A Guardiã dos Sonhos

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A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qua 12 Nov 2008, 14:43



A Guardiã dos Sonhos

Indice:

Capitulo 1. A Decisão------página 1
Capítulo 2. Reflexo------página 1
Capítulo 3. O primeiro Dia parte 1-----página 1
Capitulo 4. O primeiro Dia parte 2-----página 1
Capítulo 5. Conhecimentos-----página 1
Capitulo 6. Encontros por acaso-----página 1
Capítulo 7. Exigências-----página 1
Capítulo 8. A Conspiração-----página 1
Capítulo 9. Universitários-----página 2
Capítulo 10. Primeiros encontros-----página 2
Capítulo 11. Uma nova Sailor-----página 2
Capítulo 12. Familia-----página 2
Capítulo 13. Guerra aberta-----página 2/3
Capítulo 14. Um encontro Interessante-----página 3
Capítulo 15. Visita Inesperada-----página 4
Capítulo 16. A Flor de Vénus e a Flor de Saturno -----página 4
Capitulo 17. Um Ás na dança-----página 4
Capítulo 18. Segredo Descoberto-----página 5
Capítulo 19 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 1-----página 5
Capítulo 20 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 2-----página 5
Capítulo 21 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 3-----página 5
Capítulo 22 A queda da máscara-----página 5
Capítulo 23 A melhor prenda-----página 5/6
Capítulo 24 Vida Nova-----página 6
Capítulo 25 As Guardiãs da Esperança-----página 6
Capítulo 26 No seu elemento----página 6/7
Capítulo 27 Carpe Diem-----página 7
Capítulo 28 A Flor da Lua-----página 7
Capítulo 29 As últimas páginas-----página 7
Epílogo -----página 7



reescrita
Sípnose: Linda é a descendente de Sailor Moon e herdeira do trono de Crystal Tokyo. Todavia, longe de tomar o seu poder como garantido, detesta-o e deseja vê-lo pelas costas. A oportunidade surge quando o irmão sai de casa. Linda segue-o e a sua vida adopta um novo rumo de aventuras típicas de uma adolescente desde a adaptação a uma nova escola, novos amigos, inimigos e rapazes. Mas o mal está à espreita, muito perto dos seus próprios pais, ao mesmo tempo que os poderes de Linda e de mais duas guerreiras navegantes despertam, fazendo com que a rapariga tenha que tomar decisões um tanto difíceis e aprender mais acerca de si própria e dos seus poderes. Cabe a ela o destino do seu reino. E o da sua vida.


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 10 Maio 2012, 10:02, editado 54 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por LunaLuninha em Qui 13 Nov 2008, 14:26

A primeira parte tá gira só ke aconselho-te a mudares o nome da fanfic porke a uma ke se chama Sailor Dream Moon, e como são parecidas as pessoas podiam confundir!!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 14 Nov 2008, 10:19

realmente é melhor fazer isso...

penso que não haja ninguem com uma fic de nome A guardia dos sonhos....


e aquela era apenas o prologo... 1ª parte posto amanha Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Sex 14 Nov 2008, 10:31

a tua fic parece interessante. espero pelo 1 capitulo Surprised.o:

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por MoonSerenidade em Sab 15 Nov 2008, 05:35

mais uma fic tua pra ler XD

a historia parece ser interessante

fico a espera do 1º capitulo

bjx

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 15 Nov 2008, 10:40

ainda bem que vos interessa Smile

reescrito a 08/12/2011
Capitulo 1. A decisão

O som do relógio de avô rompia num ritmo constante e até enfadonho. Era o único som que Linda conseguia ouvir, encerrada naquela sala enorme com uma única secretária, um quadro interactivo e uma professora com ar severo. Ao virar a cabeça, sentia a luz do exterior, vinda da grande janela, mais longe. Inalcançável.
À sua frente, a professora falava muito alto. A sua voz fazia tremer suavemente os vidros da grande sala, rouca, quase masculina e insuportável. Falava das equações, de problemas, funções… Enfim, matemática.
Cada frase era como um método de tortura para Linda, que bocejou discretamente, tentando distrair-se, pois a mulher idiota nem se apercebia que a jovem não lhe prestava a mínima atenção.
De repente, era como se a voz grave da professora tivesse sido enfiada dentro de um poço, de tão fraca e longínqua que soara em comparação ao eco de uma porta da sala ao lado a bater fortemente.
Instintivamente, ergueu-se e aproximou-se da janela. A professora tentava chamar-lhe a atenção, mas Linda só se mexeu quando viu um vulto a pegar na sua moto e sair do palácio sem olhar para trás.
Ele fê-lo, pensou Linda, suspirando pesadamente. Já devia ter esperado aquela atitude vinda do irmão desde que ele fizera os dezoito anos.
-Princesa, sente-se imediatamente, estamos a perder tempo de estudo! - gritou a professora saturada, as suas mãos dando ênfase a cada palavra.
Linda sentou-se, contrariada, e continuou os exercícios. Deu-se ao luxo de suspirar naquela sala tão silenciosa. Aquelas estúpidas aulas de verão eram uma das razões para o irmão ter saído de casa. O pai era o dono dessa ideia. Entendia que era melhor para os filhos estudar longe dos outros jovens, que lhes poderiam querer mal, visto serem os principes de Crystal Tokyo. Claro que era tudo desculpas. Desculpas que a mãe de Linda sempre deixava passar. A sua atitude passiva destacava-se em comparação com o forte carácter do pai e, por vezes, Linda dava por si indecisa sobre quem seria o animal enjaulado. Ela ou a mãe...
Quando a aula acabou, Linda dirigiu-se para o seu quarto, pensando no irmão. Por muito responsável que o irmão fosse, perguntava-se como é que ele aguentaria a vida no mundo exterior. Fez uma careta ao lembrar-se que o irmão nunca fora enjaulado. Ele sempre pudera sair de casa desde que recebeu a sua mota, sempre pudera explorar o mundo para além das paredes do palácio.
O som dos seus sapatos a baterem no chão de mármore extinguiu-se ao entrar por detrás de uma porta. Linda, sem pensar duas vezes, dirigiu-se para a janela do seu quarto, fitando o horizonte. Na paisagem, via-se todo o Crystal Tokyo, com as suas casas, apartamentos e, se se esforçasse, até conseguia imaginar som das buzinas dos carros e do movimentos das ruas. De acordo com o avô, Crystal Tokyo nunca mudará, será sempre a cidadezinha onde ele, a avó e as tias cresceram.
Linda sorriu tristemente, desejando mais do que nunca viver nesse mundo.

Semanas passaram-se e Linda sentia-se a morrer na penúria. As coisas não podiam ter ficado piores com a partida do irmão. Uma recente onda de pressão vinda dos pais, obrigou a rapariga a refugiar-se na herdade dos avós, onde passeava a cavalo tranquilamente. Sentia-se bem a respirar o ar fresco, ao mesmo tempo que observava o sol a passar pelo Monte Fuji-san ao longe, deixando transparecer um belíssimo reflexo azul-esverdeado na água do lago Sai.
Ser ou não ser Rainha, eis a questão, pensava Linda quando não tinha mais nada para fazer. Porque, com a ida do irmão, não havia muitas mais hipóteses para o trono de Crystal Tokyo. O herdeiro mais velho abdicara, sobrando a mais nova.
E essa mais nova era talvez a última pessoa que alguém perguntaria se queria ser Rainha. Porque ela era apenas princesa de nome, não de coração.
-Estou farta.
-Farta de quê? - perguntou Ami, segurando as rédeas do seu cavalo firmemente. Linda crescera acostumada a chamá-la de tia Ami, tal como às outras navegantes, devido aos fortes laços de amizade que uniam-nas aos seus avós.
-Farta desta vida. Detesto-a! Detesto os meus pais.
-Não devias falar assim, Linda. - Contra-argumentou Ami suavemente. - Não importa a impressão que os teus pais te causam, eles amam-te.
Linda controlou uma risada.
-Têm uma forma muito discreta de o mostrar, devo dizer...
Ami mordeu o lábio.
-Eles... têm muito que fazer.
Como sempre, Linda notou num tom de hesitação e receio. Era óbvio que Ami sabia mais do que dizia. Mas Linda, apesar do seu temperamento, cresceu cansada de esperar por uma resposta às suas tão difíceis perguntas, como diziam os avós.
Sussurrando leves onomatopeias ao ouvido do seu cavalo, virou-o rumo à fazendo, trotando sem prestar atenção a Ami, que ficara para trás a observá-la.
Naquele dia, jantou sossegada, sabendo que era observada pelos avós. Mamoru limpou a boca com um guardanapo branco e fitou a neta, cujo prato ainda estava cheio.
-Linda, ainda não comeste nada!
Linda saiu do seu ar melancólico calmamente, tentando forçar as palavras a sair. Poucas horas antes, ouvira dizer que a mãe vinha para a fazenda passar o fim-de-semana, dissipando o bom humor de Linda em poucos segundos.
-Não tenho fome. - respondeu simplesmente.
-Devias comer. Estás tão magra, minha querida. – Comentou a avó, comendo mais uma garfada de esparguete cheio de molho, algo que enjoou Linda. – Ainda podes ficar doente.
Apesar do tom de preocupação, havia mais no tom doce da voz da sua avó. Havia sempre mais…
-Não consigo comer mais nada. Com licença. – Desculpou-se a jovem, levantando-se da mesa e dirigindo-se para o quarto, deixando o casal a entreolhar-se, preocupados.

Quando a mãe chegou, tratou de se esconder no sótão ou até mesmo nos estábulos. Enfim, algum sitio onde ela pudesse evitar encontrar-se com a Rainha de Tokyo. O seu jogo de brincar e esconder durou algumas horas, até que alguém veio ter com Linda aos estábulos, quando esta massajava o focinho do seu cavalo.
A Rainha Serenity, ou Usagi agora que renunciara ao trono, usava as roupas mais informais do seu armário, aproximando-se do estilo da neta. Trazia na mão uma mochila. Linda fitou o olhar decidido da avó e a mochila na sua mão.
-O que é isso? - perguntou cautelosamente. Usagi esboçou um sorriso, em nada semelhante ao de uma mulher da sua idade. Desde pequena que Linda sempre desejara ser como ela, tão bela e jovem.
-A tua decisão. - disse, largando a mochila no feno. - Os teus pais são os teus guardiões, têm poder legal sobre ti. Todavia, sei que estás farta de viver neste mundo de fantasia e decidi... dar-te esta hipótese.
-Não me vai impedir?
Usagi abanou a cabeça.
-Jamais interferei com o teu destino. A tua mãe delimitou o dela, não serei eu responsável pelo teu. Tu decides.
Era demais para acreditar. Não soubesse melhor, diria que estava a sonhar. Mas o focinho húmido do cavalo provava que ela estava acordada e que a avó tinha mesmo sugerido que ela fugisse de casa, com a mãe ali perto muito menos.
-Como? - foi tudo o que perguntou.
-Se decidires, podes chamar um taxi. O teu telemóvel está ai, bem como algum dinheiro e roupas. Tens no bolso da frente a morada de uma amiga minha, para teres um tecto sob a tua cabeça.
Usagi pausou e depois, calmamente, aproximou-se da neta e beijou-lhe a testa carinhosamente. Esta não se mexeu, deixando-se levar pelo prazer do toque carinhoso.
-Nasceste para ser mais do que uma princesa enclausurada. Não quero que percas a tua vida aqui. Quero que sintas tudo aquilo que eu senti quando tinha a tua idade. E também...
Usagi procurou algo nos seus bolsos.
-Antes de ires, quero dar-te uma coisa. Anda sempre com isto. Não o percas!
Linda sentiu o toque frio de um objecto em forma de estrela. Lançando um olhar de relance, viu que era prateado e que exibia nove pontos negros brilhantes e que tinha o tamanho de um pingente para um colar.
-Avó, eu...
-Chiu... - silenciou a mais velha. - Com o tempo vais-te aperceber do significado desse objecto que tens na mão. Mas até lá, não te esqueças, anda sempre com ele. Boa sorte querida!
Usagi abraçou a neta com força e afastou-se dos estábulos sem deitar um último relance.

O caminho para o portão foi curto mas longo ao mesmo tempo. Suspirando, Linda pegou no telemóvel e fez uma chamada rápida. Não conseguia deixar de olhar para a herdade, perguntando-se se estaria a fazer a coisa certa. Estava agora a abandonar a sua zona de conforto, junto daqueles que a haviam protegido a vida toda. Lá fora, estava sozinha.
O porteiro não a impediu de sair, até porque se encontrava distraído a falar com alguém que realizava um passeio nocturno.
Linda já estava dentro do táxi quando viu o rosto da pessoa e os seus olhares se cruzaram.
Era a sua mãe.
Tinha uma cara cansada, com os seus cabelos rosa a cair desalinhados e encaracolados e os olhos um pouco vermelhos tanto na íris como nas pálpebras. Era obvio que estivera a chorar, mas Linda não podia se importar menos ao dar as direcções ao taxista e a seguir caminho, rumo a uma nova vida.
A sua decisão estava tomada.



Última edição por AnA_Sant0s em Qui 10 Maio 2012, 10:01, editado 4 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por MoonSerenidade em Dom 16 Nov 2008, 04:10

bem... uma pergunta...

quando há mais? XD

adorei o capitulo

mas um concelho: verifica novamente o texto porque tens ai alguns erros tipo "durmir" Wink

de resto a fic está muito gira

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 16 Nov 2008, 07:31

obrigada... depois vejo se posto hoje ou amanha o 2º capitulo!! Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por kittty em Dom 16 Nov 2008, 15:21

Esta mto giro! Gstei mesmo mto!
Espero por mais!! Surprised.o:

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 16 Nov 2008, 15:31

muito giro! escreves muito bem ana!

eu estava aqui a tentar perceber a arvore geneologica dessa familia, e finalmente percebi quem é a avo e quem é a mae da linda! lol

gosto da maneira como escreves, és descritiva!

