólogo do homem ao vê-la no parque de estacionamento desenrolou-se na cabeça de Linda como um rolo de um filme antigo. Ele falara de uma Lady. Isso queria dizer que ele servia uma mulher. Uma mulher que desconhecia a existência de Linda, enquanto o homem sabia quem ela era. Ou então confundira-a com mais alguém.
O que a incomodava mais era o facto de ele ter poder e haver a possibilidade de a sua Lady não o ter. Porque é que alguém serviria alguém sem poder? Não iria isso contra a ideia geral de uma hierarquia? Os da base servem os do topo, porque estes têm mais poder?
-Avó? - Esperou que a avó focasse os seus olhos nela. – Sabes quem é o inimigo?
Usagi suspirou. Ouviu-se o som da porta. Kenji voltara e, segundos depois, Mari vinha atrás. Só se ouvia a voz de Aiko e a dos atores do Reality Show que dava na televisão.
-Conheço. - Disse finalmente, num tom sombrio. - E está mais perto do que julgas.


Última edição por AnA_Sant0s em Sab 28 Jul 2012, 16:50, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Qua 19 Ago 2009, 15:50

ai!!!!
Ana má! Esta ultima fala da Usagi deixou-me a pulga atras da orelha!
Capitulo Lindo, fantastico! Esperancoso
Adoro o kenji! Ele é mesmo engraçado!
-Se precisarem de ajuda, eu posso sempre cozinhar! - ofereceu-se Kenji.
Usagi e Linda trocaram um olhar torcido.
-Ah… Kenji? Tu não sabes cozinhar!
-Pois não, mas esperava que alguém me impedisse.

:Rolar: Lol, parte tudo mesmo! Matreiro
Mas ele é burro ou ke?! Porque é que nao beijou a Mari?! Coitada da caxopa ali toda feliz a pensar que ia ser nakele momento e paw, ele vai embora! Mal disposto'
Ai e a discussao da linda com ela, que lolada! O rapazito nem sabia se devia apoiar a irmã ou a sua atraçao! Mas gostei dos desfecho : leva a mari po terraço! Malandro! hehehe ^^
Vah, e akele bunko? O k é que o rapazito tem a ver com as flores?!
AI tou tao curiosa! Surprised.o:
So espero que a Usagi diga quem é o inimigo! A Linda precisa de saber (e eu tambem! Toma toma)

Fico ansiosa á espera da continuaçao!
Bjokas e parabens Ana! ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Qua 19 Ago 2009, 16:24

esta muito gira a tua fic. Ai pobre da Meri o kenji teve de se cortar, ela cria tanto. Ela e a linda nao se dao nada bem, parecem o cao e o gato.

quem sera o novo enimigo a Usagi ta afazer tanto misterio e esta a matarme de curiosidade. lool

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 20 Ago 2009, 16:57

Ui.. tá toda a gente com pena da Mari? Acalmem-se, que eu apoio o Kenji. (Nesta fanfic, a minha palavra é lei Toma toma) Ele simplesmente respeitou-a, pois com aquele beijo, a menina poderia ficar com ideias que nao devia. O nosso Kenji não gosta de compromissos (Já se tá a ver porque se dá tão bem com o Setsu) :/
E depois, este casalinho vai ter outras oportunidades Matreiro

Ups, acho que não me expliquei muito bem.
O capítulo era sobre: Flor de Venus e Flor de Saturno.
Ora, a primeira já mencionei. Apenas não disse o nome, porque ainda haverá uma reviravolta por causa desta tipa.
A segunda.... Acho que já dá para ver porque é que o Homem baixo queria "conversar" com o Bunko. (Ele até é timido e reservado que nem a Hotaru e talz...)

Ainda não descobriram quem é o inimigo? O_o Atão não se tá a ver que é o Pai-Natal? xDD Ele quer florzinhas do Universo para decorar a sua casa no Pólo Sul (pois, com o degelo no norte, ele teve que emigrar pró sul)


Muito obrigada pelos comentários lulumoon e monica Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 23 Ago 2009, 14:16

ahhh! Agora faz sentido a cena do Bunko! Por momentos pensei que ele fosse fazer parte la da seita! Matreiro

Vah, eu em parte ate concordo que o kenji nao tenha beijado a Mari, se fosse comigo tambem nao queria pa nao ficar com ideias! lol

Agora outra coisa...

HEllO! Esta gente está toda offline no que diz respeito ás fanfics! Ataum uma fic taum linda ainda so teve dois comentarios? E o mesmo acontece na minha!
Xiça, antigamente eu colocava um capitulo por dia e tinha prai 6 comentarios, agora parece que anda tudo adormecido! lool
Wake up!!! Matreiro

vah, agora a serio, toca a comentar estas fic's lindas pa haverem actualizaçoes! Razz

bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Ter 25 Ago 2009, 08:25

Incredulo omg nme tenho vindo cá comentar :O
aiii desculpa ana! eu vou ler a fic ja edito o post Desiludido

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Qua 26 Ago 2009, 16:26

Menina Ana quando posta mais?! *mim faz ar de santinha*
Eu sei que postaste á pouco tempo, mas ja tou com vontade de ler mais! Matreiro
E da outra fic tb! lool
vah, isto vai ser troca por troca, tu postas na tua e eu posto na minha! Matreiro
tou a brincar, mas ate que era um bom negocio! Matreiro
bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 27 Ago 2009, 09:18

Ehehehe, lá diz o ditad: Cá se faz ca se paga. Não posta na tua, eu não posto na minha Twisted Evil

Já tenho metade do capítulo feito mas ainda assim.... Não escrevo mais até ter mais comentários Razz

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sex 28 Ago 2009, 07:36

Ai, realmente!
comentem carago! Comentem que eu quero mais capitulos nesta fic! :g11:
Eu vou postar a primeira parte da minha fic esta noite, por isso tens que postar em breve! lool
Se bem que tu tens razao, nao postes enquanto nao houverem comentarios!
Se a coisa ficar cabeluda postas especialmente pa mim! lool

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 05 Set 2009, 08:31

Pois bem, já tinha este capitulo escrito há seculos e não pensei em postá-lo porque... bem, não importa.
Posto agora, porque uma usuária dedicou um capitulo a mim e eu fiquei tão comovida que decidi postar o novo capitulo mais cedo.

Dedicado à lulumoon, por ser uma leitora assídua =)
(e não digas que te copiei porque, se tu não lesses a minha fanfic, eu nunca teria curiosidadeem ler as tuas e ficar fã delas)

reescrito a 20/08/2012
Capitulo 17. Um ás na dança

Já passavam das duas da manhã quando Linda finalmente se deitou, pouco preocupada com as aulas do dia seguinte que começavam cedo. Passara grande parte do tempo desde que a avó se despedira, sentada em frente da secretária a pensar. De tanto imaginar respostas para as suas perguntas, sentiu-se zonza, acabando por desistir.
Revirou-se nos lençóis brancos, tentando adormecer. Mas o sono não vinha. Mais uma insónia, talvez. Já fazia algum tempo desde que tivera uma. Suspirou pesadamente, enquanto virava de lado. A sua janela aberta mostrava a lua obscurecida por uma nuvem negra.
Um carneirinho… - Começou a contar, ainda que parte do seu consciente sabia que era inútil. - Dois carneirinhos…Três carneirinhos…
Quem será o inimigo? Perguntava uma vozinha estranha e curiosa dentro da sua cabeça.
Quatro carneirinhos…
Cinco carneirinhos…
Quem serão as outras navegantes?
Seis carneirinhos…
Sete carneirinhos…
Quem é que o homem pensa que eu sou?
Oito carneirinhos…
Oito carneirinhos e meio…
Oito carneirinhos e três quartos…

Ela decidira não contar as palavras do homem nem à avó e nem ao irmão. Temia as suas reações e, acima de tudo, temia que eles lhe mentissem. De certa forma, a sua identidade como navegante valia nada em comparação ao ódio que o homem nutria por ela e que ele nem sequer tentou esconder. Talvez fosse melhor manter aquilo segredo por enquanto. Não precisava de preocupar mais o irmão. Horas antes, ele parecia mesmo afetado, ainda que Linda soubesse que ele estava diferente, se essa era a palavra correta A atitude do irmão era realmente muito estranha. Entrara em casa sem dizer uma palavra, despedira-se e saíra rapidamente, os olhos varrendo o chão. Por mais que Linda tentasse adivinhar, apenas sabia que Mari tinha algo a ver com aquilo. Também ela mantinha os olhos postos no chão, fitando um ponto fixo o rosto traindo um semblante frustrado. O que acontecera com aqueles dois?
A avó também deixara bastantes dúvidas. Após afirmar que Linda conhecia o inimigo e que este estava mais perto do que julgava, despedira-se da mesma forma que Kenji. Nem mesmo perguntando à avó, se ela conseguiria ser uma boa navegante conseguiu uma resposta formulada. Claro que sim! Fora tudo o que Usagi dissera, num sorriso misterioso.
Tanto avó como neto pareciam querer sair daquela casa, como se esta não abarcasse oxigénio necessário para eles respirarem.
No meio das despedidas, Linda encontrou a rosa branca que, por distração, colocara no bolso do seu casaco preto. Pegou nela e levou-a para o seu quarto, colocando-a no meio do primeiro livro que lhe veio à mão. Uma boa forma de conservar tão bela flor.

De repente, lembrou-se do mau presságio, remexendo-se na cama. Seria aquele encontro, que mudara a forma de ela ver o mundo? Ou seria algo que ainda iria acontecer?
Infelizmente, nem a quantidade de raciocínio a deixava dormir. Estava esgotada, tudo aquilo que ela vira durante o dia fora demais. Mas a sua mente não funcionava desse modo. O que ela mais detestava é que ela sempre tivera as insónias desde pequena e sempre fizera tudo para as combater. Começara a praticar dança, de modo a relaxar, a beber certos chás medicinais. Tudo em vão. Volta e meia, ela era atacada por uma dose de insónias. Sabendo que não tinha outra hipótese, afastou os lençóis e levantou-se da cama. Pegou na mochila arrumada atrás da porta e tirou de uma das pequenas bolsas uma caixa de comprimidos que comprara a semana passada. A avó sempre detestara que ela tomasse os sedativos, mas em alturas como aquelas ela não tinha escolha.
Deixou-se ficar deitada à espera que o sedativo fizesse efeito, pensando ironicamente em como ela era a Guardiã dos Sonhos e era totalmente incapaz de manter um ritmo de sono estável, quanto mais sonhar.


***

No seu quarto, Mari encolhia os joelhos contra o tronco, em posição de defesa. Não que precisasse de se defender. Mas de alguma forma, sentia que a sua concha de proteção tivesse ruído. Tudo por causa de um beijo que não acontecera.
Tinha que admitir que Kenji fora o primeiro homem por quem sentia uma atração tão forte. Mas não seria por isso que ficaria tão abalada por ele não a ter beijado.
Teria sido aquele beijo tão importante para ela? Já beijara meia dúzia de rapazes, mas nunca ficara tão impaciente e cheia de desejo por aquele toque de lábios. Nem pelo seu primeiro demonstrara tanto interesse.

Olhou para o relógio da sua cómoda. Duas e um quarto. Já devia estar no sétimo sono, até porque no dia seguinte, iria ter Educação Física e queria estar na melhor forma possível.
Preparou-se para se deitar, até que sentiu a garganta seca. Abanando a cabeça ensonada, levantou-se da cama.
Abriu a porta do quarto, não querendo acordar a avó que roncava no quarto ao lado, e dirigiu-se à cozinha. Abriu o frigorífico e pegou na garrafa de água, despejando parte do seu conteúdo num copo de vidro. Bebeu o líquido num gole. Guardou a garrafa no frigorífico e preparava-se para regressar ao seu quarto, quando viu algo no chão da sala, num canto escuro.
Uma rosa vermelha. Lembrava-se de a ver na mão de Kenji, tendo depois, deixando-a ao de penduro no bolso do casaco. Provavelmente teria caído, com a brusquidão com que ele pegara no seu casaco, desejoso de sair daquela casa. Ao pegar na flor, sentiu os seus pequenos espinhos roçarem na sua pele. Pensou em devolvê-la, mas decidiu não o fazer.
Para ela, aquela rosa tinha um significado muito especial. Não sabia era qual.
Já no quarto, pegou num livro guardado debaixo da cama. Ao abrir a primeira página, deu-se com o conto do Aladino. O pobre jovem que, com a ajuda da mãe e de um génio, conseguira conquistar a princesa.
Tanto ela como a mãe adoravam aquela história. Alias, Mari recebera o nome devido ao conto. A sua mãe prometera a si própria que amaria a sua filha tanto quanto Aladino amava a mãe e a princesa com eterna devoção.
Mari, a amada.

Outros motivos faziam com que Mari adorasse aquela história. Fora através da magia que o protagonista conseguira chegar perto da princesa, acabando esta por se apaixonar por ele e não pelo homem rico que deveria ser.
Tantas vezes sonhava que era Aladino, mas numa versão feminina. Sonhava que um dia, graças à magia, conquistaria o príncipe de Crystal Tokyo que, por acaso, não era muito mais velho do que ela. Até diziam que era atraente.
Claro que os sonhos dissiparam-se com a morte da mãe. Mas a paixão e o carinho que sentia pela história não desapareceu. Por isso, Mari guardou a rosa vermelha dentro do livro, voltando a guardá-lo debaixo da cama, escondido à vista de todos.
Deitou-se e fechou os olhos. O sono não tardou a vir, assim como o sonho. Por coincidência, estava na história de Aladino. Era só ela, a sua mãe e o príncipe. Ela podia fazer coisas mágicas, coisas que permitiram que ela se aproximasse dele.
No dia seguinte poderia negar a si própria que tivesse gostado daquele sonho, mas naquela noite, sorriu ao sonhar que o príncipe que a amava era Kenji.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 20 Ago 2012, 11:56, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 05 Set 2009, 08:32

***

Na sala escura, brilhavam agora seis Flores. A mais recente, de um roxo brilhante, era muito pequena em comparação às outras, mas o símbolo do Planeta Saturno era perfeitamente visível.
Alguém aproximou-se. Um pouco incomodada pelo espaço onde se encontrava, decidiu a si própria que nunca ficaria ali muito tempo. Mas tinha que ter a certeza de que tudo estava a correr bem.
Examinou a Flor roxa com os seus grandes olhos escuros. Sorriu, ao sentir as vibrações de um rapazinho tímido que tentava a todo o custo conter as lágrimas. As outras Flores choravam também. Elas pressentiam a alma maligna que se encontrava naquela sala.
A Figura baixa aproximou-se. Curvou-se numa vénia e afirmou:
-Já só faltam três. - A sua voz era firme e mostrava um pequeno tom de contentamento.
-Sim. Só três. – Confirmou a figura alta, calmamente. - Após tanto tempo de pesquisa. Tanto tempo de procura. Não me falhes agora. Encontra-as rapidamente. - Ordenou suavemente, sem nunca tirar os olhos dos magníficos exemplares à sua frente. Já não faltava muito para conseguir aquilo que queria. Encontraria a Flor de Mercúrio muito rapidamente e seria uma questão de tempo até conseguir quebrar a barreira que separava a Flor de Vénus de si. Mas a Flor da Terra era a mais complicada. Flor tão rara e tão bela, não poderia ser partilhada com o corpo de um mero mortal. Teria que ser alguém exemplar. Um herói, alguém amado pelo povo. Teria que ser alguém descendente do Reino Primitivo. E a probabilidade de também ser descendente dos Reinos Modernos era grande. Mas ainda assim, eram inúmeras as hipóteses.
Onde é que ela estaria?


***

O dia amanhecera alegremente. As nuvens eram brancas e escassas, de vários tamanhos e formas, podendo se assemelhar a bolas de algodão doce. O céu estava pintado num azul vivo e a promessa de bom tempo estava prestes a se cumprir.
Era estranho pensar que, dali a uns dias, eram férias de Natal e muito provavelmente começaria a nevar.
As jovens que saíram da casa de Aiko tinham um ar sonolento. Talvez por isso é que as duas, pela primeira vez, dirigiram-se para a escola ao mesmo tempo. Mari bocejou pela quinta vez quando se separou de Linda, aproximando-se de Cecília que se encontrava nas escadas, à sua espera. Estava tinha um ar aborrecido e um pouco preocupado.
-Até que enfim que apareceste. Mais um pouco e chegavas atrasada!
-Ah? – Mari não escondia a confusão. - Mas ainda não tocou.
Talvez pelo facto de Mari ter um ar descontraído, Cecília ficou irritada.
-Pois não, não tocou. Não acredito que te esqueceste daquilo que combinamos. Agora o nosso tempo para…
Foi interrompida pela campainha da escola, que soava a alto e bom som, o inicio de um novo dia escolar.
-…acabou. - Terminou Cecília, dirigindo-se para fora da escola ainda irritada com a amiga, que a seguiu um pouco confusa.
O ginásio encontrava-se um pouco distante da escola, no entanto, isso não impedia os alunos de se deslocarem devagar para as aulas. O Sensei chegava tarde e terminava cedo. Mas não era por isso que era adorado por todos os alunos.
Amadeu Tanaka era um homem calvo com objetivos, sendo um deles encontrar um desporto adequado para cada aluno. Não havia um único aluno nas suas turmas que não tivesse jeito para qualquer desporto que fosse. Desde Rina, uma rapariga gordinha que parecia mais lenta do que um caracol, que dedicava-se a luta livre como atividade extracurricular até Koro, um marrão que, para além do xadrez, tinha um talento único para o ténis de mesa.
Naquela altura, três meses desde o início do ano letivo, todos os seus alunos do ano anterior estavam enquadrados. Se bem que havia outros que nunca se enquadrariam em certos grupos por serem melhores em tudo. Mari Nakamura, Ryo Sato e Eiji Yamamoto eram exemplos. Os três pareciam enquadrar-se em qualquer desporto. Eiji, no entanto não tinha tanto amor ao desporto quanto Ryo e Mari.
Ultimamente, Amadeus preocupara-se em enquadrar os novos alunos. As duas raparigas novas eram extremamente distintas uma da outra. Descobriu que uma praticava ténis de campo desde os cinco anos, sendo uma quase-pró com dezasseis. Mas Linda Tsukino era diferente. Se a colocasse a jogar futebol, poderia fazer alguns passos de jeito e até marcar uns golos, mas o seu talento não incidia aí.
Nos últimos meses tentara vários desportos, não só para treinar os alunos, mas também para descobrir um outro talento na jovem. Linda parecia ter praticado brevemente cada desporto que ensinara.
No entanto, não só não demonstrava qualquer interesse naqueles desportos, como também a sua maneira de andar o surpreendia.
Por vezes, observava a aluna a mover as pernas de uma forma graciosa, movimentos delicados, rápidos e precisos, como se ela estivesse habituada a fazê-los. Como uma bailarina.
Daí que, naquela aula, tentaria algo novo. Para além de estar a chegar uma altura importante para a escola. Tinham que se preparar. Par não falar que finalmente tivera acesso à ficha de Linda Tsukino, descobrindo uns detalhes interessantes acerca da sua juventude.