espero por mais! queros aber o que se vai passar! ^^

bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 17 Nov 2008, 14:35

era assim tao dificil?? Matreiro

vem vou entao postar o 2º capitulo.. espero que gostem Smile

reescrito a 08/12/2011
Capítulo 2. Reflexo

Passavam das sete da manhã quando Linda chegou ao seu destino. Bocejando discretamente, saiu do táxi e olhou em volta.
Era a primeira vez que se encontrava numa rua japonesa, sem um adulto por perto. E a sensação era boa.
O sol já havia nascido, iluminando os telhados das casas e prédios daquela zona suburbana. O prédio pretendido era adornado em tons de bege e tinha um grande terraço no topo. As bordas das janelas e varandas eram de um bege mais escuro e todo aquele cenário claro destacava-se do mar de pretos, azuis e metalizados da cidade. Tinha um ar um pouco decadente, quinze andares e um pequeno jardim na entrada, com a relva bem verde e bem cortada.
Suspirando, avançou para a porta, pedindo ao porteiro para lhe abrir a porta. O homem mirou-a com apenas um olho e deixou-a passar sem muitas perguntas. Linda entrou no elevador e carregou no botão para o décimo andar.
A porta tinha escrito com letras douradas o nome da família residente em nihongo, a língua japonesa.
Nakamura.
O nome era lhe completamente estranho mas ia passar a viver ali, com quem quer que vivesse naquela casa de aspecto pobre no exterior, mas que devia ser rica, pois o edifício era guardado por um porteiro e havia visto lá fora que um dos andares estava à venda e que era um T3. Casas daquelas não deviam ser muito baratas.
Tocou à campainha, nervosa e esperou que alguém atendesse. A porta abriu-se segundos depois, mostrando uma mulher de meia-idade, cabelo curto ruivo pintado e olhos castanhos-claros, cor de amêndoas.
-Olá, deves ser a Linda certo? Eu sou Aiko Nakamura, uma amiga da tua avó, Usagi. Ai, as saudades que tenho dela. - disse a mulher, com um ar nostálgico, mas nunca tirando os olhos da rapariga. -Anda, não fiques aí fora. Entra!
Linda recebeu o convite com um sorriso e entrou na casa, sacudindo os pés no tapete de entrada.
-Juro que não esperava que fosses assim. - Comentou Aiko. - És muito parecida com a tua mãe.
Linda tremeu involuntariamente.
-Sabe quem é a minha mãe? - perguntou com algum receio.
Aiko não respondeu, limitando-se a sorrir. Olhando para os pés dela, viu que esperava que Linda se descalçasse. Corando levemente, Linda abandonou as suas sapatilhas num canto e calçou uns chinelos de dedo. Enquanto se calçava, admirou a divisão, que era respectivamente a sala de jantar e a sala de estar.
Era bem iluminada, as paredes pintadas em tons de pastéis, algumas fazendo um efeito dégradé com os objectos decorativos. Para além disso, havia alguns quadros, fotografias, uma pequena lareira, uma televisão frente a um sofá vermelho vivo e uma pequena mesa junto ao cabide, onde Linda pendurou o seu casaco. Notou que, nas fotos, só apareciam pessoas com cabelo loiro, ainda que Aiko tivesse o seu pintado.
Os quadros tinham todos aspecto decorativo e nenhum valor artístico, limitando-se a mostrar imagens abstractas sem qualquer sentido, como se o pintor tivesse tido a ousadia de imitar Picasso, mas sem sucesso. Apenas um tinha um estilo diferente.
Era a imagem a óleo de uma rapariga sorridente, com cabelos dourados e rosto angelical, vestida com uma camisola branca de lã. Tinha umas pequenas covinhas e rosto redondo, mas o que chamou mais a atenção da rapariga foram os brilhantes olhos verde-esmeralda, que pareciam atrair a pessoa só com o olhar inocente que emitia.
Perguntou quem era e Aiko, atrás dela, respondeu-lhe com a voz embalada em nostalgia e dor:
-É a minha falecida filha. Morreu há quase dez anos.
-Lamento. – Disse Linda, sinceramente. Honestamente, não daria pelo parentesco à primeira vista. Aiko e a filha partilhavam o mesmo nariz e maçãs do rosto mas, a não ser que Aiko tivesse cabelo loiro por baixo daquelas camadas de ruivo artificial, não parecia ter mais semelhanças com a rapariga do quadro.
Aiko abanou a cabeça, recusando os pêsames.
-Já foi há muito tempo. A maior parte da dor já passou. – Dirigiu um olhar para o corredor. – O que resta deve-se à Mari.
Linda ficou calada, deixando com que a dona da casa quebrasse os seus pensamentos para tornar a sua atenção à nova hóspede.
-Vais gostar da Mari. É a minha neta. Tem mau feitio e é muito teimosa, mas tem bom coração. Às tantas ainda vão-se entender.
Linda apenas sorriu, deixando claro que não era certo que ela e a outra rapariga iriam ser amigas.
-Só moram cá as duas?
-Sim. – Afirmou Aiko. – O meu marido já morreu e o meu genro trabalha na Marinha. Não tem muito tempo para cá vir. Tem o coração ligado ao mar.
Riu-se, talvez esperando que Linda a acompanhasse. Esta continuou a sorrir, temendo rasgar a cara de tanto sorriso cordial que emitia.
Aiko fitou Linda, curiosa.
-És muito parecida com ela…
Linda parou de sorrir. Aiko, ao ver a reacção da rapariga, mordeu o lábio, escolhendo as suas próximas palavras.
-A Usagi disse-me que ficarias aqui temporariamente, mas digo-te já que não te preocupes com o tempo. Tenta apenas não causar sarilhos na escola. Já me bastam os da Mari.
-Não vai haver problemas. Não sou de provocar sarilhos. – Todavia, nos confins da mente de Linda, uma vozinha suspeita dizia que ela também nunca tivera oportunidade para tal, daí que era muito cedo para falar.
Aiko mandou um sorriso caloroso para ela.
-Acredito que sim. Sendo tu neta de quem és, não deverás causar problemas... - Seguiu-se um curto silêncio, quebrado pelo tom entusiasta de Aiko - Bem, vou mostrar-te o teu quarto.
Linda seguiu Aiko pelo corredor, até que a mais velha abriu a porta mais distante.
-Tem aqui tudo o que precisas. Uma secretária, uma cama, um pequeno armário e um toucador com espelho. Aqui tens a casa de banho. – Disse, abrindo a porta ao lado, mostrando uma pequena divisão com azulejos cristalinos. – Vais ter que a dividir com a Mari, mas penso que não haverá problemas aí. Nenhuma de vocês parece ser daquelas de perder tempo a escovar os cabelos. – Riu-se um pouco suavemente e depois suspirou. – Pareces cansada. Vou preparar o pequeno-almoço. A Mari ainda está a dormir, podes descansar entretanto. Eu chamo-te quando for hora do almoço. De tarde, trataremos da tua matrícula na escola da Mari.
-Sr.ª. Nakamura?
-Aiko, querida. – Interrompeu a mais velha. Linda assentiu.
-Aiko, obrigada… por tudo. – Disse a jovem, sinceramente. Jamais conseguiria agradecer pela ajuda que Aiko prestava a uma completa desconhecida.
-Não me agradeças. É um favor que faço a uma amiga e a ti. Sei que, noutras circunstancias, a Usagi fazer-me-ia o mesmo à Mari.
E, com sorriso alegre, Aiko dirigiu-se para a cozinha, deixando Linda com a mochila às costas e com a mão na maçaneta. Não perdendo tempo, explorou a divisão onde passaria a dormir nos próximos dias, largando a mochila junto à porta.
O quarto tinha as paredes pintadas de marfim e o soalho era em madeira polida como o resto da casa. A cama era de madeira escura com lençóis brancos e uma coberta cinzenta. Toda a mobília do quarto era daquela madeira escura, que mais parecia ébano. E, do lado esquerdo, situado no eixo de simetria do quarto, estava a janela, com vista para a torre de Tokyo. Gostando do que viu, tratou de arrumar as suas roupas no pequeno armário e pondo os seus objectos pessoais no toucador. Mas, antes que pudesse respirar de alívio, ouviu passos no corredor.
A porta, ainda aberta, mostrava uma figura em pijama a fitá-la curiosamente. Linda aproximou-se da rapariga, que tinha aproximadamente a mesma idade que ela. Devia ser Mari.
A rapariga olhou-a com suspeita. Era alta e esguia e tinha os cabelos compridos e dourados da mãe, bem como os mesmos olhos verde-esmeralda. Todavia, o rosto era mais comprido e isente de covinhas. Ainda que semelhante à rapariga do quadro, Mari conseguia ter um ar desconfiado e rebelde em contraste com o semblante angelical da mãe.
-Quem és tu? – Perguntou a loira, cruzando os braços.
Linda não respondeu logo.
-Sou a Linda. Neta de uma amiga da tua avó, Usagi Tsukino.
O rosto de Mari contorceu-se sombriamente.
-Engraçado que nunca ouvi falar dessa tal de Usagi Tsukino. - Linda presentiu um frio em volta delas ao som daquelas palavras. - Não percebo como agora ela e a minha avó são grandes amigas.
-Eu também nunca ouvi falar da tua avó. Mas parece que mantiveram contacto. - Linda murmurou, sombriamente. Mari nem pestanejou. Limitou-se a fitá-la intensamente, como quem tentava ler para além do olhar. Ao fim de um longo e penoso minuto, disse:
-A minha avó nunca perde contacto com grandes amigos e além disso eu conheço todas as amigas da minha avó e sei que não há nenhuma Usagi Tsukino que ela conheça. E, de qualquer maneira, ela nunca trata desconhecidos da mesma maneira como te tratou a ti. - Mari sorriu cinicamente enquanto Linda manteve o rosto firme. - Estranho. - Comentou num tom de troça, exibindo aquele sorriso que Linda vira tantas vezes no palácio para saber que detestava mais do que estar trancada numa sala de aula em pleno verão.
-Vou estar de olho em ti.
-Aí sim? – Respondeu Linda, com desdém. Mari respondeu com um sorriso malicioso.
-A minha avó tem um coração de manteiga. Não vê para além da caixa. Porque raio estás aqui e não a viver com a tua família?
-Porque te interessa tanto saber? Não tens nada a ver com isso!
Mari engoliu em seco, claramente notando o tom ameaçador de Linda. Todavia, a rapariga parecia feita de nervos de aço, pois o rosto manteve-se indistinto.
-Tu tens um motivo. Posso não ter nada a ver com isso, mas não te conheço, logo não confio em ti. O que terás a esconder para vires para aqui, sabendo que nenhuma das nossas avós possuem uma relação forte, por assim dizer? Tanto quanto sei, até podes ser uma criminosa.
Tanta coisa soava mal naquilo que Linda viu-se sem reacção. Que ela soubesse, ser princesa não era crime naqueles dias, pois não?
-Estás a ameaçar-me?
Mari lançou-lhe um olhar penetrante.
-Um aviso.
-Sabes, se eu for mesmo uma criminosa, não podes fazer nada para me impedir.
-Admites então?
Linda revirou os olhos.
-Estou só a apontar a falha do teu “aviso”. Não sou criminosa, podes ficar descansada.
-Não deixarei de estar de olhos em ti.
-Bem... agradeço o aviso. Se não me incomodares, também não te incomodarei a ti.
-Digo o mesmo. - murmurou Mari, lançando mais um olhar de desdém antes de entrar no quarto, deixando Linda sozinha.
Esta não demorou a entrar no seu, fechando a porta com um pouco mais de força que queria.
Aproximou-se do toucador, apenas para se olhar. Apenas para ver os efeitos que as noites anteriores tiveram em si.
Tal como suspeitava, tinha leves olheiras devido à breve insónia que tinha há já uns dias. Era a primeira em meses. Os cabelos estavam mal amarrados num elástico, alguns cachos de cabelo negro encaracolado caindo sobre o rosto. Sentindo-se sonolenta, aproximou o rosto do espelho e, devagarinho, puxou a pálpebra para cima e tirou uma lente de contacto do olho esquerdo. Repetiu a mesma operação no olho direito e depois pegou na caixa de óculos em cima do toucador e colocou-os, um pouco desmazelada.
O reflexo parecia sonolento, os cabelos caindo abaixo dos ombros e os óculos rectangulares pretos escondiam os olhos azuis-escuros que ela herdara dos avós.
Ela era um desastre ambulante. Não se admirava que ninguém no país tivesse conhecimento do seu aspecto. Pudera, com aquela cara de menina inocente, estatura média mas com pernas demasiado compridas em comparação ao tronco, sem curvas e lábios ligeiramente mais largos e grossos do que os da mãe e da avó. Talvez o único traço físico herdado do pai.
Odiou o que viu e pensou no quão era diferente deles. Ela aprendera tudo com as suas tias e os seus avós. Ami ensinara-lhe a ler e a escrever, mesmo antes de Linda ter aulas. Makoto ensinara-lhe a cozinhar, mas devido á falta de prática, Linda já não se considerava boa cozinheira. Rei ensinara-lhe tudo o que aprendera no templo com o seu avô, incluindo a ser verdadeira consigo própria. Minako ensinara-lhe a apostar alto, mediante as consequências, e a amar a liberdade, visto ela ter sido cantora e actriz. Mamoru ensinara-lhe a ter paciência, a controlar as suas emoções, talvez porque não queria outra Usagi pelo palácio adentro, mas mais do que tudo, ensinara-lhe a ser responsável e a assumir os seus erros. A avó ensinara-lhe a amar os outros, a confiar, a respeitar e a perdoar... Dos pais só aprendera a indiferença e a falsidade.
Bocejou suavemente. As horas de sono perdido no táxi começavam a aparecer. Suspirou e tirou o medalhão do bolso, colocando-o na mesa-de-cabeceira, ignorando o estranho brilho que o objecto emitia.
Deitou-se na cama e, sorrindo levemente, deixou-se adormecer.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 26 Dez 2011, 11:19, editado 10 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por MoonSerenidade em Seg 17 Nov 2008, 15:08

lindo

tou a adorar a fic

espero por mais

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 18 Nov 2008, 12:54

obrigada =)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Ter 18 Nov 2008, 13:07

a tua fic esta a ficar mt gira

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 18 Nov 2008, 13:37

:S obrigada

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por hopeless em Sex 21 Nov 2008, 08:21

Gostei da História .

Para quando o próximo capitulo ?

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 21 Nov 2008, 11:09

não sei, mas vai demorar...

é que esta semana e na proxima vou ter sempre testes e não vai dar tempo....

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 28 Nov 2008, 16:09

reescrito 08/12/2011
Capítulo 3. O primeiro dia - parte 1

-Linda estás pronta?
-Já vou. – Respondeu a jovem, apertando os atacadores da sapatilha depressa e pondo o casaco. Tratou de passar uma mão pelo cabelo, separando os caracóis e saiu do quarto pé ante pé. Viu Aiko na cozinha, remexendo na mala apressadamente, enquanto a neta fitava-a furiosamente, sem ter reparado na presença de Linda.
-Não vejo porque é que eu tenho que ir. – Resmungou a rapariga entre dentes, os olhos não descolando a tia. Esta parecia cada vez mais nervosa.
-Ora essa Mari. É o teu pai…
-Que nunca está aqui! – Cortou Mari, furiosa. Aiko semicerrou os olhos.
-Talvez, mas não deixa de ser teu pai. Agora, pára de reclamares e despacha-te. Vamos primeiro à tua escola tratar da matrícula da Linda e depois vamos à casa dos teus avós.
Linda não percebia nada do que se estava a passar entre as duas parentes, apenas que Mari detestava o seu pai, fosse ele quem fosse, pela forma como contraiu as narinas em desprezo ao ouvir o som da palavra.
Aiko olhou para a porta, vendo a hóspede parada. O seu rosto iluminou-se, alegre por uma distracção.
-Oh, estás pronta querida? Vamos agora sair.
Linda assentiu. Notou que Mari suspirara, expulsando ira do seu interior.
-Olha, se estás assim, podes ficar cá fora à nossa espera. Mas não te escapas de vir à casa do teu pai.
-Ele não vai lá estar! – Teimou Mari, premindo as mãos na mesa de madeira, estas suportando o peso da jovem. – Terei que os aturar…
-Julguei que te desses bem com eles. Não vai haver problemas.
-Enganas-te avó. Jamais serei amigas daqueles dois seres frios que colocaram uma criatura tão fria nesta mundo.
-E essa criatura é o teu pai.
Mari fez um olhar sombrio.
-Só biológico. – Murmurou. Aiko suspirou, como quem vendo uma causa perdida.
-Como queiras. És mais teimosa que uma mula. A tua avó está à tua espera. Tu hoje não escapas. Se não vieres, terás que vir mais tarde… numa altura em que de certeza o teu pai estará presente, ele e os teus avós. Hoje só está a tua avó e um dos seus namorados.
Mari pareceu ficar ainda mais infeliz com essa notícia.
-Eu até suportava o avô, mas o namorado dela? Queres torturar-me?
Aiko ergueu o sobrolho.
-Exagerada, não?
-Se eu tenho que enfrentar o Inferno, não o farei sozinha. – Teimou Mari, não desistindo da sua causa. Linda observava a discussão familiar, completamente desnorteada. - Nem te atrevas a deixar-me sozinha naquele covil de lobos.
-A Linda pode ir contigo. – Apontou Aiko. As duas Nakamura fitaram a morena, que engoliu em seco ao sentir-se no centro das atenções.
-Ah… posso? – Perguntou, receosa. Aiko aproveitou para pegar na sua mala e dirigir-se para a entrada, com uma data de papéis na mão. Mari bufou e respondeu, um pouco contrariada.
-Não te dês ao trabalho. Nem a ti desejo tão mau destino.

Aiko deixara Mari num café perto da escola, entrando na instituição de ensino com Linda atrás. Ia deitando uma olhadela aos papéis, erguendo o sobrolho por vezes.
-Os papeis dizem que te chamas Linda Tsukino.
Linda fitou Aiko.
-A sério? Porque é que tem o nome da minha avó.
-Uma forma de te protegeres, penso eu. O nome do teu pai deve dar muito nas vistas.
A directora recebera-as com um sorriso cordial. Linda mordeu o lábio em agrado. Gostou imediatamente da mulher de aparência simpática e organizada, que a olhara em tom de reconhecimento por uns segundos, antes de se pôr a conversar animadamente com Aiko e a fazer perguntas acerca dos motivos para Linda se matricular naquela escola tão perto do inicio do ano lectivo.
Aiko falara naturalmente, afirmando que Linda tivera problemas familiares bem recentes que a impediram de continuar com as aulas em casa. Todavia, na zona onde ela morava não havia vagas nas escolas locais, daí que ela tivesse mudado para a casa de Aiko, amiga da avó dela, e se tentado matricular naquela escola.
Uma história credível e a directora pareceu acreditar. Todavia, um certo brilho nos olhos dela quando estabelecia contacto visual com a sua futura aluna, incomodava Linda. Era como se ela visse nela qualquer outra coisa que os outros não vissem.
-E o nome? – Perguntou a directora, mais para si do que para as outras duas. As suas mãos finas remexiam no teclado do computador, revendo os dados que ali apareciam. – Linda Tsukino.
Esta não gostou do modo de como a mulher sussurrara o nome dela, como se soubesse o seu segredo. Como se ela soubesse que ela usava o nome da avó materna para se esconder. Seria possível?
-Diz aqui que tens muito boas notas e que já praticaste dança! – Os seus olhos claros e brilhantes focaram os de Linda, com um sorriso apreciador. – Planeias dançar pela escola?
Linda abanou a cabeça, melancolicamente.
-Não. Não planeio fazer nada este ano. Quem sabe no próximo.
Ela assentiu em acordo.
-Bem, não vejo nada de errado. A matrícula está feita. Dia dezanove, esperamos a aluna aqui às oito da manhã. Aqui tem – disse, entregando uma folha imprimida a Aiko, que aceitou com um aceno de cabeça. – A lista de lojas onde pode comprar o uniforme escolar para a menina Tsukino.
A directora apoiou o rosto em cima dos cotovelos, pousados na mesa.
-Esperemos que tenha uma boa experiencia nesta escola, menina Tsukino. E, principalmente, que apreenda bases para construir o seu futuro.
Falara calmamente, mas as suas palavras provocaram um estranho efeito na jovem.
Futuro. O quão estranho era pensar nisso. Ela nunca se dera ao trabalho em imaginar nada à sua frente, para além do seu título real. E, naquele momento, via hipóteses infinitas. Apenas lamentava ter que desistir da dança.
O telemóvel de Aiko tocou. Atendeu-o com voz jovial e um pouco exagerado, trocando algumas palavras caricatas, deixando a jovem entretida a admirar um troféu ganho há vinte e cinco anos atrás, num concurso internacional de dança. Os jovens vencedores fitavam a câmara, sorridentes, com os seus trajes vermelhos e justos. Foi aí que Linda notou em certos detalhes. Enquanto as equipas de segundo e terceiro lugar tinham quatro elementos, a equipa da escola tinha cinco, e apenas três tinham feições de orientais. Os outros dois pousavam junto da directora, de aspecto mais jovem, com uma expressão vitoriosa nos seus rostos. Linda empalideceu. Reconhecera uma.
O seu pai.
Abrira a boca, não para dizer o quer que fosse, mas por motivos de choque. Tentou articular algum som, lembrar-se de alguma coisa em que tinha ouvido falar do pai a participar num concurso internacional de dança.
-Anda, Linda! – Chamou Aiko, acordando-a dos seus pensamentos, enquanto guardava o telemóvel na mala. – Vamos buscar a Mari.
A morena abanou a cabeça, confusa e perdida. A sua cabeça parecia que se esvaziara de pensamentos, pois não havia nada que ela ousasse pensar nos minutos seguintes em que atravessara os restantes corredores, escadas e portas até ao exterior, ainda que estivesse consciente que grande parte da sua vida iria passar a envolver-se naquele local. Naquela escola.



Última edição por AnA_Sant0s em Qui 08 Dez 2011, 04:21, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sab 29 Nov 2008, 04:48

muito giros os dois ultimos capitulos! ^^

so me lçembrei de vir comentar hoje|! tambem nao tenho tido tempo -.-'

bem, espero ansiosamente por mais! bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 29 Nov 2008, 10:30