Entrou no ginásio com o seu fato de treino verde-escuro, típico de treinador, e pegou no seu apito. O som agudo que saiu do objeto fez com que a atenção dos alunos se centrasse em si. Viu com os seus olhos castanhos, que Ryo roubara a sapatinha a uma colega e tentara marcar cestos vezes sem conta. Viu Cecília com um mau humor invulgar e Linda, como sempre, quieta à espera de novas ordens, sentada longe dos colegas. Havia sido informado de que a rapariga estava a adaptar-se mal à escola. Suspirou, com sorte tudo mudaria naquela aula.
-Ora bem. Vamos começar uma nova aula! Como sabem uma data importante se aproxima. O Torneio de Dança Interescolar realizar-se-á no inicio férias de Natal, o que é aproximadamente daqui a quatro semanas. - Constatou, com satisfação, que todos os alunos estavam atentos às suas palavras - Só podem participar alunos do secundário, com idade mínima de dezasseis anos e idade máxima de dezoito. Já conversei com os alunos da outra turma e selecionei dois pares para competirem com os outros dois que seleccionarei desta turma. - Quando viu a cara de surpresa nos alunos, sorriu - Sim, esta aula será de dança. Quero que todos se organizem em pares mistos. Não quero meninas com meninas, nem brincadeiras estupidas.

Linda semicerrou os olhos em suspeita. Quando os olhos brincalhões do Sensei encontraram os seus, mordeu o lábio.
Não era possível…
-Queres fazer par comigo? - Perguntou Eiji, que se encontrava atrás dela havia bastante tempo, estendendo a mão.
Ela não pôde deixar de sorrir. O atrito entre ela e a turma complicava sempre as coisas no que tocava a equipas, acabando Linda por ser exilada de muitas atividades coletivas. Felizmente, Eiji estava sempre lá para a ajudar.
-Claro! - Pegou na mão estendida por Eiji e este fê-la dar um rodopio, sem aviso. Linda, apanhada de surpresa, quase caiu, provocando uma gargalhada no parceiro. Este endireitou a colega, que corava um pouco.
Recompondo-se, Linda olhou em volta, notando que havia uma rapariga sem par. Cecília estava ao pé do Sensei, com um ar sério, enquanto Amadeus explicava a coreografia à turma. Dois passos em frente, dois para trás, um para o lado e por aí adiante, sendo permitido alguns giros pelo meio. Coreografia bastante simples para quem sabia dançar, complicada para quem desconhecia o desporto em causa.
Antes de o Sensei pôr a música a tocar, um rapaz surgiu da porta do ginásio. Era esguio de corpo e pouco atraente de cara, com olhos e cabelo castanho-escuro e uma pera encaracolada.
-Aquele é o François. - Sussurrou Eiji ao seu ouvido - É da outra turma e é dançarino profissional. Veio de França quando era miúdo. Tanto ele como a Cecília tiveram aulas de uma excelente Sensei e já representaram a escola três vezes, enquanto andavam no básico. No ano passado, a Cecília ficou doente, por isso a escola levou outro par. Fomos arrasados.
-Então será ela a representar a escola. – Constatou Linda.
-Sim, a não ser que haja alguém melhor nesta turma. Na outra sei que não há, ou o François não viria fazer par com a Cecília. Ele só quer as melhores.
-A Escola ganhou o torneio dessas três vezes?
-Não. Eles dançam muito bem, mas o juiz dizia que falta alguma coisa neles. Por isso ficaram sempre com o segundo lugar.
-Que pena. - Linda viu Amadeus murmurar uma coreografia a Cecília e a François, à qual ambos respondiam com um aceno. De seguida juntaram-se aos outros na dança.

A música era latina, as preferidas do Sensei. Apesar de calma, Cecília e François dançavam num ritmo mais apressado. Os movimentos de ambos eram precisamente coreógrafos e mais complexos, mas isso não impedia os alunos curiosos de ver a maneira graciosa de Cecília dançar. Cada movimento seu, cada pirueta, correspondia a uma inspiração e uma expiração. Não cometia erros e, se o cometia, conseguia disfarçar perfeitamente. Ela já conhecia a coreografia, pois dançava com os olhos semifechados e longe da mira dos pés.
Mari estava com Ryo. Era difícil para Linda saber se ela sabia dançar pois, com Ryo Sato como par, era mais prioritário salvar os pés do que dançar a coreografia posta pelo Sensei. Este dava uma volta pelo salão, dando conselhos aos estudantes em como realizar certos passos.
-Não faças assim! - Reprovou Eiji, que olha para Linda com o máximo de cuidado. Esta, enquanto olhava para os outros, fazia os movimentos mandados. No entanto, não fazia o menor esforço em dançar como deve ser - Liberta-te.
Fingiu libertar-se. Queria lá saber se dançava bem ou não. Ela queria era que a aula acabasse. A dança era uma das poucas atividades que ela praticava e que o público conhecia. Todos sabiam que a Princesa de Tokyo dançava. E não seria estupida ao ponto de se expor num torneio interescolar.
Durante quinze longos minutos, enquanto a música rodava e repetia vezes sem conta, Linda rodopiava nos braços de Eiji, que tentava fazer com que ela conseguisse segui-lo. Mas parecia inútil.
-Vá lá, Linda. Tu consegues. – Incentivou o rapaz.
-Não consigo. – Mordeu o lábio ao de leve. Olhou para ele. Os olhos cor de avelã de Eiji estavam fixados nela desde o início da aula. No seu rosto que se contorcia a cada movimento, como se custasse muito fazê-lo.
Ao ver os olhos dela postos em si, Eiji deixou escapar um sorriso.
-Confia em mim.
Falara num tom tão determinado que ela deu por si a deixar-se levar e a realizar movimentos adquiridos na infância.
-Viste? Tu conseguiste. - Ele exibiu um sorriso orgulhoso. Linda sorriu fracamente. Porque é que dos deuses faziam questão de a pôr naquela situação logo naquele dia?
Nos restantes minutos, Eiji tentou fazer com que Linda repetisse o feito anterior. Mas ela falhava sempre, evitando olhá-lo nos olhos. Por vezes, ele dizia algumas palavras confortáveis que a deixavam mais leve, fazendo-a realizar alguns passos corretamente. Mas de resto, conseguiu dar a entender que Linda Tsukino não tinha qualquer talento para a dança.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 20 Ago 2012, 12:08, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 05 Set 2009, 08:32

Já dizia a avó do Sensei Amadeus que este tinha três olhos de mocho. O que até era correto. Utilizando um olho, Amadeus conseguia ver os alunos que tentavam dançar, a maioria falhando. Com o outro, via Cecília e François dançarem uma coreografia mais avançada, com sucesso. E o terceiro estava posto na Menina Tsukino.
Riu-se ao vê-la dançar. Qualquer Sensei diria que aquela rapariga era extremamente desastrada e que nunca dançaria na vida. Nem mesmo tendo Eiji como par que, tal como Cecília, tivera aulas de dança ainda que breves.
Mas ele não diria isso. Apenas afirmaria que Linda Tsukino não gostava de chamar as atenções. Sim, porque ele sabia que ela fingia. Ela sabia dançar.
Gostava era de saber porque é que ela fingia não saber, considerando que estava no seu processo escolar.
Como bom Sensei que era, tinha que lhe dar um empurrão.
-Menina Tsukino! - A sua voz soou por todo o ginásio. Todos os alunos abrandaram, a fim de ouvir o que o Sensei ia dizer. Linda parou bruscamente. Viu que todos os lados olhavam entre ela e o Sensei com os olhos a brilhar de curiosidade e um pouco de malicia. O sorriso de Mari e de uma colega ao lado dela não escondiam a diversão.- Não me obrigue a chumbá-la.
Alguns alunos entraram em choque. Linda semicerrou os olhos, entendendo a mensagem. Ele tinha visto o processo escolar. Ele sabia que ela sabia dançar. Ela havia dito à Diretora que não iria dançar naquele ano e pretendia cumprir a sua palavra. Haveria de recusar a oferta de uma participação no torneio interescolar. Não se podia colocar em tais riscos.
À sua volta, muitos dos seus colegas entreolhavam-se um pouco chocados, com se temessem que o Sensei também os chumbasse por dançarem mal como Linda.
Agarrou a mão de Eiji e realizou todos os passos do Sensei, sem errar nenhum. Deu um rodopio e recomeçou os passos, sendo acompanhada por Eiji, que estava perplexo.
-Tu sabes dançar! – Disse ele.
Linda confirmou com a cabeça, sem dizer uma palavra e evitando mirar Eiji nos olhos. Sabia que lhe devia uma explicação, mas por agora mais valia entregar-se à dança.

O som do apito interrompeu a dança mais uma vez. Amadeus estava contente com aquilo que tinha visto.
-Muito bem. Todos vocês atingiram os requisitos pedidos. Agora… Quatro pares irão dançar outra música e desses quatro, dois serão escolhidos para competir contra os outros dois da outra turma, a fim de ganharem o direito de representar a escola no Torneio. Não façam essas caras! – Acrescentou ao ver a mateia de rostos aborrecidos e cansados. – Ainda não fizeram nada de mais nesta aula. Não reclamem o esforço. Além disso, é uma honra representar a escola num torneio destes.
-Ora bem… - Olhou para o seu caderno, escrevendo algumas notas e lendo outras. Os alunos ficaram à espera em silêncio.
Linda sentiu um nó na garganta quando Eiji tornou-se para ela.
-Porque não me contaste que dançavas? – Perguntou, o tom de voz desvendando um pequeno fio de mágoa.
Linda suspirou.
-Sabes que tenho uns problemas, Eiji. Não me convém chamar a atenção.
Eiji passou a mão pela cara, desfazendo a careta.
-Acredita Linda. Não precisas de te esforçar para chamar as atenções. Já estás farta de o fazer.
Linda tentou sorrir, mas os contornos dos lábios pouco se moveram.
-Como é que fizeste aquilo? – Perguntou ele.
-Aquilo o quê?
-Aquele conforto, elegância e confiança. Parecia que sabias todos os passos que eu ia fazer. Quem é que te ensinou esse truque?
Linda ficou calada por um pouco, pensando naquilo que ia dizer.
-Não é exatamente um truque. Basta apenas saber dançar e conhecer o parceiro.
Ainda que tivesse dito isso a Eiji, demorara um pouco até ela chegar à conclusão de que não era truque nenhum. Porque ela adorava a ideia de conhecer um truque que lhe permitira dançar como uma profissional. Um truque contado pelo pai.

A sua mente vagueou por memória perdidas, como uma cassete de vídeo antiga. Estava agora na sala de dança do palácio, onde grandes espelhos cobriam as paredes beges e nuas. Estava à espera do irmão e da professora de dança e tentava, sozinha, realizar certos passos de dança que vira os avós realizarem num baile.
No meio das suas piruetas infantis, desequilibrou-se e caiu para trás. Antes mesmo de embater no chão, alguém agarrou-a.
Pondo-se direita, olhou para a pessoa que a socorrera, querendo agradecer-lhe. Mas a fala ficara-lhe presa na sua garganta de menina de seis anos.
Todas as mulheres que conhecia elogiavam a escolha de maridos da avó e da mãe. Tanto o avô como o pai eram homens extremamente atraentes e carismáticos, espantando o sexo feminino com as suas palavras mansas, sentido de humor e maneiras.
Mas havia um certo fascínio no pai que ela não sabia explicar. Talvez fosse os seus cabelos loiros tão dourados como o amarelo forte com o qual ela sempre pintava o sol nos seus desenhos ou os seus olhos cor de brandy, que mais pareciam uma pintura de cores de caramelo com o castanho dos carvalhos e uma pitada de ouro brilhante. Ou talvez fosse o queixo definido, exatamente igual ao do filho.
Indiferenças e zangas à parte, ela sempre achara (secretamente) que o seu pai era um homem muito bem-parecido, em comparação aos outros que ela já vira, ainda que naquela altura ela não desse valor ao aspecto do pai, como qualquer menina da sua idade.
Infelizmente, o brilho dos olhos não correspondia ao brilho das suas ações.
-Não podes dançar sem conheceres o teu parceiro. - Dissera ele, calmamente. Os seus olhos percorriam Linda de cima a abaixo, como querendo vê-la melhor. Como Linda não respondera, largou um suspiro. - Eu ensino-te. Vem, agarra a minha mão.
Tremendo um pouco, Linda agarrou a mão do pai. Este mal sentiu a mão pequena dela agarrar a mão gigante dele, fê-la rodopiar. Andaram para a frente e para trás, em todos os sentidos e direções. Ela podia não conhecê-lo, mas ele parecia conhecê-la. Sabia sempre cada passo ela iria dar, mesmo que ela andasse devagarinho e tentasse sempre fazer algo diferente. Parecia ler mentes.
Passaram-se minutos em que Linda dançou com o seu pai, praticando os passos que aprendera nos últimos meses. A certa altura, ele sugeriu que ela pusesse os seus pés em cima dos dele e que o deixasse liderar. Linda encostou-se ao peito do pai, deixando que ele a guiasse pela sala, dançando devagarinho muito junto a ela. Jamais se sentira tão ligada a ele como naquele dia.
Mas todos os bons momentos têm um fim. A professora devia estar a chegar, e o seu pai ainda tinha coisas importantes para fazer. Ele afastou-se, os olhos dele não encontrando os dela, mas demorando um curioso tempo em largar as mãos dela. Finalmente despediu-se de Linda com a cabeça e dirigiu-se para a porta. Linda podia jurar que ele estava transtornado com alguma coisa.
Estava ele quase a chegar à porta, quando a voz conseguiu sair da garganta.
-Pai. – Falara baixo, mas ele ouvira. Porque ele parara perto da porta, sem contudo se virar. Parecia petrificado com o que ouvira, a mão direita paralisada junto à maçaneta, como uma estátua de cera. Provavelmente devia ter ficado zangado com a atitude tão formal que ela lhe dera. Mas Linda não deu por isso na altura. – Obrigada.
Ele assentiu, mas não disse nada. Nunca diria. O pai saiu da sala, fechando a porta cuidadosamente atrás de si. Linda podia jurar que, antes de a porta se fechar e de esconder o rosto do pai, que este sorria.
Linda descobriu que o conselho do pai fazia maravilhas. Conhecendo os passos básicos de dança e o parceiro, tudo era possível na dança. Ao fim de uns anos, Linda e Kenji conseguiam dançar qualquer tipo de dança, sem coreografia definida, e sabendo sempre quando o outro iria fazer um giro ou uma pirueta.
Era mais fácil acreditar que o conselho do pai era mais um truque de magia do que um conselho mesmo. Era mais fácil acreditar que o seu austero pai tinha um truque para todos os problemas, mas era incapaz de entender a filha. Porque Linda nunca conseguiu descobrir como é que o pai conseguia adivinhar cada passo dela logo à primeira.
Era como se a conhecesse.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 20 Ago 2012, 12:17, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 05 Set 2009, 08:32