reescrito a 08/12/2011
Capítulo 4. O primeiro dia - parte 2

-Ai, as alegrias do primeiro dia! – Comentou Aiko, com um suspiro sonhador, enquanto servia leite quente às duas jovens silenciosas, sentadas na mesa de madeira. Linda optou por não dizer o quer que fosse a aquelas horas, táctica há muito adoptada por Mari, que mal falou até sair de casa.
-Espero que tenham um bom dia. – Disse, beijando a face da sobrinha, esta ainda com cara de poucos amigos, devido ao sono. Virou-se depois para Linda, que acabara de apertar o fecho do casaco. – E a ti, que corra tudo bem. Que te enquadres. E, Mari, faz-me o favor de a ajudar.
Mari ignorou a tia e Linda mandou um sorriso amarelo, antes de agradecer e sair de casa, atrás de uma loira apressada.
A escola era ali perto, de modo que era desnecessário apanhar qualquer tipo de transportes. Mari parecia incomodar-se com o facto, pois o sol batia fortemente na sua cabeça, pondo-a ainda mais tonta. Linda observava a loira a tentar acordar no meio daquela caminhada de poucos quarteirões, agradecendo aos deuses que Mari nunca se esquecia de tomar o pequeno-almoço.
Chegada à escola, Linda parou no portão, enquanto Mari seguiu sem olhar para trás.
Estivera ali naquele mesmo local semanas antes e podia agora ver as diferenças claramente. A escola era um edifício que ansiava por vida. Só parecia completo quando se encontrava cheio de crianças de diversas idades - naquele caso desde os onze até aos dezoito – divertindo-se nas suas distintas maneiras. Os mais novos corriam e cumprimentavam os colegas, partilhando histórias e mostrando roupas novas que os pais compraram durante as férias de verão. Os mais velhos, cumprimentavam os colegas de longa data, com beijos nas faces e apertos de mão, também partilhando histórias, mas com o mínimo de entusiasmo pois, ao contrário dos mais novos, não haviam quebrado contacto durante o verão.
Muitos jovens de diversos tamanhos, idades, raças e características físicas e psicológicas preenchiam aquele espaço, outrora vazio e monótono. O som de sorrisos, gritos e de distintas vozes abafadas pela acústica recheavam o ar, como o som de uma sinfonia natural que o Criador criara em tempos antigos.
Tantas vidas, tantas almas, tantos sonhos…
Sentindo-se levemente atordoada, Linda abanou a cabeça, fechando as pálpebras. Talvez o sol a estivesse a afectar mais do que devia. Apesar de já estarem no Outono, era um daqueles dias em que o verão teimava a fugir, deixando a estrela radiosa emitindo mais luz que o vulgar, em contraste com a leve brisa fresca.
Linda entrou no edifício, olhando cada estudante curiosamente. Aquela era uma experiência completamente nova e queria usufrui-la inteiramente. Agora que tinha a possibilidade de fazer amigos, não queria estragá-la com a sua personalidade incomum.
Alguns olhavam-na com suspeita, outros até com desdém. Linda sentiu os nervos à flor da pele e tentou acalmar-se. Não é o fim do mundo, disse a si própria, tentando encontrar a sua sala no meio dos vários jovens postados no corredor e que agora olhavam-na com curiosidade. Será que ela destacava-se assim tanto?
-Menina Tsukino? – Ouviu alguém chamá-la. Virando-se, deu de caras com a directora, que fez sinal para a seguir.
Sentada no escritório da directora, Linda esperou o seu veredicto. Ridícula, não estás a ser julgada, pensou para os seus botões.
-Estou a ver que estás confusa, querida. – Afirmou a mulher, sorridente. – É natural. É a primeira vez que vens a uma escola.
-Isto tem muita… vida. – Comentou Linda, os olhos postos no pisa-papéis, pousado em cima da secretária.
A directora olhou-a amavelmente.
-Bem, tu agora fazes parte desta comunidade. A tua vida acrescenta-se às outras. – Ouviu o toque da campainha. Linda fez um movimento para se erguer mas a directora travou-a. – Não vás ainda. Queria falar contigo.
Linda assentiu, acomodando-se na cadeira. Sentia-se completamente deslocada, não só por estar numa escola, como também por usar um uniforme vermelho escuro, com diversas linhas negras e corte semelhante ao fato de um marinheiro. Nunca usara sapatos negros envernizados, nem tampouco uma saia até ao joelho com corte clássico. Sentia-se tão mal que deu por si a piorar a sua imagem ao colocar os seus óculos rectangulares, ao invés das lentes. Manteve o cabelo solto mas, com o calor que sentia ali dentro, isso estava para mudar.
A directora aproximou o rosto, observando-a melhor.
-Fazes-me lembrar um antigo aluno meu. – Murmurou, quase inaudível. – O brilhozinho confiante e determinados nos olhos, o ocasional morder de lábios, o talento na dança.
Linda não se atreveu sequer a mexer um milímetro de expressão facial, ouvindo cada palavra da directora com absoluta aflição.
-Gostava de poder dizer que eras filha dele. Ficaria muito contente. Há já bastante tempo que não o vejo mas… se fosses filha dele, eu saberia.
Algo naquelas palavras alertou Linda. Parecia que ela falava mesmo de quem a jovem pensava.
O seu inconsciente emitiu uma gargalhada sarcástica. Qual seria a probabilidade de, na primeira escola onde se matriculasse, encontrar uma antiga professora do seu próprio pai? O Destino parecia estar a brincar com a sua paciência.
Contudo, esperou silenciosamente que a mais velha prosseguisse, ansiosa por ir para a sua primeira aula. A mulher pareceu perdida em pensamentos até que, como que lembrando-se que tinha uma aluna já atrasada à sua frente, disse:
-Se chegares a ter algum problema de adaptação (e não falo das aulas apenas, querida), fica a saber que podes sempre vir falar comigo. Eu e todos os outros professores estamos ao teu dispor para te ajudar, entendido?
Linda assentiu, entendendo a situação.
-Bom, então não te atraso mais. Diz ao professor que vais atrasada por minha causa, entendido?
A jovem quase que correu para fora da sala, levemente atrapalhada.
Just my bloody luck*, pensou para os seus botões, procurando a sua sala no meio de tantas portas semelhantes, com uma pequena placa quadrada na porta, onde mostrava um número e uma letra do alfabeto hiragana.
Finalmente, ao encontrar a sua porta, bateu suavemente, entrando em seguida. Sentindo várias cabeças a olhar para lá, dirigiu o olhar apenas para o professor, que assentiu distraidamente, reconhecendo a nova aluna.
-Queira apresentar-se, menina. – Disse, apontando para o quadro a giz, pouco usado naqueles dias. Linda pegou num pau pequeno e branco como a farinha e escreveu o seu nome no quadro de ardósia. Virou-se para a turma, reconhecendo Mari nas filas do meio, que admirava o lápis, completamente ignorando a hóspede. Pelo menos era o que parecia.
Inspirando fundo, apresentou-se:
-Konnichi wa, sou a Linda Tsukino, e sou anglo-japonesa. Moro para os lados do monte Fuji, mas decidi mudar de ares durante o verão. Esta é uma nova experiência para mim e espero poder apreciá-la inteiramente.
Observou a turma. Uns não lhe prestava a mínima atenção, enquanto outros olhavam-na curiosamente. Uma delas era uma rapariga sentada ao lado de Mari com cabelos castanhos ondulados e olhos da mesma cor. Pareceu-lhe extremamente familiar.
Virou-se para o professor, esperando que este dissesse alguma coisa. O professor, vendo a apresentação da nova aluna terminada, assentiu.
-Seja bem-vinda, Menina Tsukino. Pode sentar-se lá ao fundo. – Disse, apontando para o fundo da sala, onde duas carteiras estavam vazias. Linda passou por entre as mesas rapidamente, procurando a lugar junto à janela o mais depressa possível.
Sentou-se e tentou ignorar o constante tremelique que sentia no corpo, abrindo o caderno e esperando que o professor dissesse o que fazer. Todavia, o homem preferiu rever a matéria dada no ano anterior e entregou uma ficha para os alunos completarem. Reparou, para seu alívio, que estava dentro da matéria. Pudera, com as aulas que ela tinha, já devia ter alguns conhecimentos que apenas se ganhavam na faculdade.

Durante a aula, alguns alunos atreveram-se a mirar a nova aluna, que se encontrava concentrada nos exercícios propostos pelo professor. Os sussurros diminuíram quando se soube que Linda Tsukino morava com Mari. E que esta não gostava nem um pouco da hóspede.
Algum silencio estalou-se na sala, mas a morena sentada ao lado de Mari não era igual aos outros alunos. Não tinha medo nenhum de Mari Nakamura.
-Qual é o problema que tens com a rapariga? - perguntou, sem se pôr com rodeios. Mari fez uma careta.
-Tenho um mau pressentimento acerca dela. Nunca ouvi falar da avó dela e, de repente, aparece a neta dessa pessoa para morar em minha casa. A minha avó aceita sem sequer questionar
-Mas como é que sabes que ela pode se a causa desse mau pressentimento? Olha que não seria a primeira vez que te enganavas.
-Não! Desta vez sei o que sinto, Cecília. Confia em mim. - Cecília sorriu exasperada. Conhecia a amiga melhor do que ninguém e sabia que Mari estava a tentar dar uma desculpa para detestar aquela rapariga que cativou a sua avó. Esta por sua vez, focou os olhos em Linda.
-Sei que aquela rapariga esconde alguma coisa. E não será bom!
-Bem... Tu não tens nada a ver com isso, por isso deixa a rapariga em paz! Se ela esconde alguma coisa é porque tem um motivo.
-Pois, mas e se esse motivo for obscuro? - Mari lançou um olhar desconfiado e, ao mesmo tempo, preocupado sobre Cecília. Esta respondeu com um olhar também desconfiado, como se duvidasse do racíocinio da amiga. Ia a responder mas absteve-se. Agora que Mari tinha uma ideia na cabeça, dificilmente lha conseguiriam tirar.

Trinta minutos antes de a aula terminar, Linda pousou o lápis e olhou para a janela. Já tinha terminado a ficha e, apesar de calma, não podia deixar de pensar no que iria acontecer assim que o desse o toque. Aonde é que os alunos passavam os intervalos?
Os seus pensamentos foram interrompidos pelo som de alguém bater desajeitadamente na porta. O professor deu permissão para entrar e um rapaz, com ar sonolento, pediu desculpas pela demora.
O facto de aquele rapaz ter surgido quando faltavam trinta minutos para o fim da aula de duas horas e ter falado com toda a naturalidade possível, provocou umas risadinhas por toda a turma. Os rapazes troçaram dele e as raparigas cochicharam. Linda abanou a cabeça, divertida.
O professor não parecia partilhar o mesmo sentido de humor que a turma:
-Isto são horas de chegar, Yamamoto? A meia hora do fim da aula?
O rapaz pareceu confuso, pondo a mão no cabelo, como que reflectindo.
-Meia hora? Mas o meu irmão disse que… Ora bolas! – Mais raparigas riram-se, enquanto outros reviravam os olhos. – Stor, não se preocupe, o meu pai justifica a falta. Tenho bons motivos para chegar atrasado à aula.
-Atrasado? Oh rapaz, vocês veio no fim da aula!
O rapaz pareceu não ter entendido o homem. Linda teve que controlar uma gargalhada, qual era a ironia de estarem na aula de Língua Japonesa.
-Vá lá professor. Não me vai deixar cá fora a apanhar frio, pois não? – Lamentou-se o rapaz, murmurando num tom quase melodramático. – Ainda tenho meia hora de aula.
Virou-se para a turma, piscando o olho. Linda sentiu, por uns segundos, o olhar dele incidido nela, mais intenso do que para os outros, mas devia ser brincadeira da luz. O rapaz fez um som com a boca e disse, sorridente.
-Se é para estar aqui a perturbar a aula, bem que pode ficar aí fora. - resmungou o professor, cada vez mais furioso com as gargalhadas dos alunos.
-Noh wollies, professor, eu porto-me bem. – E com um sotaque horrível e mais um piscar de olhos, entrou e fechou a porta. A turma começou logo a cochichar entre si, enquanto ele se dirigia para o lugar vago ao lado de Linda. Esta por seu lado, não podia deixar de reparar no quão cómico era o rapaz, principalmente o seu sotaque. Aliás, ela sempre gostara do sotaque japonês junto à língua inglesa. Era um tremendo contraste em comparação ao sotaque das outras línguas. Pior que o sotaque japonês, só o alemão.
Ele pousou a mochila na mesa ao lado e fitou-a calmamente, pronto a dizer qualquer coisa. Mas as suas palavras ficaram presas na sua garganta quando os olhos de Linda focaram-se nos seus.
O professor voltou a reclamar por ele não estar sentado e o rapaz acabou por sentar-se na cadeira e falar com uns colegas de turma.
Durara segundos, mas Linda não pôde deixar de sentir calafrios na pele ao sentir o olhar daquele rapaz em si. Nunca ninguém a olhara daquela maneira, como se ela fosse algo curioso de se ver, mas não desagradável.
De certa fora, até estava a gostar do seu primeiro dia.

-----------------------------
*O raio da minha sorte


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 08 Dez 2011, 04:58, editado 3 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 29 Nov 2008, 10:31

Era hora de almoço e Linda procurou algum espaço onde pudesse comer. Ainda que a turma tivesse sido simpática, sentia ainda alguma tensão no ar para com ela. Em vez de comer o seu almoço na sala, como todos os outros, dirigiu-se para o jardim, procurando algum canto solitário onde pudesse estender as pernas.
A sorte pareceu sorrir-lhe, pois encontrara um local perfeito para a ocasião. Era nas traseiras da escola, com acesso a uma porta e com uma árvore perto de altas sedes. Linda deu-se ao luxo de se sentar na relva e estender as pernas. Apressou-se a comer o seu almoço, ouvindo música do ipod.
Era uma imagem estranha. Uma rapariga de uniforme abanando a cabeça ao som de música rock, ao mesmo tempo que saboreava arroz com frango, mexendo os seus pauzinhos ao sabor da música.
Sentia-se ridícula mas, ao menos estava sozinha.
Pelo menos, era o que achava.
Sentiu os olhos de alguém em si. Corando de vergonha, ergueu-se para… bem para fazer nada. Ergueu-se apenas por instinto, o embrulho de comida já vazio deixado de parte. O rapaz mirava-a, curioso, apoiando o seu peso numa perna.
Era o mesmo rapaz da aula de Língua Japonesa. Yamamoto. Primeiro nome, Eiji. Sabia-o porque ouvira um outro rapaz tratá-lo dessa forma. Pelo que se apercebera, era popular naquela turma e também muito descontraído e esperto.
E, naquele momento, não podia deixar de pensar se ele era amistoso para desconhecidos.
-Olá. – Cumprimentou ele, parecendo divertido pelo embaraçado dela.
-Olá. – Respondeu ela.
-És a aluna nova. Linda, certo?
Ela assentiu, sem saber o que dizer mais. Eiji aproximou-se, não tirando os olhos de cima dela. Era como um biólogo examinando um novo espécime.
E, sem ela estar à espera, sentou-se junto à árvore, apoiando as costas sobre o tronco. Ela, sentindo-se ridícula por estar de pé sozinha, fez o mesmo.
-Já deu para ver que estás aqui para tomares o que é meu. O meu lugar junto à janela, o meu lugar aqui nas traseiras da escola.
-Eu… - começou ela, até que viu um brilho divertido nos olhos cor de avelã dele. – Estás a gozar comigo.
Ele riu-se, o som da sua gargalhada ecoando pelo ar.
-Ao menos tens sentido de humor, estou a ver. Pela forma como olhavas para as coisas na sala de aula, achei que fosse um bocadinho austera.
-Austera? – Perguntou Linda, controlando uma gargalhada. – Nunca acharam isso de mim.
-Há uma primeira vez para tudo. – Comentou ele, olhando o céu, sem nunca deixar de sorrir. Ao observá-lo, Linda notou no quão bem-parecido Eiji era, para não falar do estranho efeito que seu sorriso lhe provocava. Mexeu nas mãos, lamentavelmente, sentindo-se ridícula.
-Então, explica-me lá quem és, o que gostas, enfim… as cenas do costume. Para eu ficar a conhecer-te. – Disse Eiji, ao fim de uns segundos de silêncio. Virara-se para ela de lado, as mochilas a uns dois metros dos dois e o seu corpo estendido ao sol.
-Só se tu explicares também. – Respondeu Linda, pondo-se mais confortável, as costas encostadas à mochila e a cabeça ao tronco da árvore e as pernas esticadas e cruzadas. Notou que o rapaz a olhara da cabeça aos pés, as bochechas dele ficando um pouco rosadas ao admirar as pernas dela. Abanando a cabeça, suspirou dramaticamente. Linda controlou uma gargalhada.
-Sou Eiji Yamamoto, faço dezassete em Fevereiro, moro com o meu irmão e um colega deste num apartamento perto da torre de Tokyo e anseio vir a ser engenheiro químico. Adoro motas, futebol, praguejar aos estrangeiros sem eles se aperceberem do que realmente estou a dizer, dançar (mas de preferência, dança à macho man, se me entendes), bananas, sushi de abacate, cantar no chuveiro, os filmes de Alfred Hitchcock e perfume Armani. Detesto rosa, miúdas que usam cor-de-rosa, verniz para as unhas cor-de-rosa, qualquer coisa que tenha a ver com Barbies (especialmente a cor rosa), – Linda riu-se ao grande ódio do rapaz à cor. – Abacate…
-Espera aí. Não gostas de abacate, mas gostas de sushi de abacate? – Cortou Linda, levantando uma sobrancelha. Eiji fez uma careta embaraçada. Era impressionante como era tão transparente, cada expressão do seu rosto mostrando aquilo que ele exactamente sentia. Pelo menos, era o que Linda achava.
-Esquisito, mas sou assim. – Ela abanou a cabeça, divertida e Eiji continuou. – Detesto quando o meu hóspede fica trancado no quarto a estudar, deixando-me sozinho com o meu irmão (ele estuda Medicina e até nem é mau aluno, mas continuo a achar que ele é atrasado mental), raparigas simples, snobes, a ideia de que o mundo um dia será governado por macacos ou computadores, , mentiras, segredos e os cozinhados do meu irmão. Ah e a personalidade da minha mãe biológica.
-Bem, isso é… complexo.
Eiji esboçou um sorriso trocista.
-O que esperavas?
-Nada, nada… - respondeu Linda, rapidamente. – Só não percebi uma coisa.
-O quê?
-Qual dos dois é atrasado mental? O teu hóspede ou o teu irmão?
Eiji riu-se abertamente.
-O meu irmão, se bem que o Kenji às vezes age como um.
Kenji.
Ao ouvir o nome do irmão, Linda empalideceu. Seria coincidência? Disparate, pensou. Havia milhares de Kenji’s espalhados pelo Japão.
-Está tudo bem? – Perguntou Eiji, preocupado pela súbita mudança de humor. Linda disse que sim, tentando melhorar o seu aspecto. Algo nos olhos de Eiji dizia a Linda que este não acreditara na mentira e parecia que Eiji não iria cair mais nas suas mentiras. O rapaz manteve o rosto sereno, os olhos examinando Linda como se tivesse raio-X. Depois, calmamente, disse:
-É a tua vez agora.
Linda expirou fundo antes de falar apressadamente, contando que Eiji não ouvisse tudo.
-Sou a Linda Tsukino, faço dezassete em Agosto, moro com as Nakamura desde o inicio do mês de Setembro e não faço a mínima ideia do que serei no futuro. Adoro música, ler romances clássicos, fotografia, discutir política, dançar (qualquer tipo de dança, não sou esquisita), comer pipocas, bacalhau, sumo de maracujá, gelado de chocolate, liberdade, andar a cavalo, observar o pôr-do-sol e ter paz e sossego. Detesto… - a sua voz baixou o volume, decaindo até ficar fina como um fio. – Cercas, gatos, portas e janelas fechadas, que me controlem, mentiras, segredos, pesadelos, a língua alemã, pessoas cínicas e snobes, o cor-de-rosa – partilhou um sorriso com Eiji, cujos olhos estavam focados na rapariga. – Os meus pais… - a sua voz extinguiu-se, pensando em mais coisas que detestava. A lista parecia infinita, mas Eiji não merecia ouvir a lista melodramática de uma princesa frustrada. Encurtou a lista para detalhes adolescentes. – Canecas de vidro, pessoas que têm medo da própria sombra, palhaços, mosquitos e vestidos com estampados.

Eiji ficou calado por uns momentos.
-E ainda dizes que eu é que sou complexo… então detestas… gatos e palhaços? E és claustrofóbica, pelo que entendi.
Linda abanou a cabeça.
-Não. Apenas detesto o sentido metafórico de cercas e portas fechadas. Oportunidades perdidas, correntes que me impedem de me libertar. Entendes?
Ele assentiu.
-E então os palhaços?
Linda fez uma careta.
-Detesto-os. Não lhe acho graça nenhuma. Aliás, até me metiam medo quando era miúda, com aquela cara cheia de maquilhagem e roupas com cores berrantes e tamanhos exagerados.
-Sabes que isso é que tem a piada num palhaço, sabes?
-Então tens muito pouco sentido de humor. Onde já se viu pessoas encontrarem comédia em bobos da corte!
Eiji contorceu os lábios, de modo a não perder o controlo.
-Queres rir-te, ri-te. – Desafiou Linda, batendo-lhe no ombro. – É o que penso.
-Bem, ao menos não gostas de cor-de-rosa.
Os dois riram-se entre si, os rostos agora extremamente próximos. Quando Linda voltou a erguer a face, viu Eiji a olhá-la directamente nos olhos e a sorrir-lhe. Sentiu um pequeno rubor nas faces. Nunca estivera assim tão próxima de um rapaz.
-O que foi? – Perguntou, nervosa.
-Estava a pensar no teu nome. – Respondeu ele, naturalmente.
-E o que tem?
-É estrangeiro.
-O meu pai é inglês.
-Então porque tens nome japonês?
-Porque o meu pai também tem nome japonês. – Respondeu, afastando-se dele. Sabia que, se mentisse, seria muito pior. Portanto, optou por não dizer nada.
Ele não pareceu satisfeito, mas concordou em largar o assunto sem qualquer problema.
Ao longe, ouviu-se o toque da campainha. Levantaram-se os dois, Linda perguntando-se vagamente se Eiji havia almoçado enquanto percorria os corredores cheios de alunos silenciosamente.
Depois de entrar na sala, foi cada um para o seu lado. Junto à janela.