-Aloh!? Planeta Terra chama Linda Tsukino.
-Ah? – Linda pestanejou com força, desperta dos seus pensamentos. Viu Eiji fitá-la curiosamente, os olhos traindo um pouco de divertimento. O Sensei Amadeus parecia ter feito umas decisões, ainda que Linda podia jurar que ele já as tinha feito minutos antes. Ela tinha-o visto escrever nomes mal pegou no papel, porque ainda demorava?
-Porque raio tens essa mania de dormires acordada? – Perguntou Eiji, de braços levemente cruzados.
-Eu não estava a dormir. Estava a pensar.
-Em quê? No teu pai?
Linda esbugalhou os olhos.
-Eu não estava a pensar no meu pai.
-Estás a mentir. Eu sei que estavas. Estás a morder o lábio e tudo.
Ela soltou um sorriso trocista, um tanto cheio de raiva.
-O Kenji contou-te. Traidor! E ainda nem sei se isso é pior do que o facto de tu me leres os pensamentos.
Eiji riu-se com a cara zangada da amiga.
-Lembra-te que eu moro com o Kenji. Numa ocasião um tanto estranha, conseguimos convencer o Kenji a vir comigo e com o Setsu à discoteca. – Linda ergueu uma sobrancelha. Como é que Eiji conseguiu entrar numa discoteca se era menor? – Lá ele separou-se de nós e quando o encontramos, vimo-lo a dançar algo semelhante a salsa com uma miúda latina. Pôs as miúdas loucas com os seus passos. À vinda para casa, perguntamos-lhe onde ele aprendera aquilo. A diferença entre a tua resposta e a dele era que a dele estava um pouco viciada pelo álcool.
-E aposto que te aproveitaste para lhe fazeres perguntas acerca de mim. – Ripostou Linda, um pouco aborrecida.
-Não, ele falou sozinho. O teu irmão fica mesmo tagarela com os copos. Mas fez bem em contar. Só assim é que se descobre quando a menina Lindinha está a mentir.
-Não me chames Lindinha.
-Meninos, atenção! - Gritou o Sensei, pondo os papéis todos numa mão. - Já escolhi os quatro pares que vão dançar aqui para todos nós. Depois seleccionaremos os melhores. Ora bem, o primeiro par está claro: Cecília Tamura e François Barbieri.
-Barbieri não é italiano? - Sussurrou Linda a Eiji.
-É. Ele de Japonês só tem a avó paterna, que viveu em Tokyo até à fase adulta.
-O segundo par… - continuou o Sensei - Mari Nakamura e Seiya Yoshida. O terceiro; Kiara Yamada e Noriko Ito e finalmente o último; Linda Tsukino e Eiji Yamamoto.
Linda lançou um olhar penetrante ao Sensei. Não importava o que ele achava, ela não iria dançar. Palavra de Linda Tsukino!
À sua volta, a turma olhava para ela. Era óbvio que não estavam à espera que ela soubesse dançar. Logo ela, que devia ser a pessoa mais odiada na turma.
-Uau, é primeira vez que me chamam para representar a escola em algo. – Disse Eiji, mandando um assobio para o ar.
-Drogaste o Sensei, Eiji? - Perguntou Ryo, na brincadeira.
-Achas? O Sensei finalmente viu as minhas qualidades, foi o que foi.
-Desde quando que abanares o rabo que nem o Shin Chan é qualidade?
-Meninos! Peço aos pares, por favor, para se prepararem. As raparigas devem usar sapatos de salto alto que estão disponíveis nos balneários. Peçam um par com o vosso número à funcionária. Vão lá.
Os rapazes marcharam para o seu balneário, enquanto as raparigas iam para o balneário feminino.
Linda fitou-se no espelho, afastada das outras. Tanto ela como as outras raparigas usavam calças fato de treino compridas, permitidas na estação fria, e um top de alças e um casaco. Suspirando, desamarrou os cabelos, notando pelo canto do olho Cecília a fazer o mesmo.
Chamem-lhe louca, mas ela sentia-se melhor com os cabelos a voarem livres do que presos num carrapito.
Kiara, uma jovem afro-asiática, e Mari olhavam as duas curiosamente. Linda não reparou que os olhos de Cecília pousaram nela como uma borboleta desconfiada.
-Também és da desamarram o cabelo? – Perguntou Kiara lentamente. Linda assentiu.
-Prefiro assim.
-Mas o teu cabelo é bastante comprido. – Comentou a jovem, mirando os caracóis de Linda, que tocavam nos cotovelos.
-Sinto-me mais livre com eles soltos. – Linda sentiu-se mal por tirar os óculos, mas não tinha outro remédio.
Cecília sorriu.
-Consegues ver sem os óculos? – Perguntou.
-Mais ou menos. Fica tudo um pouco desfocado. Por isso tenho que pôr lentes. – Respondeu Linda naturalmente. Ao contrário de com Kiara, Linda não tinha problemas em falar com Cecília. Abriu a caixa, deitou umas gotas de líquido nas pálpebras e colocou a lente levemente azulada na superfície do olho. Fez o mesmo para o outro olho. Sabia que as outras três a observavam como um animal no zoo, mas não se sentia incomodada. Pelo menos era o que achava.
Colocou os sapatos de salto alto. Graças a Minako, sabia caminhar com qualquer tipo de sapato, ainda que os seus pés ganhassem pequenas bolhas e hematomas após uma longa noite com o pé curvado.
O salto era raso e pouco comprido. Contudo era uma armadilha para as dançarinas que não conseguiam encontrar o equilíbrio. Um pequeno desequilibro e o resultado seria uma grande queda no chão.
Mari soltou um grunhido, enquanto examinava os seus sapatos escuros.
-A última pessoa que utilizou estes sapatos devia desconhecer o sentido de “pés limpos”.
As quatro raparigas olharam-se no espelho uma última vez antes de saírem dos balneários. Os rapazes já lá estavam, juntos aos outros colegas sentados no chão, e logo causaram um pequeno chinfrim ao assobiarem para elas. Linda corou quando ouviu Eiji a assobiar junto a Ryo, ambos dando altas gargalhadas.
Poucos tinham-se apercebido da presença de uma outra pessoa. A Diretora encontrava-se junto à porta do ginásio, fitando os seus alunos com um sorriso jovial. Trazia vestido uma camisa azul escura e um casaco e saia da cor do vinho.
-Meninos acalmem-se. – O Sensei voltou a soar o seu apito, fazendo com que os alunos se calassem ao se aperceberem da visita. - Tenham respeito pela Senhora Diretora.
-Não há problema, Sensei Tanaka. – Disse a senhora, de uma forma calma e cordial. - Quero apenas ver os nossos concorrentes.
-Oh sim! Vocês. - Apontou para os quatro pares. - Venham para aqui. Vão dançar uma música que eu próprio escolhi. Formam a vossa coreografia. A minha pode ser utilizada, até porque acerta no ritmo da música. Qualquer tipo de dança (contando que seja decente) é valida. Deem o vosso melhor e Guenquidê né.[1]
Aproximou-se da aparelhagem e ligou-a, começando a música.
O rosto de Linda acendeu-se, ainda que parte dela desejava que fosse o contrário:
-Eu conheço esta música - sussurrou. Olhou para Eiji. - Eu conheço a canção.
À sua volta, todos dançavam, com exceção de Cecília e François que davam pequenas voltas simples, fitando um ao outro.
-Conheces? – Inquiriu Eiji, pouco interessado.
-Espera. - Linda travou as mãos de Eiji, que a agarravam. - Eu conheço a música. Sei que, daqui a uns segundos, virá uma parte mais rápida. Não faz sentido estarmos a dançar agora. - Linda afastou um pouco as pernas e estalou os dedos da mão esquerda, ao menos tempo que dava passos de lunge, típicos de ginástica acrobática. Poderia fazer melhor, mas não queria arriscar. - Segue-me e, quando eu disser, agarras na minha mão. Podes vir a ter dificuldade, mas segue o teu instinto, como se me conhecesses o corpo, o pensamento…
-Linda. -Interrompeu Eiji, agora imitando os movimentos dela - Eu conheço-te.
Era uma mentira. Uma mentira que ele considerava verdade. Mas soara tão convincente que Linda deu por si a aceitar as rédeas e a sorrir.
Tal como previra, a música começou a abrandar, o som da viola tocando a solo suavemente como um aviso prévio à agitação que se seguiria. Mari, Kiara e os seus pares foram apanhados de surpresa, ficando extremamente atrapalhado no meio daquela calmaria musical repentina. Na plateia, alguns soltaram risadinhas. Apenas Cecília e François mantiveram o rosto calmo. Obviamente, também eles conheciam a música.
-Agora. - Disse Linda, um segundo antes de a música acelerar. A viola parou e os restantes instrumentos provocaram uma chiadeira harmoniosa ao estilo tango moderno. Eiji agarrou na mão direita dela, ligeiramente atrapalhado. Ao sentir o toque dele, Linda fez os dois rodarem 360º na cintura. Apesar de ter sido apanhado de surpresa com aquele movimento, Eiji não falhou um único passo.
Depois, tudo desapareceu à volta deles. Linda dançava valsa, tango e dança moderna de várias formas e ele conseguia apanhá-la quase por milagre.
A respiração de Linda era acompanhada por um passo. Quando mais acelerada se encontrava a sua respiração, mais rápido ela dançava.
Nunca soube se Eiji fizera de propósito para que ela abrandasse ou se foi apenas a excitação do momento, mas podia jurar que o seu coração saltara da caixa torácica quando ele aproximou o peito dela ao seu. Ficaram assim por um único segundo, que pareceu muito mais a Linda.
Linda afastou-se cautelosamente e pegou na mão estendida de Eiji, continuando a dança mas agora mais devagar. O movimento de Eiji lembrara-a de que estava a dançar como aprendera no palácio. E amaldiçoou-se por se perder tão facilmente quando uma aparelhagem ou outro aparelho de música era ligado.
De repente, Eiji parou e Linda constatou então que a música tinha parado. Formou-se um silêncio breve, quebrado pelo som de palmas vindo do lado de Linda. Cecília batia palmas, claramente impressionada, ainda que Linda tivesse notado num estranho brilho nos olhos castanhos da morena. Em seguida todos fizeram o mesmo, demasiado surpreendidos para dizerem o quer que fosse.
Linda sentiu as suas faces a enrubescer. Olhou para o parceiro por curiosidade e viu-o a sorrir abertamente.
-Excelente! - Exclamou a Diretora, aproximando-se de Linda. Esta olhou em volta e viu que Mari, Kiara e os seus pares estavam agora sentados no chão junto aos outros, ficando apenas ela, Eiji, Cecília e François de pé. - Não será necessário fazer uma nova competição. Serão estes dois pares. - Apontou para os quatro estudantes. - Que irão representar a escola no torneio.
Ao som das suas palavras, gerou-se um pequeno tumulto.
-Sensei? A escola pode participar com dois pares? - Perguntou Cecília, um pouco confusa. Linda mordeu o lábio, lembrando-se da fotografia que vira nos corredores da escola. A mesma fotografia onde o pai era um dos pares vencedores de um torneio semelhante onde ela fora encalhar.
-Sim, sempre pôde. Mas nós nunca tivemos outro par tão bom quanto vocês há muitos anos. Vocês. - Virou-se para Linda e Eiji. - São como uma lufada de ar fresco. Terão tanto sucesso quanto a Menina Tamura e o Menino Barbieri.
-Estou muito orgulhoso de vocês os dois. - Amadeus aproximou-se com um grande sorriso a surgir pelo seu grande bigode grisalho. - É a primeira vez que representas a escola em algo, certo Eiji?
-Sim, Sensei. - Eiji pousou o punho direito no coração e fez um ar dramático. - É uma grande honra para mim. - Dito isso, fingiu chorar desalmadamente, causando risadas por parte dos companheiros. Linda revirou olhos face à infantilidade do amigo.
-Imagino que sim.
Linda decidiu que não podia ficar calada muito mais tempo.
-Sensei, lamento muito mas não poderei concorrer. – Disse num tom lamentoso, que não era falso de todo. Seria uma honra representar a escola num torneio de dança.
Infelizmente quis o destino que ela fosse tão boa na dança que toda a gente em Tokyo assim o soubesse. Não, não podia arriscar.
O rosto de Amadeus enfraqueceu consideravelmente. Linda tremeu ligeiramente face a aquele olhar de deceção.
-Porquê? Dança tão bem! De certeza que se a Menina considerar…
-Eu informei a Diretora que não iria praticar dança este ano. – Interrompeu Linda, procurando a Diretora para a apoiar. Esta assentiu.
-Verdade, a menina havia dito que não iria dançar este ano.
Amadeus não parecia querer desistir. Virou-se para os seus restantes alunos, procurando ajuda.
-Então? Não querem convencer a vossa colega a participar? Seria uma honra para a escola e para ela também!
O atrito entre Linda e a turma era agora visível a léguas, sem qualquer camada de verniz. Todos ficaram calados a olhar para a jovem, como se esperassem que ela dissesse alguma coisa.
Linda suspirou. Ao menos aquela fissura entre ela e a turma tinha as suas vantagens.
O que não contava era que os seus únicos aliados se recusassem a desistir.
-Porque não participas? – Perguntou Eiji, virando-a para ele. – Seria uma oportunidade única. Além disso, era só este ano.
-Não entendes… - tentou explicar Linda, mas qualquer mentira que tivesse na ponta da língua ficou perdida quando ouviu Cecília.
-Tu danças como uma profissional. Nunca vi ninguém como tu. – Aproximou-se de Linda, pondo a mão nas costas da jovem. Linda virou-se para Cecília lentamente, vendo um sorriso luminoso nos lábios da outra. – És como a Diretora disse, uma lufada de ar fresco. Dá para ver que tens um talento natural para isso.
Linda franziu a testa.
-Só dizem isso porque querem ganhar. – Sussurrou. O sorriso de Cecília diminuiu um pouco.
-Verdade. Mas talvez esta seja a tua oportunidade de tu provares à turma aquilo que vales. – Sussurrou em retorno, de modo a que apenas Linda ouvisse.
-Não me importa o que eles pensam. Acredita, já estou habituada a isto.
-Não quer dizer que gostes. – Apontou Cecília, com uma sobrancelha escura erguida num arco perfeito. Linda não tinha resposta a isso.
Era verdade. Estava demasiado habituada à indiferença, mas isso não queria dizer que não lhe custasse verem todos a olharem-na de lado e não a ajudarem no quer que fosse. Já várias vezes Linda acordara de manhã sem vontade de ir para a escola ter com os outros e, por segundos, desejava estar nas suas aula particulares no palácio, onde era tudo tão silencioso tal como na sua situação atual mas sem os olhares frios.
Incomodava-se, sem sombra de dúvida. Tal como ainda lhe incomodava a indiferença dos pais.
Linda ergueu a cabeça. Ficou um pouco surpresa ao ver que Cecília a olhava curiosamente, como se procurasse algo familiar, a sua mão nunca saindo do ombro de Linda. Tentando parecer inapreciável a qualquer teoria que ela formulasse, recuou.
Foi então que reparou que o Sensei falava para os outros de uma forma brusca.
-Gostava de saber se isto é atitude de gente civilizada que os vossos pais vos ensinaram. Estas atitudes não se admitem nesta escola.
A maioria dos alunos baixaram as cabeças, com algum pesar.
-Não percebo. Já vos conheço há algum tempo, não entendo porque de um momento para o outro se recusam a ajudar uma colega vossa que nunca esteve numa escola em primeiro lugar.
Alguns ergueram as cabeças, surpreendidos. Linda controlou-se mesmo a tempo de revirar os olhos. Dava para ver que ninguém na turma lhe prestara verdadeira atenção quando ela se apresentara.
-Ela teve aulas particulares em casa, não sabe o que é estar neste meio social e era vosso dever ajudá-la, não isolá-la. Julgava eu que o problema era da rapariga que não se enquadrava… até agora. – Terminou o professor, lançando um olhar furioso sobre a turma. Alguns olhavam Linda abismados, como se apercebendo do erro que fizeram. Linda ignorou os olhares. Ainda que as palavras do Sensei fossem verdadeiras, não gostou da forma como falou dela, como se ela fosse um camaleão. Sorriu à ironia que encontrara. Os camaleões eram animais anti sociais e mestres da camuflagem. Quantas semelhanças podia encontrar entre ela e um reptil?
Ao seu lado, Eiji mexia os pés de um lado para o outro, provavelmente controlando um formigueiro nos pés. Linda sentiu o nervosismo de Cecília ao seu lado, como se os dois se culpassem pela atitude da turma.
A Diretora suspirou.
-Menina Tsukino, não contou aos seus colegas? Pela cara deles, parece que metade desconhecia desse facto.
-Sim contei. Logo na primeira aula.
A Diretora lançou um olhar austero aos outros alunos.
-Tal como o Sensei Tanaka disse, estas atitudes não de admitem nesta escola. Não sei porque vocês decidiram agir assim para uma nova aluna, mas espero que essa atitude seja corrigida. Não quero que mais incidentes como a luta de comida se voltem a repetir, entendido?
Cabeças assentiram, alguns deitando um olhar de arrependimento em Linda e outros mirando Mari aborrecidamente, esta agindo como se nada fosse. Linda sabia que não seria um sermão da Diretora que a faria mudar de ideias a seu respeito.
Satisfeita pela reação da turma, a Diretora sorriu.
-Muito bem, O aviso foi entregue. Agora falemos de coisas mais alegres. – Tornou-se para os dois pares, sorrindo abertamente para eles. – A nossa escola tem uma grande reputação nos salões de dança. Todavia, há quase vinte e cinco anos que não temos grandes vencedores como vocês os quatro aparentam ser. Esses alunos eram os meus, de quando eu dava aulas de dança.
-A Diretora já deu aulas de dança? – Perguntou Ryo, olhando a Diretora de alto a baixo, como se que duvidando que a mulher com grandes joanetes tivesse sido uma grande dançarina.
-Sim. Foi nessa altura que conheci o melhor dançarino que alguma vez vi. Eu estava em Inglaterra e dei aulas a muitos duques, incluindo ele. Ele representou a nossa escola quando tinha a vossa idade, na altura em que alunos estrangeiros podiam participar nestas competições. - Todos os alunos ouviam a Diretora com atenção, principalmente Linda. Tremeu involuntariamente, sabendo que aluno era esse que a Diretora falava.
-Nós conhecemo-lo? - Perguntou Kiara, no meio das suas amigas. - Se é um duque, já o devemos ter visto nas revistas.
-Sim, vocês o conhecem. Ele é o vosso rei. Edward James Natsumara.
As raparigas logo começaram a cochichar entre si, trocando uma ou outra risadinha. Linda fez uma careta em desagrado. Detestava os comentários acerca do físico do seu pai, que era exatamente aquilo que ouvia.
-A sério? Para além de ser bem-parecido, também sabe dançar? – Perguntou uma rapariga.
-Dançava. – Confirmou a Diretora, com um sorriso nostálgico. - Penso que ele também ensinou os filhos a dançarem como ele. Pelo menos sei que eles dançam.
Ouviu mais uns sussurros, mas Linda estava mais preocupada em focar um ponto fixo no chão e em esconder a sua palidez. Sentia o olhar de Cecília pelo canto do olho, carregado de suspeita.
A conversa parecia ter tomado outras ramificações. Já ninguém se lembrava que os quatro dançarinos ainda se encontravam no meio do salão de pé, à espera de permissão para se sentarem. Todos falavam da família real, a dança já esquecida. Entre um grupo de estudantes, uma aumentou o tom de voz:
-Engraçado como eu nunca vi a cara dos príncipes em lado nenhum. Parece que se escondem de algo.
-Pergunto-me se são patos feios. – Respondeu Kiara, soltando uma risadinha. – Os paparazzi nunca os apanham. É estranho.
-O príncipe duvido. - Disse Mari. - Pelo menos ouvi dizer que ele era atraente como o pai.
Como se sentiria Mari se soubesse que o príncipe que ela acabara de elogiar, cozinhara com ela na noite anterior?
Oh, desgraçada ironia.
Linda foi arrancada dos seus pensamentos quando ouviu alguém mencioná-la.
-Mas a princesa é ainda mais estranha. Essa nunca ninguém viu. Nem mesmo os amigos próximos do Rei e da Rainha.
-Como é que sabes? - Perguntou um rapaz que estava sentado ao lado de Ryo.
-Li numa entrevista a uma duquesa. Ela conhece muito bem o Rei Edward e a Rainha Small Lady e já vira o príncipe de longe. Agora a princesa, nem sinal de vida. Ela deve ser mesmo feia para os pais não a mostrarem à sociedade.
Linda revirou os olhos. Parecia que ninguém naquela turma conseguia ver para além da caixa, limitando-se a pensar que ela ignorava as câmaras porque era feia.
-Mas para isso há as cirurgias plásticas…
-Silêncio! - Gritou a Diretora, o rosto contorcido. Linda ficou-lhe secretamente grata. Duvidava que conseguiria aguentar muito mais aqueles insultos à sua pessoa. - Não admito que insultem a filha de um ex-aluno meu. Para vossa informação, o rei Edward representou esta escola sem que ninguém em Crystal Tokyo soubesse que ele era o sobrinho do rei George, do Reino Unido. Naturalmente, o príncipe e a princesa apenas querem evitar a fama.
Linda não conseguiu deixar de sorrir. O seu respeito pela Diretora aumentou consideravelmente.
-A Diretora conheceu a Rainha Small Lady? – Perguntou Kiara.
A Diretora pensou um pouco, sob os olhares curiosos de toda a turma, incluindo o de Linda. Esta reparou que, enquanto todos relaxavam, o Sensei Amadeus encontrava-se a falar com um funcionário acerca das bolas de futebol para a próxima turma. A conversa obviamente não lhe agradava.
-Acho que conheci, não tenho a certeza. Depois de representar a escola, ele voltou para Inglaterra e só dois anos mais tarde voltei a vê-lo. Estava a estudar Relações Publicas aqui. Fiz-lhe as perguntas do costume, como estava, se a faculdade corria bem, se estava-se a adaptar bem a uma cultura diferente…
«Ele respondeu cada pergunta com um sorriso. Gostava mesmo de estar aqui e várias vezes o encontrei em cafés a dançar com raparigas diferentes. Um dia, fui a um famoso restaurante italiano com o meu marido e encontrei-o lá. Mas não tive oportunidade em cumprimentá-lo pois discutia calorosamente com uma outra rapariga. Ela podia ser a princesa, tinha o cabelo da mesma cor, mas todos dizem que o Rei conheceu a Rainha num baile, portanto deviam ser apenas alguém com a mesma cor de cabelo. Seja como for, os dois discutiam que nem um casal de namorados e os amigos riam-se deles a torto e a direito enquanto os empregados tentavam separar os dois. Nunca ouvi uma mulher insultar tanto um homem como aquela rapariga. Até que o próprio Edward perdeu a cabeça e beijou-a. Podia tê-lo feito só para a calar, mas depois dava para ver que ele próprio estava a gostar. Para vocês parece uma história chata mas se tivessem visto o que os meus olhos viram, teriam rebentado o estômago de tanto riso.
Linda entendia o que ela queria dizer. O avô sempre dissera que a mãe reclamava tanto quanto a avó, principalmente quando não entendia as coisas. E só uma cabeça de serradura como a mãe conseguia fazer o inevitável; fazer com que o calmo e racional Edward Natsumara perdesse a cabeça.
Era tão estranho imaginar os pais numa história de amor. Sempre julgara que eles haviam-se casado por interesse dos dois reinos, tal como todos pensavam. Mas ela sabia que a mulher descrita era a mãe dela. Tinha a certeza. Mas como é que daquele casal com uma relação de cão e gato passara a uma relação de gelo?
Alguns riam-se da história, entendendo o ponto de vista da Diretora. Linda olhou para a mulher. Rezou silenciosamente que a mulher não mencionasse mais a rapariga que confundira com a Rainha. Tinha a certeza que acabaria por ligar Linda a ela.
Infelizmente, aquele não parecia ser o dia para rezas.
-Contudo sei que já vi o rosto da rapariga em algum sítio. – Murmurou a Diretora, pondo a mão no queixo. Linda sentiu a respiração a acelerar. Ao seu lado, Cecília olhava para Linda calmamente, esperando alguma reação por parte da outra jovem.
-Talvez nas revistas. Se era amiga do Rei… - sugeriu alguém, mas Linda não sabia quem. Os seus olhos não descolavam do rosto maduro da Diretora, temendo as suas próximas palavras.
De repente, o céu caiu-lhe em cima.
A Diretora tornou-se para ela.
-Oh sim. Já me lembro. A rapariga era muito parecida com a Menina Tsukino. Era a sua mãe?
Linda não respondeu, demasiado atrapalhada para dizer o quer que seja.
-Duvido. – Disse Cecília de repente, apanhando toda a gente de surpresa. – Se for parecida com a Linda é pura coincidência porque eu conheço a Rainha e sim, Senhora Diretora, a rapariga que viu era a Princesa de Crystal Tokyo. A minha mãe é uma das melhores amigas dela. E esta não tem qualquer ligação com os Tsukino. – Cecília expirou o ar, perante o olhar chocado de toda a gente. – Só vi os príncipes uma vez, num baile. Os rumores são verdadeiros. Herdaram o talento do pai, sem dúvida. Eram como uma lufada de ar fresco.
A última frase fora dita num simples murmúrio e Cecília olhara para Linda de lado, frisando as últimas palavras. Linda empalideceu. Sabia agora onde reconhecia Cecília.
Ela era a filha de Misako, a melhor amiga da sua mãe. Não descobrira logo porque Misako tinha agora o apelido do segundo marido.
Um pequeno tumulto fora instalado na turma. Ninguém parecia saber das aproximações da família de Cecília à família real, daí que todos falavam do assunto sem demonstrar o menor respeito pela colega. Linda reparou que Mari parecia furibunda não só com os comentários da turma, mas também com a própria Cecília, que mantinha o ar digno.
O Sensei Amadeus surgiu e, desculpando a atitude da turma à Diretora, deu a aula por terminada e dispensou os alunos para o balneário.
As raparigas tomaram banho e vestiram-se, enquanto comentavam vários assuntos, sendo o mais popular a revelação de Cecília. Linda sentiu que o ar estava tenso mas não por causa da turma. Algumas raparigas pareciam tentar ser cordiais para com ela logo no primeiro minuto, perguntando a Linda se lhes passava o sabonete ou se preferia usar a escova delas ao invés do pente que Linda usava. Linda apenas usava o pente para escovar os cabelos molhados, antes que eles se perdessem num furacão de caracóis e naquele dia não faria diferente. A tensão aumentava a cada minuto, porque Linda sabia que Cecília sabia.
Demorou-se propositadamente até ela e Cecília serem as últimas no balneário.
Cecília fechou o fecho da mochila e quase que correu para a porta, fechando-a com força.
-Sabes, eu posso não conhecer a princesa, mas sei o nome completo dela. – Disse, fitando a colega sem rodeios. - Linda Chiba Natsumara.

-------------------------------------------------------------------------------
[1] Boa sorte em japonês.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 20 Ago 2012, 12:46, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 06 Set 2009, 07:15

Ai!!! :g1:
Capitulo dedicado a mim, que honra! Ainda por cima um capitulo tao absolutamente fantastico!
Amei, amei, amei!!! :g1:
Gosto muitissimo das tuas descriçoes, e neste capitulo estavam ao rubro, especialmente no que diz respeito aos sentimentos dos personagens!
Eu vou ser franca, gosto muito da mari, ela tem aquele arzinho de má para a Linda, mas no fundo até é uma rapariga querida e sensivel! Tadinha, ficou desgostosa por causa do kenji! Eu tou a torcer para que eles se deêm bem! ^^

A Linda um dia destes ainda é descoberta! Matreiro
Ela e o Eiji a dançar, que fofo! Ainda para mais aquelas danças "calientes"! Fikei atónica quando ele a puxou para ela na dança! Acho que se fosse comigo fugia a sete pés, e pior era se me assobiassem como ele fez quando ela saiu dos balnearios com o cabelo solto e sem oculos! Matreiro

Agora a Cecilia é que já deve ter topado tudo! Humm...
Vamos lá ver como é que a senhorita Linda Chiba Natsumara, mais conheçida por Linda Tsukino, se vai safar desta! Brincalhao

Fico á espera de mais, Aninhas! Ah e desculpa nao ter comentado antes, mas nao tinha visto ainda a actualizaçao!

Bjokas e obrigada pelo capitulo maravilhástico! ^^

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 06 Set 2009, 18:03

lulumoon escreveu:Ai!!! :g1:
Capitulo dedicado a mim, que honra! Ainda por cima um capitulo tao absolutamente fantastico!
Amei, amei, amei!!! :g1:
Gosto muitissimo das tuas descriçoes, e neste capitulo estavam ao rubro, especialmente no que diz respeito aos sentimentos dos personagens!
Eu vou ser franca, gosto muito da mari, ela tem aquele arzinho de má para a Linda, mas no fundo até é uma rapariga querida e sensivel! Tadinha, ficou desgostosa por causa do kenji! Eu tou a torcer para que eles se deêm bem! ^^

A Linda um dia destes ainda é descoberta! Matreiro
Ela e o Eiji a dançar, que fofo! Ainda para mais aquelas danças "calientes"! Fikei atónica quando ele a puxou para ela na dança! Acho que se fosse comigo fugia a sete pés, e pior era se me assobiassem como ele fez quando ela saiu dos balnearios com o cabelo solto e sem oculos! Matreiro

Agora a Cecilia é que já deve ter topado tudo! Humm...
Vamos lá ver como é que a senhorita Linda Chiba Natsumara, mais conheçida por Linda Tsukino, se vai safar desta! Brincalhao

Fico á espera de mais, Aninhas! Ah e desculpa nao ter comentado antes, mas nao tinha visto ainda a actualizaçao!

Bjokas e obrigada pelo capitulo maravilhástico! ^^

Muito obrigada Lulu :g1: Ainda bem que gostaste. Fiquei doida ao procurar nomes japoneses pela net, porque não fazia sentido haverem demasiadas personagens sem nome neste capitulo.
Em relação às descrições... Acho que ainda tenho muito que melhorar, mas já fiz prograessos Matreiro

Tbm vou ser sincera: Eu adoro a Mari!! *-* Quando criei a historia dela, da Cecília e da Linda, criei algum drama nas tres historias, mas é a historia de Mari e a personalidade dela que mais me espantam. A de Cecilia já conhecem, a de Linda está a meio e só descubrirão o resto mais tarde (Wink). Agora a da Mari... É sem duvida a melhor, para mim.
Dos rapazes, tbm gosto muito do Kenji. Daí que não permitirei que estes dois não tenham mais oportunidades (claro que isso não quer dizer que fiquem juntos na final :Lagrimas: )

A Linda um dia destes ainda é descoberta! Matreiro
Ora bem, uma coisa te garanto. Alguem vai descobrir o segredo dela e vai tentar revelá-lo a todos (principalmente aos pais, de quem ela está escondida). Agora quem....

Eheheh, o Eiji não te parece alguem? Matreiro
Eu teria ficado vermelhona :vergonha: e iria sorrir que nem uma parva. Mas a Linda não se importa muito com isso. x)

Já era de esperar que a Cec desconfiasse da Linda. Mas mais sobre isso não vou dizer.

É só esperar pelo proximo capítulo ^^
Mais uma vez, obrigada Lulu *_*

P.S: Há uns capitulos atrás, tinha dito que iria alterar uma pequena parte da história. Isso fez-me reconsiderar e adicionar um detalhe nesta historia, que pouco alterará o resto do desenvolvimento. Mas para quem já percebeu o que é que eu mudei, não fiquem assustados...

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Seg 07 Set 2009, 11:19

adorei este capitulo esta muito fofo

A Meri parece ser ate uma pessoa boa

Outros motivos faziam com que Mari adorasse aquela história. Fora através da magia que o protagonista conseguira chegar perto da princesa, acabando esta por se apaixonar por ele e não pelo homem rico que everia ser.
Quantas vezes sonhara ela que era Aladino, mas numa versão feminina. Sonhara que um dia, graças à magia, conquistaria o principe de Crystal Tokyo que, por acaso, não era muito mais velho do que ela. Até diziam que era atraente.
esta de ela querer ser o aladino em versão feminina para conquistar o príncipe do crystal Tóquio esta demais, mas quando descobrir quem é na realidade o principie vai lhe dar uma coisinha ma

A linda e o Eiji a dançar danças de salão que romelico e quando ele a puxa para mais perto de si que escaldante, e a directora da escola foi prof de dança do pai dela que sopresa

a cecilia sera que descofia de alguma coisa de linda.

fico a espera de mais, espero que nao demores muito a postar um novo capitulo sao aquem lhe da uma coisinha ma é a mim... lol

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 07 Set 2009, 16:14

Muito obrigada pelo comentário Monica x)

Ehehehe, nem queiram imaginar a reacção da Mari quando descobrir toda a verdade (isto é, se ela descobrir ^^).
Muitas revelações irão surgir nos proximos três capítulos. A partir daí, um periodo de calma até toda a gente morrer Twisted Evil Twisted Evil Twisted Evil
(Ahaha, estou a brincar xDD ... ou não :Lagrimas: Bem, essa parte ainda não está muito bem pensada)

O proximo capítulo vai demorar a surgir, porque as minhas aulas começam pra semana e a partir daí a minha escrita vai andar a passo de caracol.

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Bun em Ter 08 Set 2009, 07:27

Olá Ana! A tua fic tá simplesmente fabulosa!
Adorei!
Tens realmente mto talento. É pena k com as aulas já não postes tanto. Sad
Mas percebo mto bem. Razz
Tou a gostar msm mto e espero k qd tiveres um tempinho postes de novo.

Bjnh

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Lena_Dias em Qua 09 Set 2009, 03:03

xiii 4 cap.s pa ler Desiludido
aii ana tou msm sem tempo Desiludido
tenho d ver se arranjo tempo pra ler a tua fic numa vez so ms epah n tnh conseguido Desiludido
desculpaa Desiludido

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sab 03 Out 2009, 09:52

Entao menina Ana? Quando ha novo capitulo?! estou ansiosa por saber o que vai acontecer a seguir! ^^
Aproveita o fim-de-semana prolongado pa escrever, tal como eu! Matreiro
bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 03 Out 2009, 16:07

Se queres saber,anda nem comecei a escrever. Tenho tido tanta coisa para fazer que quando arranjei tempo, quis escrever sobre as outras duas fanfics. Já tenho um cap quase pronto de "Four Elements" e "Onde estás Endymion?" está a meio. Agora esta ainda não mexi. Tenho medo do que vai acontecer a seguir. Tudo porque, de tanto imaginar uma historia complexa para a Linda, acabei por entrar na pele dela. É frustante!!

Mas vou aproveitar para avançar nesta fanfic. Ah e tbm quero cap. da tua fanfic!! Mongloide

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 04 Out 2009, 09:35

AnA_Sant0s escreveu:Se queres saber,anda nem comecei a escrever. Tenho tido tanta coisa para fazer que quando arranjei tempo, quis escrever sobre as outras duas fanfics. Já tenho um cap quase pronto de "Four Elements" e "Onde estás Endymion?" está a meio. Agora esta ainda não mexi. Tenho medo do que vai acontecer a seguir. Tudo porque, de tanto imaginar uma historia complexa para a Linda, acabei por entrar na pele dela. É frustante!!

Mas vou aproveitar para avançar nesta fanfic. Ah e tbm quero cap. da tua fanfic!! Mongloide

Oh que pena ainda nao ter começado! eu ja tou com saudades! mas vah, ao menos estas a adiantar as outras! ^
Como eu te entendo! Uma pessoa quando se empenha muito numa historia parece que esta na pele dos personagens! às vezes torna-se mmuuuiittoo irritante!^Eu sei do que falo, ja me aconteceu com a primeira fic, e agora estou a tentar evitar que aconteça com "Angelical"!
Novo capitulo em principio amanha á noite (se eu nao me esqueçer)!
bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Dom 04 Abr 2010, 16:42

quando é que actualizas esta fic????
estou com saudades de ler mais um maravilhoso capítulos

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 04 Abr 2010, 18:14

Monica escreveu:quando é que actualizas esta fic????
estou com saudades de ler mais um maravilhoso capítulos

Ainda ontem tive o mesmo pensamento!

Aninhas, nao vais escrever mais? a Historia estava tao interessante!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 09 Abr 2010, 07:42

Ok people, não se preocupem. Esta fanfic ainda está em andamento. Sou daquelas que começa uma coisa e tem que acabá-la. Mas não pude escrever durante muito tempo por dois motivos. O primeiro é obvio: escola. As minhas notas nao andam lá muito boas e como este ano vou ter exame, tenho k subir a minha média e bem. E o tempo livre que me sobra... sorry, mas não consigo escrever com tanto stress na minha cabeça, pois não são só as aulas k me matam (a minha turma tá em guerra e cada um tem que escolher um lado. Eu sinceramente nem gosto do meu. As adolescentes são tão complicadas Mal disposto)

O outro motivo foi o meu pc. Eu já tinha metade do capítulo das minhas três fanfics pronto lá pra novembro, mas o pc onde eu escrevia as fanfics foi-se e este não tinha o mesmo processador de texto. Enfim, andei numa complicação para arranjar uma chave de licença para o office, depois o pc estragou-se e teve k ir para arranjar... enfim, acabei por me esquecer das fanfics. Mas agora posto um novo capítulo, mesmo antes das férias acabarem Smile

Está um pouco pequeno, mas eu decidi logo após postar o meu último que este era apenas "para despachar". Agora que voltei a escrever, quero avançar a história e depressa (afinal a fanfic já tem UM ano)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
reescrito a 27/08/2012
Capítulo 18. Segredo Descoberto


Linda Chiba Natsumara.
O nome oficial da princesa de Crystal Tokyo.
Cecília sabia que ninguém a tratava por este nome na Europa. Sabia que no país natal do pai, ela era conhecida como Linda Victoria Natsumara mas aquele detalhe era pouco ou nada importante.
Não quando a rapariga em questão a olhava como se ela tivesse dito alguma blasfémia. Como se Cecília a tivesse encurralado como um animal numa jaula. O que até era verdade. Cecília tinha as costas premidas firmemente contra a porta, impedindo algum tipo de escapatória por parte de Linda.
Observou a colega atentamente, procurando interpretar as micro-expressões da colega. Mas perdeu-se na sua aparência física.
A sua princesa era magra, de estatura média, tinha cabelos rebeldes, algumas borbulhas visíveis e óculos. Definitivamente, nunca ninguém alguma vez suspeitaria que Linda fosse a princesa de Tokyo. Era impossível alguém de aspeto tão comum pertencer à realeza. No entanto ali estava ela, frente à filha da melhor amiga da mãe. A filha da Rainha.
Engraçado que fora a dança que a denunciara. Apesar de toda gente conhecer o aspeto da Rainha, principalmente Cecília, esta apenas reconhecera a filha da monarca pela sua forma de dançar. Era talvez o único detalhe pessoal da vida da princesa que todo o país tinha conhecimento.
Cecília lembrou-se do dia em que a princesa e o príncipe decidiram aparecer na festa organizada pelos pais. Um baile de máscaras onde, de repente, surgiram duas figuras de roupas claras. Dançaram duas músicas e depois desapareceram. As suas caras não foram vistas, mas todos sabiam que se tratavam do jovem príncipe e da princesa. Cecília, na altura com doze anos, pôde notar no longo cabelo escuro da princesa e no cabelo dourado do rapaz. Realizaram movimentos complexos numa única dança, mostrando uma ligação e uma confiança natural. A química que os dois transmitiram espantou os convidados e a própria Cecília, que não conseguira acreditar que aqueles dois fossem irmãos de tão ligados que estavam.
Mas a consanguinidade estava presente. O príncipe estava à vontade com a irmã, mas jamais lhe tocava em determinadas zonas e notava-se um ligeiro desconforto de cada vez que os rostos dos dois se aproximavam. Mas apenas Cecília notara nisso. Pormenores que não afetaram a harmoniosa dança executada pelos dois irmãos. Quando a segunda música acabara, saíram pelas cozinhas, não voltando a ser vistos.
Fora a única vez que alguém vira a princesa e o príncipe. De resto, era como se não existissem.
E agora ela estava ali, frente a frente com a verdadeira princesa. Sabia o apelido do Rei e o nome completo da Rainha, mas o primeiro nome dos filhos sempre lhe escapara. Sabia que a princesa tinha um nome inglês, como o do pai. Já o príncipe tinha um nome japonês, o mesmo nome do seu bisavô materno. Cecília ouvira o nome uma vez, mas já não se lembrava.