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 08 Dez 2011, 04:54, editado 3 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sab 29 Nov 2008, 15:39

ih! está muito kawai!

xeira-me a romance! ^^

espero bem que sim! lol

anseio por mais! bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sab 29 Nov 2008, 15:46

obrigada pelos teus comentários.. e bom saber que esta fic interessa a alguem Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por MoonSerenidade em Seg 01 Dez 2008, 11:46

tou uns dias sem vir ao forum e já á "romance" no ar

adorei o capitulo

espero por mais

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Seg 01 Dez 2008, 13:49

obrigada.. vou ver se posto um novo na 4º Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 05 Dez 2008, 13:33

e aqui está o meu novo capítulo (que tive que voltar a passar, porque clikei onde nao devia Mad) Boa leitura study

reescrito a 08/12/2011
Capitulo 5. Conhecimentos

Linda jurava que conhecia Eiji e a amiga de Mari em algum lado, ou no palácio ou nos seus sonhos, com aquela aparência de príncipe e princesa que os dois tinham. Quando finalmente soube o seu nome, Cecília Tamura, não ficou muito esclarecida mas ainda assim algo lhe dizia que a conhecia de algum lado. Era parecia ser a aluna preferida de qualquer professor. Tinha ar de menina educada, era calma e muito cordial, para além de ser uma estudante exemplar fazendo todos os exercícios pedidos. Sabia disto só de a observar no quadro uma única vez.
Imaginar uma rapariga calma como Cecília fazer amizade com a volátil Mari era uma imagem estranha. Já Eiji era uma estranha personificação do seu irmão. A forma como ele se sentava e passava as mãos pelos cabelos loiros, despenteando-os, era em tudo muito semelhante ao irmão. Mas, apesar de tudo, era também muito cordial, sempre exibindo o seu sorriso charmoso e também não era uma má mente, tendo sido ele a apontar um erro nos cálculos de Cecília na aula de matemática.
Todavia Cecília e Eiji nunca puseram os pés no palácio e isso Linda tinha a certeza, com a tia Rei sempre a falar dos rapazes que iam, afim de encontrar um par para Linda e a inexistência de raparigas da sua idade para conversar. Se Cecília tivesse lá posto os pés um dia que fosse, ela teria sabido.
Nos seus sonhos também tinha a certeza que não apareciam porque Linda parecia ser a única pessoa sem sonhos. Muitos diziam que era normal não se lembrar dos seus sonhos mas Linda lembrava-se. Lembrava-se do nada. Era sonhos vazios como uma cassete de fita virgem, sem qualquer imagem lá registada.

Quando chegou a última aula do dia, Linda deu por si na aula mais secante em toda a sua vida, o que algo a considerar, sabendo que ela tivera durante vários Verões. Deu por si a perder a atenção naquela professora de inglês, que cometera vários erros sem ninguém que não fosse Linda suspeitar. Era irritante ouvir erros vindos dos professores. O professor da aula de Língua Japonesa nunca cometera erros de sintaxe mas ouvi-los na sua outra língua materna - o inglês - era o dilúvio.
Controlando a súbita vontade de enforcar a professora, pegou numa folha em branco e começou a rabiscar.
Não reparou que não era a única a fazê-lo. Mari passeava o lápis por entre a sua folha distraidamente, a sua mente levando-a para a semana em que Linda chegara, quando vira um certo rapaz num café.
E, tal como provando serem de sangue real, tanto Eiji como Cecília notaram nas distracções das colegas do lado e decidiram distraí-las com assuntos menos banais.
-Podias prestar um pouco de atenção. - reclamou Cecília para a companheira. Esta suspirou, saturada.
-Para o caso de te esqueceres, inglês é a disciplina que tenho melhor nota.
-E talvez a única. Isso não quer dizer que tenhas que estar distraída. - Silvou a morena.
Mari encolheu os ombros.
-Tenho outras coisas a pensar.
-Tais como? - perguntou a sua amiga. Mari não respondeu.

-Quantos amigos já tens? - perguntou Eiji casualmente.
-Acabei de chegar, achas mesmo que fiz amizade instantânea com qualquer um? Além disso, o meu estatuto social não depende do número de amigos que tenho.
-Moras com a Mari, certo? - inquiriu ele, ignorando a última parte.
Linda desviou os olhos para a folha de papel.
-É complicado. – Murmurou, a sua mão esquerda brincando com o lápis.
-Não tens amigos lá fora?
-Sim. Seiji e Naomi. São netos de amigas das minhas avós. Mas não somos muito próximos. Eles nem sempre podem estar comigo.
-Antes isso que ninguém. E irmãos?
Linda demorou um pouco a responder.
-Tenho um.
-E...?
Ela fitou o rapaz, semicerrando os olhos.
-Isto é algum interrogatório?
-Não. - assegurou Eiji, aproximando a cabeça da dela. - Só gostava de saber quem é que tens aqui para te ajudar. Porque aviso-te já, enquanto tu não conquistares a confiança de Mari, ninguém nesta turma será cordial para ti.
Linda engoliu em seco.
-É complicado. Tive... problemas em casa e então vim para a casa da Aiko. O meu irmão há já muito que saiu de casa.
-Onde é que ele mora?
Linda abanou a cabeça, tristemente.
-Não sei. Mas talvez nem queira saber.
-Como se chama?
Linda deitou-lhe um olhar desconfiado.
-Vais me dizer que, se eu te disser o nome, saberás quem ele é? Conheces toda a gente em Tokyo?
-Não. Mas o meu irmão conhece muita gente. Tem contactos. Se eu e ele não soubermos, haverá sempre um amigo que saiba. Pelo menos considerando a ideia de que o teu irmão anda na faculdade.
Isso ela não sabia. Kenji sempre quisera fazer algo que nada tivesse a ver com o seu legado real, mas isso abrangia muito curso.
-Chama-se Kenji.
-Kenji Tsukino? - Eiji fez uma careta. - Soa mal.
-É um nome. - Protestou Linda, sabendo que o irmão não usava o nome da avó como ela. Eiji nunca o encontraria.
-Conheço dois Kenji's. Um é da faculdade de direito e outro é da faculdade de medicina. Mas nenhum é Tsukino.
Linda sorriu levemente.
-Esquece Eiji. Não tenho muito interesse em encontrar o meu...
-Por acaso chama-se Chiba? - perguntou ele de repente.
Linda congelou. O lápis deslizou por entre os dedos suavemente, caindo na folha.
-O quê?
-Chiba. Kenji Chiba?
-É provável. - respondeu Linda calmamente. Chiba era o nome do avô. Seria possível...
Eiji pareceu pensativo. Ficou calado por uns momentos, o único som audível sendo a voz enfadonha do professor.
-Era muita ironia ele ser o teu irmão. - sussurrou ele lentamente.
-Porquê?
-Porque esse Kenji Chiba é o meu companheiro de quarto.


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 08 Dez 2011, 05:27, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Sex 05 Dez 2008, 13:58

a tua fic esta mesmo muito boa.Surprised.o: fico a espera de outro capitulo

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 05 Dez 2008, 15:10

obrigada Smile

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 14 Dez 2008, 09:35

reescrito a 08/12/2011
Capitulo 6 – Encontros por acaso


Eiji tinha razão. Se não conquistasse a confiança de Mari em algum tempo, arriscava-se a ficar presa em situações destas muitas vezes.
Era o dia de algumas colegas limparem a sala. Mas, por algum motivo, o nome dela foi parar à lista. E os outros desapareceram. Logo, ela tinha que ficar a limpar a sala de aula sozinha. Eiji já tinha ido, ainda que tivesse se oferecido para ficar e ajuda-la. Linda recusou e agora espremia um pano húmido para limpar as mesas.
Não seria muito difícil, se estivesse habituada a fazê-lo. Os pais nunca a deixaram pegar num pano pois, segundo eles, era atitude imprópria de uma princesa. E ali estava ela, com o pano numa mão e um esfregão na outra, enquanto tentava tirar uma maldita pastilha elástica debaixo de uma das mesas, usando luvas.
Quando acabou, olhou para o que fez. Ninguém podia queixar-se que ela era preguiçosa. Esse adjectivo pertencia ao irmão. Acordava sempre tarde, baldava-se aos seus deveres. Riu-se, guardou os produtos de limpeza na despensa e saiu da escola.
Fazer amizade com Mari estava fora de questão até a loira aprender a ter maneiras. Linda jamais ganharia a confiança dela se não lhe contar o seu segredo. E não o faria com Mari. Não quando pessoas como ela eram a razão para ela ter um segredo. Pressões, correntes. Tudo isso fizera parte do seu dia-a-dia. Agora não. Até parece que Linda queria que todos gostassem dela. Muito pelo contrário, quanto menos chamasse as atenções melhor.
Deu uma olhadela pelas montras das lojas que tinham roupas e artigos muito bonitos. Desde um casaco á cowboy, que voltara a estar na moda até uma pequena corrente de prata simples que se encontrava numa montra de uma famosa joalharia. Observou o colar. Parecia-lhe uma corrente vulgar. E não passava disso se o seu brilho prateado não enfeitiçasse todos quem o olhavam. Menos Linda. Já vira algo mais brilhante e poderoso. O Cristal Prateado. Esse tinha um poder que nunca usaria. Pertencia á avó e pertenceria à mãe. “Mas não a mim! Não o mereço!”. Não era uma Sailor. A avó fora uma nos tempos de juventude e a mãe também, mas ela não tinha qualquer poder ou a avó ter-lhe-ia dito.

Parou numa esquina, desconfiada. Tivera a impressão que vira alguém familiar. Olhou para o outro lado da rua e viu uma rapariga morena de cabelos apanhados.
Naomi.
Deu uma gargalhada descontraída. Esta vinha vestida de fato de treino o que, juntamente com os cabelos escuros apanhados, davam-lhe um ar de quem acabara de sair do ginásio. Mas o motivo para a gargalhada de Linda era que Naomi andava a passo rápido para fugir de outra mulher vestida como uma mulher de negócios que tentava, sem sucesso, passar despercebida. Avançava, olhando para todos os lados, como se estivesse a ser seguida. Ou a seguir alguém. A roupa era um conjunto. Fato cor de laranja e camisa num amarelo mais escuro. Os sapatos eram amarelos, que contrastava com os cabelos loiros. Usava óculos escuros.
Com o alto som da gargalhada, Naomi fitou a amiga e, zangada, virou-se para a outra:
-Podes parar com essas fitas, Minako? Ela já nos viu e, para tua informação toda a cidade de Tokyo está a olhar para ti neste momento. – Disse a jovem, enfurecida.
-Hum? De que é que estás a falar? – Minako tirou os óculos e mostrou os seus enormes olhos azuis. – Oh, Linda, como estás? Uh, uh! - Disse, gritando do outro lado da rua.
-E pensar que ela fez um grande discurso para que, quando a encontrássemos, fossemos discretas, mas parece que não falou para ela – sussurrou Naomi, aproximando-se de Linda. Mal se viu a menos de dois passos, agarrou a amiga num abraço -Estás bem?
-Bem? Como é que vocês sabiam que eu estava aqui? A minha avó...
-Acho que não entendeste o plano da Usagi. - disse Minako, também ela envolvendo Linda num abraço. - O plano era tu fugires dos teus pais. Não dos teus avós de nós. Sabemos perfeitamente onde tu andas.
De certa forma, Linda não gostou muito do plano. Sabia que a avó lhe estava a dar o gosto pela liberdade mas, no fundo, ainda se encontrava vigiada. Agora o porquê, Linda não sabia.
-Estou a ver. - foi tudo o que disse.
-Como vai o primeiro dia? Os rapazes da tua escola são giros? – Minako piscou o olho a Linda, enquanto Naomi revirou os olhos. Linda tentou controlar o sorriso ao ver Minako tentar parecer completamente alegre e descontraída, quando o seu rosto escondia marcas de preocupação. Aquele encontro não era por acaso.
-Bem, o que é que vocês estão aqui a fazer?
-Pois, e agora muda de assunto…
-Não penses que consegues irritar-me que hoje estou de muito bom humor – ripostou Linda, mordendo o lábio inferior, sinal de mentira. Sorte a dela que apenas o irmão conhecia esse sinal.
-Mas então, como é a tua casa? E a anfitriã?
-Óptima! É muito simpática e carinhosa. Gostava de saber como é que ela e a avó se conhecem.
-Bem… ah… isso tens de perguntar á tua avó! - disse Minako, hesitante. Linda ergueu uma pestana.
-hum… algo está mal nessa história.
Minako pareceu engasgar-se na sua própria saliva e até Naomi pareceu preocupada. Minako abanou a cabeça e disse, num tom superior.
-Atreves-te a desconfiar de mim? Respeitinho que sou mais velha que tu!
-Só se for nas rugas, porque no cérebro ainda és uma autêntica criança. - Disse Naomi, cruzando os braços.
Minako lançou-lhe um olhar penetrante, mas Linda viu os cantos dos lábios da mulher contorcerem-se num leve sorriso.
-Não te armes em espertinha, miúda. Sabes como diz o ditado: Quem corre por gosto, cai sempre!
-Minako, diz-se “quem corre por gosto não se cansa” e não estou a ver o que é que tem a ver com a conversa. - Intercedeu Linda.
-Ora, é tudo a mesma coisa! - disse Minako, encolhendo os ombros de uma forma exagerada.
-Não é não… de acordo com a avó da Linda, a minha e as outras, tu és a única que ainda não cresceu. – Meteu-se Naomi, irritada pela milésima vez com os erros de Minako.
-Andas a falar muito com a Ami, não?
-Meninas... e senhoras... Podiam parar de discutir e revelar-me porque que estão aqui?
As duas pararam e viraram-se para Linda. Dava impressão a Minako ouvir Usagi dizer palavras tão correctas e calmas. Abanou a cabeça. Aquela não era a sua amiga, agora uma mulher que já fora Rainha. Era a sua neta, uma jovem responsável e… muito especial.
-bem, a verdade é que viemos aqui para saber se estás arrependida. – Disse Naomi, calmamente.
-Como podia estar arrependida? Era isto que eu queria.
Breve e mais uma vez, calma. Linda fitou as amigas. Naomi estava calma, como se aquela fosse a resposta que quisesse ouvir. Já Minako não. Ela viera por outros motivos.
-Naomi, podes ir ali ver aquele maravilhoso casaco á cowboy e comprar-me um, por favor? – Pediu Minako.
-Mas que lata! Porque não vais tu?
-És mesmo resmungona como a tua avó! Vai lá e ainda podes comprar gominhas se quiseres – disse, dando dinheiro a Naomi, que ainda tinha a boca aberta e olhos furiosos. – E fecha a boca se não entra mosca.
-Ao menos nesta expressão ela acerta – murmurou, afastando-se de Minako e Linda. Esta podia jurar que os olhos de Naomi haviam aumentado de tamanho em reconhecimento por uns momentos, quando Minako lhe deu o dinheiro.
Já sozinhas, Minako não perdeu tempo em ir ao assunto.
-Sabes onde está o teu irmão?
-Não! Porquê? – Não se atreveu a revelar que tinha uma vaga ideia onde ele estava.
-Bem me parecia! A tua avó recusou-se a dizer onde ele estava, assim como o teu avô.
-Talvez por medo que os nossos pais descubram.
-Não! É por outra razão.
-Qual? – O bichinho da curiosidade decidiu meter-se. Porque é que Kenji fugiria dos seus avós.
Minako suspirou, como se tentasse descobrir uma forma de dizer algo grave.
-Bem. Antes de sair de casa o teu irmão teve uma discussão com os teus pais.
-Sim. Isso, eu sei. Estava na sala ao lado quando isso aconteceu.
-Pois, acontece que o teu irmão ofendeu o teu pai. E ele…
-E ele o quê? O que é que o meu pai fez? – Exigiu Linda, fúria claramente visível nos seus olhos
-Ele deserdou o próprio filho.
Não conseguia acreditar. O seu pai tinha muitos defeitos, mas Linda nunca o imaginaria a fazer algo tão arrogante.
-Como? Como é que ele fez isso? Ele não pode… a rainha absoluta é a minha mãe. – Linda olhou em volta, a ver se ninguém a tinha ouvido. – Ela não fez nada?
-A questão não é deixar de ser rei, porque para começar era esse o objectivo dele. O problema está em que o deserdou de tudo. De ser seu filho.
-O quê? – Linda segurou-se a um poste ali perto, sentindo-se tonta. Era como se a realidade a tivesse atingido ao fim de tantos anos a acreditar no contrário. Todos diziam que os pais, no fundo, a amavam a ela e a Kenji, mas isto provava o contrário. Eles não queriam saber dos filhos para mais nada a não ser os direitos ao trono.
-E a Rainha, o que fez? Suponho que nada, sendo ela uma autêntica cobarde. - Cuspiu a rapariga, cega de raiva.
-Linda não fales assim dela! Ela tentou. - disse Minako, mas não muito segura.
-Tentou? Aposto que ficou sentada na cadeira com a cabeça virada para o chão enquanto alguém com mais coragem defendia o filho dela.
Minako baixou a cabeça. Linda estava certa. Lembrava-se de ouvir Usagi gritar para o genro, enquanto Mamoru tentava acalmar o neto, para depois também explodir. O pior foi quando Kenji se dirigiu para a mãe:

**flashback**
-E tu? Que tens a dizer? Também não queres ser minha mãe?
-Acalma-te Kenji! De certeza que ela terá algo a dizer – Usagi virou-se para a filha, que ainda tinha os olhos fechados de onde saíam lágrimas. Permanecia calada e, ao fitar a mãe, não disse nada.
Kenji riu-se no meio de lágrimas que tentava controlar e gritou:
-Tenho pena da Linda. Ela não merece os pais que tem. Uns cobardes e… hipócritas que só pensam neles!
-Como te atreves a falar assim? Sai já daqui! – Ordenou o rei.
-Só sai daqui quando eu quiser… quando nós quisermos – Mamoru fitou Usagi. Esta tinha ódio nos olhos, algo que após muitos anos, nunca esperaria ver isso nela.
Minako encontrava-se calada no canto. As outras estavam ocupadas. Além disso, Usagi pedira-lhe que viesse.
-Como queiram! Eu afastar-me-ei daqui. Nunca mais me porão a vista em cima. Adeus.
Kenji saiu, batendo com a porta com o máximo de força que conseguira. Já Usagi foi atrás dele. Mamoru aproximou-se da filha, que começara a chorar e sussurrou-lhe algo no ouvido, antes de sair. Minako olhou para a pequena menina que sempre gostara e vira discutir com a sua melhor amiga, agora uma mulher e mãe… Uma mãe que pouco valor dava aos filhos… e tudo por causa de uma maldição.


Última edição por AnA_Sant0s em Dom 25 Mar 2012, 14:02, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Ter 23 Dez 2008, 17:32

*-*

quero mais! mais!

OMG estou viciada!

adorei!´

espero pela continuaçao! bjux!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qua 24 Dez 2008, 08:31

obrigada.. tenho andado tao entusiasmada com a minha outra fic que me esqueci desta Razz
aqui está:

reescrito a 08/12/2011
Capítulo 7. Exigências

Linda fitou o chão. De cada vez que tentava encontrar alguma qualidade nos seus pais, dez defeitos caíam-lhe em cima. Porque é que um casal tão estranho como aquele pudera conceber dois filhos. Um seria aceitável, considerando as exigências para com o trono. Mas uma segunda filha?
Já tivera várias ideias acerca disso. Ela ter sido indesejada (a mais provável). Ou pior, não ser filha do Rei.
Nunca fizera as perguntas em voz alta. Já não bastava os segredos que lhe escondiam de cada vez que ela perguntava porque não era uma navegante, não queria agora ver as caras hesitantes quando ela fizesse a maldita pergunta.
Uma coisa era certa. Os seus pais sempre fizeram-na sentir como se ela nunca devesse ter nascido. E agora o irmão sofria a mesma dor.
Talvez fosse melhor procurá-lo. Começar por investigar esse Kenji Chiba que morava com Eiji e o seu irmão.
-Linda? - Ouviu Minako chamá-la. - Peço-te para procurares o teu irmão. Ele precisa de ti!
Linda assentiu. A sua relação com o irmão sempre fora estranha. Num momento Kenji era o melhor do irmão do mundo, mas noutro conseguia agir como os próprios pais. Era uma atitude instável, mas isso não impedia Linda de nutrir carinho pelo seu irmão mais velho.
Naomi aproximou-se delas com um grande saco castanho na mão.
-Aqui tem Madame! Espero que seja à sua medida. – Disse, exagerando no sarcasmo e entregando o pesado saco a Minako. Esta quase caiu com os seus sapatos de salto alto.
-Como está o Seiji? – Perguntou Linda, ansiosa por mudar de assunto.
-Muito bem… está cada vez mais feio a cada dia que passa. E mais inteligente.
-O que é que esperavas do neto da Ami Mizuno? – Disse Minako tentando manter o equilíbrio, acabando por cambalear.
-Bem… pode haver excepções… – Naomi olhou fixamente para Linda para depois virar-se para Minako. – E o teu netinho é a mesma coisa. É desastrado, totó e distraído. E ainda por cima já fez os vinte anos em Maio!
A mesma idade do meu irmão, pensou Linda sem conseguir evitar.
-ohh, não critiques sua invejosa! Quem te dera que ele te convidasse para sair. E vem mas é ajudar-me a carregar este maldito saco.
Naomi mordeu o lábio e aproximou-se e carregou o saco com facilidade.
-Gostava de saber onde vais buscar tanta força! – Comentou Minako, olhando para Naomi com um pouco de inveja.
-Ao leite! Que por acaso também devias beber, caso contrario ficas sem forcinha nessas pernas. Ficas fraca, até porque já estás velhinha.
-Não digas disparates que eu estou muito bem conservada, não é verdade Linda?
Linda deu um sorriso tremido e respondeu:
-verdade!
-vês. Como a nossa menina não mente, podemos considerar isto, a prova de que eu sou ainda muito bela e jovem.
Linda abriu a boca mas acabou por fechá-la. Naomi reparou, mas não disse nada a respeito:
-Temos que ir embora! Makoto vai fazer bolo de mel.
-bolo de mel? O que é isso? – Perguntou Linda.
-viu num programa de culinária umas receitas estrangeiras e gostou desta. É uma especialidade portuguesa.
-Portuguesa? – Perguntou Minako, confusa.
-sim. Portuguesa. É uma receita da Madeira. Portugal.
-Portugal? Aquela cidadezinha espanhola no sul da França?
Linda e Naomi riram-se ás gargalhadas, ignorando a confusa Minako que tentava lembrar-se onde ficava Portugal.