O som da água a pingar dos chuveiros quebrava o pesado silêncio entre as duas colegas. Cecília sorriu fracamente e fez um som estrangulado com a garganta, acordando Linda do seu sono apático.
-Sabes que terás que dizer alguma coisa se não queres perder o intervalo, certo?
Linda focou os seus olhos na morena. Esta sorria, claramente divertida com a situação.
-E o que é que eu deveria dizer nesta situação? – Linda sabia que, caso houvesse efeito acústico no balneário, Cecília nunca a teria ouvido. Já devia esperar que Cecília a encostasse contra a parede com o seu segredo.
-E que tal “Apanhaste-me?”. Acho que ficaria bem, dada a situação.
Linda semicerrou os olhos, não escondendo a impaciência.
-Apanhaste-me. - Disse por fim, suspirando pesadamente. Um longo silêncio pairou no ar enquanto Cecília fitava o chão, pensativa. Linda quebrou o silêncio incómodo com a pergunta que lhe arranhava a garganta desde que entrara no balneário. – Vais contar a alguém?
Cecília não respondeu logo mas, quando o fez, a voz foi firme.
-Não.
-Porquê?
Mais uma vez, as palavras de Linda foram ditas num sussurro quase inaudível. Cecília lambeu os lábios secos, fazendo meia dúzia de caretas pensativas. Linda reconheceu alguns daqueles semblantes, tendo os visto algumas vezes no seu espelho.
-Porque eu sei o que é fugir de um mundo onde nascemos, mas à qual não conseguimos encaixar. Durante anos, evitei a minha mãe e as suas relações nobres, limitando-me à escola. Conquistei amizades e inimigos, mas estou muito bem como estou. Eu, Cecília Tamura, uma jovem de raízes nobres que age (ou pelo menos tenta agir) como uma adolescente normal.
-Eles não sabiam disso, pois não?
-Não. – Respondeu a morena fracamente.
Linda passeou pelo balneário, tentando pensar naquilo que iria dizer a seguir. Cecília tivera um segredo. Um segredo que ela revelara só para salvar a pele dela.
-Contaste o teu segredo... Para que ninguém soubesse do meu…
-O teu segredo é mais importante que o meu. -Disse Cecília num tom natural. - Além disso, és novata e ainda não conquistaste o respeito da turma. Eu já e por isso não serei torturada por eles. O máximo que irá acontecer é ser alvo de conversa por duas semanas e deixar de ter desculpas para uma simples saída no meu aniversário. Quero dizer, eles agora sabem que eu posso dar uma grande festa. Principalmente porque calha no S. Valentim.
Linda sorriu, grata pela discrição da colega.
-Nem sabes o quanto te agradeço, Cecília.
-Não precisas. Também tens o direito de te divertires fora da sombra dos teus pais. – Disse Cecília docemente, como quem tenta amenizar um problema.
-Conheces os meus pais? – Perguntou Linda, com cautela.
Cecília abanou a cabeça, mordendo o lábio. Os seus perfeitos dentes brancos só melhoravam a sua imagem de menina educada. Mais depressa alguém julgaria Cecília Tamura como a princesa de Tokyo do que Linda.
-Só os via em eventos, mas não falo com eles. Da última vez que falei com a tua mãe tinha mais ou menos doze anos, e foi apenas porque a minha mãe obrigou-me a ir ao evento em questão ou cortava-me a mesada. Pareceu-me simpática. – Acrescentou, olhando Linda cautelosamente.
Esta suspirou.
-Ela dá sempre essa impressão, não?
Cecília respondeu com um encolher de ombros, deixando que silêncio voltasse a reencher o espaço. Linda respirou de alívio. Cecília não contaria o seu segredo a ninguém. Agora o único problema era Mari. Ela não era estúpida. Sabia que Mari acabaria por saber que Cecília tinha posse do seu segredo e tudo faria para lhe extorquir tal informação.
Ao longe, ouviu-se o toque de uma campainha.
-Oh não! Vamos chegar atrasadas! - Cecília afastou-se da porta e foi buscar a mochila ao banco. Linda pegou na sua e saiu do balneário com Cecília atrás de si.
Passaram pela outra turma que brincava com as bolas de futebol sob o olhar do Sensei Amadeus. O olhar de Linda cruzou-se com o do Sensei, algo que Cecília notou.
-Devias participar. Vieste para aqui para te divertires e viveres a tua vida longe do palácio, não poderás fazer isso se alguma coisa te haverá sempre de prender. – Disse Cecília suavemente, olhando entre o Sensei e Linda.
-Não posso. Toda a gente sabe que a princesa dança, não posso arriscar.
Cecília revirou os olhos.
-Pensa bem. Sim, todos sabem que tu danças mas ninguém sabe o teu estilo. Sabem que danças porque assim corre o rumor de boca a boca. Duvido que eles te reconhecessem se te apanhassem a dançar. Não quando irás estar num torneio cheio de participantes que dançam tão bem quanto tu.
Linda teve que admitir que Cecília estava correta. Ninguém sabia como ela dançava e os poucos que a vieram não podiam dizer nada, pois fora algo muito breve. Só Cecília a reconhecera, mas também ela era a filha da melhor amiga da mãe. Até a própria Linda reconhecera o rosto de Cecília nalgum lado quando a vira pela primeira vez.
-Vai falar com o Sensei. – Incentivou Cecília, dando um pequeno empurrão nas costas de Linda. Esta fez-lhe uma careta.
-Tudo porque queres ganhar. – Murmurou Linda, tentando galhofar. Cecília soltou uma gargalhada e empurrou Linda com mais força para meio do campo improvisado de futebol. Tentando esquivar-se dos outros alunos, Linda conseguiu chegar perto do Sensei, que a olhava apreensivo.
-Menina Tsukino, não devia estar nas aulas? – Perguntou. Linda engoliu em seco.
-Eu e a Cecília já estamos atrasadas, é verdade. Eu queria apenas dizer…
-Poderei contar consigo no torneio? – Perguntou Amadeus, sem se pôr com rodeios.
Ainda que fosse apenas uma única palavra, Linda teve uma certa dificuldade em articulá-la, pois lembrou-se da sua promessa em não participar ou não fosse ela Linda Tsukino.
Mas tu não és uma Tsukino. És uma Natsumara.
Aquela voz acabou por a convencer. Linda assentiu com a cabeça, olhando o Sensei com um olhar determinado.
-Sim pode contar comigo. – Disse.
Amadeus sorriu abertamente, pondo a mão no ombro da estudante numa forma de dar os parabéns pela decisão. Falou dos ensaios que iria passar a ter com Eiji, Cecília e François e a que horas ficava combinado. Linda não conseguiu deixar de sorrir ao saber que, graças aos treinos, ficaria livre de limpar os corredores depois das aulas com Mari depois das aulas.
Despediu-se do Sensei com uma pequena vénia de cabeça e foi para junto de Cecília, que recebeu um sorriso de agradecimento por parte do Sensei. Juntas, dirigiram-se para a sala de aula.
Durante o caminho, falaram do torneio da dança e das possíveis coreografias a ensaiar. Quando chegaram à porta da sala, Cecília virou-se para Linda:
-Sabes, eu não irei contar nada a ninguém, mas se fosse a ti tentava melhorar as coisas com a Mari, porque se ela descobre...
-Eu sei. – Interrompeu Linda, não conseguindo esconder uma réstia de raiva na voz.
-Não, não sabes. Tenta ser amiga dela. Esta estúpida rivalidade entre ti e ela só vai dar confusão para os dois lados. E acredita. – Acrescentou, a mão na maçaneta da porta. - Que não será o teu a ganhar.
Linda ficou junto à porta depois de Cecília entrar, perdida em pensamentos. Talvez fosse melhor fazer umas tréguas. Ela era teimosa, mas Mari era uma grande concorrente. Aquela guerra aberta entre as duas bem que poderia durar muito tempo.
Suspirou, prometendo a si própria que iria ignorar Mari e começar a evitar discussões. Ainda que a opinião da turma pouco lhe importasse, Linda não se esquecia que morava na casa de Mari e que magoava a avó dela sempre que existia algum conflito entre as duas. Para não falar que conseguira sentir a desilusão na voz da sua avó no último dia. Por Aiko e pelos outros, ela seria capaz.
Não fosse o nome dela Linda Natsumara.
**
-Porque é que não me disseste nada? - Perguntou Eiji, apanhando Linda no fim da aula.
Linda franziu a testa, confusa. Só depois se lembrou que Eiji não vira a apresentação dela.
-Oh, eu esqueci-me que não estavas lá na primeira aula. Não me viste a apresentar-me. – Disse, os olhos esbugalhados e os lábios desenhando um sorriso atrapalhado.
Eiji fez uma careta.
-É o que acontece quando se depende do Setsu para chegar a uma aula depois de um encontro familiar. Enfim… eu julgava que fosses apenas uma nova aluna. Não uma nova aluna na sua primeira escola.
-Também admito que não fui muito explícita no primeiro dia. – Confessou-se Linda, lembrando-se das suas próprias palavras naquele dia, onde ela ansiava por se juntar a aquela turma com alunos tão distintos uns dos outros.
Linda apoiou a mochila num ombro e saiu da sala, com Eiji a acompanhá-la. Passaram pelos corredores cheios de estudantes e de outros objetos que apenas lembravam a Linda que ela era uma peça que nunca faria parte daquela grande mobília. Até Eiji parecia ter o seu lugar. Algo nela não parecia encaixar.
Alguém foi contra ela, fazendo-a parar e encostar-se a uma parede, esperando que a confusão passasse.
Eiji pôs-lhe a mão no ombro.
-Ainda tens muito que aprender. Não consegues lutar contra a maré? Sabes que não tens que ficar aqui parada à espera deles.
Linda suspirou pesadamente.
-Ainda não me habituei.
-Isso explica porque me roubaste o canto atrás da escola. Não costumas ter uma grande vida social, pois não?
Linda conseguia ouvir o humor e a frustração na voz dele, os seus olhos fitando a corrente de alunos à sua frente.
-Não.
Eiji suspirou.
-Já era de esperar com o Kenji como irmão… - Exigiu uma leve pressão no ombro dela, tornando-a para ele. Linda nunca viu aqueles olhos tão sérios. – Quero que saibas Linda, que podes contar sempre comigo para estas situações.
O barulho de fundo diminuiu consideravelmente. Linda esboçou um sorriso, aliviada. Ela já sabia que podia contar com Eiji. Mas pela primeira vez desde que fugira de casa e entrara naquela escola, não se sentia só.
-Ainda bem que és o meu par.

**
-Raios partam aquela Tsukino. Sempre a brilhar perante os Senseis. Uma convencida é o que é. – Murmurou Mari entre dentes. Ia a caminho de cada, acompanhada por Cecília. Os outros tinham ido ver a praxe da faculdade de medicina naquele dia, mas a vontade de ver outras pessoas estavam abaixo de zero. Ainda que uma pequena parte dela ansiava em ir, a fim de encontrar Kenji.
-A culpa não é dela de ser melhor do que tu, Mari. – Disse Cecília, a voz traindo impaciência.
-Até nisso concordas. - Virou-se para a amiga, com um ar semelhante aos das pessoas que assustam os miúdos no Halloween. - Foste contar o teu segredo a toda a turma assim de repente? Depois de eu te ter guardado o segredo durante anos?
Mari soube que tinha ido longe de mais quando viu uma ruga saliente na testa da amiga e os olhos desta brilharam como whisky.
-Não sabes porque falei, por isso cala-te! É da minha conta porque quis revelar um segredo meu à turma inteira. Agradeço a tua discrição até agora, mas consigo viver com as consequências dos meus atos. – Lançou um olhar penetrante à amiga, que recuou nervosamente. - Algo que parece que tu ainda não aprendeste.
-De que estás a falar?
-Não te faças de inocente, Mari. Tens sorte de a turma não te ter dado com as costas. A diretora percebeu o que se passava. Ela não é estupida. Ela sabe que tu não gostas da Linda e que manipulaste a turma contra ela.
-Já te disse e volto a dizer. Eles fazem o que querem.
-Acontece que isso não deu resultado. Eles estão zangados contigo por causa da reprimenda da diretora. Sentem-se enganados.
-Antes que me ponhas as culpas todas em cima, volto a repetir: eu não mando neles. Eles fazem o que querem. Se decidiram levar a minha palavra em conta, problema deles.
Cecília elevou o tom de voz.
-Ora aí está, Mari. A turma já aprendeu a lição. Agora jamais irão pôr-se entre ti e a Linda. Aliás, tens sorte se eles se mantiverem neutros depois disto. Não me admiraria nada que começassem a ficar do lado da Linda.
Mari não gostou do que ouviu, reclamando com um grunhido. Cecília revirou os olhos à teimosia da amiga e andou em passo rápido, deixando Mari sozinha.
Esta ficou a olhar para a silhueta da amiga, que foi desaparecendo no horizonte. Nunca tinha visto Cecília tão zangada. Cecília não era daquelas de rebentar as águas. Era sempre calma e paciente, o oposto de Mari.
Tinha que pedir desculpas. Não se podia arriscar a perder a amizade de Cecília.
Mas agora não o faria. Deixaria a amiga acalmar-se e também esfriar o seu próprio temperamento volátil. Iria para casa, suportar as histerias da avó para a honra que Linda ganhara ao representar a escola.
Mari rosnou em antecipação ao martírio que iria passar nas próximas semanas. Linda Tsukino entrara na vida de todos como um cataclismo, alterando tudo que surgisse à sua frente. Agora até a sua melhor amiga, a tão calma e serena Cecília, perdia a cabeça com as atitudes banais de Mari.
Alguma coisa não estava bem. Tudo aquilo que acontecera hoje fora estranho. A atitude de Cecília, o estranho talento de Linda para a dança…
Mais peças se encaixavam, mas Mari começava a detestar o puzzle.
Enfim, ela também nunca fora uma pessoa com muita paciência.

**
Os dias passavam e Linda tinha agora o seu tempo mais reduzido, não conseguindo pensar em nada mais do que as aulas, os testes e as duas coreografias extensas que tinha que ensaiar para o torneio. O inimigo também era algo a pensar, mas a sua inactividade fez com que Linda se esquecesse dele. Pelo menos em parte.
Alguém próximo da família controlava aquela figura baixa. Mas quem seria essa pessoa? A mente de Linda saltava logo para uma, mas sabia que não podia precipitar-se. Logo porque uma pessoa tinha o perfil para ser o responsável pelo ataque a aquela rapariga no parque, não queria dizer que o fosse.
Ainda assim, não deixou de parte o possível envolvimento daquela mulher que ela tanto detestava. Tão bela, tão mesquinha, Linda detestava-a muito mais do que outra pessoa no mundo.
E a figura baixa também a preocupava. Não tinha a menor ideia porque ele a confundira com outra pessoa. Talvez um membro da sua família. Mas quem?
Felizmente, a dança relaxava-a dos pensamentos. Eiji deixava-a sempre sem fôlego e satisfeita depois de um treino e Cecília e o seu par também tinham sucesso provocando uma antecipada euforia no Sensei Amadeus, que murmurava várias vezes para si a promessa do primeiro lugar no torneio daquele ano.
A meio da aula de inglês, o Sensei surgiu para avisar Eiji, Cecília e Linda de que o concurso decorreria uma semana antes de as aulas acabarem.
Aí, o nervosismo começou a acumular-se. Os testes eram demasiados para que sobrasse tempo para uma pessoa se divertir ou simplesmente relaxar a cabeça e os músculos. A dança era agora mais exigida e Linda sonhava com as horas em que voltava para casa.
Reparou que as discussões com Mari diminuíam porque não tinha possibilidades para tal entre os seus estudos e os de Mari, para grande alegria de Aiko, que temia que a neta reprovasse naquele ano depois de um péssimo arranque. Fora isso, a hostilidade de Mari manteve-se, ainda que Linda tentara fazer as tréguas silenciosas que prometera.