Despediram-se e seguiram caminhos opostos. Linda chegou a casa, cumprimentando o porteiro cordialmente. Não diria a sua casa porque apenas morava lá algumas semanas e mal conhecia as pessoas que lá viviam. Pegou na chave que Aiko lhe dera e entrou.
Mari estava a ver televisão e Aiko a cozinhar. Esta veio ter com ela:
-Ai! Mas que atraso! O que é que a menina esteve a fazer até esta hora?
-Estive a… limpar a sala de aula. - Respondeu Linda, decidindo evitar falar de Minako.
-Oh! Este tempo todo? Limpaste sozinha?
-Bem… - Mas quer que Linda fosse dizer não impediu Aiko de virar para a neta, zangada.
-Mari! Não ajudaste a Linda porquê? Eu não te disse ontem que tinhas que ser simpática? – Disse, colocando as mãos nas ancas.
Mari desviou os olhos da TV. Dava para ver que Mari respeitava a avó e não gostava de a ver zangada. Linda conhecia o sentimento.
-A culpa não foi dela! - disse, sabendo que, no fundo, as suas estranhas pediam ar de tanto se contorcerem. - Quinta temos teste de preparação e como eu estou mais dentro da matéria do que elas, ofereci-me para limpar a sala. Não limpei sozinha. Apenas terminei a minha parte mais tarde.
Mentira mesmo óbvia. Linda ainda tentava perguntar-se porque se dera ao trabalho de defender Mari. Bem, talvez fosse o seu subconsciente a arranjar forma de ela conquistar a confiança da loira, sem revelar o seu segredo.
-Hum… se foi assim… - Aiko não parecia ter acredita. Todavia, dirigiu-se para a cozinha, deitando um olhar desconfiado na neta. Esta olhava para Linda, numa estranha mistura de choque e desconfiança.
-Obrigada. - disse, como que contrariada.
Linda tentou não mostrar qualquer reacção ás desculpas de Mari. Sorriu levemente, tirou os óculos e limpou-os a um lenço
-De nada. - disse, calmamente.
-Não precisavas de me ajudar. – Toda a gratidão e simpatia de Mari desaparecera. – Não precisavas de te fazer de santinha.
-Eu não estava a querer-me fazer de santinha. Apenas conheço o sentimento de não querer decepcionar alguém que amamos, apesar de o fazermos.
Mari levantou-se. Os seus olhos examinaram Linda de alto a baixo, fazendo-a sentir-se exposta.
-O quê, exactamente?
-Como?
-De onde é que vens? Porque é que vens?
Linda semicerrou os olhos.
-Tu sabes a história.
-Aquela dos problemas familiares? A mim parece-me tudo treta.
-Pois bem, é a verdade. Não gostas problema teu.
-Mas que problemas te fariam mudar para a casa de uma estranha?
Mari parecia não desistir. Linda suspirou pesadamente.
-Não tens nada a ver com isso. Esta é a história que tenho para contar.
-Sendo assim não tens nada para me contar! – Mari sentou-se e continuou a ver televisão, ignorando a outra.

Linda controlou a súbita vontade de estrangular Mari e foi para o seu quarto. Tomou um banho refrescante, e sentou-se na secretária decidida a estudar um pouco para o próximo teste.
Mas as palavras frias de Mari, das suas colegas, de Eiji e de Minako não lhe saiam da cabeça.
Deitou-se na cama e não respondeu ao chamamento de Aiko para jantar. Pegou no pingente que a avó lhe dera e apertou-o para si, em busca de algum conforto.
Perguntou-se se a sua vida era apenas complicada porque era uma princesa. Adormeceu a pensar nisso.

Por volta da meia-noite, Aiko foi ver como Linda estava. Dormia que nem um anjo, o rosto sereno e os cabelos negros todos despenteados. Notou que a rapariga deitara-se com os óculos postos. Tirou-os suavemente do rosto dela e colocou-os na mesa de cabeceira. Foi aí que notou que Linda apertava um pequeno objecto com as mãos. Encolhendo os ombros à estranha imagem, saiu e fechou a porta do quarto.
Não notou que o pequeno pingente brilhava nas mãos de Linda.


Última edição por AnA_Sant0s em Qui 08 Dez 2011, 09:35, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Qui 25 Dez 2008, 12:39

esta mt gira quero mais um capitulo

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 25 Dez 2008, 17:17

obrigada mana =)
aqui está outro.. mais pequenino

reescrito a 08/12/2011
Capítulo 8. A conspiração

Longe dali, uma mulher caminhava pela sua esplêndida sala. Coberta de quadros maravilhosos, um tapete púrpura e uma poltrona também púrpura, a sala era o seu local preferido. O único onde tinha espaço suficiente para ouvir o eco da sua voz. Da sua bela voz.
Suspirou, levemente cansada. Vestia um vestido azul-escuro, com um discreto decote. Abriu as cortinas cor de vinho e a luz do luar iluminou os seus olhos negros e os seus cabelos azuis-escuros ondulados. Sorriu para o luar. O seu plano corria maravilhosamente. As Flores do Universo iriam pertencer-lhe em breve. Bastava apenas de encontrar os donos de tais poderes. Não seria muito difícil até porque tinha a maior fonte de todas: a Rainha.
Fazer-se de pobre coitada sempre fora o seu forte quando era miúda. E continuava a fazer efeito, sendo a vítima mais recente a Rainha Small Lady. O nome fazia-lhe pouco efeito agora, visto agora estar extremamente alta e bela. Conseguia controlá-la. Dava-lhe conselhos sobre como governar o reino. Também falava bastante com o marido dela, escondendo o desejo que nutria por ele há muitos anos. Todavia, este não era tão parvo e não caia nos seus esquemas, mas também conseguia ser fraco como a esposa. E no meio deles dos dois, ela controlava.
Havia também obstáculos na sua amizade com a Rainha. A “Rainha Velha”, como gostava de chamar a Usagi Tsukino, antiga Neo-Serenity. Ela detestava-a e sempre que ia visitá-las ao palácio, recusava-se a cumprimentá-la. Era um insulto! Mas um dia iria pagá-las. Assim que conseguisse o que queria, todos iriam pagar.
Sentou-se na sua poltrona. E sorriu. Assim que tivesse todas as Flores do Universo, governaria Cristal Tokyo e o Sistema Solar. E ninguém poderia pará-la. Ninguém.
Bateram á porta suavemente.
-Pode entrar! – Disse vagamente, ainda distraída nos seus pensamentos.
-Desculpe incomodá-la, Lady… mas é que temos novidades! – Anunciou uma sombra baixa e um pouco larga.
-Novidades? Hum… que tipo de novidades?
-É sobre a Flor de Júpiter!
-Conta! – Ordenou.
-Encontra-se numa rapariga do secundário.
-A sério? E o que te faz pensar nisso? – Perguntou, ainda desconfiada. Não esperava que a Flor de Júpiter de encontrasse numa jovem vulgar.
-É descendente da casa real de Júpiter.
Ela reflectiu um pouco. Fazia sentido que fosse uma jovem vulgar, considerando que o Reino de Júpiter havia-se extinguindo milhares de anos antes.
-Hum… sendo assim… trata dela!
-Muito bem Lady… – E a sombra retirou-se silenciosamente.
A mulher levantou-se e olhou para uma jarra com rosas vermelhas, posta em cima da mesa. Tinha esperanças de que a Rainha lhe contasse quem tinha a misteriosa Flor da Terra. Essa seria, sem dúvida, a mais difícil de encontrar. Mas afastou os seus pensamentos do plano por uns momentos e saiu da sala em direcção ao seu quarto. Ajeitou a almofada e tirou o vestido. Prendeu os belos cabelos e vestiu uma camisa de dormir. Deitou-se e sonhou com o seu maravilhoso plano.



Última edição por AnA_Sant0s em Qui 08 Dez 2011, 06:35, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Qui 25 Dez 2008, 17:26

mana é pequenina e muito boa continua que a historia esta a ficar muito interessante.Matreiro albino :dança: Surprised.o: :anjo2:

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 25 Dez 2008, 17:27

obrigada mana =)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Sex 26 Dez 2008, 04:56

adorei os capitulos, mas souberam-me a pouco! v.v'

posta mais, depressa!

please *-*

*mim faz beicinho*

adoro esta fic!

espero por mais! ^^


bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 26 Dez 2008, 07:10

obrigada =)

vou ver se posto um amanha ou hoje Razz

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Dom 28 Dez 2008, 15:42

aninhas, quando ha mais capitulo?

posta rapido, sim? ^^

bjux

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Ter 30 Dez 2008, 07:22

desculpa o (pequeno) atraso, mas fiquei inspirada e ainda tive uns problemas.. mas aki está Very Happy

reescrito a 12/12/2011
Capítulo 9. Universitários

Em Tokyo, o sol invadiu as divisões dos diversos apartamentos, espalhando luz luminosa nos diversos contornos da casa. O vento soprou suavemente nas janelas de vidro, convidando os moradores dos apartamentos a abrirem as janelas e deixarem entrar a brisa matinal. A aurora chegara e as ruas começavam a encher-se de diversas pessoas todas com um rumo definido pela rotina, desde o trabalho até uma consulta do médico, enchendo transportes públicos e passadeiras da cidade.
À mesma hora, no mesmo momento, dois despertadores nos quartos de duas raparigas tocaram o mais alto possível. Uma adiou o despertador para tocar cinco minutos depois. A outra levantou-se. Só quinze minutos depois a outra rapariga levantara-se da cama. Nessa altura, já a outra estava vestida e a tomar pequeno-almoço.
Mari espreguiçou-se na soleira da porta, admirando o pequeno-almoço que a avó colocara na mesa. Algumas torradas, leite, café e chocolate em pó. Sentindo o estômago a roncar, sentou-se e deu os bons dias à avó. Esta fez uma careta ao ver que Mari ignorava Linda por completo e esta correspondia o tratamento.
Haviam se passado três semanas desde o inicio das aulas e a relação de indiferença entre as duas revelara-se ser apenas o cume do iceberg. Aiko telefonara para a escola, sabendo que Linda andava isolada dos outros alunos, andando ou sozinha ou com um outro estudante de nome Eiji Yamamoto e que raramente participava nas aulas, o que contrastava com as boas notas que tirava nos testes. A directora aconselhara Aiko a falar com a rapariga, mas Aiko não era estúpida. Linda ainda não confiava o suficiente nela para lhe contar os seus problemas, quanto menos aceitar os seus conselhos.
Quando as duas raparigas saíram para a escola, Aiko deixou-se ficar junto ao balcão da cozinha, reflectindo se deveria avisar Usagi que a neta não se estava a enquadrar naquele mundo.

Linda mordeu o lábio de irritação. Mais uma vez, a professora cometeu um erro. Como é que a mulher podia ter-se doutorado com aqueles conhecimentos rudimentares a inglês? O sotaque tão forçado era quase incompreensível e por vezes dava-se ao luxo de trocar vogais e consoantes.
Consultou o relógio. Faltavam cinco minutos para o fim daquele inferno. Ao seu lado, Eiji conversava animadamente com um colega, de nome Ryo Sato, acerca de qualquer coisa excitante.
-A sério, o Setsu disse-me que hoje ia ser brutal. – Comentou Eiji, o rosto contorcido num semblante de exaltação.
-Para ele, todos os dias são brutais. Afinal, é ele que praxa os pobres coitados.
-Que daqui a uns anos seremos nós. – Apontando Eiji, sorridente.
-Felizmente não será o teu irmão a praxarmo-nos. – Disse Ryo, claramente aliviado.
Eiji assentiu, também ele contente por essa pequena bênção dos deuses. A professora aumentou o tom de voz, obrigando os rapazes a separarem-se. Eiji olhou para Linda e, vendo que ela prestara atenção à conversa, disse.
-Podias vir hoje.
-Aonde?
-À universidade de medicina. O meu irmão vai lá estar a praxar. E… o Kenji Chiba também. – Completou Eiji calmamente, observando a reacção de Linda ao nome. Esta suspirou, lembrando-se daquilo que Minako dissera e, devagar, assentiu com a cabeça.
-Sim. Às tantas vou. Esperas por mim?
-Claro, se vem que não virás só comigo.
-Como assim?
Eiji corou um pouco.
-Bem, é que é já uma pequena tradição da turma ir ver as praxes dos outros estudantes. Para vermos o que teremos que lidar no futuro. Por isso, deve ir quase toda a gente.
Linda sorriu, um pouco espantada pelo interesse da turma nas praxes japonesas. No fundo, também ela estava curiosa. Apenas vira praxes nos filmes e, se estes fossem de confiar, ela deveria ter muito medo mas também muita ansiedade pelo futuro numa universidade.
-Ok. – Disse, simplesmente.
Quando a campainha tocou, Eiji desculpou-se e foi ter com o rapazes dizendo a Linda para ir andando (atrás da fila de gente) que ele iria ter com ela. Linda concordou e ficou para trás a arrumar a mochila.
Ao longe, Cecília repara-se para ir embora com a sua amiga carrancuda quando notou na outra rapariga sozinha no fundo da sala.
-Ela não vem connosco? – Perguntou, semicerrando os olhos para Mari.
-Não, ninguém a convidou. – Respondeu Mari num tom indiferente.
-E porque será? – Cecília virou-se para a amiga. – Qual é o teu problema? Ninguém fala com ela por tua causa.
-Hum… não sei porquê. – Disse Mari, arrumando o caderno na mochila, fingindo ignorância. - Eu não controlo as amizades e as vidinhas dos outros.
-Controlas sim. Indirectamente. Tens influência nesta turma e, sem o teu consentimento, eles não deixam a Linda entrar no grupo.
-E porquê é que a queres no grupo? Ela esconde-nos algo. – Retorquiu Mari. Cecília bufou de frustração, colocando as mãos nas ancas.
-E só por isso é excluída? Tem juízo Mari! Toda a gente tem segredos que não contam a ninguém. Por alguma razão são segredos.
-Sim… mas o segredo dela é mais alguma coisa. E já te expliquei porquê.
-Isso não justifica. Nós também temos segredos. Não tens nada que a julgar só porque ela não conta cada detalhe intimo da vida dela. Aliás, até consigo respeitá-la por causa disso.
Mari voltou-se para Cecília. Esta exibia um sorriso. Recomeçou a falar.
-Eu gosto da Linda. É directa, honesta e, tenho que ser sincera, um pouco familiar. Além disso, não sinto nada quando estou perto dela. Pelo menos nada de incomum. Depois se fores amiga dela, ela contar-te-á o seu segredo, mais cedo ou mais tarde. – Mari encolheu os ombros, Cecília continuou. – o melhor que tens a fazer é convidá-la para vir connosco.
-Vai tu! Já que és uma santinha de rapariga que só vê o bem em todos. És a nova Madre Teresa de Calcutá.
-Pois, pois… goza enquanto podes. Um dia receberei o prémio Nobel! – Cecília virou as costas para a amiga, aproximando-se de Linda com um sorriso cordial – Olá!
-Olá – Linda sentiu a tão familiar sensação de que conhecia Cecília de algum lado voltar a surgir, ao ver o sorriso cordial da outra jovem.
-Vais para casa?
Linda abanou a cabeça.
-Não. Eiji disse-me para ir com ele à praxe de medicina e eu cá aceitei.
O rosto de Cecília iluminou-se
-Ainda bem. Não podes perder esta experiencia. Há sempre alguma coisa nova ou engraçada para ver.
Linda controlou uma gargalhada.
-Tens noção que estes caloiros ainda hão de se vingar indo ver a tua praxe?
-Sim, mas até lá gozamos com fartura. – Cecília riu-se até que notou que Mari já não estava na sala.
-Bem, o Eiji deve ter ido com os rapazes. Queres vir connosco? – Perguntou Cecília, sorridente.
- A Mari não vai gostar. – Comentou Linda, mas Cecília teve a sensação de que Linda achava que o seu argumento era apenas mais um motivo para ela ir.
Pediu desculpas com o olhar.
-A Mari é muito desconfiada. Saber que as pessoas escondem algo e se recusam a contar… Toca-lhe, fica logo a pensar no pior e em como esse segredo possa fazer mal às pessoas.
-Um pouco diferente de ti, pelo que vejo. – Murmurou Linda, olhando Cecília nos olhos.
-Não muito. Por algum motivo somos amigas.
-Para ser honesta, achei que fosse pela atracção dos opostos. – Comentou Linda, sorrindo ao de leve. – Tu pareces uma aluna perfeita e Mari a aluna rebelde.
Cecília corou um pouco.
-É um pouco difícil desligarmo-nos das nossas raízes. Fui criada assim, dificilmente mudarei por causa da minha amiga temperamental.
O sorriso de Linda desapareceu.
-Seria bom não? Desligarmo-nos das nossas raízes? – Murmurou suavemente, não esperando uma resposta vinda de Cecília. Mas esta, ignorando a estranha sensação que percorria o seu estômago, respondeu calmamente.
-Se assim fosse, não seríamos nós mesmas.
-Mas… e quando não sabes quem és?
A pergunta apanhou Cecília desprevenida. Para sua sorte, Linda pareceu não querer continuar a conversa, ajeitando a mochila nas suas costas e sorrindo para a outra.
-É melhor irmos andando. Não queremos que a Mari derreta de tanto esperar. É um prazer conhecer-te, Cecília.
-É um prazer conhecer-te, Linda.
As duas foram para junto de Mari, que não escondeu o olhar de ódio a Linda. Esta sorriu e prosseguiu caminho com as outras duas falando para Cecília.
Mais à frente, Linda encontrou Eiji que cumprimentou as três raparigas e pegou na mão de Linda para a apresentar a alguém.
Mari rosnou involuntariamente, virando-se para a amiga. Esta parecia reflectir.
-Vês o que eu te disse. Ela esconde algo de errado.
-Não. – Intercedeu Cecília calmamente. - O que quer que ela esconda não é errado. Pelo menos para nós. – Virou-se para a amiga – acho que são problemas familiares.
-Problemas familiares? Mas essa é a história que ela deu a todos.
-E já paraste que ela pode estar a falar a verdade. Que o segredo dela tem realmente a ver com problemas familiares?
Mari franziu a testa.
-Não pode ser só isso. – Teimou, provocando um suspiro na amiga.
-Mari, nem toda a gente tem uma vida familiar perfeita. E tu devias saber disso melhor do que ninguém.
Mari parou, enquanto Cecília continuou a andar sem olhar para ela. Sim, ela sabia o que era ter problemas familiares. Não eram grande drama, mas sempre pesavam na alma. Mas, se os problemas de Linda fossem os mesmos que os dela… porque escondia? A não ser que fosse mais alguma coisa…
Ao ver que estava a ficar para trás, abandonou os seus pensamentos e correu para alcançar os outros.

***
-Estou a ver que fizeste amizade com a Cecília. – Comentou Eiji, sorridente.
-Sim, ela é bastante simpática. Mas afinal porque me trouxeste aqui? – Perguntou Linda, curiosa.
Estavam nas traseiras de um grande edifício, onde um grande portão pintado de cinzento separava-os da Universidade. Junto ao portão, postavam alguns jovens mais velhos que ela e Eiji. Este assobiou para um.
-Setsu! – Chamou, atraindo a atenção de um moreno bem-parecido. Este aproximou-se, com um sorriso de rufia.
-Hei pimpolho, vieste afinal? Não te rias muito, que há aqui gente com memória fotográfica. Se te apanham na tua praxe…
-Eu sei, eu sei. Olha, onde está o Kenji? – Perguntou. Linda engoliu em seco. Já não bastava os dois irmãos Yamamoto serem bem mais altos do que ela, também aquela zona estava cheia de homens mais velhos a olharem para ela estranhamente.
Setsu suspirou, passando a mão pelos cabelos.
-Estás com sorte. Hoje consegui convencê-lo a sair de casa. Aquele rapaz parece que nem tem vida social. Ainda está em Microbiologia. Temos que esperar. – Olhou para o lado, notando em Linda pela primeira vez. – E esta, é tua amiga?
-Ups, quase que me esquecia. – Eiji sorriu para os dois. – Este é o meu irmão Setsu Yamamoto. Setsu esta é a Linda Tsukino.
-Ah, a rapariga que não paras de falar. – Os dois jovens coraram, por motivos diferentes. Linda tossiu dramaticamente.
-Muito prazer. – Disse, estendendo a mão. Setsu aceitou o gesto, os seus olhos castanhos emitindo um estranho brilho.
-O prazer é todo meu, Linda.
-Então… tu não foste a microbiologia? – Perguntou Eiji, tentando manter conversa.
Setsu encolheu os ombros.
-Também não irias se não tivesses o professor que eu tenho. Não se estende nada. Além disso, o pessoal já combinou uma troca de apontamentos para estudarmos em grupo. Teremos que estudar e temos.
Linda sorriu e olhou por detrás do ombro de Setsu. Muitos jovens, rapazes e raparigas passavam agora os portões, todos com camisolas brancas. Setsu assobiou.
-Então Linda, já viste um dia de praxe? – Perguntou, casualmente. Linda negou logo e o seu sorriso não podia ter aumentado mais. – Pois então vais-te divertir muito. Observa bem.

***
-Ele é louco.
Eiji estava prestes a levar uma lata de refrigerante aos lábios mas parou a ouvir a companheira.
-Só agora é que notas? Por algum motivo os caloiros tremem quando vêm o meu irmão.
-Ele é sempre assim? – Perguntou Linda, um pouco receosa mas sem conseguir tirar os olhos do grupo concentrado à sua frente. Ao seu lado, Cecília controlava as gargalhadas e Mari não era tão discreta.
Eiji reflectiu um pouco.
-Ele tem um sentido de humor um pouco… estranho.
-Não encontras melhor eufemismo?
-Nah, ficaria muito tempo a pensar… - Os dois trocaram um olhar, sorrindo. Setsu aproximou-se.
-As meninas querem juntar-se à praxe? – Perguntou a Mari, Cecília e Linda. Mari recusou confiante e Cecília abanou a cabeça, incapaz de falar. Linda não respondeu, iniciando um jogo de olhares. Por algum tempo, nenhum dos dois desviou os olhos um do outro, sem pestanejar. Até que Eiji tossiu dramaticamente e Setsu cedeu.
-Bronco, fizeste batota? – Reclamou o mais velho, perante o sorriso vitorioso de Linda.
-A vida não é justa, meu irmão. Além disso, a Linda não se distraiu.
Linda mordeu o lábio, não se apercebendo como o seu resto provocara um certo rubor nos rostos dos dois irmãos. Estava perdida em pensamentos de quando estava no palácio, fazendo este jogo com o irmão. Ao fim de muitos anos de prática, não era qualquer um que a vencia.
-Bem, presumo que isso seja um não, certo?
-Correcto. – Confirmou Linda. Ao seu lado Cecília parecia prestes a ceder ao riso. Setsu olhou para as duas.
-o que é que eu tenho que fazer para vocês as duas virem comigo para ali? – Perguntou, a voz um pouco sedutora. Mari riu-se e Eiji revirou os olhos.
Linda e Cecília entreolharam-se.
-E que tal uma lap-dance? – Sugeriu Cecília, rindo-se ao ver o rosto de Setsu contorcer-se. – Ou não tens perfil para tal?
Setsu semicerrou os olhos.
-Lamento, mas há desafios que um homem não pode aceitar. Os caloiros respeitam-me e assim terá que permanecer.
-Tretas, eles não te respeitam. Temem! – Disse Eiji. Setsu virou-se para ele, sorrindo maliciosamente.
-Meu caro irmão, isso é praxe!

***
O dia passou muito bem, com toda a gente (com excepção de alguns caloiros) a adorarem o dia. Era uma excelente experiência e Linda deu por si a beber dois refrigerantes, uma sandes e a conversar com Eiji, Cecília, Setsu e até mesmo Ryo sobre o dia. Mari recusava-se a sequer reconhecer a sua presença, mas não conseguia de importar. Tal como Cecília dissera antes, é difícil desligar-se das suas raízes e ela, tendo sido criada num mundo de indiferença, sabia muito bem como lidar com ela.
Eram já quase sete da noite quando começaram a ver-se sinais de cansaço. As luzes da rua haviam-se ligado horas antes, por ser Outono e Linda estava um pouco cansada por estar de pé. Alguns já se tinham ido e, com muita gente a entrar e a sair da faculdade, Linda podia jurar que as únicas caras conhecidas estavam ao lado dela.
Cecília afastara-se, deixando Mari e Linda lado a lado. Mas, pela primeira vez, Mari não pareceu se incomodar. Estava perdida nos seus pensamentos, ao lembrar-se do dia em que Linda viera para sua casa. De tarde, ela e a sua avó foram fazer a matrícula, deixando-a num café perto da escola. E nesse café, ela passara por uma experiência insólita na sua vida. Num café pouco movimentado a aquela hora do dia e num espaço consideravelmente grande, conseguira esbarrar numa pessoa, entornando o seu café nas roupas. O rapaz pedira desculpas e pagara-lhe um novo café, mas desaparecera assim que ela fora à casa de banho. O empregado dissera que ele tivera que ir porque recebera uma chamada urgente e que esse rapaz – cujo nome ela nunca soubera. – Voltara a pedir desculpas pelo incómodo. A camisa ficara estragada e o café deixou de lhe saber bem. Havia qualquer coisa naquele rapaz que despertou uma má sensação no estômago e Mari não estava habituada a isso.
Deu várias vezes por si a pensar nele, nos seus olhos expressivos. Mal os viu, soube que ele estava distraído e terrivelmente arrependido.
Corou levemente ao imaginar aquela íris azul-escura focada inteiramente nela. Afastou esses pensamentos ao lembrar-se de outra pessoa que conhecia e que tinha olhos azuis.
Viu, pelo canto do olho, Linda tirar os óculos e limpá-los a um lenço. A rapariga tinha lentes de contacto e usava óculos. Há coisas que simplesmente não se entende.
Ao mesmo tempo, as duas olharam para o portão. E, ao mesmo tempo, viram um rapaz a sair, com cadernos na mão.
Este foi cumprimentado pelos caloiros, mas mal lhes prestou atenção. Setsu foi ter com ele, cumprimentando-o como um velho amigo. Linda sabia porquê.
Porque aquele era Kenji Chiba.
O seu irmão.

***
Agora ali, vendo-o ao longe, já não lhe parecia muito boa ideia encontrá-lo. Kenji parecia muito seguro e, ao mesmo tempo, despreocupado. Como é que alguém como ele precisaria dela?
Ou talvez fosse ela a precisar dele. Isso explicaria a sua pequena obsessão em encontrar o irmão. Mas agora a coragem fora-se. Só queria que ele não notasse em si.
Tentou esconder-se por detrás dos outros, ficando atrás de Cecília e Eiji. Este olhou para ela, desconfiando, perguntando silenciosamente o que ela estava a fazer. Linda fingiu-se ocupada a apertar os sapatos, procurando ser invisível para Kenji e colocando os cabelos à frente do rosto, usando a cascata de cabelo negro para esconder o rosto.
Todavia, realizara o movimento com mais brusquidão que devia. Os seus óculos caíram no chão mesmo à sua frente. Antes mesmo que os pegasse, uma mão fê-lo. Uma mão que procurou os olhos dela instintivamente e os colocou acima do nariz.
O mundo pareceu parar para os dois. Kenji engoliu em seco, os olhos tão semelhantes aos da irmã examinando-a de alto a baixo, como que não acreditando no que via.
Já Linda ajeitou os óculos e tentou manter uma postura firme. Não era a altura para parecer nervosa. Principalmente frente ao seu irmão mais velho.
-Surpreso por me ver? - Murmurou suavemente. Kenji sobressaltou-se.
-O que fazes aqui? – Perguntou, um pouco mais brusco do que ela esperava. O seu rosto contraiu-se e Linda por segundos achava estar frente a frente ao seu próprio pai.
-Hei Kenji! – Chamou Eiji, aproximando-se dos dois. Olhou cuidadosamente para Kenji e Linda, estudando as suas expressões. – Acho que posso concluir que vocês são irmãos.
Kenji olhou-o de lado.
-Tu conheces-la?
Setsu juntou-se ao grupo, apoiando-se no ombro de Eiji.
-Meu, não te lembras da Linda que o Eiji aqui está sempre a comentar em casa, ao jantar e durante os convívios nocturnos? Espera lá… - Setsu fingiu lembrar-se de algo importante. – Já me esquecia. Tu nunca jantas connosco. Estás sempre trancado no quarto.
-Ela é da minha turma. – Disse Eiji simpaticamente.
Kenji focou os seus olhos em Linda.
-Na escola dele? Como é que…
Ela não respondeu. Não o queria fazer frente a Setsu e a Eiji.
-O que eu gostava de saber é porque têm os dois apelidos diferentes. – Comentou Setsu para si próprio. Todavia, como poupando os dois irmãos a uma resposta, alguém chamou-o e afastou-se mais uma vez. Eiji, sentindo-se a mais, afastou-se dos dois e foi ter com Cecília e Mari. Esta última nunca estivera mais desconfiada de Linda Tsukino como agora.
Ela viu o mesmo rapaz que entornara café na sua camisa preferida aproximar-se de Setsu com um sorriso na cara e Eiji a dizer que havia alguém que ele quereria conhecer. Ele aproximara-se de Linda, que estava agachada no chão com os cabelos a esconder o rosto eo óculos caídos no chão. Ele pegara neles e colocara-os no rosto dela. E parecia um daqueles momentos em slow motion em que os dois fitaram-se profundamente, erguendo os corpos até terem as colunas direitas. Ela não ouviu a seguinte conversa, pois havia demasiado barulho por parte do grupo de praxe à sua frente e até porque os outros dois falaram muito baixo. Mas deu para ver que eles se conheciam.
Mas de onde? Linda morava para os lados do monte Fuji, certo? Como é que conheceria um rapaz natural de Tokyo. Era como se Mari tivesse encontrado um puzzle com várias peças dispersas.
Agora só faltava juntá-las.

***
-Porque estás na escola do Eiji? - Ainda havia frieza, mas Linda conseguiu descodificar alguma preocupação e curiosidade no seu tom.
-Porque saí de casa. – Respondeu. Kenji franziu a testa.
-Como assim? – Perguntou, um pouco confuso.
Linda suspirou pesadamente.
-Para o caso de te teres esquecido, não eras o único com ódio a aquele ambiente. Depois da tua “saída inesperada”, eles começaram a colocar pressões em mim. Fartei-me e fugi deles.
Kenji engoliu em seco, o olhar posto no chão. Muitos pensamentos passavam pela sua cabeça, desde os problemas que a sua fuga causara na irmã até à consequente saída.
-Onde estás a viver? – Perguntou calmamente, tentando não trair a crescente preocupação que sentia. Linda ergueu o sobrolho.
-Para que queres saber? – Perguntou, usando o mesmo tom gélido que ele usara antes. Apanhado desprevenido, Kenji ofegou.
-Linda, apesar de tudo o que aconteceu, eu preocupo-me contigo.
-Tretas! – Ripostou ela, subitamente furiosa. – Sou a tua única irmã e ainda assim deves tratar melhor os caloiros do que tratas a mim. Em vez de estares contente por eu estar aqui, não, ages como se eu devesse ter lá ficado, a fazer o meu papel de princesinha obediente. – Disse, colocando ênfase nas últimas palavras. – Eu sei o que se passou. A Minako contou. – Ignorando completamente a cara de surpreso do irmão, prosseguiu sem pausas, sentindo-se a explodir. - E nem te atrevas a pôr as culpas em cima de mim. Eu não sou igual a eles. Não tenho interesse algum em Crystal Tokyo nem quem o governa. Apenas quero uma vida normal. Mas parece que está difícil, porque toda a gente se comporta como gente imbecil e que gosta de frisar a ideia de que eu NÃO DEVERIA ESTAR AQUI!
Ela gritara as últimas palavras, chamando a atenção de toda a gente à volta deles. Os irmãos Yamamoto, Mari e Cecília olharam para os dois, curiosos e espantados pela súbita perda de temperamento de Linda. Já esta inspirou fundo, sentindo-se um pouco mais leve desde a sua explosão.
De repente, sentindo umas mãos segurando os seus ombros, puxando-a contra um tronco.
-Desculpa. – Sussurrou Kenji ao ouvido dela, a voz traindo emoção. – É difícil pensar por dois quando passei os últimos dois meses a pensar apenas em mim, a tentar sobreviver. É difícil adaptar-me a nova vida de independência, longe deles, e de repente ver algo que me lembra o meu passado. - Linda tremeu nos seus braços. – Mas garanto-te que és a única pessoa que eu gostaria de ver daquele mundo. Nunca penses o contrário. – Quebrou o abraço, olhando-a nos olhos, as íris de ambos pintadas no mesmo azul nocturno.
-Devia ter-te trazido comigo. – Disse finalmente, após um curto mas longo silêncio. – Não te devia ter deixado lá.
Linda afastou-se, menos abatida.
-Não adianta chorar sobre leite derramado. Agora estou cá fora, longe deles. Vamos a ver como me safarei nesta “nova vida”.
-Pelo que gritaste, não me parece estar a correr bem. – Apontou Kenji.
Linda fez uma careta em resposta.
-Podia estar melhor.
Kenji sorriu e aproximou-se de Linda, depositando um beijo na bochecha dela. Esta sorriu em retorno.
-Não te preocupes, vai correr tudo bem. – Disse, calmamente. Depois, consultou o seu relógio de pulso, as sobrancelhas atingindo a testa ao ver as horas que eram. – Caramba, já é tarde. Linda, tenho que ir. Se me quiseres contactar, avisa os rapazes, ok?
Linda apenas teve tempo para assentir, pois Kenji deu-lhe outro beijo e começou a correr para o outro lado, os cadernos a baloiçar nos seus braços.
Foi aí que ela notou que Mari e Setsu ainda olhavam para ela. A primeira parecia desconfiada e até um pouco furiosa, mas é sempre fácil de ignorar. Mas Setsu não.
-O que foi? – Perguntou, num tom inocente. Ele apenas sorriu.
-Acho que estou a enfrentar tornados ao fazer isto, mas penso que vales a pena arriscar.
-Aí sim? – Ela não sabia onde ele queria chegar, mas decidiu entrar no jogo.
-Bem… - ele passou a mão pelo cabelo, esboçando um sorriso um pouco atrapalhado. – Queres sair comigo amanhã?
Linda não respondeu. Estava demasiado ocupada a tentar fechar a boca qual o espanto fora. Nunca nenhum rapaz a tinha convidado para sair. Bem, pensando melhor, não era que ela tivesse conhecido muitos rapazes. E também não era que ela alguma vez tivesse a liberdade de sair.
-Eu… ok? – Conseguiu dizer, sentindo depois uma grande vontade de dar com a cabeça na parede. Ela que podia ter reflectido um pouco mais, não?
-De certeza? Não querias cometer um erro. – Disse Setsu, analisando as expressões dela correctamente.
Honestamente, Linda estava louca por dizer sim. E também por dizer não. Era muito confuso. A parte racional dela dizia para ela esperar, afinal só conhecera o tipo horas antes. Mas a parte mais… adolescente dela (que tinha uma voz muito semelhante à de Minako) gritava por um sim, que ela merecia aquela experiencia e muito mais, depois de tantos anos em clausura.
Suspirando, decidiu deitar os medos pela janela fora e arrumar os pensamentos racionais para segunda-feira, tempo de aula.
-Sim, adoraria. Não serás um idiota comigo, sabendo que moras na mesma casa que o meu irmão. – Assegurou Linda, sentindo-se confiante ao ver o sorriso charmoso de Setsu (que mais parecia ser um traço dos Yamamoto) desfalecer-se um bocadinho ao ouvir o último comentário.
-Sendo assim, convinha eu saber onde moras. Para te ir buscar. – Acrescentou Setsu, ao ver o ar confuso de Linda.
Linda hesitou. O endereço nem era dela, mais valia não arriscar.
-É melhor não. A casa não é minha e já tenho problemas que chegue com a senhoria. – Disse, olhando para Mari de relance. - Que tal assim. Eu moro perto da escola, podias ir lá ter comigo. – Sugeriu. Setsu assentiu lentamente.
-O liceu aqui perto? Muito bem, encontro-te lá por volta das sete e meia da noite.
-Ok.
Setsu voltou a sorrir para ela e depois, num acto de despedida, pegou-lhe na mão e beijou-a, tornando-se para a praxe, que estava prestes a terminar por aquele dia. Tal acto não passou despercebido ao irmão, que olhou para os dois desconfiados.
-Se fosse a ti tinha cuidado com o meu irmão. – Aconselhou Eiji, os braços cruzados e com um ar semi-sério. Todavia, Linda podia jurar ouvir alguma raiva na sua voz.
-Porquê? É dos que morde?
As narinas de Eiji contraíram-se.
-Não, mas ele não é de compromissos.
-E quem disse que eu procurava compromissos? – Retorquiu Linda, sentindo-se cada vez mais furiosa. Procurando uma distracção, olhou para o relógio e viu, um pouco aliviada, que era muito tarde.
-Desculpa Eiji, falamos amanhã, ok?
Ele assentiu, mas Linda pôde jurar que, ao virar-se de costas para ele, que os seus olhos cor de avelã brilhavam de ciúme.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 12 Dez 2011, 15:41, editado 1 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por lulumoon em Qua 31 Dez 2008, 18:20

mais uma vez gostei do capitulo! ^^

eu bem que imaginei que a linda iria reencontrar o mano na universidade! Toma toma

agora o Setsu... Hummm...
quem será ele?
bem, vamos lá evr se os dois se entendem! »^^

fico á espera de masi!
bjokas

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Qui 01 Jan 2009, 10:48

obrigada =)

vou ver se posto hoje Wink

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Qui 01 Jan 2009, 18:09

mana adorei este capitulo espero por mais e espero que postes rapidamente.Matreiro

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por fanfic_lover em Sex 02 Jan 2009, 03:55

Começei hoje a ver a tua história, mas adorei!!!!
fiquei sem perceber se Linda gostava do Eiji ou do amigo do irmão, mas enfim...
Continua assim.
bjs.