Era a penúltima semana de aulas. Com apenas dois testes por realizar, Linda tinha agora mais tempo livre que aproveitava para treinar um pouco mais e para ler.
A turma realizara um esforço para a acolher, mas Linda reconhecia o cinismo nos lábios de certos colegas após tantos anos a suportá-lo no seu próprio tecto. Continuava a evitar almoçar com a turma, ainda que nas aulas tentasse ser o mais social para eles que pudesse, oferecendo ajuda e dando a sua opinião quando questionada de tal.
Também passava bastante tempo com o irmão, Setsu e Eiji nos tempos livres. Apesar dos dois primeiros terem bastante para estudar, dado estarem em época de exames na faculdade, isso não impedia que, em certas noites, Linda fosse jantar lá ao apartamento dos rapazes e passasse a noite a jogar consola com eles. Ajudava na cozinha, pois os dotes culinários dos rapazes eram bastante limitados. Sabia que tirava a barriga dos três da miséria ao preparar um bom caril, ao invés do arroz de galinha insosso que eles preparavam diariamente.
Linda não podia deixar de reparar que, pouco a pouco, certas alterações começavam a surgir. Kenji fazia uma cara estranha sempre que alguém falava de Mari, o que era estranho considerando que ele só falara com ela uma noite. Setsu atrevera-se a gozar levemente com Mari por causa da sua atitude e fora aí que Linda reparara no mau estar de Kenji. Porquê, ela não sabia. Apenas estava grata pelo apoio dos rapazes, ainda que soubesse que era difícil para Eiji, que era amigo de Mari.
Eiji era também uma grande alteração. Como passavam os dias juntos, à hora do almoço, aulas e treinos, estava bastante próxima dele. Essa aproximação, ainda que bem-vinda, era estranha para Linda. Nunca antes se sentira tão dependente da opinião de outra pessoa. Começou a ganhar o hábito de usar roupas que Eiji dizia gostar, evitava os óculos e de vez em quando deixava o cabelo solto. E cada piada que ele dizia fazia-a rir, mesmo que já tivesse sido contada mais de mil vezes.
Aquilo deixava-a confusa. Talvez Eiji tivesse realmente feito alguma coisa nela, algo que fizesse com que os seus sentimentos acerca dele tivessem mudado.
Oxalá tivesse alguém para falar disto. Normalmente naqueles casos seria a sua mãe mas ela não quereria saber disso. Tinha também a avó, mas ela estava quase sempre indisponível. Tinha também Aiko, mas não a conhecia assim tão bem a ponto de confiar algo tão secreto como os seus sentimentos.
E não tinha nenhuma amiga próxima com quem contar.
Estava sozinha com os seus problemas.
Outra vez.

**

O facto de a Rainha estar doente era motivo de alvoroço no palácio. Nunca a soberana estivera tão mal quanto naquele mês. Ainda que fosse inverno, vestia as roupas mais quentes que podia encontrar num palácio climatizado e ainda falava regularmente com o seu médico, o que causou grande escândalo assim que a notícia escapou das paredes do palácio.
De imediato, todos quiseram saber qual seria a doença que a rainha acarretava e se havia cura. Rumores surgiram de que sofria de uma doença incurável e que a morte dela estava iminente.
No primeiro dia de Dezembro, Serenity percorreu os corredores do palácio em busca do quarto da filha, os seus pensamentos vasculhando memórias dos artigos de jornal recentes que lera e das notícias da televisão. A família real ainda não se atrevera a dar uma notícia oficial e sabia que os rumores, ainda que fossem suportados por fanáticos, derrubavam esperanças de fãs dos trabalhos da filha.
Suspirou pesadamente, deixando o som da sua respiração ecoar pelos corredores preenchidos por paredes quase nuas. Chegara ao quarto. Bateu suavemente na porta. Ao ouvir uma voz do outro lado, entrou discretamente, fechando a porta atrás de si.
Muita coisa havia mudado. Small Lady não era mais a pequena Chibiusa que Serenity conhecera com catorze anos. Era agora uma mulher que cometia muitos erros por um bem maior. Erros que facilmente seriam evitados, mas constrangidos.
Serenity lembrava-se ainda dos tempos em que sua jovem filha vivia a vida perfeita que qualquer mulher desejava. Uma vida normal, sem deveres de navegante nem se princesa. Decidira manter o anonimato real, de modo a que pudesse estudar sem sofrer de nepotismo.
Ainda se lembrava de quando uma adolescente de dezoito anos que chegara a casa irritada, depois de uma temporada em Inglaterra porque a sua amiga Hotaru conhecera um rapaz no parque e deixara-a sozinha com o amigo que acompanhava o outro que, por sua vez, fartou-se de gozar com o seu cabelo. E continuou a reclamar a existência desse rapaz, pois tivera que o suportar o resto do verão, tanto no workshop como nos encontros com Hotaru e o seu recente namorado.
E lembrava-se de ouvir essa mesma jovem, três anos depois, afirmar que estava apaixonada por um rapaz pobre mas deveras inteligente e querido, o mesmo rapaz que antes lhe punha os nervos em franja. E lembrava-se de ouvi-la gritar a alto e bom som nunca casaria com outro homem, ao ouvir a proposta do pai em relação ao futuro marido dela.
Ela sabia que fora uma traição de sua parte presentear a filha com um noivo desconhecido quando ela casara por amor. Mas o seu coração de mãe fora repensado quando mais tarde, na festa de noivado da filha, conhecera o homem que seria o seu futuro genro. Depois do incidente que ocorrera na festa, as suas relações com o Reino Unido quase que foram afetadas mas tudo se resolveu.
E no espaço de poucos meses a filha estava casada e à espera do primeiro filho. Chibiusa nunca adivinhara que o rapaz pobre por quem se apaixonara havia escondido as suas raízes reais do mesmo modo que ela, temendo a reação da amada.
E foi aí que Kenji nasceu, trazendo felicidade para todos. Serenity nunca vira a filha tão feliz, segurando o bebé recém-nascido nos seus braços como se fosse o maior tesouro do mundo dela. Várias vezes vira a filha com o neto e o genro nos jardins, dando um pequeno passeio em familiar.
O perfeito quadro familiar só ficou completo quando, quatro anos depois do nascimento de Kenji, a voz alegre da filha anunciou uma nova gravidez. Serenity viu-a desejar com todas as forças que fosse uma menina.
E por volta do quarto mês teve o desejo realizado. Tanto ela como Edward esperavam ansiosamente por aquela criança, até que o mundo deles desmoronou. De um momento para o outro, o romance que os unia separou-os, o desejo pelo nascimento da criança tornou-se frio e quase inexistente. Num espaço de semanas, uma família perfeita fora destruída.
Serenity sabia que a filha sofria. Conseguia ver isso nos olhos dela de cada vez que olhava para os filhos, tão distantes dela de todas as maneiras. Mas não conseguia ignorar a desilusão pelas ações da filha no que tocava aos netos. Principalmente Linda.
Chibiusa tinha boas intenções. Um sacrifício pessoal para que o mal não lhe caísse em cima. Deixou de se importar com Linda e Kenji para que o mundo não sofresse as consequências.
Consequências que Serenity via agora não no mundo, mas nos olhos da família real.
E que ela não podia evitar.


Última edição por AnA_Sant0s em Dom 26 Ago 2012, 18:48, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sex 16 Abr 2010, 14:30

Ah!!!
*Mim bate com a cabeça na secretaria*
Não acredito que ainda não tinha vindo ler a fic! OMG, juro que não sabia que já tinhas postado! E o que andei a perder! Very Happy

Ana, amei este capitulo! Acho que a Cecilia vai ser uma boa confidente da Linda, um dia! Acho-a uma rapariga muito dócil e inteligente, logo, certamente elas se vão dar bem! ^^
A Mari é que pronto... err... Quem sabe um dia, né? se calhar ela e a Linda sao mais parecidas do que pensam, além disso nunca se sabe se não vão ser parentes! kikiki ^^
Ai que a Linda está a ficar confusa em relaçao ao Eiji... ! Vamos la ver como vai ser!
Oh, a Historia da Small Lady deixa-me curiosa! Que mal foi esse que abalou a relaçao familiar? Admito que inicialmente achei que o marido dele fosse o culpado, porque só tinha casado com ela por interesse, mas agora entendo que nao, e isso deixa-me confusa... hum...

Bem, a ver vamos!

Gostei muito do capitulo, apesar de nao ser muito grande! Nao sei como fazes, mas consegues que a leitura seja muito agradavel! Tenho de aprender os teus truques! Razz

Fico ansiosamente á espera de mais! ^^

bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 16 Abr 2010, 16:03

lulu, sempre uma leitora assídua Esperancoso
Ainda bem que gostaste. Eu cá não gostei deste capítulo, avançei demasiada coisa e reparei agora que eu propria já nem me lembro da história. Há partes que eu acho k já não são boas e estou a tentar mudá-las.
Um desses detalhes é Edward. Eu escrevi num capítulo anterior que iria ocorrer uma grande alteração na fanfic. Era isso. A principio era suposto não haver caracterização fisica e psicologica desta personagem. Era suposto ele estar lá, mas tbm não estar. Por isso no segundo capítulo ignorei qualquer semelhança da Linda em relação ao pai e mais tarde no Kenji. Assim podiam todos imaginar o rei à sua maneira (uns podiam até pensar que ele era o Pegasus Matreiro)
Mas mudei de ideias... irão ver mais tarde. Em relação ao casamento por interesse.... era mesmo para ficares com essa ideia. Mas mais não digo Tramar alguma

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Sex 07 Maio 2010, 09:06

Amei amei amai ameia amei este capitulo
esta espectacular
mim quer mais


desculpa não ter vindo comentar mais sedo porque tenho andado muito ocupada com a escola

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 25 Maio 2010, 13:26

muito obrigada pelo comentário Monica Smile É bom ver k a minha fanfic nao foi esquecida de todo.

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 10 Jun 2010, 16:14

Nota de Autor super importante: Ok, fica já avisado que eu devo ser a pessoa mais estranha e esquisita à face da Terra. Como tal, é bem provável vocês ficarem bué confusos com este capítulo. Primeiro, porque eu fico meses sem escrever e, de repente, quando tenho pouco mais de uma semana para estudar para um exame... ponho-me a escrever. E aí descubro que o capítulo vai sair bué bué bué grande, portanto decido cortar em partes. Para depois ter que ir verificar a capítulos anteriores alguns factos, pois eu ESQUEÇO-ME DA MINHA PROPRIA HISTÓRIA *shameonme affraid *
Segundo, decidi mudar um pouco a minha escrita. Itálico para pensamentos, alguns sublinhados, mas quase tudo na mesma. Uma escrita desorganizada que ainda não sei como melhorar.
Terceiro... já vos aconteceu voces criarem uma personagens e, um ano depois vocês odiarem-na? Yup, acertaram. Eu odeio a Linda. O mais engraçado é que, psicologicamente, ela é parecida comigo. E eu não a suporto, logo.... (voces chegam lá Mal disposto)
Já andava à espera de um determinado capítulo para a Linda revelar determinadas facetas, mas estou tao aborrecida com a minha personagem principal que decidi adiantar as coisas.
E com isto veio um testamento dos grandes que muito pouca gente vai ler, mas cá fica tudo dito.

Apesar de tudo, espero que gostem Smile

P.S: Como eu sou mto preguiçosa, não me apeteceu pesquisar se, no Natal, é Inverno ou Verão no Japão. Portanto, nesta fanfic, as estações serão iguais a Portugal. Inverno - Dezembro; Outono - Outubro; Primavera - Março; Verão - Julho

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(30/12/2012)bla bla bla, eu falo demais...


actualizado a 30/12/2012

Capítulo 19 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 1


A noite caía esplêndida, cobrindo a cidade de Tokyo num véu negro iluminado por pequenas estrelas cintilantes, que formavam maravilhosas constelações de seres mitológicos. O som dos carros a passarem nas ruas cessava com o passar das horas e o frio do inverno rigoroso sentia-se cada vez mais no ar.
O vento soltava pequenos burburinhos semelhantes ao soprar para uma garrafa vazia ao chocar contra os ramos das árvores, fazendo-as balançar docemente numa dança trivial. Poucas pessoas caminhavam nas ruas cinzentas de Tokyo. Preferiam o conforto das suas casas e o descanso após um longo dia solarengo, mas com a brisa fresca do tradicional inverno da cidade.
Mas num apartamento, uma jovem permanecia acordada. Lia tranquilamente, enquanto que a sua mente pensava vagamente no dia seguinte ou até no trecho que acabara de ler.

“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” - Roberto Shinyashiki

Linda pousou o livro na mesa-de-cabeceira e meditou naquilo que lera. Os olhos piscavam intensamente por detrás dos seus óculos de aros negros enquanto fitava um ponto indefinido no fundo da cama. Aquilo dera-lhe que pensar.
Não que Natsumara Linda gostasse de filosofia. Antes pelo contrário, era a disciplina que menos apreciava.
Mas tinha que admitir que a filosofia tinha as suas qualidades. A capacidade de fazer o Homem ir para além da realidade das coisas, entender o seu verdadeiro significado. A procura do saber… não era isso que Linda fazia todos os dias? Procurar saber mais sobre a vida em seu redor?
Mas também aquela frase, de todas as outras que lera, fora a única que deixara-a a pensar. Não porque não entendera o seu significado, mas porque não conseguira estabelecer ligação entre aquela frase e ela.
Sempre fora um dilema para Linda sonhar. Havia duas vertentes para a palavra 'sonho' e em ambas ela falhava. Nunca se lembrava dos seus sonhos noturnos e os seus sonhos de vida não existiam.
Era deveras estranho, principalmente porque ela era a Guardiã dos Sonhos.
Supostamente não deveria ter sonhos? A não ser que, por ter que guardar as memórias imaginárias dos outros se tivesse tornado incapaz de ter os seus próprios pensamentos. Mas ainda assim, era apenas a reencarnação da Guardiã. Não era a própria. Não ainda…
Tentou pensar em alguma coisa, mas nada aparecia. Ela não acreditava que nenhum sonho pudesse ser realizado, porque não tinha nenhum. Fez uma pequena listagem mental de coisas que uma rapariga da sua idade deveria sonhar.
Ter um carro… Nunca pensara nisso. Aliás, sempre se safara com as suas próprias pernas.
Arranjar um bom emprego… Mas em que área? Linda sempre vivera rodeada pelas paredes do palácio, não conhecia o mundo real e não sabia que benefício lhe poderia dar. Que iria ela fazer? Ser médica? Engenheira? Sensei? Rainha?
O último pensamento deu um calafrio a Linda que, no entanto, não parou o seu raciocínio.
Casar com um homem bom e ter filhos… Ora aí estava outra coisa que ela nunca pensara. A não ser no seu sentido hipócrita. Casar com um estranho, ter um filho macho para ser herdeiro do trono, uma filha para herdeira do cristal. Nunca pensara nas coisas boas. Casar com alguém que amava, ter uma criança que simbolizaria o amor entre eles e ser feliz com esse homem até à velhice, com amor, sinceridade, respeito e carinho para o resto da sua vida.
Demasiado lamechas, pensou Linda fazendo uma careta que, para sua felicidade, ninguém pode ver.
Ela não pensava no futuro. Nem no seu, nem do de ninguém. Ela era uma rapariga que se preocupava com o presente e apenas o presente. A sua preocupação com as boas notas não era para a garantia de um futuro melhor, mas uma satisfação pessoal de alguém que consegue atingir os objetivos pedidos pela sociedade e mostrar que está ali e que é alguém. Ela sabia que era capaz.
Ou seja, eu acredito que sou capaz…
Voltou a pegar no livro, folheando as páginas até voltar a chegar à citação de Shinyashiki. Ela acreditava que conseguia atingir os objetivos pedidos. E sentia se satisfeita de cada vez que o realizava. Sentia-se feliz.
Talvez fosse esse o único sonho de Linda. Ser feliz, sentir-se realizada.
Sentir-se ela própria. E isso só acontecia quando dava o seu melhor nos estudos e na dança.
Um talento que ela possuía, uma das poucas dádivas que ela tinha e que jamais iria se separar. A dança.

O despertador ao seu lado mostrava as horas com números vermelhos da cor do sangue.
01h16.
Em cerca de dezasseis horas, Linda iria retirar o seu uniforme escolar e colocar um vestido de cetim vermelho vivo com uma roda enfeitada por pequenos floreados nas pontas e apertado por uma pequena e discreta fita negra brilhante na cinta. Iria calçar uns sapatos negros cor da tinta de salto alto e iria dançar com Eiji as coreografias que ela tanto treinara nas últimas semanas. As coreografias que ela aprendera exaustivamente, até os seus pés quase desabarem de cansaço e dor.
Em cerca de dezasseis horas iria experimentar a sua nostálgica sensação de liberdade e prazer, misturada com o nervosismo e pressão por parte dos seus colegas de escola, que iriam assistir. Iria dançar perante uma multidão de pessoas com Eiji. Com o rapaz por quem Linda se começava a perder lentamente. Tinha que fazer alguma coisa em relação a Eiji. Não podia deixar que ele a mudasse por completo. Ela não era assim.
Aliás, quem era ela?
Linda conhecia várias facetas de si própria, tendo algumas nunca mostrado mais desde a sua fuga do palácio. Facetas que fariam muita gente ficar aterrorizadas com a pessoa que tinham á frente. Facetas que ela apenas mostrava aos pais. Não se julgava uma pessoa simples só de um olhar e talvez esse fosse a sua melhor arma naquele terreno ainda desconhecido.
E no meio daquilo tudo ainda tinha a sua missão como navegante. Tanto as tias lhe tinham ensinado e ela não conseguia fazer nada perante o perigo a não ser discutir com a navegante rival.
Patético! Eu não sou assim, pensou Linda, frustrada com a sua imaturidade.
Deixara que os acontecimentos alterassem a sua personalidade, ainda que por pouco. Ela sempre fora calma e sossegada, mas perante sarilhos e discussões ela dava troco.
Mas agora permanecia calada e na sua, não querendo chamar as atenções. O máximo que fizera fora mostrar a Mari um pouco do seu veneno, ainda que a loira não se tivesse inteiramente percebido, tão paranóica que estava em relação a ela.
Linda sempre usara as piores roupas no armário de uma adolescente e também os piores acessórios possíveis. Tudo para passar despercebida. Agora soltava o cabelo, vestia roupas mais cómodas e usava lentes mais vezes.
Estava a mudar. Mas quão forte seria essa mudança? No meio de tanta coisa, permaneceria ela igual? Ou teria sido ela falsa toda a sua vida e estava agora a mostrar as suas verdadeiras facetas? Ou seria esta mudança algo pior. O sinal de que ela se estava a acomodar, a baixar as suas defesas?
Fosse como fosse, na dança ela era verdadeira. De que outro modo ela gostaria tanto de um hobbie do seu pai? Ela era boa na dança, porque expunha tudo aquilo que realmente era.
De dia era uma adolescente comum, que por vezes cobria buracos com mentiras. À noite, no meio dos pensamentos, era a filha de uma navegante e neta de uma lenda de histórias de crianças.
Linda sorriu, imaginando a sua vida se, todo o dia, toda a noite, ela não mudasse, ela não mentisse, fosse sempre igual… fosse uma dançarina.

Por volta das 02h12, Linda deixou-se adormecer. E, pela primeira vez na sua vida, sonhou.
Um quarto iluminado. Janelas abertas, com cortinados brancos a voarem ao ritmo do suave vento que corria no exterior com um fundo um tanto estranho, como se o sol não encontrasse o céu mas também não era noite.
Havia apenas duas pessoas no quarto. Uma mulher e uma menina.
Linda viu uma jovem mulher com um longo vestido negro a dançar devagar, em movimentos suaves e relaxantes. Não havia música, mas a mulher não precisava. A música vinha toda dentro de si.
Os pés descalços dela, que se libertavam do grande tecido negro que os cobria, passeavam pelo chão de mármore branco que refletia a luz do exterior, que não era o sol mas tão forte que iluminava a divisão como um prisma de luz. E no meio de tanta claridade, a figura elegante da mulher destacava-se.
Os braços dela faziam movimentos estranhos. Ao olhar melhor, Linda viu que aquela estranha dança, não era uma dança de todo. A sua mão esquerda abria e fechava-se devagarinho, como se quisesse agarrar algo. A sua mão direita fazia outros tantos movimentos perto da cabeça da mulher, que mantinha os olhos fechados, e do tronco desta como se quisesse protegê-la. Linda estava confusa. Pareciam movimentos de defesa. Aquilo era uma luta?
Fosse qual fosse a resposta, apenas a mulher da sala o sabia, pois nem Linda, nem a menina que a observava não davam provas de ter entendido a dança estranha realizada pela mulher de vestido negro.
A menina encontrava-se junto à porta, espreitando cuidadosamente, colocando a sua pequenina cabecinha loira dentro, mas mantendo o resto do corpo fora. Observava com os seus olhos azuis brilhantes, aquela mulher tão semelhante a si. Com exceção dos cabelos da mulher, tão negros quanto o vestido, que batiam nas costas dela em chicotadas suaves. Mas as feições eram iguais, e o poder que Linda sentia em torno daquela figura não lhe deixaram dúvidas sobre a identidade da mulher.
Agnes, a Guardiã dos Sonhos.

A menina fez um pequeno barulho, excitada. A mulher parou e sorriu levemente, os olhos ainda fechados. Mexeu a cabeça um pouco em direção à pequena, sem nunca abrir as pálpebras.
De repente, com o tronco levemente de lado e os braços esticados em forma de arco, ela abriu os olhos.
E Linda viu o seu reflexo… literalmente.



Última edição por AnA_Sant0s em Dom 30 Dez 2012, 16:53, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 10 Jun 2010, 16:21

-Vá lá meninos, despachem-se! – Gritava o Sensei Amadeus, no meio do frenesim de alunos. – Não queremos chegar tarde.
Linda só pôde arquear as sobrancelhas perante tal visão. Toda a turma viera desejar boa sorte a ela, a Eiji e a Cecília antes da competição. Ela sorria em tom de agradecimento, ao mesmo tempo que seguia Cecília para dentro do carro do Sensei. Ele ficara encarregado de levar François, Cecília, Linda e Eiji para a escola vizinha, onde o torneio se iria centrar.
Já dentro do carro, Linda sentiu calafrios. Agora a contagem decrescente diminuía rapidamente. Faltava apenas uma hora para ela atuar.
Eiji pareceu notar no seu nervosismo e apertou a mão dela contra a sua.
-Não te preocupes. Vai correr tudo bem – sussurrou ao ouvido da amiga.
E de algum modo, Linda conseguiu relaxar. Por enquanto.

A viagem não fora longa. Demorara cerca de dez minutos apenas, com o Sensei a fazer desvios murmurando qualquer coisa inaudível entre dentes. Quando o carro parou, Linda viu-se perante o liceu de Juuban, onde a sua avó completara o secundário. Sorrindo, saiu do carro e seguiu Cecília para os balneários, onde se iriam preparar.
E de repente, tudo começou a acontecer.
Em dez minutos, Linda tinha o vestido colado ao seu corpo, os sapatos calçados e o cabelo num autêntico desastre.
-Queres esticá-lo? – Perguntou Cecília, estendendo o esticador para a colega.
-Hum… não sei. – Duvidou Linda, olhando para o relógio pela milésima vez. Cecília revirou os olhos.
-Não te preocupes. Temos tempo. Além disso, bem que precisas de uma pequena mudança de look. Vai-te ficar bem, acredita no que te digo. – E Linda não pôde contestar mais. Cecília já estava em volta dela a segurar madeixas negras contra o esticador. Não conseguiu evitar olhar de novo para o relógio.
E o tempo passou…
***

Eiji já estava vestido há uns bons minutos. Agora rondava os corredores do liceu, fitando o chão. Apesar de ter tentado acalmar Linda, também ele se sentia inseguro.
Examinou o seu traje, passando a mão pela roupa formal. Consistia numa camisa vermelha, calças e casaco negro e sapatos da mesma cor. Sentia-se como um daqueles janotas que apareciam nas festas da mãe. O género de festas que ele evitava, como o azeite evita a água.
-Eiji! Chega aqui! – Chamou François do balneário dos rapazes. Parecia preocupado com alguma coisa. Provavelmente não sabe apertar o nó da gravata, pensou Eiji, contente pela sua decisão de evitar tão incómodo adereço. A primeira coisa que notou quando entrou no balneário foi no grande relógio pendurado na parede oposta a si. Suspirou ao ver os ponteiros dos segundos correndo em círculos constantes.
E o tempo passou…

****
O Sensei Amadeus e a Directora eram pessoas bastante divergentes. Dois indivíduos com funções, estilos, idades e modo distintos de ver aquela competição.
Amadeus queria a vitória, a Directora o reconhecimento da escola e do talento dos miúdos. Havia bastante tempo que a vitória deixara de ser um objetivo a ser alcançado.
Amadeus deixou a Directora sozinha para ir ajudar os rapazes. “Estão a demorar muito”, fora o seu argumento. A Directora apenas pôde sorrir.
Sentada direita no seu lugar, por detrás do lugar dos Júris, endireitou a sua saia cor violeta e ajeitou o cabelo apanhado num carrapito. Procurou com olhos de falcão os seus alunos no meio daquela multidão. A competição iria desenrolar-se no pavilhão desportivo do liceu que, naquele momento, estava cheio. Não porque havia muitos fãs de dança, mas sim porque eram obrigados pela directora de Juuban a assistir. Ou isso ou um dia de aulas normal, pensou a Directora mordendo o lábio.
De repente sentiu uma mão no seu ombro. Virou-se para ver quem era e não conseguiu evitar a surpresa em ver a pessoa que lhe sorria naquele exacto momento, dois minutos antes do início da prova. Após cumprimentar o seu conhecido que convidara para assistir a aquele torneio, os seus olhos encontraram o relógio do pavilhão.
E o tempo passou…

*****

Mari esperava nas bancadas pelo início da prova. Fazia algum tempo que não via Cecília e, infelizmente, não lhe podia desejar boa sorte pessoalmente. Contentou-se em mandar-lhe um SMS e esperar pelo sinal. Sabia que Cecília era das últimas e Linda das primeiras. Qual seria a melhor? Mari não sabia. Não podia ignorar que Linda dançava tão bem quanto Cecília. Observara-as nos ensaios e pôde ver a destreza de Linda em cada passo dado, apoiada por Eiji. Mas a coreografia de Linda era muito mais simples que a Cecília, daí que as comparações não eram lá muito justas.
Apenas podia esperar para ver. A sua avó ficaria orgulhosa se a visse ali, curiosa por ver a hóspede dançar. Verdade que já não discutiam em muito tempo e talvez isso tenha diminuindo parte da hostilidade. Apenas parte dela. Mas Mari não era nenhum monstro. Ela sabia que Linda estava a tentar ser simpática para com ela. A questão era se Mari devia aceitar aquelas tréguas.
Ouviu vozes masculinas atrás de si. Não se virou para ver quem era mas, pelo modo como um falava, parecia conhecer um dos que ia dançar.
-Oxalá o Eiji não faça asneiras. Ele é cá um trapalhão!
Mari reconheceu a voz de Yamamoto Setsu, irmão mais velho de Eiji, que falava alegremente com alguém. O outro não tardou a responder.
-Descansa. A dançar com a Linda, de certeza que não faz má figura!
Esta voz…
Mari reconhecê-la-ia em qualquer lado. Voz grossa, segura e afinada. A voz de Kenji.

***

Setsu apressou-se a arranjar lugar para si e para o companheiro de quarto.
Kenji sentou-se e observou o cenário. Já dava para ver alguns concorrentes junto ao campo, vindos dos balneários. Mas em nenhum reconheceu a irmã e o amigo.
Setsu dizia algo. Gozava com Eiji. Kenji sorriu e respondeu-lhe com humor. Sabia que, nem mesmo quando os dois irmãos andassem de bengala, deixar-se-iam de gozar um com o outro. Infelizmente, não tinha uma relação assim com Linda. Os seus pais fizeram questão para que tal não acontecesse. Eles e ele próprio, ainda que se recusasse a admitir.
Setsu tossiu e continuou a conversa cujo tema Kenji perdera o fio à meada, ignorando que uma loira sentada dois lugares à sua frente o escutava atentamente:
-Nunca vi a Linda a dançar. Tem jeito?
-Hum hum – respondeu o amigo, completamente alheio.
-Kenji ‘tou a falar p’ra ti. Vê se prestas atenção, homem!
-Peço desculpa mas tenho outras coisas em que pensar.
-Como por exemplo? – Perguntou Setsu, olhando a multidão em busca do irmão.
-No grande calhamaço que temos que estudar para amanhã, mas em vez disso ‘tamos aqui a ver maricas, menininhas e a Linda e o Eiji a dançarem.
-Acho que o Eiji enquadra-se mais no grupo dos “maricas”. – Comentou Setsu, provocando uma gargalhada no amigo.
-A sério. Deixa o miúdo em paz! Não vais gozar com ele quando o vires, pois não?
-Não. - Setsu tirou o seu casaco e colocou-o nas costas da cadeira - Já gozei com ele o bastante a semana toda. Agora só gozo se, ou ele fizer má figura ou se ele vier vestido com calças bombazina. Espero que não te tenhas esquecido de trazer a câmara.
As gargalhadas do loiro aumentaram com o comentário do companheiro. Foi acompanhado pelo seu amigo, até que algo encontrou o seu foco de visão. Algo que o fez parar de rir e lançar um olhar de morte na direção oposta.
- Kenji? O que se passa? – Perguntou o moreno, tentando descobrir o motivo de tão súbita raiva do amigo. – De repente ficaste pálido.
Mas Kenji já não o ouvia. Os seus olhos fitavam um ponto do outro lado do pavilhão, sentado ao lado de uma mulher com um fato violeta e cabelo preso num carrapito. Raiva começou a subir por entre as suas veias até chegar à cabeça, onde se transformou em ódio e um tanto de preocupação.
Ouviu-se o sinal de que a competição iria começar. Mas Kenji ignorava tudo isso.
O que raios é que ele está aqui a fazer?


***

Uma mulher de cabelos castanhos-claros curtos e olhos azuis, também claros, entrou no balneário das raparigas. Tinha um pequeno monte de papéis nas mãos e procurava alguém em particular. Viu duas raparigas no canto a pentearem-se, ambas vestindo vestidos vermelhos. Uma penteava a outra com um esticador.
Reconheceu aquela que procurava:
- Tamura Cecília? – Chamou. Viu a morena virar-se para ela e chegar perto, não antes sem avisar a colega.
O recado fora dado. E Kobayashi Cho viu a cara da morena empalidecer.
Seria assim tão mau, uma determinada pessoa querer vê-la, pensou para os seus botões, observando a morena aproximar-se da outra, sem nunca retirar o seu semblante de choque. Deixou o esticador nas mãos da outra rapariga e saiu a correr do balneário.
Cho preparava-se também para sair quando os seus olhos ficaram-se na outra jovem de vestido vermelho. Ela já a tinha visto antes. Mal a rapariga chegara, dera-lhe as boas-vindas pessoalmente.
Era impressionante a diferença minutos depois.
Antes a rapariga usava óculos, tinha o cabelo rebelde arrumado num semi-preso e usava roupas comuns. Agora estava com muito melhor aspeto.
Cho sorriu em nostalgia. O seu irmão dizia que ela também era assim, de cada que podia visitá-la depois de uma longa estadia no estrangeiro. Linda, mas muito simples e inteligente. Isso fê-la lembrar-se das notas que tinha na mão. No meio de tanta folha, encontrava-se uma lista com os nomes dos alunos que participavam na competição. E, junto ao nome, encontravam-se cruzes feitas com um marcador verde que simbolizavam uma ajuda posterior a esses alunos pois, em determinadas escolas, os alunos não podiam treinar para a competição sem faltar às aulas. Os testes desses alunos tinham sido adiados e as cruzes simbolizavam uma justificação da realização tardia desses testes.
Procurou aquela rapariga, consciente de que ela se chamava Linda. Sim. Tinha a certeza que era esse o primeiro nome da rapariga. E Linda não era assim um nome tão comum.
Encontrou o nome na segunda folha. Tal como ela suspeitava, não tinha nenhuma cruz junto ao nome. Aquela aluna não precisava de ajuda nos estudos. Inteligente também, pensou Cho, sem nunca tirar o pequeno sorriso dos lábios. De facto, daquela escola apenas um aluno, de nome François, precisava de ter os seus testes adiados. Os restantes três safavam-se bem sem ajuda.
Dirigiu-se para a porta e saiu. Percorreu o corredor até a sala dos professores, onde esperava encontrar a Directora.
Não notou que era vigiada por uma sombra baixa.

**
Cecília não esperava que aquela determinada pessoa estivesse ali. De todos, era a última que esperava ver naquele torneio. Mas que, no fundo, mais desejava ver.
-Desculpa, mas tenho que ir. – Disse apressadamente para Linda. – Vais ter que ficar com o cabelo assim. Não te preocupes que cabelo ondulado também te fica bem. Tchau! – E desapareceu de vista, deixando a colega com o esticador na mão, o rosto transfigurado num semblante confuso.
Correu com os seus sapatos de salto alto, admirando-se do facto de conseguir manter o equilíbrio naquela correria. Os nervos ferviam de preocupação.
Porque é que ela estava ali?
Chegara à porta em menos de um minuto. E logo viu a razão dos seus nervos súbitos.
Uma Mercedes azul-escuro clássico, que transportava uma mulher morena elegante com olhos da cor do âmbar, nariz levemente achatado e todo o resto da fisionomia do rosto semelhante ao de Cecília. A mulher sorriu ao vê-la:
-Boa noite filha. – Cumprimentou, acenando levemente com a cabeça.
-Mãe? – Cecília engoliu em seco. Pensou nas palavras que queria dizer, mas que recusavam-se a sair da garganta. Uma certa raiva percorria-lhe o corpo, misturada com uma certa sensação de alívio e contentamento. A sua relação com a mãe sempre fora muito confusa e os valores incutidos a Cecília impediam-na de dizer mais que a pergunta mais óbvia. – O que faz aqui?
-Ora essa. Agora não posso ver a minha filha aqui a dançar?
-Nunca pensei que a mãe tivesse interesse nas minhas aulas de dança. – Respondeu Cecília secamente.
A mulher perdeu o sorriso.
-Vê se te lembras Cecily que fui eu que te arranjei aquela mestre de dança.
Cecília mordeu o lábio inferior. Detestava quando a mãe lhe chamava de Cecily.
-Sim, não me esqueço. Mas na mãe nunca veio ver nenhuma atuação minha.
E tinha logo que vir hoje. Logo hoje, que a filha da melhor amiga dela vai dançar… logo que a princesa vai dançar.
-Tu… - Misaki olhou para o chão, distraída. - … Não entendes.
-Pois não, não entendo. Não entendo o desinteresse de uma mãe pela sua única filha. Sei que o pai está na Alemanha e por isso não pôde vir, mas a mãe não tem desculpa.
Cecília tremeu ligeiramente. Uma brisa gelada percorria o seu corpo, fazendo os pelos dos seus braços nus eriçarem. Tinha que sair dali. Tinha que voltar para o pé de Linda, preparar-se para dançar e depois…
-Cecília?
Misaki olhava para a filha, os olhos traindo preocupação e alguma tristeza mal camuflada. A mãe sempre tivera problemas em esconder as suas emoções.
-Se não queres que fique aqui, eu posso ir-me embora.
As palavras da mãe ecoaram na sua cabeça, fazendo com que a rapariga refletisse no que a outra dissera.
Não, ela não queria que a mãe se fosse embora. Ela queria que a mãe ficasse e que a visse dançar. Queria que a visse ganhar.
Ou pelo menos ficar em segundo lugar, pensou a morena. Mas e então Linda? Não podia deixar que a mãe descobrisse e contasse tudo à Rainha.
Misaki abriu a boca para dizer algo, mas desistiu, fazendo um pequeno beicinho com os lábios rosados. Elevou a sua mão esquerda até aos dentes cor de pérola, roendo as unhas. Um vício terrível, mas do qual a mãe nunca se conseguia livrar.
Cecília soltou uma leve gargalhada ao ver o pequeno desespero da mãe em controlar aquele pequeno vicio:
-Pensei que a mãe tivesse parado.
-E parei… mas aquele verniz era terrível. Acredita, a Yvonne quase que me suplicou para que eu o deixasse de usar. Primeiro, ficava mal nas minhas mãos, segundo cheirava terrivelmente mal e terceiro… não fazia efeito nenhum contra o meu vício.
-Pois… mãe? - Os olhos castanhos de Cecília encontraram os olhos dourados de Misaki. Sentiu o olhar da mãe perdido no seu, até que o desviou. Controlou um lamento. Parte da mãe nunca iria ultrapassar a dor da morte do pai de Cecília, que também tinha olhos castanhos. – Pode ficar. Aliás… - Cecília suspirou pesadamente antes de prosseguir, libertando um pequeno sorriso. – Eu quero que fique.
Misaki correspondeu o sorriso, o seu muito mais aberto, e virou as costas à filha, pedindo ao seu motorista que estacionasse mais adiante. Depois, seguiu Cecília para dentro do pavilhão. E à luz, a jovem viu a mãe vestida formalmente, com uma camisa branca, uma saia e casaco bege e mala amarela, mas sem deixar a sua elegância nobre. Não pôde deixar de sorrir pela imensa beleza da mãe. Seria ela um dia assim?