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 02 Jan 2009, 08:51

muito obrigada =)

em relação a quem Linda gosta, voces vão ver Wink

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 04 Jan 2009, 10:56

Reescrito a 19/12/2011
Capítulo 10. Primeiros encontros


No dia seguinte, Aiko arrancou duas adolescentes sonolentas da cama e obrigou-as a limpar os seus quartos e a casa de alto a baixo, recusando ouvir os protestos de Mari em fazer isso de tarde. Mais tarde, Aiko revelou-se a mulher de maior sabedoria pois a casa ficara limpa apenas por volta das cinco horas. Nessa altura, Linda atreveu-se a fazer chá frio, ansiosa por uma bebida refrescante.
-Chá? – Reclamou Mari ao ver o bule com água escura.
-Ninguém te está a obrigar a beber. – Retorquiu Linda calmamente.
-Até parece que iria beber essa mistela. A minha questão é, porque é que estás a fazer chá? Costumes ingleses?
Antes fosse, pensou Linda. Na verdade era apenas um terrível hábito que herdara do pai após várias horas de trabalho. Sempre que ficava horas a estudar, a sua cabeça sentia a andar à roda e então dirigia-se à cozinha para beber um chá que a cozinheira sempre tinha feito. Antes pensava que era para ela, pois o chá tinha todas as qualidades que ela apreciava e a temperatura certa mas descobriu mais tarde que também era para o pai, após este passar horas a falar com os seus Ministros ou sentado no seu escritório a rever inúmeros papéis sobre o estado do reino. Kenji também tinha esse hábito, mas limitava-o a chá preto, o único que gostava. Estranho os hábitos involuntários que uma pessoa ganha num mundo indiferente com pais que mais pareciam ser feitos de gelo. A história do chá apenas fez Linda detestar o pai até à Lua sem retorno. Porquê, ela não sabia.

Quando finalmente se viu livre do trabalho duro, decidiu preparar-se para o seu encontro. Sentiu-se mal, sabendo que as suas roupas consistiam no uniforme da escola e uma mochila cheia de roupa. E a avó de certeza que não colocou nenhuma roupa formal na mochila.
Barafustando algumas palavras incoerentes, optou por um túnica azul e um par de calças. Decidiu reaproveitar os sapatos, rezando para que Setsu não reparasse que eram os mesmos sapatos pretos envernizados que ela usava na escola.
Fez um penteado semi-preso e colocou as lentes de contacto, sorrindo com o resultado. Porque me importo tanto com isto, perguntou-se ao mirar o seu reflexo. Muitas vezes desejara ser tão confiante quanto o pai e o irmão e até mesmo ousada como a mãe fora em juventude, como diziam os seus avós. Ela até podia ser alguma dessas coisas, mas sentia-se pequena em comparação a muitos outros. Colocou o pingente no bolso das calças, como fazia sempre e saiu.
Quando passou pela sala, viu Aiko no sofá com a neta. Esta semicerrou os olhos em desconfiança ao vê-la:
-Oh rapariga, aonde é que vais?
Linda mordeu o lábio, sentindo-se como um rato numa ratoeira. Esquecera-se de avisar Aiko que não iria sair.
-Eu vou jantar fora. Desculpa não te ter avisado, Aiko.
-Já te tinha dito, Linda. – Aiko ergueu-se do sofá, enquanto Mari fingia ver televisão, com o comando encerrado na sua mão direita. – Não quero que peças desculpas. Sou responsável por ti, não quero que te metas em sarilhos. Aonde vais e com quem?
-Aonde não sei. Mas vou sair com o irmão de um amigo.
-E como se chama esse amigo? – Perguntou Mari, desviando os olhos da televisão.
-É o Setsu, irmão do Eiji. – Respondeu Linda casualmente, não se importando em responder a Mari. – Tenho o telemóvel comigo, podes ligar se quiseres.
-Está bem, querida. Mas sabes que os telemóveis não são muito eficazes nestas ocasiões. Tenta ir apenas para locais públicos com ele, entendido?
-Aiko, garanto-te está tudo bem. O Setsu não se atreveria a magoar-me. Temos pessoas em comum e tudo.
Linda soara tão confiante que Aiko deu por si a encolher os ombros.
-Bem, tu é que sabes. Já nem me lembro da última vez que saí. E esse rapaz estuda aonde?
-Na faculdade de medicina. – Respondeu Linda. Olhando para o relógio da cozinha, viu que estava quase na hora. – Bem, tenho que ir. Até logo.
-Oh Linda? – Chamou Aiko, esperando que Linda se voltasse para ela. – Usa preservativo.
-está bem... eu… não me esquecerei…
Linda não sabia se aquilo era um aviso ou se uma piada. Fosse como fosse, limitou-se a sorrir timidamente e saiu do apartamento a abanar a cabeça á sua pouca sorte.

Dentro, Mari não fora tão discreta e rebolava-se a rir:
-Estás a te rir de quê? Há que ter segurança! Ele está a estudar medicina... de certeza que quer conhecer a anatomia do corpo dela. – Retorquiu Aiko, seu rosto traindo o humor que a situação lhe dava.
-Oh avó. É o primeiro encontro deles. Ele não se atreveria a atirar-se a ela logo á primeira. E de qualquer maneira ela já não é uma criancinha…. – Parou para rir. O vermelho na sua cara tinha aumentado.
-Pois. Em todo o caso, é melhor telefonar á Usagi a avisar.
Mari parou de rir quase subitamente, erguendo-se do sofá.
-Tens o telefone da avó dela? – Questionou surpresa.
-É claro que tenho. – Respondeu Aiko revirou os olhos ligeiramente. - Ou esperavas que ela deixaria vir a neta para aqui sem me contactar de vez em quando?
-Pois… eu… escapou-me esse detalhe. – Disse Mari, franzindo a testa em pensamento.
-Vamos a ver se ela me pode atender – Aiko dirigiu-se para o telefone, onde marcou alguns dígitos nas teclas – Estou querida? Está tudo bem? Oh, ocupada? Está bem, eu espero uns minutos…
Aiko pousou o auscultador.
-A mulher está ocupada. Parece que vai fazer uma festa na herdade e tem que organizar tudo sozinha. Ai para o raio do marido dela que fugiu para Kyoto de propósito.
Os olhos de Mari aumentaram de tamanho.
-Ela tem uma herdade?
Aiko olhou para a neta como se ela fosse uma espécie rara.
-Sim. Junto ao monte Fuji. É de lá que a Linda vem.
Mari já não entendia nada. Então Linda era rica? Pelas roupas que usava dizia o contrário.
Rica, misteriosa, estranhamente familiar… Havia ali qualquer coisa que encaixava, mas Mari não conseguia colocar as peças todas juntas.
Olhou para o telefone. Uma chamada e teria as suas respostas sobre Linda. Era a avó dela. Se fosse como a sua, contar-lhe-ia tudo.
Pegou no telefone e foi ao registo de últimas chamadas e ligou para o último número marcado.
Esperou um pouco até ouvir uma voz feminina e quente como o mel do outro lado.
-Sim?

**

Setsu esperava junto ao liceu, apoiado na porta de um descapotável Lamborghini vermelho vivo. Linda arregalou os olhos ao ver a beleza de carro e também do condutor, que estava vestido formalmente.
Quando a viu, o rosto iluminou-se rapidamente, abrindo a porta do carro como um verdadeiro cavalheiro.
-Estás bonita. – Elogiou. Linda não acreditou numa única palavra. Se eles iam a algum sítio formal, ela encontrava-se muito mal vestida. Mas sorriu ao ver que ele era demasiado bem-educado para dizer isso. Retribuiu o elogio e entrou no carro. Setsu ligou o motor e, minutos depois, encontravam-se a atravessar diversas ruas da cidade de Tokyo, o som do rádio levando uma melodia pesada aos ouvidos de Linda. O carro arrasava por entre as ruas, o seu motor rugindo como uma fera. Setsu claramente estava a exibir-se. Lembrou-se vagamente do carro que o irmão recebera quando fizera dezoito anos. Durara uma semana.
-Aonde vamos? – Perguntou, um pouco distraída. Setsu baixou o volume do rádio.
-A um restaurante na baixa. Já provaste bacalhau, certo?
Se Setsu fosse outra pessoa qualquer, teria dito que não. O bacalhau era um animal em vias de extinção. Logo era bastante caro até porque vinha dos mares do norte, acabando por o transporte aumentar o preço. Só gente rica provava tal peixe no Japão.
Todavia, ele morava com o irmão. Mentir-lhe era ridículo.
-Sim. Vários tipos. Bacalhau á Brás, com natas, á Gomes de Sá… tudo quando estive em Portugal
-Pois, o Kenji disse-me que ele fora uma vez a Portugal e que comera um fantástico bacalhau numa noite e uma francesinha no outro. Demorou um pouco até eu chegar à conclusão de que uma francesinha era um prato.
Linda soltou uma gargalhada.
-O Kenji também entendeu mal quando o nosso avó disse. Ficou a julgar que ele iria galar a francesa que dormia na suite junta à nossa.
-Ele contou-me isso. Acredita, nunca achei que ele fosse tão desinibido.
-Ainda não conheces o meu irmão. – disse Linda, sombriamente. Setsu entendeu que não devia puxar o assunto e prosseguiu com outros tópicos de conversa mais fútil.
-E viste a ponte Eiffel? – perguntou, sorridente. Linda semicerrou os olhos.
-O quê?
-A ponte Eiffel, desenhada pelo próprio. Foi o Kenji que me disse.
Linda controlou a vontade de revirar os olhos ou até mesmo de rir à descarada.
-Se o Kenji prestasse mais atenção às coisas que lhe diziam, nunca diria asneiras. O arquitecto da ponte era o sócio de Gustave Eiffel e a ponte era D. Luís I.
Setsu calou-se e não fez mais perguntas do género o resto da viagem, tanto para o humor de Linda.
Quando chegaram à baixa, o sol teimava desaparecer no horizonte e o mar encontrava-se calmo, cada toque das suas ondas espumosas nas diversas rochas escuras produzindo um belíssimo som natural e relaxante. Linda inspirou o cheiro salgado e marítimo, sorrindo para si própria. Era tão bom estar ali, na baia de Tokyo sem qualquer protecção, adulto ou dever. Estava ali porque queria e ninguém sabia quem ela era.
Podia habituar-se a isto.
Setsu estacionou o carro no parque de estacionamento, saiu do carro e apressou-se a abrir a porta a Linda.
Entraram no restaurante silenciosamente e esperaram na entrada que um empregado verificasse a sua reserva. Linda olhou por cima do ombro do homem e viu mesas dispostas por toda a sala, muito bem-postas com uma toalha branca e talheres para cada prato. Viu um pequeno bar ao fundo. Tanto o bar, como as mesas, as portas, as paredes e a decoração destas eram de madeira. Talvez para imitar um barco, ainda não tivesse tido muito sucesso na opinião de Linda. Misturar rústico com requinte não era uma ideia muito funcional.
O empregado, após várias verificações na sua lista, arranjou-lhe uma mesa. Dirigiu-os para uma perto da janela de vidro, pedindo-lhe para aguardar a chegada de outro empregado para os atender.
- Então… o que vais querer comer? – Perguntou Setsu, pegando no menu á frente dele.
-Bem... – Linda olhou para a lista de pratos oferecidos, mordendo o lábio distraidamente. - Pode ser bacalhau. Já não como há muito tempo.
Setsu sorriu e aproveitou o momento para fazer uma pergunta menos discreta:
-Porque é que tu e o teu irmão têm apelidos diferentes?
-ah? – Linda desviou os olhos do menu, apanhada de surpresa.
-Porque é que é que tu és Tsukino e o teu irmão Chiba? – Repetiu Setsu. – São filhos de pais diferentes?
Tenho essas suspeitas, pensou Linda, mas não se atreveu a dizê-las em voz alta. Clareando a garganta, disse:
-Não. Simplesmente a nossa situação familiar não está fácil. É apenas uma forma de protecção.
-Mas…
Linda ergueu o sobrolho e Setsu soube que tinha que se calar. Kenji havia feito o mesmo quando ele e Eiji lhe perguntaram acerca de Linda. O sobrolho erguido era exactamente o mesmo. E era assustador.
-É estranho imaginar o Kenji num restaurante chique a comer bacalhau. – Comentou Setsu, só para evitar o silêncio.
-Porquê.
-Ora, ele vem… como digo isto… de uma família favorecida. E não parece.
-favorecida? Queres dizer ricos? – Atirou Linda, rispidamente.
Setsu já conhecia aquela conversa. A rapariga ofendia-se sempre que o rapaz só dava interesse no dinheiro. Todavia, aquele não era o caso.
-Favorecidos. Os ricos são todos da nobreza. Além disso, o dinheiro não me importa. Pelo menos no que toca aos meus amigos e namoradas.
-E tu és favorecido?
Setsu ficou calado por um curto tempo, reflectindo. Linda pôde jurar ver um estranho brilho nos olhos.
-Da parte do pai. – Confirmou, um pouco desconfortável, o que Linda achou estranho.
-E da mãe?
Setsu tentou erguer o sobrolho da mesma forma que Linda. Ainda que fracassado, ela entendeu a deixa. Não queria falar sobre isso.
-Com aquele carro não dirias outra coisa. – Respondeu simplesmente, ignorando a última parte da conversa. Setsu riu suavemente.
-Então como é a universidade? – Perguntou Linda, desconfortável com o silêncio que se seguiu.
-É muito boa. Excelente experiência. Principalmente a praxe. – Setsu olhou de relance para Linda, vendo-a a sorrir ao mencionar a praxe. – Além disso, sempre sonhei fazer algo realizador. Mais pormenorizadamente, cirurgião plástico.
-Cirurgião plástico? Para quê? Operar quarentonas em busca de silicone?
-Ao menos ganharei bem... e tornarei o feio em bonito.
-Um artista?
-Pois. O meu pai não queria que eu fosse artista, por isso escolhi a “arte da medicina”.
Linda riu-se.
-E o teu pai sabe disso?
-claro que não! Se souber tranca-me no quarto até a “crise de artista” me passar.
-É... eu sei o que é ter um pai assim.
-O teu também te controlava?
-Muito. – Linda tornou-se para a janela. Pensar no pai era muito mais doloroso do que pensar na mãe. Porquê, perguntou-se. Às tantas era mesmo aquela inquietação, aquela incerteza de que ele era o seu verdadeiro pai. Não havia quase nada dele nela. Nenhum traço, nenhuma característica. Pareciam completos estranhos que viviam na mesma casa. Imaginar o seu pai a segurá-la quando ela nascera era impossível porque ela sabia que ele nunca estivera com ela quando ela era pequena. Só lá estava para a controlar. Para exercer a sua atitude gélida nela, os olhos traindo algo que ele não mostrava. Algo que ela nunca conseguira ver, muito menos entender…
Um empregado aproximou-se, quebrando os pensamentos de Linda:
-já fizeram os pedidos? – Perguntou, cordialmente.
-Sim. Queremos bacalhau á Brás. Queres á Brás, certo? – Setsu perguntou a Linda.
-Claro. Pode ser
-Então é isso. E gostava de beber cerveja e tu?
-água.
-Ouviu? - Disse para o empregado, que assentiu.
- Dois bacalhaus á Brás da casa, uma garrafa de água e uma cerveja. É tudo? - Confirmou o empregado.
-Sim. – Responderam os dois.
O empregado afastou-se em direcção á cozinha, desaparecendo atrás de uma porta.
Setsu olhou para os olhos de Linda. Estranho como os olhos dela eram tão diferentes mas também tão semelhantes aos de Kenji. Perguntava-se como Eiji não se apercebera das semelhanças logo ao primeiro olhar.
-Como é que o Kenji se está a sair? – Perguntou Linda.
-O Kenji? Está muito bem. A sua vida social é que está abaixo de zero. Raramente saí, costuma ficar por casa a estudar ou a ver televisão. Engraçado é que apesar do tempo que passa em casa, nunca faz as suas tarefas a tempo. Bem, para ser honesto nenhum de nós faz.
-Isso parece típico do Kenji.
-Ele nunca teve vida social? – pergunto Setsu com curiosidade genuína. Linda fez uma careta.
-Mais ou menos. Sempre teve mais do que eu. Mas, devido a motivos pessoais, nunca foi daqueles que chamar muito nas vistas ou de estar sempre em bares e discotecas.
Linda sentiu-se satisfeita com aquilo que dissera. Era verdade, mas não por completo. A fraca vida social de Kenji era um pequeno preço a pagar para que ninguém em Tokyo, nomeadamente os paparazzi, conhecesse a cara do príncipe ou até mesmo o seguisse para onde quer que ele fosse. Os paparazzi nunca conseguiram infiltrar-se nos terrenos da sua família, algo que Linda nunca conseguiu explicar. Para sua alegria e do irmão, ninguém sabia como eles eram. Perfeito para algum dia eles facilmente se misturarem no meio do rebanho de ovelhas que era Tokyo.
Era como se, toda a vida, eles tivessem sido preparados para fugir…
A comida chegou e os dois prolongaram a conversa por entre garfadas. Setsu não conseguia deixar de comparar Linda com Kenji. Como era possível ela comer requintadamente enquanto o irmão bebia leite no pacote. Tanto Setsu como Eiji sabiam que os dois irmãos tinham graves problemas com a família. Porque motivos estavam longe um do outro, com apelidos diferentes e com atitudes um pouco estranhas. Como se escondessem um grande segredo. Pessoalmente, Setsu não se importava muito. Aliás, o mistério em torno de Linda apenas o fazia gostar cada vez mais dela.
-O meu irmão não se importou que saísses comigo? – Perguntou a rapariga.
-Desde que tivesse limites. – Murmurou em resposta, divertido. Riu-se com a cara de parva que Linda fez – não te preocupes, eu disse ao teu irmão quais eram as minhas intenções contigo.
-Sair contigo, conhecer-te melhor. Nunca vi uma rapariga tão estranha e misteriosa como tu.
Linda não soube o que responder, limitando-se a terminar o seu bacalhau.
No final, ele fez questão de pagar o jantar e convidou-a para um passeio. Ele pôs o braço na anca dela, apertando-a ligeiramente para si. Linda sentiu-se um pouco incomodada, mas nada disse, não querendo estragar o momento.
Quando pararam, ao fim de alguns minutos, Linda não sabia de haveria de correr na direcção oposta ou deixar-se estar. A segunda opção pareceu-lhe mais fácil e educada.
-Já viste a lua? Está tão bonita. – Comentou Setsu, mirando a lua em quarto crescente pintada no quadro escuro que era o céu nocturno, coberto com algumas nuvens.
-Pena que não seja lua cheia. – Respondeu Linda, olhando também para o céu.
-Lá isso é verdade. Mas esta é bem bonita. – Virou-se para ela e sem dar conta os dois aproximaram os seus rostos, os lábios a poucos milímetros de se tocarem. Linda sentiu um certo desconforto, mas deixou-se levar. Os lábios estavam prestes a unir-se quando se ouviu um barulho ao longe.