Última edição por AnA_Sant0s em Dom 30 Dez 2012, 16:32, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 10 Jun 2010, 16:30

**

Um relógio na parede soava um pequeno toque a cada segundo, consoante o movimento de um ponteiro maior. E a cada sessenta toques, um outro ponteiro movia-se, assinalando a passagem de um outro minuto.
Linda não dera pelo tempo passar. Quem diria que esticar o cabelo demoraria tanto tempo? Mas também, ter que procurar uma ficha elétrica, arranjar espaço e também o facto do Sensei Amadeus ter entrado no balneário sem querer, provocando grande escândalo, eram bons motivos para, quase cinco minutos para o início da prova, ela ainda estar no balneário e com o cabelo por esticar.
Tratou de fazer um semi-preso como Cecília sugeria, deixando algumas madeixas caírem pelas orelhas. O penteado era um pouco semelhante ao da sua transformação em Sailor Dream, mas Linda nem sequer pensou que isso desse problemas. Agora tinha mais com que se preocupar.
Levantou-se e deixou o balneário, rumo ao pavilhão. Lá, viu muitas pessoas sentadas nas bancadas a fim de assistirem ao torneio. Encarregados de Educação, alunos de várias escolas, Senseis e funcionários estavam reunidos naquele evento, apesar de este não ser um dos mais importantes do Japão.
Um rapaz à sua frente deslocou-se e ela pôde ver a mesa do Júri. Viu três homens e uma mulher com fatos formais e semblantes rígidos a conversarem discretamente, enquanto examinavam os papéis à sua frente. A mulher repetia algumas frases a uma moça que se encontrava ao seu lado. Linda reconheceu-a como a jovem que fora dar o recado a Cecília.
Mas aonde estava Cecília? O torneiro já vai começar.
Procurou alguém conhecido nas bancadas, até que viu Aiko junto de Mari, a acenar. Mari não parecia irritada com a avó hoje. Pelo contrário, parecia embaraçada. Linda sorriu levemente ao ver o porquê. Aiko virara-se para trás para discutir umas palavrinhas amigáveis com nada mais, nada menos do que Setsu, sentado ao lado do seu irmão. Linda sabia o quanto Aiko conseguia embaraçar as pessoas. Parecia conversar com Setsu sobre algo que deixava tanto Kenji como Mari desconfortáveis. Perguntou-se sobre o que seria, ao mesmo tempo que o seu peito encheu-se de calor ao saber que os rapazes vieram vê-la a ela e ao Eiji de propósito.
Até que notou em algo fora do comum. O irmão olhara rapidamente para o outro lado do pavilhão, junto ao lugar do Júri. Um olhar furtivo e, não obstante carregado de ódio. Quando viu que era observado pela irmã, tentou mostrar um sorriso de tranquilizador, mas não conseguiu. Desconfiada, Linda virou-se para o outro lado e viu, pelo canto do olho, Kenji a assumir uma postura desesperada.
Mas o que haveria no outro lado?
E finalmente entendeu. Linda deixou cair o maxilar levemente, enfrentando o olhar carregado, escondido por detrás de lentes escuras, que fitava o irmão. Enfrentou aquela guerra aberta em pleno pavilhão entre Kenji e aquele homem. Percebeu que fora descoberta e que estava no meio de uma batalha que ela tão desgraçadamente tentara fugir. Desviou o olhar, mas sentiu dois pares de olhos carregados nela.
Não acreditava no que estava a ver. Devia ser um sonho. Sim, porque desde a última noite que ela tinha a certeza ser possível ela sonhar.
Mas ao mirar Kenji, soube que não estava a sonhar. Os olhos do irmão, tão iguais aos dela, não lhe mentiam. Enchendo o peito de coragem enfrentou, finalmente, o olhar surpreendido de Edward James Natsumara.

**

-Mari, onde estás? – Gritou Aiko, um minuto antes do início da prova.
Mari sentiu-se corar, apesar de ainda não ter motivos para tal.
-Mari?
-Senhora Nakamura? – Ouviu uma voz atrás de si. Kenji falara, ainda que com uma estranha voz fraca.
-Oh, olá Kenji. Que bom ver-te, querido. – Aiko cumprimentou Kenji e olhou para Setsu, desconfiada – E este é teu amigo?
Setsu não se demorou a apresentar. Só o facto de ter dito que andava na faculdade de medicina, fez Aiko fazer uma perguntinha um tanto indiscreta:
-Foste tu que saíste com a Linda? – Perguntou, os olhos ficando subitamente sérios.
O rosto dos rapazes perdeu os contornos alegres. Setsu inspirou fundo, passando a mão pelos cabelos distraidamente.
-Sim, estava lá. A explosão apanhou-nos de surpresa, não pensei que fosse acontecer.
A sua avó assentiu, os olhos focando-se nos de Kenji. Este mirava o pequeno aglomerado de dançarinos junto ao salão, provavelmente querendo ver Linda. Ainda que Mari não o conhecesse bem, sabia que ele se importava com Linda.
O que era uma pena, considerando que ela não estava interessada nele naquela forma.
Deixou-se perder naqueles olhos tão azuis como o oceano pacífico no crepúsculo.
Infelizmente ficou a olhar tempo demais. Aiko olhara em volta em busca dela, vendo-a sentada umas filas à frente dos rapazes.
-Ah estás ai, sua tonta! Andava à tua procura.
Mari corou, assim que os olhos de Kenji focaram-se nos seus. Mal notou na avó sentar-se ao seu lado, falando para ela.
O quase-beijo tinha deixado marca nela, mas Mari sabia agora que tinha subestimado o tamanho dessa marca. Era maior do que esperara. Ganhou uma certa fobia ao sentir aquele azul penetrante focar-se nos olhos dela, como se ela examinasse o seu ser interior. O que mais incomodava Mari era que, por maior fobia que tivesse ganho, não conseguia desviar os olhos. E uma pequena vozinha dentro da sua cabeça dizia que ele sentia o mesmo. Os olhos dele tinham um brilho estranho, que em nada se devia à iluminação do pavilhão. Setsu dera um pequeno abanão no braço do amigo, obrigando-o a levantar-se para se sentarem junto a ele e à avó. Kenji desviou os olhos e foi sentar-se junto a Setsu, mesmo atrás de Mari. Mari sentia agora a respiração acelerada dele, muito próxima, como se ele tivesse acabado de correr a maratona.
Aiko procurou Linda. Ao vê-la, acenou freneticamente.
-Ah, lá está a Linda. Está muito bonita não está? – Disse Aiko alegremente. – Ainda não vi a Cecília, mas espero que não se demore. O torneio está quase a começar…
Mari torceu o nariz ao ouvir o comentário da avó. Engraçado como ela parecia gostar tanto de Linda como da rapariga que Mari levava a casa dela desde os onze anos.
Virou-se para trás e viu Kenji a olhar para o outro lado do pavilhão, desviando o olhar tempo suficiente para se cruzar com o dela. Notou que este ficara ligeiramente embaraçado. Se foi por fitar Mari nos olhos ou pela visão do outro lado, Mari não sabia. Limitou-se a virar para a frente, ao ouvir o sinal para o início do espetáculo. Atrás de si, ouviu Kenji a suspirar de alívio.

Ao longe viu Cecília junto a uma mulher elegante a dirigir-se para o mesmo sitio onde Mari estava sentada. Mari esbugalhou os olhos ao reconhecer a mulher.
Raio partam, pensou mordendo severamente o lábio.

**

-Bem vindos ao vigésimo terceiro Concurso de Dança da cidade de Crystal Tokyo! – A voz do apresentador foi seguida por breves mas calorosas palmas. O homem respondeu à calorosa receção com um sorriso. – Esta noite iremos assistir…
Eiji nem se preocupou em ouvir o resto. Onde estava Linda? Eles seriam os terceiros a atuarem. E ele bem que já sentia calafrios só em pensar nisso. Tinha que estar com ela, caso contrário os nervos levariam a melhor em si.
Procurou-a com os olhos, mas não a via em lado nenhum. Não estaria ela já pronta? Linda não era como as outras raparigas, que podiam passar horas na casa de banho a prepararem-se sem darem pelo tempo passar.
Foi então que viu uma rapariga morena com o traje da escola. Estava de costas e tinha uma bela silhueta e cabelos levemente ondulados. Com a luz, Eiji não distinguiu a cor dos cabelos da rapariga. Calculou que fosse Cecília. Afinal, o cabelo de Linda era dominado por caracóis negros e rebeldes. Aproximou-se da moça, não notando na rigidez dela.
-Cecília? Sabes onde está a… - Eiji não acabou a frase, pois Linda virou-se antes que ele pudesse terminar.
Eiji quase que deu um salto quando interpretou, num milésimo de segundo, expressão com que Linda o olhara.
Não deveria ser para ele. Ela nunca lhe olharia daquela forma. Mas fosse para quem fosse, aquele olhar de morte assustou o loiro. Aquela parecia uma Linda completamente diferente. Os olhos azuis-escuros estavam quase negros, carregados de ódio e muito abertos, os lábios rosados severamente contraídos e expressões da imensa raiva que deveria dominar aquela rapariga.
Mas o olhar mortífero de Linda apenas durara um único segundo. Com um piscar de olhos, as feições dela descontraíram e os olhos voltaram a ficar azuis.
Apenas a palidez no seu rosto se mantivera. Eiji viu-a forçar um sorriso.
-Passa-se alguma coisa, Eiji? – Perguntou Linda, com uma voz calma e serena.
-Estás bem? – Perguntou o loiro, meio inseguro. Aquele tom de voz não o convencia.
Ela sorriu ainda mais. Eiji não pôde deixar de sentir um calafrio ao ver os olhos dela brilharem e os lábios traçarem um sorriso glacial e amarelo.
-É claro que estou.
Não mordera o lábio, mas vários meses de amizade eram o suficiente para que Eiji soubesse que Linda mentia.
Ela virou-se para a multidão e fitava agora Kenji, que respondia o olhar.
Ambos os irmãos pareciam comunicar-se por telepatia, pois as expressões pareciam inalteradas e eles prolongaram os olhares durante todo o discurso do apresentador. Quando este chamou o primeiro par, Linda desviou os olhos do irmão para o chão:
-Gomen Nasai. – Sussurrou, de modo a que apenas Eiji a ouvisse.
-Porque pedes desculpa?
Ela voltou a olhá-lo nos olhos. O iceberg desaparecera.
-Sabes muito bem porquê. – Respondeu cautelosamente, como se receasse a resposta de Eiji.
-Sinceramente não sei. – Eiji agarrou a mão dela, apertando-a na sua. – Mas sabes que me podes contar o quer que seja.
E fora tudo o que ele pudera dizer, antes de serem interrompidos por François e Cecília, acompanhados por Amadeus. Este dera umas dicas a Eiji e a Linda, que evitavam olhar um para o outro, antes de os mandar calçar o sal.
Era um processo simples que todos os dançarinos realizavam antes de uma prova de modo a favorecer o atrito entre o solo do salão e a sola dos sapatos dos dançarinos, permitindo que eles deslizassem com menor risco de escorregadelas.

O tempo agora reduzia-se a atuações. Mas Eiji já não estava nervoso. Ao seu lado, Linda começava a relaxar. Os olhos dela percorriam o salão, as bancadas onde Eiji encontrou o irmão e um outro ponto por detrás do Júri, onde se sentava a Directora.
Não notou no homem sentado ao lado dela, que usava óculos escuros mas que facilmente se entendia para onde este olhava. E nem tampouco notou que o olhar do homem misterioso permaneceu fincado em Linda o tempo todo.

**
Natsumara Edward não sabia o que pensar. Aceitara o convite da sua antiga Sensei para descontrair dos seus muitos problemas familiares. Como poderia ele adivinhar que, naquele mesmo pavilhão, encontraria toda a origem dos seus problemas. O seu filho teimoso e a sua filha mais nova.
Apenas conseguia ter um pequeno vislumbre dela, mas era o suficiente para reconhecer a causa da ruína do seu casamento, a causa da sua discussão com o filho mais velho, a causa da perda de alguma sanidade da sua parte e até mesmo por parte da mulher. A causa da queda de duas vidas, que empurraram outras duas. E que poderia empurrar outras mais…
Era tão fácil pôr as culpas naquela rapariga tão baixa em comparação a si. Era tão fácil ignorar o rapaz sentado nas bancadas do outro lado. Era fácil ignorar aqueles dois, com quem partilhava a carne e o sangue. Afinal, já tinha anos de experiencia no currículo.
Mas que aperto era aquele que ele sentia?
Não conseguiu desviar os olhos dela. Nem quando a viu falar com outro rapaz, nem quando ela se fora preparar para dançar.
Inacreditável, pensou para os seus botões. Ela iria dançar em frente a uma multidão. Ela que sempre fora tão tímida em comparação ao resto da família. Ainda se lembrava de quando a ensinara a dançar. Os seus sogros haviam-lhe incutido o respeito à autoridade e ele, na altura, não soube o que pensar do receio que a sua própria filha mostrava a ele. Daquela timidez que a impedia de falar livremente e que a limitava a observar os outros, esperando pelo momento certo. Nem ele nem Small Lady eram tímidos. Sempre foram tão abertos um com o outro. Alias, se eles fossem tímidos, nunca se teriam conhecido e casado. Ele nunca se apaixonaria pelo sentido de humor dela e pelas suas birras, nem ela pela sua ‘grande lata’. Edward sabia que Kenji também era extrovertido. Mas Linda não… ela era diferente. Timidez à parte, ela herdara isso dele.
-Agora vai actuar um par da minha escola – Murmurara a Directora ao ouvido de Edward. Este estava vestido de roupas casuais, o impediam de ser reconhecido. Afinal, ele não viera ali para chamar as atenções. Viera para ver o torneio.
No fundo ele tinha que admitir que esperava encontrar Linda naquele torneio. Sabia que ela tinha um dom para dançar, tal como ele.
Viu dois alunos dirigirem-se para a pista, as mãos interligadas. Reconheceu Linda e o rapaz com quem ela falara há pouco. Viu que, do outro lado do pavilhão, Kenji fitava-o com um olhar de morte sobreposto por preocupação.
À volta do filho havia um pequeno grupo de pessoas que pareciam torcer por Linda ou pelo rapaz, pois batiam palmas e soltavam assobios.
Notou então na loira, que olhava tanto para Kenji, como para ele e para outra pessoa, sentada ao seu lado. Não que a loira lhe fosse familiar, pois estava muito longe e já daí Edward não a reconhecera. Mas reconheceu a mulher que a rapariga mirava. Os seus olhos aumentaram de tamanho por detrás dos óculos escuros.
Misaki. Que faria ela ali?
-Como se chamam? – Perguntou, por acaso. Aquilo era muito estranho. Parecia que também o par de Linda lhe era familiar.
- Tsukino Linda… - Porque não estou surpreendido, pensou Edward soltando um pequeno sorriso. – … e Yamamoto Eiji.
O último nome fê-lo vacilar.
Yamamoto
-Ele não é o filho da… - Mas a sua pergunta perdeu-se com o inicio da música.

**

É a filha da Usagi! Pensou Misaki mal vira a rapariga entrar em pista, junto a um rapaz loiro de olhos castanhos que já conhecia há muito tempo.
Cecília deixara a mãe com Mari e Aiko, para correr em direcção aos balneários, tentando encontrar o seu parceiro e os outros dois colegas. Misaki sentara-se no lado esquerdo de Mari, tentando ignorar um par de olhos nas suas costas.
Falava alegremente com Mari, mas esta não parecia muito confortável.
Ninguém adivinhava que o desconforto de Mari era sentido por todos. Todos escondem alguma coisa, um pequeno segredo que marca uma vida. Por vezes, esse segredo definia a pessoa em questão. Daí que no momento em que Linda e Eiji entraram na pista de mão dada, todos aqueles que bateram palmas para o par com mais entusiasmo sentiram um estranho ambiente no pavilhão. Uma forte tensão besuntava o ar e vários olhares foram trocados entre os jovens e os adultos.

-Konnichiwa Misaki, que faz aqui? – Ouviu alguém cumprimentá-la atrás de si. Misaki tornou-se e viu Setsu. Exibiu um largo sorriso, fazendo uma vénia com a cabeça após o jovem fazer o mesmo.
-Setsu, que bom ver-te. Já fazem uns meses. – Disse animadamente. - Vim ver a minha filha, a Cecília, e tu? Vieste ver o teu irmão?
-Sim, ele vai dançar agora. – Disse Setsu, apontando para a pessoa em questão, que se posicionava na pista de dança.
Setsu disse mais alguma coisa, mas Misaki não o escutou. Os seus olhos paralisaram em Kenji por uns momentos, até que conseguiu arranjar coragem para o desviar, mirando o salão. Sentia o olhar do mais novo em si, provavelmente um pouco surpreso por encontrar uma amiga próxima da mãe no pavilhão.
O ambiente começou a pesar ainda mais. Muitas perguntas faziam-se na cabeça de muitos, mas respostas não vinham a todos.
A música começou, assim como a prova de Eiji e Linda.



Última edição por AnA_Sant0s em Dom 30 Dez 2012, 16:32, editado 2 vez(es)

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