*****

-Aiko, desculpa. Fiquei de tratar com uma amiga minha acerca do menu de almoço, mas ela tinha outros planos. Acredita que a Makoto faz as melhores sopas, mas preferia algo mais leve para este almoço… enfim… – Balbuciou a voz feminina, parecendo um pouco nervosa. – Aiko?
-Estou a falar com Usagi Tsukino? – Perguntou Mari, um pouco nervosa. Ouviu-se silêncio do outro lado da linha por uns momentos.
-Deves ser a Mari.
-Sim, sou. – Respondeu a rapariga, com a voz baixa. De alguma maneira, aquela mulher fazia sentir-se pequena. E ela nem sequer a conhecera pessoalmente.
-Então. Porque me telefonaste? – perguntou a mulher, sempre muito cordial.
-Bem… – não sabia o que dizer. Aquela voz era tão doce e quente, como o mel. Não lhe queria mentir. Não queria falar sobre Linda. De repente, o mistério acerca da identidade de Linda não parecia tão importante – A Linda teve um encontro. Com um rapaz da universidade de medicina.
-Bem... espero que ele não lhe queira explorar a anatomia do corpo dela. – Ouviu-se uma gargalhada do outro lado, o que espantou Mari. Abanou a cabeça, exasperada. Isto provava que Usagi era mesmo amiga da sua avó. De que outro modo teriam as duas aquele peculiar sentido de humor?
- E como se chama esse rapaz? – Perguntou Usagi serenamente, ainda que Mari tivesse detectado um pouco de preocupação no seu tom de voz.
-Chama-se Setsu Yamamoto e…
-Yamamoto? Oh, eu conheço o rapaz. Nem sabes o quanto me sinto aliviada por saber que é ele.
-Conhece o Setsu?
-Sim, a minha filha é uma grande amiga da mãe do Setsu.
Mari sentiu que chegara a algum lado. Uma pista. O problema estava que Eiji não falava da mãe. Da biológica pelo menos.
-Mari, estás a falar com a Usagi? – Ouviu a avó perguntar. Aiko entrou na sala e, tirando o telefone da mão da neta, disse:
-Oh, querida… como estás? A Mari já deve ter-te falado do encontro que a Linda teve. É com um futuro médico. Isso faz-me lembrar aquele rapaz que eu…

Mari saiu da sala não notando no olhar que Aiko lhe lançara quando ela saíra e no súbito tom murmuroso para o qual alterara a conversa quase de súbito. Ao entrar no seu quarto num livro que estava na estante e atirou-o para cima da secretária, procurando uma distracção. Sabia que não conseguiria ler mais do que dez páginas, mas ao menos dormiria mais cedo.
A avó terminara a conversa e chamara-a para jantar. Finda a refeição, Mari voltou para o quarto, desta vez com a intenção de dormir. O livro não avançara das cinco páginas e Mari suspirou, sentindo-se derrotada. Amaldiçoou Cecília por querer obrigá-la a ler aquelas bodegas.
De repente, viu uma luz rosa no horizonte da janela do quarto. Sem pensar duas vezes, Mari ligou para Cecília, perguntando-se para si própria se aquela luz seria natural.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 19 Dez 2011, 12:40, editado 4 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por Monica em Dom 04 Jan 2009, 13:01

-ah… e Linda? – Esperou que Linda se voltasse – usa preservativo!
...
Há que ter segurança! Ele está a estudar
medicina... de certeza que quer conhecer a anatomia do corpo dela
...
bem... espero que ele não lhe queira explorar a anatomia do corpo dela. – Ouviu-se uma gargalhada do outro lado.
:Rolar: :Rolar: :Rolar: :Mongloide=D:

mana fartei-me de rir com estas estão de mais. espero por mais capítulos :g1: :dança:

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Dom 04 Jan 2009, 13:28

obrigada.. agora vou demorar um pouco mais a postar um novo capitulo porque tenho k estudar =)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por LuaSerena em Dom 04 Jan 2009, 17:20

Oi! Ja tinha lido a tua fic ms ainda n tinha postado (sou uma desnaturada...). Ta mt gira! Adorei o ultimo cap.

bem... espero que ele não lhe queira explorar a anatomia do corpo dela. – Ouviu-se uma gargalhada do outro lado LOOOL Go Usa! Very Happy

Da janela do seu quarto viu uma luz rosa ao fundo. "Que luz era aquela? Fikei curiosa...

Fico a espera de mais... Very Happy

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por fanfic_lover em Seg 19 Jan 2009, 09:48

Adorei, como sempre.
continua assim!

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Re: A Guardiã dos Sonhos

Mensagem por AnA_Sant0s em Sex 23 Jan 2009, 13:53

sorry este capitulo chibi mas vou começar a demorar mais nesta fic (e nas outras) por causa da escola e achei que este capitulo tinha que ficar arrumado...

espero que gostem =)

reescrito a 26/12/2011
Capítulo 11. Uma nova Sailor

A baia de Tokyo foi invadida temporariamente por uma luz cor-de-rosa, centrada num único ponto. Curiosamente, poucas pessoas notaram nesse estranho fenómeno e dessas poucas, só uma se encontrava na baia de Tokyo.
A luz rosa desapareceu. E com ela, veio o seu responsável. Uma sombra baixa que, iluminado pela luz dos candeeiros nocturnos luz não passava de um homem gordo, de queixo erguido. Vestia um manto negro, que tapava a sua roupa, mas não disfarçava o olhar severo e a calvície.
O homem observou o seu redor. Estava num parque de estacionamento. Aterrara em cima de um Lamborghini vermelho, cujo alarme começara a disparar. Os seus poderes indicavam que a Flor não estava ali. Nem aquele que ele procurava…
O segurança do parque apareceu, atraído pelo som do alarme.
-Hei, você aí! O que está a fazer? – Gritou o homem, demasiado confuso para fazer outro tipo de pergunta.
O homem permaneceu quieto, lançando ao segurança um sorriso sinistro que provocou no outro homem uma súbita vontade de fugir na direcção oposta. Todavia, antes mesmo que o segurança pudesse dar um passo atrás, o homem fez uma luz verde surgir da sua larga mão.
-O que é isso? – Perguntou o segurança, apavorado.
-Seu estúpido. Como te atreves a importunar-me? – Falou o homem com a sua voz grossa, provocando um calafrio no segurança.
-O senhor vai ter que dar explicações ao dono do carro – disse o segurança, meio a gaguejar.
-Ai tenho? – O homem saltou do carro e olhou para o Lamborghini vermelho. Com um pequeno gesto de mão, o carro incendiou-se, perante a cara assustada do segurança.
A figura suspirou, irritada consigo própria. Havia alguma interferência nos seus poderes. Daí que tenha vindo parar ao local errado.
O fogo alastrou-se para os céus, enchendo-o de nuvens cinzentas e tornando o ar dificilmente respirável.
De repente, a figura ouviu passos apressados e duas figuras surgirem.
-O meu carro! – Gritou Setsu. Estava prestes a beijar Linda, quando ouviu o alarme do carro. Assustado, correu para o parque com Linda atrás para ver um homem incendiar o seu carro.
O homem riu-se, a sua gargalhada provocando calafrios nas pessoas em volta dele. Foi então que os seus olhos se cruzaram com a rapariga. Morena, olhos azuis. Não a esperava ver ali, na Terra, junto de todos os outros. Franziu a testa ao recordar as palavras de Lady. Aquela rapariga era exactamente um dos motivos por ele ter vindo ao Japão em primeiro lugar, em vez de tentar procurar o que queria noutro país. Infelizmente, nada podia fazer. Lady tinha planos para a moça.

Linda tinha a impressão de já o ter visto. Mas aonde? Aquele olhar aterrorizante fazia as suas pernas tremerem.
Setsu estava furioso, aproximando-se do homem decidido. A sua ira cegava o seu bom senso, não se apercebendo de que aproximar-se da figura baixa era a última coisa que deveria fazer.
-Você vai pagar o carro, ouviu! – Gritou para o homem, apontando o dedo indicador. Este riu-se, parecendo incapaz de formular palavras de tão cómica que era a situação para ele.
Setsu apercebeu-se então de que aquele homem não só não era estável, mas como era muito perigoso. Num acesso de pânico, colocou-se à frente de Linda, mas isso não impediu a figura de lançá-lo contra um outro carro. Setsu caiu no chão, inconsciente.
O segurança aproveitara e fugira em busca de ajuda. Só ficara ela. O homem virou-se para Linda.
-Tu… - disse ele, a sua voz traindo nojo e ódio. – A Meretriz…
Linda não reagiu, tal era o medo que sentia.
-Lady tem planos para ti, mas isso não signifique que não te possa usar para encontrar aquilo que eu procuro. Ele procura sempre a sua meretriz… – Riu-se maleficamente, lançando um raio em direcção a Linda. Foi tão rápido que a rapariga não teve tempo para se desviar, sendo atingida em cheio no estômago. A dor foi semelhante a uma martelada, tão forte que empurrou-a contra o carro que se encontrava atrás de si, para junto de Setsu, sentindo o vidro do pára-brisas partir-se com o seu peso, já pressionado com o do rapaz. Ao contrário deste, ela ainda não tinha desmaiado. O raio não fora muito forte com ela.
Viu o homem pegar num pequeno objecto verde, semelhante a uma conta. Atirou-o ao chão e Linda viu aquilo que apenas ouvira falar nas histórias da avó.

**
Um pouco longe dali, dois vultos encontravam-se num telhado, observando a baixa, à espera de mais sinais da explosão cor-de-rosa. Mas esta desaparecera por completo. O instinto dizia-lhes para elas irem, no entanto algo as impedia. Talvez o facto de estar tudo calmo. Mas as aparências às vezes enganam, pensou uma para si. A outra, como que lendo os pensamentos da companheira, sorriu e disse:
-Não te preocupes. O que quer que seja estará resolvido daqui a pouco.
-Como sabes? – Perguntou a outra, desconfiada.
-Tenho um pressentimento.
A sua companheira soava tão decidida que a outra viu-se compelida a aceitar a decisão. E, sem esperar mais, desapareceram.

**
No palácio, Usagi olhava pela janela do seu quarto para Tokyo, reflectindo.
-Porque é que não queres que façamos nada? – Perguntou Minako, erguendo-se do cadeirão onde estava sentada.
Usagi não respondeu de imediato. Sabia que as navegantes, dispersas à sua volta, esperavam o sinal para impedir os acontecimentos de se sucederem. Até ela queria impedir esses mesmos acontecimentos. Mas um olhar a Setsuna fê-la retomar à sua decisão anterior.
-Sim. Esta batalha não é nossa. Confiem em mim.

**
Uma estranha criatura surgira á sua frente. A sua forma era a de um espantalho verde com olhos vermelhos, com íris negra e desvairada.
A figura baixa franziu a testa. Aquele monstro teria que servir para o efeito. Podia perder a sua energia depressa, mas assim que a ganhasse seria imbatível. E ele planeava que a meretriz lhe desse a energia necessária. Irónico como ele viera ali procurar a Flor de Júpiter para servir os propósitos da sua Lady, mas encontrara a meretriz para servir os seus propósitos. Decidiu esperar um pouco a fim de visualizar os efeitos do ataque do monstro na rapariga indefesa.
-Ataca aquela miúda! – Disse, apontou o dedo indicador para Linda. Todavia, não precisava de ordenar o monstro para tal, pois este só tinha olhos para o único ser com sangue quente ali no parque. Os seus olhos vermelhos brilharam por segundos e, em seguida, o monstro multiplicou-se. Vários sereis iguais a ele apareceram em volta de Linda, que conseguira levantar-se. Olhava, atónica, para os monstros que estenderam os braços para ela. Soltou um gemido ao sentir os braços mais semelhantes a tentáculos agarrarem-na e sugarem a sua energia rapidamente, fazendo-a sentir-se mole como uma boneca de trapos. A fraqueza consumia-a, mas pior que a energia que o monstro lhe sugava era as vozes que ela ouvia. Gemidos longínquos, vozes exaltadas mandando-a mexer-se e vozes ternas contando-lhe histórias…
Talvez estivesse a desfalecer. Fosse como fosse, naquele momento, a voz da sua avó era tudo o que ouvia. Sempre que ela tinha um pesadelo, ela vinha sempre ter com ela, falando de uma mulher que a protegia, a Guardiã dos Sonhos. Nunca perguntara-lhe quem era essa mulher. No fundo, era como se soubesse.
Mas naquele momento, era ignorante em todos os aspectos. O relógio parecia ter abrandado. Segundos pareciam-lhe minutos e ela perdia as suas forças a cada momento. Sentia-se à beira da inconsciente, ou até pior. Várias memórias vieram-lhe à cabeça, desaparecendo como flashes antes que ela se apercebesse de onde eram, mas uma prevaleceu.
Tinha sete anos. Tivera outro pesadelo. Ela nunca sonhava mas havia altura raras mas dolorosas em que pesadelos invadiam-na. Ela nunca se lembrava deles, mas eram tão agonizantes como as memórias que ela via naquele momento. Era estranho e muitos diziam que era da cabeça dela. Que toda a gente sonhava. E Linda cresceu a dar-se a si própria a mesma explicação. Ela tinha que sonhar. Ou de que modo ela teria os seus pesadelos?
Mas no fundo, Linda sabia que aquilo que via não era pesadelos. Parecia algo demasiado real para ser criado pelo subconsciente.
Uma mulher a chorar pelo mal que sentia. Pelo negro em seu redor que a matava, lentamente, consumindo a sua esperança, cegando-a da luz que a cercava. Ninguém a podia salvar. Perdera tudo o que tinha. Linda sentia cada bater do seu coração como se fosse o seu. De repente, tudo parou. Ela acordara sobressaltada e notou que a avó estava à sua frente, a sorrir, ainda que os seus olhos traíssem preocupassem e um pouco de curiosidade:
-Não tenhas medo! – Sussurrou calmamente, tentando consolar a menina ofegante. – Eu estou aqui.
-Que foi isto? – Perguntara, a tremer.
-Só um pesadelo, querida. – Respondera serenamente. – Por algum motivo, Linda duvidou das palavras da avó, mas sentia-se tão cansada que deu por si a derreter-se no calor irradiado no sorriso da sua avó, sentindo a sua respiração acalmar. Viu, de relance, uma sombra no fundo do quarto. Mas não lhe deu a melhor importância, fechando as pálpebras ao som da voz da avó, que sussurrava calmamente, com uma voz quase em tom profético:
-Linda, o teu destino está interligado à Guardiã dos Sonhos. Ela é parte de ti e tu és parte dela. Se algum dia a chamares, Ela virá ter contigo.

O monstro largou-a de repente. Ela caíra no chão como uma marioneta, as palavras da sua avó fazendo eco na sua cabeça. As palavras fizeram eco nos seus ouvidos.
Se algum dia a chamares, Ela virá ter contigo.
Foi então que notou no motivo para o monstro a ter largado. O pingente tinha caído do bolso das suas calças, brilhando intensamente em frente a Linda. A figura baixa semicerrou os olhos, desconfiado, mas nada fez.
Por uns momentos, o pingente brilhou com toda a sua magnificência, sendo observado pela figura, pelo receoso monstro e por Linda. Esta foi a primeira a aperceber-se que o pingente havia sofrido uma estranha metamorfose. Estava maior, semelhante a um alfinete e Linda pôde ver, através da extrema luminosidade, que os nove pontos permaneciam sem brilho e na mesma cor do ébano. E, de certa forma, Linda sentiu o poder irradiando naquele alfinete.
E entendeu aquilo que tinha que fazer.
Sem hesitar, agarrou o alfinete e apertou-o contra si.
Se algum dia a chamares, Ela virá ter contigo.

-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã dos Sonhos! – Gritou. Fechou os olhos e sentiu uma estranha energia envolve-la. Algo no seu corpo mudara. Um arrepio percorreu as suas pernas e sentiu os cabelos no pescoço eriçarem-se.
Abriu os olhos. Não precisava de olhar em volta para ver o que acontecera. A mudança ocorrera nela. A Guardiã dos Sonhos era ela.
O cabelo negro encaracolado estava penteado num semi-preso, agarrado por uma estrela, o seu pingente. Tinha um fato de marinheiro, típico de Sailor, dotado de cores preto e branco, enquanto a minissaia negra tinha uma leve linha desenhada na bainha. Por cima do laço preto que adornava o peito, encontrava-se uma bola dourada. A parte inferior das pernas era escondida por botas pretas com levíssimo tacão e uma estrela desenhada no topo.
Era tudo novo e confuso para Linda. As histórias faziam agora tanto sentido. Mas porque é que ela nunca soubera?
Infelizmente, aquele não era momento para reflexões. Sentiu o olhar do homem posto em si. Este parecia apavorado, a palidez da sua pele ficando mais acentuada.
-Meretriz. Destruidora, cujo ventre concebe raios destruidores e imundices. – Murmurou entre dentes, os seus olhos brilhando em cólera. – O que esperas? DESTROI-A! – Gritou para o monstro, descontrolado.

O monstro não hesitou, lançando-se contra a nova navegante. Esta, por sua vez, tentou desviar-se das suas investidas, pensando nalguma forma de se defender. Infelizmente, a sua avó nunca explicara como as navegantes sempre souberam que ataques usar quando se viam com fatos de marinheiro pela primeira vez. Seria algo involuntário?
Quando o monstro voltou a atacar, desta vez atingindo um outro carro, Linda decidiu arriscar. Os alarmes dos carros abatidos ameaçavam chamar toda a gente em torno e Linda sabia que mais gente naquele local só iria provocar estragos.
Decidiu arriscar e, juntando as duas mãos para formar uma estrela de cinco pontas, gritou as primeiras palavras que lhe vieram à cabeça:
-Silver Star Dream – Estrelas prateadas saíram literalmente das suas luvas brancas, em direcção ao monstro. O ataque apenas fez com que o monstro desse um passo para trás, mas não ganhara nem um arranhão.
Linda praguejou suavemente. A figura pareceu satisfeita.
-Ele sugou a tua energia. Não o poderás deter simplesmente, sua tonta. Irás morrer ainda hoje, antes mesmo que causes os males do passado.
Males do passado? Linda estava confusa. Como conseguiria derrotar aquela criatura se ela parecia ser feita de ferro?
Após voltar a escapar de mais uma tentativa de esmagamento, Linda ofegou. A transformação dera-lhe alguma energia para compensar aquela que perdera mas o monstro esgotava a que lhe restava. Já não conseguia ouvir nada, de tão alto eram os alarmes dos carros achatados pelo monstro. Linda espantou-se que a polícia ou mais alguém não tivesse vindo.
O monstro voltou a atacar mas o carro atingindo havia perdido o capote há algum tempo, indo o ataque provocar danos no motor. Uma pequena explosão abalou o cenário. Linda olhou para onde Setsu estava desmaiado vendo, para sua grande alívio, que ele estava longe da explosão. A explosão provocou um incêndio no carro e Linda temeu que as chamas chegassem aos outros carros, todos com depósitos cheios de gasolina.
Em pânico, correu para junto de Setsu e fechou os olhos com força.
-Moon Treasure – Sentiu os seus pés elevarem-se uns centímetros no ar.. A estrela, presa no cabelo, iluminou-se e libertou energia tão forte que o cegou o monstro, enfraquecendo-o. A luz espalhou-se pelo carro e foi aí que tanto Linda como o homem viram uma linha de gasolina derramada a incendiar-se.
Olharam-se por um segundo apenas. O homem desapareceu com uma expressão furiosa. Em pânico, Linda pegou em Setsu e tentou arrastá-lo dali. A sua roupa voltara ao normal sem se aperceber e Setsu começava a acordar.
-Mexe-te. – Ordenou Linda, desesperada. Não sabia quanto tempo tinha.
Ele, ainda que zonzo, entendeu a mensagem. Juntos, saíram do parte poucos segundos antes de uma grande explosão cercar o parque, uma grande nuvem laranja enchendo o céu e alastrando-se na direcção dos quatro pontos cardiais por vários metros. Linda e Setsu caíram para a frente e tentaram gatinhar para um esconderijo, escapando por pouco aos inúmeros destroços que voavam. Ouviu-se os gritos aterrorizados das pessoas e até mesmo o alarme de algum carro solitário.
O caos reinou durante uns segundos infernais. Depois, tudo acalmou.


Última edição por AnA_Sant0s em Seg 26 Dez 2011, 15:05, editado 2 vez(es)

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Re: A Guardiã dos Sonhos

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